CORTEZ, Alfredo (1880-1946) - Nasceu em Estremoz. Grande dramaturgo, sem dúvida o maior da geração que se afirmou no período balizado pelas guerras de 1914-18 e 1939-45, a sua obra, de expressão rigorosa e linear, acusa um perfeito domínio da técnica e da linguagem próprias do teatro e caracteriza-se por uma análise lúcida e impiedosa dos costumes da sociedade portuguesa e uma profunda compreensão anímica do povo português. À parte um drama histórico em verso (À La Fé, 1924) e um ciclo de peças de tese em que defendeu valores tradicionalistas (Lourdes, 1927; O Ouro, 1928; Domus, 1931), que constituem a parte menor e menos significativa da sua obra, esta reparte-se por dois grandes grupos: as peças de intenção social (Zilda, 1921; O Lodo, 1923; Gladiadores, 1934) que o autor definiu como "caricatura da época mundial que atravessamos" e cuja estética vanguardista lhe valeu a hositilidade do público; Bâton, 1939, que a censura só deixou subir à cena sete anos depois; Lá-Lás, 1944) e as de costumes populares (o díptico do mar e da terra, consubstanciado em Tá-Mar, 1936, e Saias, 1938). O sopro lírico destas constrata com o áspero realismo daquelas e o expressionismo da caricatura de 1934, mas em todos elas pulsa o talento vigoroso do dramaturgo que, na sua obra, transpôs as limitações ideológicas do homem. Escreveu o argumento e os diálogos do filme Ala-Arriba, de Leitão de Barros (1942) e traduziu várias peças de Porto-Rico, H. Ghéon, A. Josset e Schiller.
BIBLIOGRAFIA: Joaquim Madureira, Impressões de Teatro, Lisboa, 1924; Eduardo Scarlatti, Em Casa de "O Diabo", Vol. III, Lisboa, 1963; D. Ivo Cruz, prefácio do Teatro Contemporaneo, Lisboa, 1992.
Texto retirado de
Dicionário de História do Estado Novo
Direcção de Fernando Rosas e J. M. Brandão de Brito
Coordenação e pesquisa iconográfica de Maria Fernanda Rollo
Volume I - (A-L)
Círculo de Leitores  » , Lisboa, Setembro de 1996
Exemplares disponíveis nas bibliotecas municipais
- Reprodução não oficial -
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