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Um quarteto guarda todo o peso do mundo "Não temos nenhuma regra além das regras do Metallica", costuma dizer o cantor e guitarrista James Hetfield. Foi assim quando o grpo tocava em boates de Los Angeles, mostrando uma fúria sonora sem paralelo na época. Remando contra a maré gravaram Kill 'em All, Ride The Lightning e Master Of Puppets e mostraram ao mundo o que era thrash. A estrela subia quando um acidente matou o baixista Cliff Burton, em 1986. O grupo sentiu a tragédia, mas seguiu em frente, gravando o sofisticado ...And Justice For All e rodando o mundo em turnê. Aí veio mais uma surpresa: o Metallica convocou um produtor de rock comercial, Bob Rock, e simplificou o som até o osso, em Metallica. O disco catapultou a banda ao mega sucesso mundial, pela primeira vez consagrando uma banda do estilo. Se alguém ainda pensava que nada mais surpreenderia, os quatro apareceram de cabelos curtos e com novos elementos no som dos discos Load e Reload, e tome sucesso. A última foi um excelente CD de covers, Garage Inc. Alguém se habilita a adivinhar o próximo passo? O tenista e o furioso Baixinho e arrogante, o dinamarquês Lars Ulrich cresceu dividido entre duas paixões: o tênis e a Nova Onda Do Heavy Metal Britânico - segundo a sigla em inglês, a NWOBHM, movimento que deu à luz bandas como o Iron Maiden, Def Leppard e Diamond Head. Aos 17 anos, em 1980, ele se mandou para Los Angeles, nos Estados Unidos, com a desculpa de se tornar tenista profissional. Decidiu tocar bateria e formar uma banda. Colocou um anúncio à procura de músicos na revista Recycler e obteve resposta de um certo James Hetfield, também conhecido como "o moleque mais furioso do mundo". Os dois tocaram um pouco e nada aconteceu. Lars então se mandou para a Inglaterra, com o intuito de perseguir o Diamond Head, em turnê por lá. Passou três meses dedicado a esse nobre objetivo, voltou e fez contatos no sentido de gravar uma faixa na coletânea Metal Massacre. Só que ele ainda não tinha uma banda. Contatou James - que gravou vocais, baixo e guitarra-base - e o guitarrista solo Lloyd Grant. Os três registraram "Hit The Lights" no disco e o Metallica debuta nos palcos na cidade de Anaheim, na Califórnia, no dia !4 de março de 1982, com um velho conhecido, Ron McGovney, no baixo. Lloyd não dura muito e para seu lugar é convocado o talentoso Dave Mustaine. Uma dica quente levou James e Lars a assistir a um show da banda Trauma, de São Francisco, em busca de um baixista (eles não andavam muito satisfeitos com Ron). Os dois ficaram maravilhados com a competência de Cliff Burton e rapidamente o convidaram a entrar no Metallica. Assim como os companheiros, Cliff tinha o rock pesado correndo nas veias. Ao contrário deles, ele era um dedicado estudante de música, versado até em violão clássico. Seguiu com a banda em sua primeira viagem à Costa Leste americana. Tudo parecia ir bem, mas o namoro entre Dave Mustaine e o álcool começava a atrapalhar a promissora carreira do rapaz. James, que tinha problemas pessoais (e não musicais, ele jura até hoje) com o guitarrista, foi o encarregado de expulsá-lo da banda. Enquanto o futuro líder do Megadeth era mandado de volta para à Califórnia de ônibus, o guitarrista do Exudus (banda que já havia tocado com o Metallica), Kirk Hammett, recebia uma passagem de avião para ir a Nova York e tornar-se membro do Metallica. Em maio a nova formação da banda entra em estúdio para gravar seu primeiro disco, Metal Up Your Ass ("Metal Na Sua Bunda"). Os distribuidores, claro, implicaram com um nome tão agressivo e acabaram homenageados no novo título do álbum. Kill 'em All ("Mate-os Todos") foi lançado em julho de de 1983. Para promover o disco, o Metallica entrou em turnê por um mês com o grupo Raven, que tinha acabado de lançar o disco All For One. O resultado: a turnê Kill 'em All For One. Como banda principiante não tem descanso, do palco o Metallica saiu para o estúdio em Copenhague, na Dinamarca, onde foi registrado o disco Ride The Lightning, lançado dia 27 de junho de 1984. Dois meses depois a banda toca pela primeira vez no festival Monsters Of Rock, em Castle Donnington, na Inglaterra. Ironicamente, o Metallica aparece entre o Ratt e o Bon Jovi, duas bandas de estilo totalmente oposto, o que leva James a advertir o público: "Se vocês vieram para ver roupinhas justas, mauiagem e as palavras 'oh, baby' em todas as letras, esta é a banda errada". Seguem-se mais shows e, no meio de 1985, a banda retorna a Copenhague para gravar seu terceiro disco, Master Of Puppets, com a produção de Fleming Rasmussen, o mesmo de Ride The Lightning. Uma produção cuidadosa, aliada à evolução natural da banda, gerou o disco que define o thrash metal. A banda então saiu para sua maior turnê até então, como atração de abertura de Ozzy Osbourne. Tudo vai bem até a madrugada de 27 de setembro. Os dois ônibus da banda viajavam por estradas cobertas de gelo entre Estocomo, na Suécia, e a velha conhecida Copenhague. Derepente um dos veículos passa por uma lombada, perde a estabilidade e acaba caindo de lado, Cliff, que dormia, é atirado para fora do ônibus, que tomba por cima dele, matando-o instantaneamente. Pedras no caminho Clifford Lee Burton, nascido em São Francisco no dia 10 de fevereiro de 1962, é o personagem mais heterodoxo da história do Metallica. Talentoso, estudioso e bicho-grilo, ele já chegou mostrando personalidade: topava deixar o Trauma e juntar-se a James, Lars e Mustaine, mas só se os três saíssem de Los Angeles e fossem para sua charmosa cidade natal. Os três não titubearam e acabaram ganhando um sólida identificação com a cidade e adjacências, a Bay Area. É verdade que a entrada de Jason Newsted e seu estilo 100% metal ajudou na fúria da banda, mas canções como "Master Of Puppets" e "Creeping Death" - além, claro, de instrumentais como "The Call Of Ktulu" e "Anesthesia (Pulling Teeth)" - jamais seriam compostas sem a influência que Cliff exercia sobre a banda. "Ele esfregou na minha cara muito de seu treinamento clássico", diz James. Anos depois de sua entrada, Jason ainda sofria com as coparações e ainda era alvo de gozações. "É ótimo tocar com Jason, ele está se encaixando muito bem na banda. Só gostaria que ele relaxasse mais na fotografia. Ele fica tão sério, parece um integrante do Anthrax", dizia Lars. Arrogante, bebum, drogado, talentoso. David Mustaine nasceu em La Mesa, na Califórnia, no dia 13 de setembro de 1961. Era um moleque revoltadinho e metaleiro como os outros, mas aos 22 anos já enfrentava problemas com drogas e álcool, que acabaram por custar-lhe seu lugar na banda. Dave saiu brigado e por anos trocou farpas com James Hetfield e Lars Ulrich, a quem acusava de usar composições suas sem o devido crédito. "Acho deprimente que Kirk tenha sido eleito guitarrista do ano na revista Metal Forces graças aos meus solos", disse em 1986. A unica canção dos tempos de Metallica levada por Dave para o Megadeth (que fundou logo depois e saiu para uma carreira bem-sucedida) foi "The Mecanix", que James e Lars mudaram para "The Four Horsemen", e incluíram em Kill 'em All. Nos anos 90, no entanto, a animosidade arrefeceu e Dave e os ex-companheiros vivem fumando o cachimbo da paz, pelo menos nas páginas das revistas especializadas. "Gostaria de gravar um disco, eu, James, Lars e Dave Jr. (baixista do Megadeth), acho que sairia muita coisa boa daí", diz ele hoje em dia. Pode nunca acontecer, mas vale a intenção. O recomeço Atarantados com a tragédia da morte de Cliff (ele tinha 24 anos e os outros, 23), James, Lars e Kirk encheram a cara, quebraram algumas janelas de um hotel sueco e retornaram aos Estados Unidos. Mas não houve sequer tempo para pensar que a banda poderia acabar. Meses depois começaram um teste para conseguir um novo baixista. Jason Newsted, que tocava no Flotsam & Jetsam, apareceu com todo repertório do Metallica na ponta dos dedos. A banda o convidou para uma cerveja em um bar de São Francisco, o Tommy's Joint, e em uma ida ao banheiro, James, Lars e Kirk decidiram quem era o mais novo integrante do Metallica. A banda segue com a mesma formação desde 28 de outubro de 1986 até hoje. Confirmado o substituto do insubstituível Cliff, era hora de trabalhar. E como sempre o Metallica decidiu viver um dia de cada vez. Primeiro Jason tocou em pequenos shows não anunciados (um costume entre bandas estrngeiras em preparação para turnês), por exemplo, abrindo para o Metal Church, banda do então roadie de Kirk, John Marshall. A apresentação oficial de Jason aos fãs foi com o disco Garage Days Re-revisited, de agosto de 1987, lançado em edição limitada e hoje um item de colecionador. Seguiu-se um ano de shows (como a turnê americana Monsters Of Rock, em que o Metallica era a segunda atração principal, atrás apenas do Van Halen), foi lançado o vídeo Cliff 'em All e a banda entrou em estúdio para gravar seu mais sofisticado disco, ...And Justice For All, de 1988. A turnê, chamada Damaged Justice Tour, foi a mais longa de história do grupo até então, começando no lançamento do disco e seguindo até os primeiros shows do Metallica no Brasil, em outubro de 1989. Começava então um namoro com a mídia, que ajudaria a banda no estouro do disco seguinte, Metallica. Finalmente era lançadoum clipe, da música "One", baseada na história do filme Johnny Vai à Guerra. A canção conta a saga de um soldado que volta do campo de batalha preso na cama, cego, surdo e mudo. A vontade de aparecer na MTV foi tanta que a banda encurou a música em quase 3 minutos para adequala ao formato da emissora. ...And Justice For All entrou direto no número um da parada americana e o Metallica foi indicado para o Grammy, na categoria hard rock/hevy metal, mas perdeu para o Jethro Tull. Isso fez a banda adicionar um adesivo ao CD, que dizia "Perdedores do Grammy". O prêmio veio no ano seguinte, na categoria melhor performance metal, e Lars agradeceu ao Jethro "por não ter lançado nada naquele ano". A banda entra em estúdio em outubro de 1990 para gravar seu novo disco. O produtor é Bob Rock, conhecido pelo trabalho ao lado do Bon Jovi e do Motley Crue. O quarteto decide grvar um disco opsto ao Justice: cru, com músicas curtas e mais acessível. E segue o processo de popularização do Metallica. A banda ganha mis um Grammy, pelo cover de "Stone Cold Crazy", do Queen, e promove o lançamento mundial de seu novo clipe, "Enter Sandman". A megaturnê Wherever I may Roam começa no dia 1º de agosto de 1991, na Califórnia, onze dias antes do lançamento de Metallica, disco que ficou conhecido pelos fãs com o nome de Álbum Negro. Depois de alguns meses na estrada, a banda toca mais uma vez no Grammy e leva mais um prêmio, dessa vez pela canção "Enter Sandman". O mundo começa a se render ao Metallica. Superstars do metal A principal mudança no comportamento do Metallica após o lançamento do Álbum Negro foi apenas uma adequação. Uma grande banda passou a agir como tal. Várias outras músicas além da devastadora "Enter Sandaman" viraram clipes, todos de muito sucesso: "Nothing Else Matters", "Sad But True", "Wherever I May Roam" são algumas. Em quase três anos na estrada - em um fantastico palco que incluía o snake pit, um losango com lugares par fãs no meio, a poucos metros da banda -, o Metallica foi vendendo discos e conquistando respeito e popularidade ao redor do mundo. Claro que houve os fãs radicais, aqueles que reclamaram de "Fade To Black", uma balada, e "For Whom The Bell Tolls", em Ride The Lightning, ou de canções com "Welcome Home (Sanitarium)", em Master Of Puppets. Esses mesmos chatos acharam que a banda se vendeu de vez ao registrar um clipe para "One" e que se tornou um grupo pop em Metallica, Lars, James, Kirk e Jason, claro, não deram a mínima. Nos quase cinco anos entre Metallica e o disco seguinte, Load, além de rodar meio mundo, a banda participou das mais diversas bagunças, com o Show pela Vida, em abril de 1992, em homenagem ao cantor do Queen, Freddie Marcury. Para não deixar os fãs na saudade, alguns produtos foram para as lojas, como o vídeo duplo A Year And A Half In The Life Of Metallica, de novembro de 1992, um diário da banda desde o lançamento do Álbum Negro até então e a caixa Live Shit: Binge And Purge, com vídeos, CDs e outros materiais. Foram tantos shows que as turnês foram divididas em partes. Após a Wherever I May Roam veio a Nowhere Else To Roam, a Summer Shot Tour e a Escape From de Studio '95, esta um interrupção nas gravações de Load. O novo disco dá as caras em junho de 1996, e a promoção inclui, entre outras coisas, um Show transmitido pela Internet, um concurso da MTV que levava a banda até a casa do vencedor e o posto de atração principal do festival itinerante Lollapalooza. Embora o sucesso não tenha sido o mesmo de Metallica - e as reclamações dos fãs nã tenham sido poucas -, Load manteve o quarteto na posição de megabanda. O disco seguinte, Reload - de músicas que haviam sido compostas na época das gravações de Load -, capricha mais no peso (em músicas com as ótimas "Fuel" e "The Memory Remains") e é mais bem recebido pelo público. A turnê que se segue não é das maiores, apesar da visita de Jason a São Paulo em agosto de 1998, para um show como convidado do Sepultura. Mais um ano, mais um disco e mais um surpresa. Garage Inc. é uma coleção, reunida em dois CDs, de todas as covers que o Metallica já registrou. Além dos grupos punk e heavy tradicionais, a banda gravou coisas como "Turn The Page", baladão do cantor pop-soul americano Bob Seger, e "Whiskey In The Jar", canção folclórica irlandesa que fazia parte do repertório do Thin Lizzy. Em 1999 o Metallica surpreendeu novamente sua legião
de fãs ao gravar o disco duplo e ao vivo com a Orquestra Sinfônica de São Francisco.
"S&M" traz 27 músicas, entre as quais grandes sucessos e duas inéditas,
"No Leaf Clover" e "-Human". Depois de 2 anos sem baixista, em fevereiro de 2003 o Metallica anuncia o novo integrante da banda: Robert Trujillo.
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Última atualização: 22 de Dezembro de 2002 |
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