
Meu Humilde Amigo
Meu cão fiel, humilde amigo, sucumbiste
Sob a mesa fugindo à morte como à
vespa
Tu fugias em vida. Ali tua cabeça
Voltaste para mim ao passo breve triste.
Companheiro banal do homem, tu que
em teus dias
No que falta ao teu dono achas o que
te baste.
Ó ser bendito que jornada
acompanhaste
Do arcanjo Rafael e do jovem Tobias....
Tal como santo ama ao seu Deus,
num grande exemplo
Amaste-me também, ó servo verdadeiro!
O mistério de tua obscura inteligência
Vive num paraíso inocente e fagueiro.
Ah se de vós, meu Deus, a graça eu
alcançasse
De face a face vos olhar na eternidade,
Fazei que um pobre cão contemple face
a face
Quem para ele foi um Deus na
humanidade.
Francis Jammes 1868-1938
(Tradução de Manuel Bandeira)