Nunol, Astronomia: observações; equipamento; ATM; conselhos; ligações.

Excelente página sobre Astronomia é a da revista Sky & Telescope, skyandtelescope.com, lá encontra informação de qualidade. Comprar a revista de vez em quando é uma boa ideia, custa apróximadamente 8€.

- Eu e a Astronomia:
Desde pequeno que gosto de saber sobre o Sistema Solar, galáxias, o Universo, espaço e outros assuntos relacionadas com Astronomia. Esta curiosidade é devida ao avô materno. No entanto a falta de informação e os céus de Lisboa cheios de poluição luminosa fez com que continuasse "apenas" a gostar, não pensei que fosse possivel ver alguma coisa. Em 1993 com a entrada no IST e o acesso à internet comecei a obter muita informação sobre astronomia, e os meus horizontes foram alargando-se progressivamente. Em 1996 comecei a observar o céu com alguma frequência a olho nú e com um binóculo 7x50. Em 1997 comecei a comprar revistas de Astronomia e isso ajudou muito a adquirir novos conhecimentos. Através da internet comecei a entrar em contacto com outras pessoas que tambem gostam de Astronomia e em Março de 2000 fui ao meu primeiro encontro de Astronomia a "sério". Nesse mesmo ano comecei a frequentar regularmente encontros para observar o céu. Em Maio de 2001 comprei um refractor acromático de 80mm f/5 que permitiu aprofundar as observações. Infelizmente entre Março de 2001 e Agosto 2003 as observações muito foram reduzidas, chegando mesmo parar durante meses. Apartir do inicio de 2004 voltei a observar o céu regularmente.

- As minhas observações:
Geralmente observo o céu da janela do meu quarto em Carnaxide ou na Serra de Carnaxide a 8km do centro de Lisboa, o céu é bastante poluido, mag 3 a 4. Observo também na Atalaia onde mag 5 a 6 visual é o normal na melhor zona do céu.
Por agora o meu objectivo é continuar a aprender a reconhecer as constelações e ver todos os objectos Messier sem pressas. já vi 76 (37 em Fevereiro 2001 e 75 em Março 2002) de 110, a tabela 1 resume os objectos que já vi em função do equipamento de menor abertura com que consegui ver dado objecto.

Tabela 1: Objectos Messier vistos em função do equipamento usado.

Equipamento Usado

Total

Objecto Vistos

Olho Nú

9

M7, M8, M24, M31, M34, M41, M42, M44, M45.

Monóculo 8x25

19

M2, M3, M5, M6, M13, M15, M17, M18, M21, M22, M33, M35, M36, M37, M38, M39, M47, M50, M92.

Refractor 43mm

38

M1, M4, M9, M10, M11, M12, M14, M16, M19, M20, M23, M25, M27, M28, M29, M30, M32, M43, M46, M48, M51, M52, M53, M56, M57, M62, M68, M71, M77, M78, M79, M80, M81, M82, M93, M103, M104, M110.

Refractor 80mm

6

M26, M49, M60, M67, M97, M107.

Refractor 102mm

3

M40, M65, M66.

Reflector 457mm

1

M98.

Total (07 Outubro 2002)

76

Todos até M53 inclusive e mais 23 objectos. Faltam 34.

Olho nú - quer dizer sem qualquer ajuda, exclui a possibilidade de usar qualquer instrumento e filtros. Monóculo 8x25 - tem 25mm de abertura (optica aceitavel). Refractor 43mm - Refractor acromático 80mm f/5 bloqueado a 43mm f/9,3 (optica boa, ao nivel de um semi-apo a f/6). Refractor 80mm - Refractor acromático 80mm f/5 (óptica aceitavel para céu profundo, fraca em planetas). Refractor 102mm - Refractor Apocromático 102mm f/8 (uma maravilha). Reflector 457mm - Reflector Newton 457mm f/4,5 (óptica excelente). A maioria dos objectos é visivel com apenas 43mm de abertura mesmo numa zona urbana. No entanto não se consegue ver grande coisa nos objectos mais dificies e mesmo os mais faceis perdem muito do seu esplendor

- O meu equipamento:
Comecei por observar o céu a olho nú e com um binóculo 7x50 que tinha em casa. Em Janeiro de 1998 comprei um refractor 50mm f/12 numa loja de brinquedos por 50€, foi dinheiro deitado fora. Em Maio de 2001 comprei um refractor acromático 80mm f/5 com a montagem EQ1.

--- Olhos: pupila de 5mm a 6mm em Carnaxide e mais 0,5mm na Atalaia. De dia varia entre os 2.5mm e 3.5mm. Não observo com os dois olhos ao mesmo tempo e por isso tenho pouco interesse em binóculos e muito em refractores de pequeno comprimento focal. Daqui também o meu gosto por monóculos. Performance típica em Carnaxide: magnitude 3,5 em estrelas.

--- binóculo 7x50 Super Zenith: comprado usado em 1968 pelo meu avô, pesa 987g, campo real de 7,1º e pupila de saída de 7,1mm. A objectiva tem a superfície exterior revestida a MgF2 e a maioria das outras pó! Na Atalaia perde 1 a 2 magnitudes para um binóculo 7x50 novo de 80€. Devido á poluição luminosa e ao diâmetro da minha pupila nas condições típicas de observação fica ao nivel de um binóculo 7x38. Performance típica em Carnaxide: magnitude 7,5 em estrelas.

--- Refractor 50mm f/12: comprado em 16 de Janeiro 1998. Lente de plastico, nem sequer é acromatica! Só se consegue ver a Lua e o Sol (este por projecção). Mesmo assim funciona melhor obstruido a 10mm f/60 e 20mm f/30. A a 10mm f/60 e 50x em venus quase não se vê aberrações cromáticas. Agora só serve para decoração, foi um máu investimento de 50€.

--- Monóculo 8x25 Celestron: comprado em 25 de Fevereiro de 1999, 103g e 104mm de comprimento por 34mm de diâmetro, campo real de 8,7º, mas só os 5º centrais estão focados, tem 3.1mm de PS. Estava quase sempre no bolso do casaco ou na mala. Performance típica de Carnaxide: mag 7. Roubados dia 31 Dezembro de 2001 no Sabugeiro, Serra da Estrela. Era o meu equipamento mais usado, fiz um filtro solar para ele que tambem foi roubado.

--- Refractor acromático 80mm f/5 Helios com EQ1: comprado em 03 de Maio 2001, o tubo óptico é leve e fácil de transportar (1,3kg e 40cm), a EQ1 nem por isso (5,8kg). Veio com duas oculares Kellner, 25mm e 10mm, uma barlow 2x curta e uma diagonal. A qualidade condiz com o custo do conjuncto: 325€. A óptica funciona bem a 16x e 40x, a 67x já está no limite mas é possivel subir até 80x e 133x embora com poucas vantagens. Geralmente uso a EQ1 em modo Alt-Az e sem o contra-peso, ás vezes uso o tubo sem a montagem a 16x, 40x e 67x o que permite meter o telescópio e acessórios numa pequena mala com 1,8kg e 40cm de comprimento. Em Junho 2004 fiz um filtro Solar com 60mm de abertura para este refractor.

--- Ocular Ortóscopica Kasai de 6mm: excelente, o campo aparente é de apenas 43º.

--- Monóculo 12x25 Helios: comprado em 23 de Fevereiro de 2004, 78g e 114mm de comprimento e 31mm de diâmetro máximo, campo real de 4,8º mas só os 3,5º centrais estão focados, tem 2.0mm de PS. Anda sempre no bolso do casaco. Tem am grande defeito que é so focar a partir dos ~15 metros. No entanto a 12x a ampliação é excelente para céus poluidos. Em junho 2004 fiz um filtro Solar para este monóculo e nesse mesmo verão o monóculo estragou-se.

- ATM, Construção de Equipamento para Astronomia:
Fazer um telescópio não é dificil, os principais ingredientes é paciência, tempo, um local de trabalho e algumas ferramentas. Antigamente (basta recuar 6 anos) era mais barato fazer um telescópio do que comprar um igual, mas hoje é mais uma questão de realização pessoal. Existe um livro português que ensina a fazer um 150mmf/8.7, "Como Construir Um telescópio" do Joaquim Garcia, editora Tempos Livres. O livro está um bocado desactualizado, mas ensina a fazer tudo, até as oculares. O livro infelizmente está esgotado, mas existem alguns exemplares nas bibliotecas municípais e está disponivel em formado pdf na internet (ver ligações para ATM).

Cheguei a planear fazer um Newton em montagem Dobson 150mmf/10, já tinha os espelhos e abrasivos não tinha local adequado para o fazer. Entretanto os telescópios novos evoluiram tanto que é mais caro fazer um do que comprar um já feito. Quando tinha só o binóculo 7x50 fiz um adaptador para os poder usar num tripé o que permitiu observações mais estáveis. Em Fevereiro de 2000 fiz uma lanterna de luz vermelha (LED), foi divertido, barato e é bastante util. Outros acessórios que fiz foram: filtro Solar para o monóculo 8x25, filtro Solar para o monóculo 12x25, filtro solar com 60mm de abertura para o refractor de 80mm f/5 para ver o transito de Vénus sem ser só por projecção.

Lanterna Dizem-me que esta lanterna parece uma caixa de sapatos, até pode ser verdade mas funciona muito bem. Se voltasse a fazer uma usava 2 LED para ter melhor distribuição de luz.

- Conselhos e opiniões:
Desde 1993 até hoje aprendi algumas coisas, geralmente de livros ou da internet, mas tambem ganhei alguma experiência nas observações, em ATM, e nos encontros de Astronomia. Aqui ficam os meus conselhos e opiniões resultantes de 11 anos a olhar os céus.

- Como começar a observar o céu?
O primeiro passo é olhar para o céu durante a noite e procurar a Lua, os planetas mais brilhantes (Jupiter, Vénus e ás vezes Marte) e 2 ou 3 constelações (geralmente: Orionte e Cassiopeia). Reconhecendo estas vamos aprendendo as que estão ao lado e por ai em diante. Convem ter ajuda de um livro de introdução á observação Astronomica e juntar-se a um grupo de observação para ter ajuda e companhia. Qualquer binóculo 10x50 ou parecido é uma preciosa ajuda (novos: 60-90€). Dois dos livros que mais uso são um pequeno e pratico para levar no bolso, "Estrelas e Planetas" da Platano e outro maior, "Roteiro do céu" de Guilherme de Almeida tambem da Platano. Existem muitos mais livros sobre o assunto inclusivamente melhores e mais completos mas a maioria são em lingua estrangeira.

- Como escolher binóculo (bino) para astronomia?
Não é necessário comprar um bino se já tiver uns em casa que sirvam. Os binos designam-se por 2 numeros: o 1º numero é a ampliação e o 2º a abertura. Outro numero importante é a pupila de saida (PS) que calcula-se dividindo a abertura pela ampliação e outro numero é o campo real.

Exemplos:
10x50, 6,5º = amplia 10x, abertura 50mm, campo real de 6,5º e PS de 5mm.
7x50, 7º = amplia 7x, abertura 50mm, campo real de 7º e PS 7,1mm.
20x80, 3,5º = amplia 20x, abertura 80mm, campo real de 3,5º e PS 4mm.

Um pouco mais sobre a PS: a PS é o disco (no caso de um telescópio com obstrução central é um anel) de luz que sai pela ocular. O ideal é que todo esse disco de luz entre dentro dos olhos pela pupila. Para isso a PS dos binos ou do conjucto ocular/telescópio tem de ser menor ou igual ao diâmetro da nossa pupila. No caso de um telescópio sem obstrução ou um bino a PS pode ser maior que a nossa pupila, mas no caso de um com obstrução tem que se ter mais cuidado caso contrario quando o buraco central do anel de luz ficar do tamanho da nossa pupila deixamos de ver! Para alem de desperdiçarmos abertura, ter uma PS maior que a nossa pupila tem outra desvantagem é que as partes da nossa pupila mais afastadas do centro são mais imperfeitas, e são os 2mm ou 3mm centrais que tem mais resolução. Portanto quando o diâmetro interno do anel de luz chega a 1-2mm a imagem perde muito contraste e resolução. Em telescópios com obstruções de 30% isto nota-se com PS de 5mm. Durante o dia a nossa pupila é menor e a degradação da imagem é superior. O diâmetro da pupila varia de pessoa para pessoa, e na mesma pessoa diminui com a idade e com a intensidade luminosa do local onde nos encontramos. Para uma pessoa jovem (menos de 20 anos) num local escuro o normal é 6-9mm e para uma pessoa com mais de 45 anos é de 4-6mm.

Quanto maior a abertura mais luz entra nos olhos, logo mais se vê. Quanto maior a ampliação maior ficam os objectos vistos atravez dos binos. Quanto maior a PS mais brilhante é a imagem (dos objectos e da poluição luminosa!). Se a abertura fôr muito grande os binos ficam grandes. pesados e muito caros, e se a ampliação fôr muito grande não conseguimos segurar os binos estaveis o suficiente para ver alguma coisa e o campo real diminui (se campo aparente constante), e se a PS fôr maior do que a pupila dos nossos olhos estamos a desperdiçar abertura mas continuamos a ter a imagem o mais brilhante possivel para essa ampliação.

Os nossos antepassados testaram varias combinações e resolveram que o ideal era um bino 7x50. No entanto isso era no tempo em que não havia poluição luminosa, hoje em dia devido a uma questão de contraste o ideal entre abertura, ampliação, campo aparente, peso e tamanho são uns 10x50 com 5-7º conforme seja toleravel ou não alguma distorção das estrelas no fim do campo aparente.

Exemplo de um bino mal adaptado, eu de Carnaxide com um 7x50: se a pupila medir 5mm, só aproveito 5mmx7=35mm de abertura. Grande desperdicio! No entanto de um local com pouca poluição luminosa e onde a minha pupila chegasse aos 6mm os 7x50 já se justificavam.

Tendo em consideração o mercado existem uns 10x50 6,5º muito bons por ~260€ e uns 10x50 5,5º bons por ~80€. Se preferir um bino com SP de 7mm existe um bom 8x56 6,0º por ~90€, um muito bom 7x50 6,4º por ~210€ e um muito bom 8x56 5,8º por ~240€. Nada melhor do que experimentar antes de comprar e para isso o ideal é ir a um encontro de Astronomia como a Atalaia.

- Oculares boas e baratas?
Oculares Plossl de 50-52º genéricas funcionam bem em qualquer telescópio f/6 (e a f/4,5 não é terrivel) ou superior e as ortscópicas são excelentes para maiores ampliações e onde o contraste seja fundamental. Uma coleção tipica é Plossls 50º genérica de 32mm, 20mm, e 12,5mm (60-80€ cada) e juntar Ortoscópicas de 9mm e 6mm (70€ cada) e uma barlow de 2x como a da Tele Vue (140€). Oculares boas e caras custam entre 300 e 800€.

- Telescópios bons e baratos (até 1000€)?
Há telescópios bons e baratos? Sim e não! Sim, existem mas não são baratos, ou sim existem mas temos que fazer compromissos. Alias, não existem telescópios perfeitos, mas existem telescópios maus, medios, bons e muito bons para uma determinada função. Um telescópio bom para uma coisa pode ser mau para outra e vice-versa. Para comprar um telescópio é preciso saber o que se quer fazer com ele, eliminar todos os que estão fora do nosso orçamento e os que são maus a fazerem o que queremos. O passo seguinte é o das decisões e compromissos: devemos comprar um telescópio de menor abertura mas de melhor qualidade e portabilidade ou um de maior abertura mas de menor qualidade e portabilidade? Devemos escolher um f/# menor ou maior? Dois fabricantes tem telescópios parecidos, qual deles será o melhor? etc.

Existem três tipos de telescópios: refractores que usam lentes, reflectores que usam espelhos e os catadióptricos que usam lentes e espelhos. O mais importante num telescópio é a sua abertura, quanto maior melhor. A qualidade tambem tem uma palavra a dizer. Em geral para observar OCP quanto maior abertura melhor, para os planetas o que interessa é abertura com qualidade até ~150mm. De um modo geral: os refractores são os melhores por unidade de abertura em especial os apocromáticos; os reflectores são os mais baratos por unidade de abertura (melhores por € investido e na prática os melhores de todos); os catadióptricos são (nem sempre) os mais compactos e portateis por unidade de abertura. Outro número importante é o f/# que é a abertura a dividir pelo seu comprimento focal. Geralmente este valor varia entre f/4 e f/20. Quanto maior o f/# maior a ampliação com a mesma ocular e mais facil é de fazer uma boa óptica (e a propria ocular ou barlow comporta-se melhor).

Aconselho a quem quizer comprar um telescópio que se encontre com outros astronomos amadores para experimentar os telescópios deles, nada como a experiência em primeira mão. Nunca comprar telescópios em lojas que não sejam dedicadas a vender telescópios (ver ligações) e aconselho uma visita a páginas de testes a equipamento para Astronomia.

Tendo em atenção apenas observação visual e sem electronica (Goto) os meus favoritos são (valores aproximados, 2005):
- Menos de 185€: abaixo deste valor é preeferivel um bom binóculo (10x50 ou 7x50) a um telescópio.
- Apróx. 185€: reflector Orion Starblasst 114mm mini-Dob, bom para crianças.
- Apróx. 290€: reflector Orion XT6 152mmm f/7,9 Dob.
- Apróx. 310€: refractor acromático Skyywatcher 102mm f/4,9 AZ3 para baixas ampliações, grandes campos e boa portabilidade.
- Apróx. 360€: refractor apócromatico SSkywatcher 80mm f/7,5 (sem montagem) qualidade boa, minimo de abertura para um refractor.
- Apróx. 350€: reflector Skywatcher 2033mm f/5,9 Dob ou o Orion XT8 ~410€.
- Apróx. 650€: reflector Orion XT10 2544mm f/4,7 Dob.
Um binóculo 10x50 e um Dob 200mm f/6 é uma optima forma de entrar nas observações astronómicas.

- Falta alguma coisa?
Sim, mas por agora o melhor é começar a praticar e tentar resistir á febre da abertura, do Goto, dos APOs, das oculares e da fotografia astronómica tanto em emulsão como CCD.

22 Maio 2005, Nunol: [email protected]

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