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                                                NEBLINA

                     

        Naquela manhã, fria e taciturna, o espesso nevoeiro escondia o largo  e  majestoso oceano deixando na abóbada apenas um disco ténue que, teimosamente, insistia em iluminar a terra e as gentes.
        Não muito longe da costa, junto a um obscuro amontoado de eucaliptos sinistros, um automóvel avançava deixando escapar um rugido felino,  à medida que tentava galgar as curvas e contra curvas daquela estrada serpenteante.
        -Chegámos.
        -Finalmente!-disse ele enquanto abria a porta em acto contínuo.
        A temperatura exterior  pareceu-lhe siberiana, mas o ambiente gélido vinha também das gigantescas árvores que, na penumbra, criavam um cenário dantesco.
        -Então, onde é que eles estão?-indagou ele.
        Foi-lhe pedido, formalmente, que os seguissem. O percurso era feito em silêncio, numa marcha ociosa em que os passos sucediam-se lentamente.
        Os cinco homens pararam.
        No rosto dele via-se apenas uma expressão de pasmo, os olhos estavam fixos, a voz sumida, o pensamento deambulante.
        -Rica maneira de começar o ano.
        -Pois é, Sr. Inspector. Tinha ou não tinha razão em chamá-lo?
        -Fez o que tinha a fazer. Então, diga-me coisas. Não tenho o dia todo...
        -Foi um tipo, um  miúdo, aqui da zona que os encontrou. Telefonou logo de seguida e eu logo que soube...
        -Pois, está bem. Eu depois falo com o sujeito... Estão identificados ?
        - Dois deles sim, os outros não. Mas falta tudo, objectos pessoais nem vê-los...
        -Passaram a pente fino a zona?
        - Estamos a começar.
        - Já deviam ter acabado - afirmou em voz seca e firme-que nem um milímetro escape. Agora não me incomodem!
         António Ferreira deu um passo curto, franziu o sobrolho dando o ar pensativo que todos os colegas de trabalho  já conheciam. Nestas alturas era essencial deixá-lo sozinho, envolto nas suas ideias.
         À frente do inspector da Polícia Judiciária, estava algo macabro que figura, para as pessoas dissolvidas na multidão, num lugar distante e por isso difícil de acreditar.
         Eram quatro.
         Quatro cadáveres, numa nudeza crua, envoltos num chão  em que a terra e as plantas tinham largas pinceladas escarlate numa tela surreal e lúgubre.

                                 TO BE CONTINUED...

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