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A Globalização de Milton Santos: entre a perversidade e a possibilidade
TAVARES, Quintino L. C. A globalização de Milton Santos: entre a perversidade e a possibilidade.  Jusfilosofia,  out. 2008. Disponível em: <http://br.geocities.com/jusfilosofia/resumos/milton_santos1.htm>

SUMÁRIO: 1. Considerações Introdutórias; 2. A Arquitetura da Globalização Atual.

1. Considerações Introdutórias

Trata-se de uma síntese da obra Por uma outra Globalização do incomparável Milton Santos. Não se traz nada de inovador, e sim um resumo das principais idéias do livro. Mas, como diz o próprio Milton, originalidade é interpretar com ênfase própria. O presente artigo, se assim pode-se chamá-lo, traz a síntese das idéias da primeira e segunda partes da obra.

Há de se questionar se frente ao processo de globalização não se estaria na verdade frente a uma ideologização maciça, em que a efetividade do mundo atual exige como requisito essencial o exercício de fabulações.

Vive-se, hoje, a fábula do mundo globalizado, levantando-se considerável número de fantasias que pela repetição se torna um fundamento ilusoriamente sólido da própria interpretação desse mundo. O aparelho ideológico que apóia as ações atuais é feito de peças que se nutrem mutuamente e colocam em movimento os principais elementos para a continuidade do sistema (p. 18).

Fala-se em aldeia global para fazer crer que a disseminação instantânea de notícias realmente informa as pessoas. Da contração das distâncias também se propaga a idéia de tempo e espaço reduzidos. Nas exatas palavras de Milton Santos, "é como se mundo se houvesse tornado, para todos, ao alcance da mão" (p. 19). Fala-se da homogeneização do planeta através do mercado avassalador, enquanto a cidadania verdadeira está mais distante e o culto ao consumo é estimulado; fala-se também na morte do Estado, mas a sua força é cada vez maior em relação às finanças, enquanto os reclamos da população são negligenciados.

Há de se entender que, para a maior parte da humanidade, a globalização está se impondo como fábrica de perversidades. O desemprego é crônico, a pobreza aumenta, a fome e o desabrigo se generalizam, surgem novas enfermidades e outras já "erradicadas" voltam a atacar, enquanto se propagam males espirituais e morais, como os egoísmos e a corrupção: "todas essas mazelas são direta ou indiretamente imputáveis ao presente processo de globalização" (p. 20).

Mas é possível uma outra globalização mais humana, pois as bases materiais para a construção da globalização perversa (unicidade da técnica, convergência dos momentos e conhecimento do planeta) podem também servir para outros fins, se estiverem ao serviço de outros fundamentos sociais e políticos.

No plano empírico, um conjunto de fatos novos indica o surgimento de uma nova história: (1) a mistura de povos, raças e gostos em todos os continentes, que se soma a "mistura" de filosofias, ao invés do racionalismo europeu; (2) a aglomeração da população em áreas cada vez menores, o que beneficia ainda mais o dinamismo dessa mistura entre pessoas e filosofias; (3) à sociodiversidade se pode juntar o aparecimento de uma cultura popular que se utiliza dos meios técnicos antes exclusivos.

No plano teórico, observa-se a produção de um novo discurso, de uma nova metanarrativa, que ganha importância principalmente pelo fato de ser a primeira vez na história do homem que se pode verificar a existência de uma universalidade empírica, não mais uma construção abstrata dos filósofos, mas resultado da experiência ordinária de cada individuo. Isto é, "a explicação do acontecer pode ser feita a partir de categorias de uma história concreta" (p. 21), permitindo conhecer e escrever uma nova história.

Continua: arquitetura da globalização atual

REFERÊNCIA:

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2001. 174 p.




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