Mesa de Escrita

 

O Sorriso e a Dor

 

Parece chuva que me bate na cara

Olho o céu,

O vento sopra no ar frio que me envolve

E eu sorrio em dor.

 

Tenho uma foto de ti

Que guardo no pensamento

Tantas vezes a olhei

Que penso ser realidade,

Mas abro os olhos

E não te vejo.

 

Procuro por ti

Sei que vou cair no vazio

Mas ganhei coragem

para me deixar ir sem me separar

de ti.

 

Sinto-me pesado...

Pesa-me a dor de uma sombra

Que se arrasta dentro de mim

Olho o céu, o vento já não sopra

E eu sorrio sem dor

 

 

O Sangue

 

O sangue

correu de ti,

Encheu-me a alma de dor

Secou fontes e rios.

Morres-te sem chegar ao fim

Morres-te sem me esquecer de ti

Morres-te...

 

Sombras no sol

Falam-me de ti.

 

Sombras no sol

Falam-me de ti.

 

 

Aranha

 

A aranha tece a sua teia

Como um véu à espera

De quem o use numa núpcia mortal.

 

“Vem ao meu domínio”

“Vem ao meu domínio”,

diz a aranha,

“justifica o meu ser, deixa-me usar o teu corpo

neste vestido de seda.”

 

“Faz-me dançar ao teu redor,

deixa-me olhar nos teus olhos

e fundi-los com os meus segredos,

os meus segredos.”

 

“Despe-te das tuas asas,

deixa-me sugar o teu néctar.

Provar o sabor da tua vida,

Provar o sabor da tua vida

Numa culpa inocente,

inocente.”

 

“Voa até mim

pousa no meu véu,

justifica-me as palavras

que eu não sei dizer.”

 

“Despe-te das tuas asas

deixa-me sugar o teu néctar.

Vem-me contar os teus medos,

Vem-me contar os segredo

Vamos dançar nesta morte,

Nesta morte...lenta e doce”

 

A Janela do Mundo

 

Pela janela do mundo

As cores da morte

Entram na minha mente

Ao som de anjos.

Trazem cheiros da dor anunciada

Com caras desfeitas em sorrisos

 

A distancia adormece os sentidos

Afastando o real das nossas vidas

Dá-nos a falsa paz de um rio

Que teima em correr para a nascente

 

Danço entre flores virtuais

Entre a dor e a morte

Entre a terra e o mar

Não me vou vender

Não vou disfarçar

a raiva

que me faz lutar

 

Apocalipse anunciado entre comerciais

E refeições pós-modernas sem sabor

Como se fosse o sal de uma existência

Cheia de tudo e nada

 

Os amores

Os horrores e os medos

É tudo o que eu vejo na minha janela

Não sei o que me dizem

Ou o que são

Mas estou confortável nesta prisão.

 

Danço entre flores virtuais

Entre a dor e a morte

Entre a terra e o mar

Não me vou vender

Não vou disfarçar

a raiva

que me faz lutar

 

Tiros, sangue e flores

Paz, sorrisos, dor

 

Pela janela do mundo as cores da morte

Trazem cheiros da dor anunciada

A distância adormece os sentido

Não sei o que me dizem ou o que são

 

 

Até Ao Fim

 

Sei de um lugar onde tudo pode acontecer

Só não sei

Como é que posso lá chegar

As incertezas cruzam-me a alma

Que pouca luz pode lá entrar

 

Sinto-me a derrapar

Sinto-me a escorregar

Por entre ideias

Que nada me dizem

Vou quebrar muros

Vou correr até não poder mais

Num quarto escuro não me vão trancar

 

Não quero ser mais um aqui

Quero ter uma voz até ao fim

Não quero ser mais um aqui

Quero ter uma voz até ao fim

 

Azul

 

Estava capaz de olhar

Bem dentro dos teus olhos

E sem nada dizer

Poder sentir que te amo

 

Estava capaz de tentar voar

E abraçar o sol

E por o meu corpo em chamas

 

Estou sentado no chão

Entre a luz e a sombra

A olhar o meu corpo desaparecer

 

Não consigo ouvir nada do que dizes

Não quero sentir

O que tens para me oferecer

 

Quero que digas mal de mim

Quero que o digas sempre assim

Não quero estar nos teus favores

 

Não me venhas dizer

o que está certo

é tarde demais

provei o mal e o bem

 

Hei-de aprender

com o cheiro das memórias

As cores novas dos teus rostos

E os sabores dos nossos corpos

 

Estava capaz de olhar

Bem dentro dos teus olhos

E sem nada dizer

 

Néctar

 

Sentir

            O frio que me desperta

Correr

            Atrás do que tudo me diz

Não

            Ter a morte como certa

Amar

            Com todo o calor de mim

Não ter de acordar sozinho

Não querer abraçar a noite em vão

Não ter de pedir o teu perdão

 

Ser um anjo num país incerto

Ser um anjo num país incerto

 

Morro com a vida

Morro com a vida que me dás todos os dias **

Que me dá todos os dias

                                                Meu amor

 

Ser um anjo num país incerto

Ter no corpo o pó do teu deserto

Como o mar e o sol onde mergulho

Afogo a dor

                        E embriago-me na paixão

 

** David Mourão Ferreira in  A Ilha (1973)

 

As Tuas Mãos

 

As tuas mãos no meu rosto

Trazem o som do mar

O toque das sereias

A espera por um olhar que nunca existiu

 

As feridas nas minhas mãos

Levam-me a pensar no que nunca acreditei

E as lágrimas que deixo correr

Lavam a dor que sinto por te perder

 

O som dos teus passos na noite

Faz soar as estrelas

Faz a lua chorar um luar

Que ilumina os meus olhos

 

E o meu rosto aparece

marcado na palma das tuas mãos

Esperando um afago

um sinal da tua paixão

 

  Dias de Guerra

 

Não importa o que as vozes digam

Não importa que o mundo gire

Continuo a sentir-me só

Continuo à procura

 

A quem tento enganar

Quando digo que amo

É mais um dia de guerra

e de feridas por sarar

 

Não importa que a lua brilhe

Não importa que o sol se esconda

Continua a correr em mim

A vontade de querer

 

As minhas emoções

Acolhem o desejo

A quem tento rezar

Quando a alma se apodera de mim?

 

Já senti não haver um espaço

Já pensei que não há nada a fazer

Mas nenhuma palavra é dita em vão

Quando os teus braços me abraçam

 

A Cidade dos Sonhos

 

Sei de um lugar onde tudo pode acontecer

onde os dias nunca são iguais

onde as palavras se trocam e os olhares se esgueiram

por entre portas abertas

 

Das bocas saem segredos

difíceis de revelar

os corpos soltam murmúrios,

deleites vagos de amor

 

As ruas são um labirinto

por onde me perco

Um mar de betão onde mergulho os meus pés

um espaço infindo de aventura

 

A cidade respira-me

A cidade traz-me a memória dos ventos

das cores puras

reinvento o meu espaço

reinvento a loucura

mas não me vou esquecer daquilo que nunca fiz

 

Trago o fogo na minha mão

 

Sem Título 1

 

Devolve-me ao espaço

trai os meus gestos

procura essência do ser

 

Atravessa o meu quarto

sem deixar rasto

desliza pela noite a correr

 

E atrai os inertes

enfrenta os teus medos

baralha .... e os sentidos

 

Devolve-me ao mar

 

Sem Título 2

 

O que é que vais dizer

quando já não te ouvires

O que é que vais sentir

quando já não te vires

será que tens tempo para ti

porque o tempo nunca se ganha

 

O que é que tu vais ver

quando todos partirem

O que é que vais falar

quando vieres até mim

quem vai preencher este espaço de ninguém

porque o espaço é subjectivo

 

Como tudo foi real

Como nada parece igual

 

O que vais tocar

quando me abraçares pela última vez

O que vais pedir

quando o meu corpo disser não

terão todas as horas passado em vão

será o fim apenas uma continuação

 

Que chão vais tu pisar

quando as ruas se cruzarem

Que sabor vais lembrar

quando um beijo te acordar

Terei provado o cálice da tua vida

fará sentido esta merda  

 

SENSELESS ANGEL

 

Have you ever felt like this

all this time before a kiss

I never felt like this before

I never felt like this before

 

Is my mind a perfect waste

did you ever felt the taste

of a life yet to live

of a life yet to live

Senseless

senseless

is the night

have you ever danced by the moonlight

Did you ever danced with shadows?

Did you ever danced with the shadows?

 

And I said I will

keep the time so still

and watch you like a senseless angel

 

Have you came here just for me?

I never wanted to believe

Have you ever wanted this?

Have you ever wanted this?

 

Is your heart a perfect wasteland?

Did you ever felt the taste?

Of a life already lived

of a life already lived

 

Senseless

Senseless

is the day

can we ever dance beneath the sun?

Did you ever felt the light?

Did you ever felt alive?

 

And I said I will

keep the time so still

and watch you like a senseless angel

 

Undertow

 

Every time I think of you

the sky falls down

and every time it hits the ground

i feel the closing time

 

And now the lights are low

and now the lights are open

But every time I think of you

I feel so lost and found

 

I see the world I feel it now

I fall right out

I leave my head above the water

to survive

 

Every time I think of you

I feel the undertow

I unveil the bruises of my soul

in hunger for a bit of faith

 

I see the end

I see it coming like a tide

I don’t know what else I can do

What else to break this chains

and leave

 

I see the world

I feel it now

I fall right out

I leave my heart above the water

to survive

 

to feel alive

 

Weightless

 

I want to believe that you are here with me now

I want to believe that you glow in the dark

and the sound of a kiss is the clash of my silence

and the touch of your hand is the sound of my heart

 

Let your voice be the one i hear

every time i wake up

and i let your arms reach the other side of my soul

don’t be afraid to let your self go

 

I swim on your sea

as long as your heart keeps pushing the waves away

and i hear you say

that my  eyes and my smile give away to your presence

you  are beyond yourself and nothing can do you harm

and with the sound of a kiss my body receives

the blessing of a new day

 

Say that you will be the one

Say that you need someone by your side

Say you’ll love me even if the storm comes

Say that you will be the end of the line

‘cause i’m wasted by these endless goodbyes 

 

 

Did You Come Three Thousand Miles To Find Out?

 

amazed to see where I was

against that rush

I hurt myself

and I completely forgot who i was,

the whole mess of little joys.

 

It’s hard to explain and the best thing to do is to be false.

Life is not an apology

but I’ve been afraid to light my lamp.

Maybe I should have gone out,

I go there every night

To a world being just what it is

an empty blue sky of space

and mortal hopelessness.

 

But before I go

I go off dancing like a fool

Wouldn’t you know the colour of my soul?

 

So maybe it is true

and I am telling you the honest truth

City blues

you know a lot of all this

is written against us

And this colour can knock you out

Walk with me back down the road

It’s a whole new day

All kids are fascinated

and suddenly

we explode and implode

Together in one moment

Did you come three thousand miles to find out?

 

Untitled 3

 

I might just come around

to be a part of you

I might just come around

to hear you laughing

 

Like a hawkmoon high in th esky

like a fire god flashing in the night

i could just step insed of your mind

and stay there for a while

 

I might just come around

to hear your heartbeat

i might just come around

to put a smile on your face

 

I don't want to be alone

i don't want to be the one

hunting you for your skin

i could just step insed of your mind

and stay there for a while

 

Untitled 4

 

I took the blow

i am aching inside because of those words

 

It's just like she's there

there where i can see all about her

read all about her smile

but i don't know how

 

Don't you feel the sway

overflowing inside

you have called me here

come on follow me dear

I took the blow

i can't find an easy answer

no one to forgive

no one to blame

no one to explain if i 'm cursed or blessed

Because i don't mind

you cominghere to play with me

'cause i 'm not blind

see you and the stars

throwing light

She comes in slowly

i tae the blow

we come together

taking chance into starlight

we can stop time

 

Got a mind that moves

a whisper shouted into my soul

and i know you'll go

so please just set me free

 

'cause i'm not blind

and i know she's dead

and she can't hear the things i say

and i'm not blin

i'm not blind

                    so set me free

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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