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O que é Esperanto?

O Esperanto é a língua internacional projetada por Lázaro Luís Zamenhof, médico polonês, que a lançou em 1887. A finalidade do Esperanto não é a de substituir os idiomas nacionais, mas a de ser uma segunda língua para todos.

O Esperanto é baseado nas línguas culturais modernas. Uma declaração de 27 membros da Academia Francesa das Ciências definiu o Esperanto "uma obra-prima de lógica e simplicidade".

Como uma língua neutra, o Esperanto é um idioma que não ofende os sentimentos nacionais, por isso, é uma ponte ideal entre os diversos povos.

A gramática do Esperanto pode ser aprendida em um tempo mínimo, uma vez que não possui irregularidades e nem exceções. Por outro lado, não há complicações ortográficas: a ortografia é estritamente fonética - a cada letra corresponde um som e vice-versa.

O vocabulário da língua internacional é formado de um conjunto bem estruturado de radicais, de origem latina, na sua maioria, e com característica francamente internacional. Por meio de prefixos e sufixos obtém-se um número quase infinito de novos vocábulos e variantes, conferindo-lhe a condição de ser a língua mais versátil já falada pelo homem. Essa característica peculiar permite trazer para a literatura esperantista todos os matizes da cultura mundial.

No mundo do Esperanto não há perigo de haver dialetos, pois se objetiva uma língua cada vez mais internacional e de compreensão para todos. A Academia de Esperanto, com sede em Haia, é composta de língüistas notáveis de diversas nações do mundo, que têm igualdade de decisão, zelam pela conservação dos princípios fundamentais da língua e auxiliam na disciplina da evolução natural do Esperanto.

O Esperanto não é uma teoria, mas uma língua viva. À semelhança do hebraico moderno (língua de Israel) e do bokmal (língua da Noruega), o Esperanto também é uma língua planificada e com total capacidade de comunicação escrita e falada. Hoje, o Esperanto não é mais um projeto, mas a língua de uma comunidade crescente que vive em mais de 110 países do mundo. A Internet apenas incrementou ainda mais o uso desse idioma auxiliar.

Em agosto de 1950, foi apresentada às Nações Unidas uma petição em favor do Esperanto, com cerca de 17.000.000 de signatários. Como conseqüência a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), o recomendou à consideração dos Estados-Membros. Esses apoios oficiais também ocorreram em 1985 e 1994. Por outro lado, os esperantistas lutam pela adoção mundial do Esperanto com base na lógica de uma compreensão democrática, respeitando-se às diversidades culturais na Terra.

História

O Esperanto surgiu em 1887, com o lançamento, em língua russa, de um pequeno manual, resultado de anos de esforços de um médico oculista e filólogo polonês L. Lazaro Zamenhof, conhecedor profundo do latim, grego clássico, inglês, francês, russo, alemão, iídiche e hebraico.

O livro tinha como nome 'Manual da língua Internacional de dr. Esperanto' ('aquele que tem esperança') - Zamenhof preferiu usar um pseudônimo para evitar a censura czarista, muito ativa contra obras de judeus (Zamenhof era judeu). Os primeiros adeptos começaram a chamar o idioma de Esperanto por pura simplificação, um processo natural em qualquer idioma vivo.

A língua rapidamente se espalhou por toda a Europa. Em 1905 aconteceu o primeiro congresso mundial de Esperanto, quando pessoas de mais de quarenta países se reuniram sem o uso de intérpretes ou tradutores. Todos falavam em Esperanto, compreendendo um ao outro com perfeição.

O prestígio do Esperanto começava a crescer rapidamente no mundo científico. A Suécia aprova seu uso nos telégrafos; a Associação Mundial de Radiofonia declara em nota oficial que Esperanto é a língua mais clara para mensagens radiofônicas. O famoso e poderoso grupo editorial francês Hachette se interessa pela edição de livros em Esperanto, editando muitas obras originais e preciosas traduções. A cada ano mais cientistas, filólogos e outros pesquisadores compareciam aos congressos de Esperanto. O maior deles, entretanto, jamais ocorreria. O congresso que contaria com milhares de inscritos, delegações de diversos países, cientistas de todas as áreas imagináveis - em resumo, o congresso que daria o impulso decisivo para o Esperanto nunca ocorreria. O ano era 1914, e a Primeira Grande Guerra estourou um dia antes do congresso decisivo. O Esperanto teria de esperar um pouco mais.

A guerra devastou a Europa, matando muitos esperantistas, destruindo muitas bibliotecas e centros do idioma. O próprio pai da língua, Zamenhof, morreu de depressão em 1917. Mas o fim da guerra trouxe um novo alento para os remanescentes esperantistas. A língua voltava a viver, e o mais importante, o idioma sobrevivera ao seu criador. Isso só pode acontecer quando uma comunidade o usa. Esperanto, apesar de sua origem artificial, tornava-se assim uma língua viva por direito, natural, de certa forma.

Novas conquistas no período entre-guerras: o Brasil reconhece o Esperanto para uso dos correios nacionais; a Academia Suíça de medicina começa a usar o Esperanto em seus congressos médicos; selos no idioma começam a ser lançados em mais de trinta países; a Liga das Nações (ONU de então) aprecia o Esperanto seriamente - entraves lançados, porém, pela França e Inglaterra (duas potências da época, cheias de interesses no campo lingüístico) impedem um resultado favorável.

Quando o Esperanto começava a crescer ainda mais do que na época anterior à guerra, os regimes nazi-fascistas começam a perseguir a língua e seus falantes (por usarem ' língua de judeu '), enquanto o mesmo ocorria na União Soviética, sob Stalin (por usarem ' língua de capitalistas '). Cada lado preferia ver o seu próprio idioma como a língua franca do mundo. Bibliotecas de Esperanto foram queimadas, gráficas e editoras saqueadas, esperantistas mandados para campos de concentração (tudo historicamente documentado).

A Segunda Grande Guerra veio, e quase destruiu completamente a Europa e muitas regiões do globo, e com ela quase levou o Esperanto. Perseguido por todos, o idioma ainda assim sobreviveu. Um vácuo, porém, havia sido criado. Durante trinta anos os esperantistas tiveram de juntar os pedaços do movimento pelo Esperanto, para renascerem como que das cinzas. Só que nesse espaço de tempo, os Estados Unidos e seu idioma, o inglês, tomaram de assalto o mundo.

Dos anos 70 para cá, entretanto, cada vez mais pessoas têm acordado para o fato de que apenas uma língua neutra e regular como o Esperanto pode garantir uma comunicação democrática e igualitária entre pessoas de diferentes países. Que o diga os chineses, que usam o Esperanto (ensinado lá em muitas universidades) mais do que o inglês. O Esperanto está crescendo de novo. E com um mundo cada vez mais interligado, conectado, interdependente e democrático, o tempo pelo Esperanto chegou.

Extraído de Baza 1 Esperanto - Kurso de la Internacia Lingvo por komencantoj. Autor: Flavio Rebello. Lingva Esperanto Kursoj.
http://esperantosjc.vilabol.uol.com.br/html/lingva.htm 

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