MEU HUMILDE AMIGO O SALTO DA GUAÍRA HOME

O Ninho

O musgo mais sedoso, a úsnea mais leve

Trouxe de longe o alegre passarinho,

E um dia inteiro ao sol paciente esteve

Com o destro bico a arquitetar o ninho.

Da paina os vagos flocos cor de neve

Colhe, e por dentro o alfombra com 

      carinho;

E armado, pronto, enfim, suspenso, em

      breve

Ei-lo balouça à beira do caminho.

 

E a ave sobre ele as asas multicores

Estende, e sonha. Sonha que o áureo

     pólen 

E o néctar suga às mais brilhantes

    flores;

 

Sonha... Porém de súbito a violento

Abalo acorda. Em torno as folhas

    bolem...

É o vento! E o ninho lhe arrebata o

    vento.  

  Aberto de Oliveira1857-1937

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