Margaret Pelicano
Quero um amigo espiritual que
cuide de meus jardins:
do coração,
para que ele não sofra com
sentimentos menores;
dos olhos,
para que ele só perceba a beleza
que há nos outros, nunca o lado feio;
dos ouvidos,
para que os gritos estridentes sejam compreendidos e relevados;
da minha garganta,
para que ela não adoeça dizendo o que não deve aos outros;
da minha voz,
para que eu não me encha de sabedoria relativa e julgue, julgue, julgue;
de minha língua,
para que eu não seja maledicente;
de minhas mãos,
para que elas construam infinitamente o bem;
de minhas pernas;
para que elas não se cansem na caminhada da vida,
perseguindo o futuro idealizado!
Quero um jardineiro paciente com os meus defeitos,
tão cruzados, insistentes, inusitados;
Quero um jardineiro que me oriente
como combater as ervas daninhas;
que sopre em meus ouvidos todo dia:
Perdoe! Perdoe! Perdoe!
Sem esse amigo espiritual,
tão leve, sóbrio, amoral...
sinto muito,
não consigo conviver com a eterna luta entre o bem e o mal!
Brasília - 12/05/2006