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                       Rio de Ouro
 

No ondular lânguido
da água pura,
adivinho o cinzento prata
do Porto soturno.

Desliza, então,
a serpente dourada
por entre o mundo movediço.

(E a brisa do rio
num sussurro me conta,
confidências
de amores esquecidos.)

Na paisagem,
agora ampla e genuína,
vejo sulcos rasgados
pelo suor das gentes
de vidas
cruas e duras.

Mas eis que sobre a terra rude
repousa,
serenamente,
um manto de seda doirada.
E as cores quentes
que o Outono deixou
devolvem-me aos sentidos
um tímido reflexo
da tua beleza arfante.
 
 

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