António Gonçalves Dias (1823-1864) - Poeta brasileiro, filho ilegítimo de um negociante reinol, estabelecido no Maranhão, com uma mestiça, nascido um ano após a declaração de independência. Aos 6 anos, viu-se privado do contacto com a mãe, abandonada por ocasião do casamento do português com uma senhora da burguesia local. Por influência de um professor de Latim, e auxílio da sua madrasta, viaja para Portugal após a morte do pai, cumprindo um seu antigo plano. Segue o curso do Colégio das Artes, em Coimbra, entre 1839 e 1841. Apesar das dificuldades financeiras, consegue matricular-se em seguida na Universidade. Estuda alemão e italiano, colabora em várias revistas e escreve os primeiros versos inspirados pelas saudades da terra brasileira ou por devaneios amorosos. Bacharel em 1844, regressa ao Maranhão, transferindo-se depois para o Rio de Janeiro. Apesar da recusa dos seus dramas pelo Conservatório Nacional, consegue algum prestígio. Leciona latim no Colégio D. Pedro II, torna-se sócio do Instituto Histórico e Geográfico e dedica-se ao jornalismo. Retorna ao Maranhão em 1851, incumbido de estudar os problemas da instrução pública nas províncias do Norte. Casa-se, mas logo separa-se da mulher. Dedica-se, então, a missões de estudo pela Europa (1854-1858) e Norte do Brasil (1859-1862), envolvido em aventuras amorosas que nem sempre terminam bem. Doente e psicologicamente deprimido, tenta uma cura em França, morrendo no regresso à terra natal, quando o navio em que viajava naufraga junto à costa do Maranhão, em 1864. Foi a única vítima mortal. Estava muito debilitado e os demais não se lembraram de ir buscá-lo ao camarote.
Gonçalves Dias publicou em 1847, com 24 anos,o seu livro de estreia, Primeiros Cantos, reunindo os poemas escritos em Coimbra. A Canção do Exílio tornou-se com o passar dos tempos no poema mais popular em seu país, sendo que alguns versos foram inclusivamente adaptados ao Hino Nacional. Foi um dos poucos poetas brasileiros que soube dar um cunho nacionalista à poesia romântica, mesmo abordando os temas mais caros ao romantismo europeu, como o amor impossível, a religião, a tristeza e a melancolia. Suas paixões são reveladas muitas vezes num tom ingénuo e melancólico, mas sem jamais atingir o aspecto tempestuoso e depressivo que caracteriza os poetas da segunda geração romântica. Os seus poemas podem ser divididos em duas temáticas básicas: os seus malogrados casos de amor e uma exaltação ao índio e à natureza brasileiras. Ambas possuem um fundo autobiográfico, já que dizia ser neto de índios e negros por parte de sua mãe. Chegou mesmo a criar um dicionário de tupi-português. Dentro da temática indígena, são mais conhecidos os poemas I-Juca-Pirama ("aquele que é digno de ser morto") e Marabá (palavra em tupi que designa os descendentes de índios e brancos).