LABORATÓRIO DE ESTUDOS AGRÁRIOS - LEA

MODERNIZAÇÃO EXCLUDENTE
DENISE ELIAS e JOSÉ LEVI FURTADO SAMPAIO (Orgs.)

COLEÇÃO PARADIGMAS DA AGRICULTURA CEARENSE

 

APRESENTAÇÃO

Essa coletânea reúne artigos sobre a agricultura e o espaço agrário cearenses escritos por diferentes profissionais. Nasce o livro da necessidade de aprofundamento do debate sobre os principais paradigmas do atual processo de reestruturação produtiva da agricultura cearense e de suas conseqüências sociais, ambientais e territoriais, com objetivo de contribuir para a construção dos elos de sua sustentabilidade.

Acreditamos que as temáticas trabalhadas são de utilidade para quantos têm na agricultura seu objeto de interesse. Entretanto, considerando as temáticas subjacentes que perpassam os artigos, tais como a reestruturação produtiva e do espaço geográfico; a biodiversidade; as políticas públicas, entre outros, dirigem-se, também, a profissionais de outras áreas e ao público em geral, uma vez que o Ceará se constitui num verdadeiro laboratório dos processos emergentes associados à globalização econômica. Dessa forma, o livro interessa não somente ao público acadêmico, mas também aos professores e estudantes de nível médio; aos técnicos de instituições públicas e privadas; aos atuantes em organizações não governamentais, etc.

Alguns dos artigos ora apresentados resultam de trabalhos de pesquisas mais amplas e já concluídas, enquanto outros são extratos selecionados de atividades de pesquisa em andamento.

Compõe-se a coletânea de seis artigos.

O artigo de autoria de Denise Elias aborda as principais transformações da agricultura cearense nas últimas três décadas no contexto do novo modelo econômico e social de produção agropecuária que se organizou no Brasil com a globalização. Destaca o papel do Estado, em seus diferentes níveis, como principal agente da reestruturação produtiva e do espaço agrário e defende a insustentabilidade da integração competitiva do semi-árido cearense, no sentido que acirrará a exclusão e aprofundará as desigualdades.

As novas territorialidades e sociabilidades do sertão, oriundas da política de irrigação, proposta como solução para os problemas decorrentes das secas, são estudados por  Aldiva Sales Diniz. Para tanto, recorre a uma análise teórica do processo de reprodução do espaço geográfico, enfatizando o papel do Estado enquanto principal agente responsável por este processo. Analisa, ainda, as relações de poder e contradições oriundas com a construção dos perímetros irrigados do Dnocs e seus impactos políticos, econômicos e sociais.

Hidelbrando dos Santos Soares reconstitui o processo histórico de implantação da rizicultura no município de Limoeiro do Norte e demonstra o surgimento desta cultura como uma atividade tipicamente comercial. Moldada, porém, pela racionalidade capitalista, como resultado do processo de modernização da agricultura no Nordeste semi-árido, a rizicultura é materializada principalmente através das políticas públicas de irrigação, ocorrendo seu desenvolvimento com base na expansão da produção familiar. Isso significou o estabelecimento de fissuras na organização do espaço sob o signo da rizicultura irrigada, com velhos atores realizando novas funções.

O artigo de Maria Soares da Cunha traça as vias de expansão e crise da cajucultura no Ceará, desde a etapa de difusão espontânea até o momento de formação dos grandes plantios comerciais, associados aos incentivados fiscais da Sudene dirigidos à agroindústria da castanha de caju. Os mecanismos de produção, as formas de articulação das relações sociais de produção, assim como de comercialização da castanha de caju são também trabalhados. Apresenta, ainda, as principais causas e manifestações da crise atual do setor e a expansão do agronegócio do caju como uma tendência em curso.

Mônica Dias Martins analisa as transformações provocadas pela implantação de uma usina de açúcar no Vale do Curu, no sertão semi-árido, através dos incentivos governamentais. Com vistas a compreender o sentido das mudanças no modo de representar interesses e gerir políticas no setor sucroalcooleiro, detém-se na relação do Estado com as classes sociais e nas alterações socioambientais promovidas pela implantação e falência da usina objeto de estudo.

Illona Maria de Brito Sá faz uma avaliação da biodiversidade cearense e verifica que a cada dia esta é reduzida, porque os processos naturais e sociais estão eliminando as espécies da fauna e da flora. O trabalho mostra que o uso irracional dos recursos naturais no Estado tem degradado o solo, eliminando os microorganismos que garantem  a fertilidade. Mostra, ainda, que a destruição da  vegetação contribui para acelerar processos erosivos e deixa as espécies animais desprotegidas principalmente aquelas  em extinção. Fica evidenciado que o Ceará perdeu parte de sua flora e fauna, num grave processo de desertificação em curso.

 

 

 

 


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