« Le cyberspace. Une hallucination consensuelle vécue quotidiennement en
toute légalité par des dizaines de millions d’opérateurs dans tous les pays,
par des gosses auxquels on enseigne les concepts mathématiques... Une
représentation graphique de données extraites des mémoires de tous les
ordinateurs du système humain. Une complexité impensable. Des traits de
lumières disposés dans le non-espace de l’esprit, des amas et des
constellations de données. Comme les lumières de villes, dans le lointain...
» (1)
W. Gibson
O termo cyberespaço aparece quotidianamente na imprensa e nas discussões
sobre as novas tecnologias de informação. Entretanto, nada é mais difícil de
definir ou simplesmente compreender. Temos uma idéia do cyberespaço como o
conjunto de redes de telecomunicações criadas com o processo digital das
informações. John Perry Barlow (um dos fundadores da "Electronic Frontier
Foundation"), por exemplo, define o cyberespaço como o lugar em que nos
encontramos quando falamos ao telefone. Se essa definição nos dá uma imagem
do que venha a ser o cyberespaço, ela não ajuda a compreendermos todas as
suas facetas. Como a fronteira pela qual a sociedade redefine noções de
espaço e de tempo, de natural e de artificial, de real e de virtual, o
cyberespaço é uma das grandes questões do século que se aproxima. Daí a
urgência em compreender suas estruturas internas.
Nesse artigo tentaremos abordar teorias que podem ser aplicadas ao
cyberespaço para mostrar que este se encontra preso em estruturas arcaicas,
imaginárias e simbólicas, de toda vida em sociedade. Visamos assim,
esclarecer um pouco o conceito de cyberespaço sob a luz do hermetismo, da
gnose, dos ritos de passagem, do tempo real, do espaço imaginário e da
metáfora evolucionista e organicista da "Noosfera", do "Cybionte", da
"Inteligência Coletiva" e dos "Rizomas". O cyberespaço seria assim um espaço
mágico, uma rede de inteligências coletivas. Ele não aceita a idéia de
árvore, como centralização de sua evolução, sendo um rizoma que vai se
comportar como uma entidade complexa (um "Cybionte"), auto-organizante e
quase orgânico.
BREVE DESCRIÇÃO DO CYBERESPAÇO
O termo "cyberspace" foi inventado pelo escritor "cyberpunk" de ficção
científica William Gibson no seu monumental "Neuromancer" de 1984 (2). Para
Gibson, o cyberespaço é um espaço não físico ou territorial, que se compõe
de um conjunto de redes de computadores através das quais todas as
informações (sob as suas mais diversas formas) circulam. O cyberespaço
gibsoniano é uma "alucinação consensual" onde podemos nos conectar através
de "chips" implantados no cérebro. A Matrix (3), como chama Gibson, é a mãe,
o útero da civilização pós-industrial onde os "cybernautas" vão penetrar
(4). Ela será povoada pelas mais diversas tribos, onde os "cowboys" do
cyberespaço circulam em busca de informações vitais para suas empresas ou
suas vidas. A Matrix de Gibson, como toda a sua obra, faz uma caricatura do
real, do quotidiano.
Embora ainda estejamos longe da "ligação" neuronal direta com o
cyberespaço, esse é em crescimento geométrico. Só para termos uma idéia, a
parte dita multimídia da Internet, o "world wide web" (WWW ou Web) vê nascer
uma "home page" nova a cada quatro segundos. A rede de redes chamada
Internet está em via de se tornar para os anos 90, aquilo que foi o rock
para os anos 60: um fenômeno de massa. Toda a economia, a cultura, o saber,
a política do século XXI, vão passar por um processo de negociação,
distorção, apropriação dessa nova dimensão espaço-temporal que é o
cyberespaço.
Hoje entendemos o cyberespaço à luz de duas perspectivas: como o lugar
onde estamos quando entramos num ambiente virtual (realidade virtual), e
como o conjunto de redes de computadores, interligadas ou não, em todo o
planeta (BBS, videotextos, Internet...). Estamos caminhando para uma
interligação total dessas duas concepções do cyberespaço, pois as redes vão
se interligar entre si e, ao mesmo tempo, permitir a interação por mundos
virtuais em três dimensões. O cyberespaço é assim uma entidade real, parte
vital da cybercultura planetária que está crescendo sob os nossos olhos.
Mesmo sem ser uma entidade física concreta, pois ele é um espaço
imaginário, o cyberespaço constitui-se em um espaço intermediário. Ele não é
desconectado da realidade mas, ao contrário, parte fundamental da cultura
contemporânea. O cyberespaço é assim um complexificador do real. Como afirma
Kellogg (5), ele aumenta a realidade já que ele supre nosso espaço físico em
três dimensões de uma nova camada eletrônica. No lugar de um espaço fechado,
desligado do mundo real, o cyberespaço colabora para a criação de uma
"realidade aumentada". Ele "faz da realidade um cyberespaço".
O cyberespaço é concebido como um espaço transnacional, onde o corpo é
suspenso pela abolição do espaço e pelas "personas" que entram em jogo nos
mais diversos meios de sociabilização como os BBS, os MUDs, ou o Minitel
francês (6). Assim sendo, o cyberespaço é um "não-lugar", uma "u-topia" onde
devemos repensar a significação sensorial de nossa civilização baseada em
informações digitais, coletivas e imediatas.
O cyberespaço é um enorme hypertexto (Ted Nelson) planetário (7). Um
hypertexto é um texto aberto à múltiplas conexões a outros hypertextos. Com
os hypertextos, é a figura do leitor que se vê substituída pela do "netsurfista".
Esse não é mais um simples leitor, mas um ator, um autor e um agente de
interação com as interfaces do cyberespaço (Laurel)(8). O cyberespaço é
assim um conjunto de hypertextos interligados entre si onde podemos
adicionar, retirar e modificar partes desse texto vivo.
Entretanto, a idéia de hypertexto não é exclusividade do cyberespaço. Na
leitura clássica (livros e textos impressos), o texto e o leitor se engajam
num processo também hypermediático, pois a leitura é feita de interconexões
à memória do leitor, às referências do texto, aos índices e ao índex que
remetem o leitor para fora da linearidade do texto. Assim, todo texto
escrito é um hypertexto onde o motor da interatividade se situa entre a
memória subjetiva do leitor e a interatividade em relação ao objeto livro.
Toda leitura exige um estado de atenção, de lapsos e de correlações
similares ao surfar no Web.
No entanto, a diferença entre um "hypertexto livro" e um "hypertexto
cyberespaço" se situa no fato de que, no cyberespaço, a conexão é em tempo
real, imediata, "live". Ela nos permite passar de uma referência à outra,
sendo a conexão imediatamente disponível. Essa conexão em relação ao livro
obriga a vinculação também do corpo, além da memória e da subjetividade. O
leitor deve buscar a referência, procurar numa biblioteca, subir nas
estantes e achar a correlação procurada, saindo fisicamente de perto do
livro em questão para interagir com um outro.
No cyberespaço isso não acontece pois passamos de referências à
referências, de servidor à servidor, de país em país com um simples "click"
do "mouse", sem saber onde começa e onde termina o processo. Como afirmava
McLuhan, Gutenberg nos fez leitores, a máquina Xerox nos fez editores e a
eletrônica e os computadores em rede nos faz autores. Nesse hypertexto
planetário que é o cyberespaço, "everyone is an author, which means that no
one is an author: the distinction upon which it rest, the author distinct
from the reader disappears" (9).
Os novos meios de comunicação que coletam, manipulam, estocam, simulam e
transmitem os fluxos de informação criam assim uma nova camada que vem se
sobrepor aos fluxos materiais que estamos acostumados a receber. O
cyberespaço é um espaço sem dimensões, um universo de informações navegável
de forma instantânea e reversível. Ele é dessa forma um espaço mágico; já
que caracterizado pela ubiqüidade, pelo tempo real e pelo espaço não físico.
Todos esses elementos são característicos da magia como manipulação do
mundo.
Depois da modernidade que controlou, manipulou e organizou o espaço
físico, nos vemos diante de um processo de desmaterialização pós-moderna do
mundo. O cyberespaço faz parte do processo de desmaterialização do espaço e
de instantaneidade temporal contemporâneos, após dois séculos de
industrialização moderna que insistiu na dominação física de energia e de
matérias, e na compartimentalização do tempo. Se na modernidade o tempo era
uma forma de esculpir o espaço, com a cybercultura contemporânea nós
assistimos à um processo onde o tempo real vai aos poucos exterminando o
espaço.
O cyberespaço é assim um operador meta-social (Benedikt), um espaço
pós-tribal, uma arena cultural criativa (10). Assim, o cyberespaço é uma
geografia metal comum (Benedikt), um universo de pura informação. Ele é a
incarnação tecnológica do velho sonho de criação de um mundo paralelo, de
uma memória coletiva, do imaginário, dos mitos e símbolos que perseguem o
homem. Nos tempos imemoriais, a potência do imaginário era veiculada pelas
narrações míticas, pelos ritos. Eles agiam como um verdadeiro mídia entre os
homens e os seus universos simbólicos.
Hoje o cyberespaço funciona um pouco dessa forma. Ele coloca em relação,
ele incita a abolição do espaço e do tempo, ele é lugar de um culto secular
digital. O cyberespaço se constitui assim como um tipo de "espaço imaginal"
(Corbin), onde as novas tecnologias mostram todo o potencial de
compartilhamento e de "reliance" (11)(Bolle de Bal). A racionalidade
tecnológica, herdeira da modernidade, anda lado a lado com o simbólico, o
mítico e o religioso. Essa mistura vai marcar toda a cybercultura nascente.
O cyberespaço é, em conseqüência, uma casa da imaginação, o lugar onde se
encontram racionalidade tecnológica, vitalismo social e pensamento mágico.
Não é à toa que Virilio (12) clama por um conhecimento mágico para
compreender a tecnologia contemporânea.
HERMETISMO E GNOSTICISMO NAS REDES ELETRÓNICAS
O termo hermetismo é empregado para descrever a literatura hermética,
atribuída ao deus grego Hermes. Essa literatura se caracteriza pela busca de
conhecimentos secretos (gnósticos). Hermes é o deus da comunicação, o
mensageiro, aquele que viabiliza as trocas de informações, como o Exú do
candomblé afro-brasileiro. O cyberespaço é, como o espaço sagrado de
movimentação de conhecimentos e de informações, um espaço de encruzilhadas.
Ele é uma casa para as "comunidades de almas" (13). Assim sendo, nós podemos
traçar paralelos entre o cyberespaço e a arte hermética da memória, a
criptografia demoníaca e a cosmologia gnóstica (14).
O hermetismo é, desde o começo, uma técnica mágica de armazenamento e de
tratamento de informações. O pensamento mágico é imerso num mundo de
informações das mais diversas (nomes rituais, códigos secretos,
correspondências astrológicas, signos, imagens) onde o sucesso da busca se
realiza na manipulação dessas informações. O conhecimento hermético visa
organizar este vasto saber através de uma arte da memória (Frances Yates)
que consiste na criação de espaços imaginários, como uma vasta edificação.
Essa arte da memória, ou mnemônica, se aproxima da idéia do poeta grego
Simonide de Céos (556-469 aC) que pensava a memória como uma casa onde
depositaríamos "souvenirs" em cada peça da casa. A recuperação dessas
informações se dava por um percurso imaginário na casa imaginária. Podemos
pensar a memória como uma arte de percorrer um "espaço imaginário".
A manipulação mágica das informações no hermetismo e no gnosticismo
encontra um paralelo com as manipulações de dados nas redes de computadores
e nos sistemas de realidade virtual, pois como um espaço hermético, o
cyberespaço é um espaço da memória, um espaço imaginário povoado de imagens,
de encruzilhadas, um "inner space" (Santo Agostinho)..
A arte medieval da memória, baseada na alegoria, que o poeta catalão Lull
chamava de "Arbor Scientae", se estrutura enquanto un conjunto de
conhecimentos agrupados em florestas de árvores, sendo a imagem das árvores
uma metáfora para o crescimento da natureza e do saber. Da mesma forma, a
metáfora da teia (o WEB) que liga todas as informações disponíveis no
planeta, serve hoje como imagem para o cyberespaço. As interfaces gráficas
são também metáforas e alegorias para a busca de informações. Manipular os
ícones revela a essência da manipulação mágica. Dessa forma, a manipulação
mágica do mundo, como a manipulação de dados no cyberespaço, se situam na
mesma dinâmica.
As imagens, os totens e os ícones, mais que simples representações, são
simulações do mundo: eles funcionam "como se". Da mesma forma que no "voudou"
a manipulação da boneca é a manipulação do alvo, na metáfora do "desktop",
os ícones simulam objetos reais (como arquivos, pastas, lixeiras, etc.),
permitindo a manipulação virtual desses objetos. Assim como as alegorias
medievais, as redes de computadores "fusionam as imagens com abstrações,
elas tendem para uma complexidade barroca, contendo operações mágicas e
hiperdimensionais, e freqüentemente representam espacialmente suas
abstrações" (15).
A batalha atual dos "cypherpunks" (16) pela adoção de sistemas públicos
de criptografia de mensagens encontra também um eco na mística da cabala e
das criptografias antigas. A criptografia de mensagens era vinculada à
valorização do poder não como simplesmente saber ou conhecimento, mas como
código secreto, como conhecimento hermético, acessível somente aos
iniciados. A quebra dos códigos secretos é a fonte do poder máximo pois o
hermetismo é fundado nas técnicas de numerologia a partir das quais nós
podemos desvendar mensagens esotéricas. O desenvolvimento da criptografia de
massa pelos cypherpunks (assim como o de agentes) faz com que o cyberespaço
seja um espaço mágico de circulação de códigos secretos e de anjos ou
demônios, que aí circulam em busca de informações. Logo, não é ao acaso que
McLuhan dizia que com o advento da eletricidade nós entramos num "tempo de
iluminação" (17).
A representação de um espaço mágico, pleno de conexões e de estruturas
multi-dimensionais é a forma de estruturação do cyberespaço. Como dizia
Aggripa no seu "De Occulta Philosophia", existem três tipos de magia: uma
magia natural (manipuladora das forcas da natureza), uma magia matemática
(influenciada pela filosofia mística de Pitágoras) e uma magia teológica
(relativa à comunicação angélica). Essa comunicação angélica se atualiza
hoje com a disseminação de agentes electronicos. Ora, os agentes, programas
inteligentes que circulam pelo cyberespaco em busca de informações
personalizadas, são assim como demônios bem próximos da "magia teológica" de
Aggripa. A gnose (do grego conhecimento, ligado ao conhecimento de Deus) é,
mais do que uma transcendência mística, uma busca afinada de informações
que, colocadas juntas, trazem à tona conhecimentos revelados a poucos. A
gnose é assim uma técnica mágica, uma "technè" (18), como manipulação
prática de informações (nomes secretos, códigos, etc.). Podemos assim, ver a
gnose e o hermetismo como antecipadores do cyberespaço e da cybercultura.
A gnose é atualizada hoje pela nova forma de esoterismo que emerge com a
cybercultura na forma do "tecno-paganismo" típico dos "ravers" e "zippies"
(19). Esses são personagens da cybercultura que misturam esoterismo e novas
tecnologias, principalmente aquelas que dão acesso ao cyberespaço. Os
tecnopagãos visam assim restabelecer a tecnologia como parte da cultura, ao
mesmo tempo em que refutam as dicotomias entre o sagrado e o profano. Assim,
a partir das novas tecnologias, são visados os rituais (festas, sexo e
drogas), a busca do espírito e da transcendência da matéria. Para os
tecnopagãos, as novas tecnologias do cyberespaço devem ser vistas como
parceiras dionisíacas da gnose.
O cyberespaço é para os tecnopagãos, um espaço mágico por excelência, um
espaço imaginário. Eles se interessam pela ficção cientifica, pela realidade
virtual e, obviamente, pelos MUDs, espaço imaginário por excelência. Como
define um "tecnopagão" "viver on-line faz parte da minha pratica diária
(...) é um tipo de experiência eremita, como entrar numa caverna" (20). Os
tecnopagãos criam dessa forma uma rede eclética que mistura espiritualidade,
teosofia, hermetismo e medicina natural. Eles são herdeiros diretos dos
hippies e da onda nova era. Eles incorporam esses valores à cybercultura.
Entretanto, eles atualizam o movimento hippie de uma nova maneira. Eles
aceitam a tecnologia, perspectiva essa oposta aos hippies (retorno à
natureza, refutação do artificial, etc.), não de uma forma simplesmente
conformista, mas de uma forma apropriativa. Eles implantam assim um "cyberpsicodelismo",
valorizando a utilização comunitária e espiritual das novas técnicas já que
essas são as ferramentas mais importantes para atingir os objetivos da Era
de Aquário.
O cyberespaço, como espaço mágico por excelência, é visto como
potencializador das dimensões lúdicas, eróticas, hedonistas e espirituais.
Nós podemos dizer que com o advento da cybercultura, estamos diante de uma
verdadeira "info-gnose", um rito de passagem em direção à desmaterialização
pós-industrial.
RITOS DE PASSAGEM PARA A PÓS-MODERNIDADE
Nós vimos como o cyberespaço se comporta como um espaço mágico. Vimos
que, se durante a modernidade o espaço e o tempo eram entidades concretas,
transformadas pela industrialização, hoje, com o processo de
desmaterialização engendrado pelas economias avançadas, o espaço é
aniquilado pelo tempo real. Assim, o cyberespaço pode ser visto também como
uma fronteira, um espaço intermediário na passagem do industrialismo para o
pós-industrialismo. Ele é também como o espelho de Alice, uma passagem do
indivíduo austero para o indivíduo "re-ligado" (do individualismo ao
tribalismo), participante do fluxo de informações do mundo contemporâneo.
Ele é ainda um rito de passagem obrigatório para os novos cidadãos da
cybercultura (21).
Os ritos de passagem são rituais que marcam, na vida de um indivíduo ou
grupo, a passagem para um outro estado, seja ele biológico ou social. Esses
ritos fazem parte de um processo de iniciação (nascimento, casamento, morte,
mudança de estação, etc.) criados com o objetivo de preservar uma certa
continuidade espaço-temporal e simbólica. Como um "lugar" de passagem, os
ritos se caracterizam por um espaço simbólico intermediário, através do qual
um indivíduo ou grupo se integra à globalidade da vida social. O cyberespaço
deve ser compreendido como um rito de passagem da era industrial à
pós-industrial, da modernidade dos átomos, à pós-modernidade dos bits, como
diria Negroponte (22), já que existem várias similaridades entre as
estruturas dos ritos de passagem e os mecanismos simbólicos do cyberespaço.
O ato de se conectar ao cyberespaço sugere versões dos ritos de agregação
e de separação, onde a tela do monitor possibilita a passagem à um outro
mundo. A tela é a fronteira entre o individual e o coletivo; entre o
orgânico e o artificial; entre o corpo e o espírito. O cyberespaço é onde se
realizam ritos de passagem do espaço físico e analógico ao espaço digital
sem fronteiras, do corpo átomo ao corpo bit. Se conectar ao cyberespaço
significa ainda, a passagem da modernidade (onde o espaço é esculpido pelo
tempo) à pós-modernidade (onde o tempo aniquila o espaço); de um social
marcado pelo indivíduo autônomo e isolado ao coletivo tribal e digital. Será
pelo cyberespaço que irá passar toda a "socialidade" (23) contemporânea.
Como afirma Benedikt, « a post-industrial work environment predicated on a
new hardwired communications interface that provides a direct and total
sensorial access to a parallel world of potential work space » (24).
Como rito de passagem, hermetismo e gnosticismo o cyberespaço impõe uma
interface entre o profano e o sagrado; uma fronteira entre a existência
banal do dia a dia, e o espaço eletrônico de circulação do saber. Mais uma
vez retornamos à gnose e ao hermetismo. O cyberespaço é uma interface entre
a estrutura de máquinas de comunicação e a massa de informações numéricas
despejadas na "consciência planetária" (o grande sonho dos enciclopedistas,
a saber, reunir num só mídia, todo o conhecimento da humanidade).
O cyberespaço no entanto, não é um lugar asséptico, de informações
precisas e utilitárias. O grande interesse do cyberespaço reside justamente
no vitalismo social que ele permite (BBS, "chat lines", "MUDs", "newsgroups",
"e-mail"). O interesse está no fato de que todas as formas de sociabilidade
contemporâneas encontram na tecnologia um potencializador, um catalisador,
um instrumento de conexão - que vai contra a lógica iniciada na Escola de
Frankfurt e que nos chega contemporaneamente nas vozes de Baudrillard ou
Virilio. O cyberespaço não é uma entidade puramente cibernética, mas uma
entidade efervescente, caótica e descontrolada.
TEMPO, ESPAÇO E HIEROFANIA DE DADOS
O cyberespaço, como espaço sagrado, é o lugar privilegiado para
observarmos esse reencantamento da tecnologia. Como todo espaço sagrado, o
cyberespaço acolhe um tempo também sagrado. Ele é um lugar de hierofanias
(manifestações do sagrado). Assim como o cyberespaço é o nome desse novo
espaço sagrado, o tempo real é o nome desse novo tempo mágico. Podemos
utilizar aqui esses conceitos de acordo com o mitólogo romeno Mircea Eliade
(25).
Como toda hierofania, se conectar ao cyberespaço é ter a experiência de
uma revelação de um outro mundo, uma irrupção do sagrado em plena luz do
quotidiano. Isso fica claro com a fascinação que temos ao ver uma máquina
fazer coisas (quando na verdade não entendemos direito como é que ela as
faz); com o delírio de se conectar à "distance homes" e ver o desenrolar de
imagens, textos e ícones os mais diversos; com a absorção de se passar horas
sem nos darmos conta; com antiquíssimo desejo de alcançar um mundo do
conhecimento, da inteligência ou da consciência planetária, etc. Não é
exagero afirmar que, no cyberespaço, temos o sentimento de participarmos de
uma hierofania, à uma outra realidade, à um espaço de qualidade distinta
(logo sagrado) daquele por onde circulamos nossos corpos (sem falar no
potencial para futuros desenvolvimentos da realidade virtual de massa "on
line").
O tempo real (acesso instantâneo, como todo toque de varinha de condão) é
similar ao tempo sagrado, circular e reversível. O tempo sagrado do mito é
um tempo repetitivo que fixa determinada memória coletiva; e ele é
reversível, pois o passado é a fonte do saber na preparação do presente e do
futuro. Ele atualiza o "ilo tempore", o tempo primordial onde tudo veio à
existência. O tempo sagrado do mito (26), assim como o tempo real do
cyberespaço, não é o tempo linear e progressivo, mas o tempo de conexões,
aqui e agora, um tempo presenteísta (27), correspondente ao presenteísmo
social contemporâneo.
Circular pelo Web, participar aos MUDs, recomeçar ao infinito um jogo
eletrônico ou um CD Rom, se perder nos "links" dos hypertextos, voltar
várias vezes à Home Page preferida, etc., tudo isso faz do tempo real do
cyberespaço um tempo sagrado, circular e reversível. O tempo real da
informática é assim correlato ao tempo presenteísta da sociedade
contemporânea. Mais uma vez encontramos a essência da cybercultura: a
imbricação entre uma sociedade tribal, emocional e presenteísta e as
máquinas do cyberespaço. Hoje os computadores pessoais são cada vez menos
individuais e cada vez mais computadores coletivos, máquinas de comunicação
(28).
Após termos visto o cyberespaço como um espaço gnóstico e hermético,
dotado de um tempo e de um espaço sagrados, representando um rito de
passagem da tecnocultura moderna à cybercultura pósmoderna, veremos o
cyberespaço como uma nova camada do planeta (Noosfera) e como um novo
organismo complexo (o Cybionte). O cyberespaço pode assim ser visto em
termos de evolução da vida na Terra, de acordo com a teoria de Theillard de
Chardin, elaborada na década de 50. Essa expansão da Noosfera se traduz pela
formação de um "organismo-rede" rizomático e auto-organizante.
A NOOSFERA ELETRÔNICA E A INTELIGÊNCIA COLETIVA
No seu "fenômeno humano" (29), Theillard de Chardin considera a evolução
humana em termos intelectuais e espirituais. Segundo o padre jesuíta, no
mundo físico existem duas energias: uma energia radial (correspondente ao
conceito de força newtoniana de causa e efeito) e uma energia tangencial
(que vem de dentro, de onde o divino aparece). Essa energia tangencial seria
de três níveis, que Chardin chama de pré vida (para os objetos inanimados),
vida (para os seres vivos) e consciência(para os homens). A pré vida
corresponde à formação de matéria inorgânicas, a vida corresponde ao
aparecimento de matérias orgânicas e a consciência ao aparecimento do homem
e, consequentemente, do pensamento reflexivo. Assim, camadas sucessivas vão
se empilhando umas sobre as outras : o mundo mineral, o mundo animal e o
mundo da consciência. Esse camada da consciência, Chardin chama de Noosfera.
A Noosfera é assim uma rede invisível da consciência humana que
virtualmente engloba todo o planeta terra. Noosfera vem de noogênese, ou
mais precisamente, o desenvolvimento ou evolução do espírito. Como explica
Chardin, "s’étale depuis lors par dessus le monde de plantes et des animaux;
hors et au dessus de la biosphère, une Noosphère" (30). A Noosfera é uma
camada invisível pela qual circula a consciência humana. Ela é uma nova
membrana onde "c’est um Age nouveau qui commence. La Terre fait ‘peau neuve’.
Mieux encore, elle trouve son âme" (31).
Com as redes eletrônicas como Internet, o cyberespaço, enquanto Noosfera
está diante de nós. O cyberespaço é uma Noosfera na medida em que ele é uma
camada abstrata e invisível, pela qual circulam dados, imagens, espectros e
fantasmas digitais (32). Esse cyberespaco-Noosfera está em via de expansão
planetária como um tipo de consciência coletiva. Isso nos leva à hipótese
levantada por Pierre Lévy, segundo a qual o cyberespaço é o receptáculo de
uma "inteligência coletiva" (33).
Pierre Lévy mostra como as novas tecnologias do cyberespaço podem
verdadeiramente ajudar a criar uma circulação do saber, circulação essa que
forma o que ele chama de "Inteligência Coletiva". Partindo de uma análise
antropológica do espaço, Lévy vai mostrar que, depois da terra (espaço do
mito e do rito, marcado por uma ligação completa do homem ao cosmos), do
território (fruto da revolução neolítica onde surge a agricultura, as
primeiras cidades, a escrita e o Estado), do mercado (espaço do trabalho e
da velocidade, instaurado no século XVI com as conquistas marítimas e a
globalização dos mercados com os fluxos de matéria prima, de mão de obra e
de capital), o cyberespaço seria o formador de um quarto espaço, um espaço
do saber. Esses espaços antropológicos não são excludentes, podendo
interagir como camadas (de novo a idéia de Noosfera) comunicantes.
O espaço do saber é criado a partir da expansão dos mídias de comunicação
e dos meios de transportes modernos (paradoxalmente existe um relação direta
entre a locomoção e os mídias) e, principalmente com o nascimento de uma
nova economia baseada na aceleração de trocas, na abolição de limites
geográficos e com o surgimento do tempo real. De acordo com Lévy, esse
quarto espaço antropológico pode instaurar uma verdadeira inteligência
coletiva, "uma inteligência distribuída em todas as direções, valorizada sem
cessar, coordenada em tempo real, e que chega à uma valorização e
mobilização efetiva de competências"(34). Dessa forma o cyberespaço pode se
tornar um meio de discussões pluralista, reforçando competência e laços
comunitários específicos.
UM CYBIONTE DE ESTRUTURA RIZOMÁTICA
O cyberespaço é hoje uma realidade em forma ainda embrionária, conhecido
como a estrutura de informação (rede de computadores, satélites, sistemas de
telefonia, etc.). A dinâmica atual do desenvolvimento das redes de
computadores e seu crescimento exponencial caracterizam o cyberespaço como
um organismo complexo, interativo e auto-organizante.
De acordo com Joël de Rosnay (35), o cyberespaço é hoje uma entidade
quase biológica, um organismo no sentido orgânico do termo. De Rosnay chama
esse organismo de "Cybionte", uma forma emergente da simbiose entre a
cibernética e o biológico. Para De Rosnay, o Cybionte é um cérebro
planetário (como a Noosfera e a Inteligência Coletiva) formado pelo conjunto
de cérebros humanos, de redes conectadas, de computadores e de modens: "um
organisme planétaire unique (...), la forme la plus avancée d’un cerveau
planétaire em cours de constitution" (36). O Cybionte faz parte assim da
tendência pós-orgânica da civilização contemporânea, a saber, a fusão entre
os homens e as máquinas (o cyberpunk R. U. Sirius, editor da revista
californiana "Mondo 2000", afirma que nós somos já, de certa forma, "cyborgs":
lentes de contato, marcapassos, drogas sintéticas, engenharia genética...).
Esse organismo planetário que é o Cybionte vai ganhar a forma daquilo que
Guattari e Deleuze (37) chamaram de estrutura rizomática. Uma estrutura
rizomática é um sistema de multiplicidade, um sistema de formas as mais
diversas, como um verdadeiro rizoma, com extensão ramificada em todos os
sentidos. De acordo com Deleuze e Guattari, um rizoma pode ser conectado com
qualquer outro rizoma e "deve ser". Como multiplicidade, um rizoma não tem
nem sujeito nem objeto e ele cresce de acordo com a dinâmica das conexões.
Os rizomas se ramificam e se reticulam permitindo estratificações e
territórios, da mesma forma que cria linhas de fuga e de
desterritorialização. Existe assim um processo de desterritorialização e
reterritorialização à partir de múltiplos "devenirs".
Avessos à centralização, os rizomas não tem um eixo genético como
estrutura profunda, como é o caso das estruturas em arborescência. Eles não
nos dão a imagem triste de uma hierarquia superior e determinante de um
sistema centralizado. O modelo da árvore dominou, segundo os filósofos
franceses, todo o pensamento ocidental. Mas a partir das crises da
modernidade, esse modelo árvore cede lugar aos rizomas. Assim, dentro do
processo civilizatório contemporâneo podemos ver estruturas rizomáticas nos
beatniks, no underground, nas tribos de "hackers" e "cyberpunks", nos "tecno-anarquistas"
e nos "tecnopagãos" que pulsam lateralmente, sem controle e sem eixo
gerador, e que se espalham horizontalmente como os canais de Amsterdã.
É óbvia a semelhança entre as estruturas rizomáticas e o cyberespaço.
Ambos são descentralizados, conectando pontos ordinários, criando
territorialização e desterritorialização sucessivas. O cyberespaço não tem
um controle centralizado, multiplicando-se de forma anárquica e extensa,
desordenadamente, a partir de conexões múltiplas e diferenciadas. O
cyberespaço permite agregações ordinárias, de pontos a pontos, onde entram
em jogo toda a dialógica (Morin)(38) entre o particular e o geral e a
formação de comunidades virtuais (ou "quelconques", como quer o filosofo
italiano Agamben)(39). As conexões do cyberespaço, assim como aquelas dos
rizomas, modificam as suas estruturas, caracterizando-se como sistemas
complexos e auto-organizantes (os exemplos do Minitel francês e de Internet
ilustram bem esse ponto). Como explica Deleuze e Guattari, a árvore impõe o
"ser", o rizoma o "e, e, e,...". Aí está toda a força social do cyberespaço.
CONCLUSÃO
Nós tentamos nesse artigo desenvolver rapidamente as similaridades entre
o pensamento mágico (hermetismo, gnose, hierofania, tempo cíclico) e a
estrutura da Noosfera, do Cybionte, da inteligência coletiva e do rizoma,
para trazer à luz algumas particularidades do cyberespaço. Nenhuma delas no
entanto, tem a supremacia sobre as outras pois, como entidade escorregadia,
o cyberespaço não nos revela tão facilmente seus segredos. Ele é um pouco de
tudo isso, sem ser totalmente o conjunto de todas essas particularidades.
Exageramos em alguns pontos para tentar fazer, mais do que um retrato
fiel, uma caricatura do cyberespaço. Identificar (pois as caricaturas
identificam mais do que diferenciam) essas particularidades pode nos ajudar
à compreender melhor esse lugar poroso e rizomático por onde vai passar toda
a cultura do próximo século.
1. Gibson, W., "Neuromancien", Paris, La Découverte, 1985., p.64
2. Gibson, W., op. cit.
3. Sobre a Matrix, nome dado ao cyberespaco, ver Quaterman, J.S., "The
Matrix. Computer Network and Conferencing Systems Worldwide"., Digital Press,
1990.
4. Sobre a visão erótica do cyberespaço, ver Heim, M., "The Metaphysics
of Virtual Reality"., Oxford Press, 1993.
5. Kellogg, W; Carroll, J.M.; Richards, J.T., "Making Reality a
Cyberspace". in, Benedikt, M., "Cyberspace. First Steps". Mit Press, 1992.
6. BBS (Bulletin Board Systems), MUDS (Multi Users Dungeons), Minitel
(sistema videotexto francês). Sobre o Minitel ver Lemos, A., "The Labyrinth
of Minitel"., in Shields, R. (ed). "Cultures of Internet". Sage, Londres,
1996.
7. Ted Nelson é também o mentor do projeto Xanadu. Sobre esse projeto ver
Wolf, Gary., "The Curse of Xanadu", in Wired, 3.06, juin 1995, p. 137.
8. Sobre a interface e o utilizador como agentes numa perspectiva teatral
ver Laurel, B. "Computer as Theater"., Addison-Wesley, 1993.
9. Wooley, B. "Virtual Worlds. A Journey in Hype and Hyperreality",
Penguin Books, 1992., p. 165.
10. Todo o desenvolvimento da micro-informática é ligado à essa "sopa
cultural". Os micros computadores, a rede Internet e a explosão do Web não
são diretivas tecnocráticas de nenhuma instituição. Essa relação, entre a
técnica e o social, sem que nenhum dos dois tenha a chave da equação, é que
caracteriza a cybercultura. Ver Lemos, A. "La Cyberculture. Les Nouvelles
Technologies et la Société Contemporaine". Tese de Doutorado, Paris V,
Sorbonne, 1995.
11. Bolle de Bal mostra como a modernidade é marcada pela separação. A
"tentação comunitária" leva a uma nova forma de relação que ele chama de "reliance".
Sobre a "reliance" comunitária ver Bolle de Bal, M. "La Tentation
Communautaire. Les Paradoxes de la Reliance et de la Contre-Culture".
Université de Bruxelles, Bruxelas, 1985.
12. Virilio, P., "Esthétique de la Disparition"., Paris, Galilée, 1989.
13. Ver Zorach, R., "New Medieval Aesthetic", in Wired, n° 2.01, p. 48.
Ela analisa a cultura do monastério e a estética dos manuscritos medievais
como uma rede de "comunidades de almas".
14. Ver Davis, E., "Techgnosis: Magic, Memory, and the Angels of
Information"., in Dery, M., "Flame Wars. The Discourse of Cyberculture".,
The South Atlantic Quarterly 92:4, fall 1993.
15. Ver Davis, Erik., "Techgnosis..." op. cit., p. 593.
16. Sobre os cypherpunks ver Levy, S. "Cryptorebels", in Wired, 1.2. e
Lemos, A. "Technorebels", in Citizen K, Paris, dec, 1995.
17. Ver McLuhan, M. "La Galaxie Gutenberg.", Paris, Gallimard, 1967.
18. Mauss e Ellul mostram como a magia é uma das primeiras expressões da
"technè", da técnica humana. Ver. Mauss, M. "Sociologie et Anthropologie",
Paris, PUF, 1962 et Ellul, J., "La Technique ou l’Enjeu du Siècle"., Paris,
A. Colin, 1954.
19. Sobre os "ravers" e "zippies" ver Marshall, J., "Zippies", in Wired,
2.05, maio 1994; "The Roots of Techno", in Mondo 2000, n° 2.07 e Davis, E.,
"Technopagans", in Wired, 3.07, julho, 1995.
20. Citado por Davis, E., op.cit., p.180.
21. Sobre o cyberespaço como rito de passagem, ver Tomas, D. "Old Rituals
for New Spaces. Rites de Passage and William Gibson’s Model of Cyberspace".,
in Benedikt, M., op.cit.
22. Negroponte, N., "L’Homme Numérique"., Paris, Fayard, 1995.
23. Sobre a "socialidade" contemporânea ver a obra de Michel Maffesoli,
particularmente Maffesoli, M. "La Conquête du Présent. Pour Une Sociologie
de la Vie Quotidienne"., Paris, PUF, 1979.
24. Benedikt, M., "Cyberspace. Some Proposals"., in Benedikt (ed). "Cyberspace;
First Steps"., op.cit., p. 35.
25. Ver Eliade M. "Le Sacré et le Profane"., Paris, Gallimard, 1965.
26. Ver Eliade, M., "Mito e Realidade", SP, Perspectiva. 1977.
27. Sobre o "presentísmo", ver Maffesoli, M, op.cit.
28. O "netcompute" da Oracle (máquinas sem disco rígido e prontas para se
conectarem às redes) comprova essa tendência.
29. Theillard de Chardin, P., "Le Phénomène Humain"., Paris, Seuil, 1955.
30. Theillard de Chardin, op.cit., p. 179.
31. idem.
32. Sobre espectros e fantasmas digitais ver, Guillaume, M., "Téléspectres",
in Traverses, número 26, Paris, CGP, outubro de 1982.
33. Lévy, P. "L’Intelligence Collective. Pour une Anthropologie du
Cyberspace". Paris, La Découverte, 1995.
34. Lévy, P. op.cit, p. 29
35. De Rosnay, J. "L’Homme Symbiotique". Paris, Seuil, 1995.
36. De Rosnay, op.cit., p. 315.
37. Deleuze, G.; Guattari, F., "Mille Plateaux. Capitalisme et
Schizophrénie"., Paris, Minuit, 1982.
38. Sobre a dialógica ver Morin, E., "La Methode I. La Nature de la
Nature". Paris, Seuil, 1977.
39. Ver Agamben, G. "La Communauté qui Vient. Essais sur la Singularité
Quelconque". Paris, Seuil, 1990.
André L.M. Lemos é doutor em sociologia pela Sorbonne, professor e
pesquisador do Programa de Pòs-Graduação em Comunicação e Cultura
Contemporâneas da Faculdade de Comunicação (FACOM), UFBA/CNPq. E-mail:
[email protected]