PESSANHA, CAMILO de Almeida (7/9/1867, Coimbra - 1/3/1926, Macau). Filho ilegítimo de um estudante de Direito que, depois, foi juiz e de uma rapariga do povo que servirá mais tarde o pai como governanta. Frequentou também a Faculdade de Direito de Coimbra e, em 1894, poucos anos depois de formado, parte para Macau. Aí exerce as funções de professor no Liceu e de conservador do registo predial. Conviveu durante alguns anos com Venceslau de Morais, que depois se fixaria no Japão. A estada de Camilo Pessanha em Macau, com dois intervalos pouco demorados em que esteve na metrópole, foi marcada por uma vida irregular e por uma relativamente frágil sáude. O vício do ópio e a prática do concubinato são aspectos que contribuíram para um isolamento ou marginalização que, sobretudo nos últimos anos da sua vida, ele teria acabado por procurar. Podemos dizer que Camilo Pessanha é, ao lado de António Nobre e Ângelo de Lima, um daqueles poetas que, mediante a sua obra e a poética que nela está implícita, delineou as mais conseguidas e inovadoras direcções no desenvolvimento do nosso simbolismo, dado que outros assumiram esta corrente sob uma forma que, sendo mais polémica, acabou por se revelar menos conseguida e coerente, como é o caso de Eugénio de Castro.
A poesia de Camilo Pessanha, situada embora em pleno simbolismo, pode ser entendida numa linha de continuidade que desemboca no modernismo, verificando-se a circunstância de o primeiro conjunto significativo da sua obra ter sido publicado na revista modernista Centauro. A edição da Clepsidra (1920), o único livro de poesia que publicou em vida, foi organizada de acordo com algumas indicações suas e, posteriormente, completado com novos poemas.