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EDUCAÇÃO ESPECIAL A Actividade Motora e a Toxicodependência A Actividade Motora deve, nos nossos dias ser abordada numa perspectiva mais abrangente. A nossa ideia primária quando se fala de actividade motora é a de Educação física ou de Desporto de Alta Competição. Pois bem, a actividade motora é bem mais do que isso. Não pretendo com esta afirmação desvalorizar a educação física ou o desporto de alta competição. A intenção é fazer perceber que para se chegar a esses estádios o tipo e a qualidade das experiências motoras vivenciadas pelo indivíduo serão determinantes na aquisição e construção dos padrões motores que vão servir de base para toda a actividade motora que venha a realizar. As nossas prestações motoras também serão condicionadas por factores sociais, anatómicos, psicológicos, ambientais, etc. Esta globalidade do ser humano, a sua constante interacção com o meio leva-nos ao conceito de Motricidade. Este é um conceito abrangente da nossa humanidade, onde a dualidade corpo/alma de Descartes é analisada e desmistificada. A motricidade não é mais do que a junção entre o nosso intelecto e a nossa capacidade motora. É dessa harmonia que surge a actividade motora dirigida a um fim, a uma necessidade e sobretudo interiorizada pelo homem. Tudo isto vem aliado a uma realidade social vigente na qual bebemos as nossas influencias e construímos as influencias futuras. Falo agora da questão da toxicodependência. A realidade de uma população especial como a dos toxicodependentes é desajustada dos padrões sociais onde estão "inseridos". As carências a todos os níveis são por demais evidentes o que provoca um grande desajuste do indivíduo em relação aos seus pares e ao status quo. Determinados valores são desaprendidos ou nunca apreendidos sendo substituídos por outros que para eles se tronam mais válidos e "gratificantes". As competências sociais que vamos absorvendo ao longo da nossa vida desvalorizam-se e tornam-se um obstáculo a abater e contra o qual direcionam todas as suas forças. O consumo de drogas é um processo de auto-destruição onde o toxicodependente constrói outros ideais ilusórios que o conduzem num caminho errado na busca da perfeição e da felicidade. A actividade motora e o desporto não se limitam à realização de tarefas com uma finalidade linear como seria a diversão ou a cultura física. São de uma complexidade maior. O desporto transporta consigo determinadas componentes que o definem como um jogo, onde estão incluídas todas as componentes culturais, sociais e ambientais de um povo. O jogo, assim como a actividade motora, requer uma organização, uma inter-relação entre os participantes, o estabelecimento de vias de comunicação entre eles, a definição de papeis, o conhecimento das suas capacidades individuais, a aceitação de regras, o estabelecimento de estratégias para o desenvolvimento e obtenção de sucesso nas actividades (sejam elas grupais ou individuais). Tudo isto são competências inerentes à nossa vida. Tudo o que a actividade motora e o desporto nos dão transportamos para a nossa vivência pessoal e social. Para além da perspectiva social aliada à actividade motora existe também a perspectiva da saúde. Há que criar condições para que o surgir de situações de doença seja minorado. A actividade motora através do estabelecimento de programas, onde a componente a trabalhar é a condição física, proporciona a quem neles participa a realização de uma actividade física controlada e saudável que permite potenciar e controlar a composição corporal, a resistência cárdio respiratória, a força e a resistência. Todos sabemos que na população toxicodependente estes factores se encontram numa situação de debilidade provocado pelo consumo de drogas. Consumo esse que arrasta ainda outras complicações que reduzem a resistência do organismo às agressões do meio. Podemos através da actividade motora prevenir o estado de debilidade. Mas mais do que servir como instrumento de prevenção, a actividade motora pode , e deve em meu ver, servir como instrumento actuante em situações onde a margem de risco foi ultrapassada e deu origem ao acidente. Não posso deixar de referir a importância do carácter lúdico que deve estar inerente a toda a actividade motora e ao desporto. É fundamental a sua existência para potenciar a motivação. A motivação para qualquer acto é o primeiro passo para a obtenção de sucesso no que nos propomos realizar. É a motivação que nos leva a explorar e a ultrapassar os nossos próprios limites. O estímulo é o percutor do conhecimento. É o factor que leva à reacção, que não é igual para todos e que por isso mesmo deve ser motivo de grande análise por que se propõe a ser formador. É fundamental adequar o desporto e a actividade motora às nossas necessidades e interesses de forma a potenciar-mo-nos ao nível social, cultural e físico. Por tudo isto é a minha convicção que o estabelecimento de programas de actividade motora no âmbito de um programa terapêutico para reabilitação de toxicodependentes é fundamental. E mais eficaz se torna se para dentro dele forem transportadas as actividades terapêuticas que complementarão e fundamentarão as potencialidades da actividade motora nesta área de intervenção. FMH/UTL, Cruz Quebrada 1995 José Eduardo Gomes Polido Lic. Educação Especial e Reabilitação FMH/UTL
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