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Karma Mas não é preciso ter a iluminação de um Buda para saber que qualquer ato praticado traz conseqüências para o futuro, próximo ou distante. Da mesma forma, parece-me óbvio que todo fato ou situação tem uma causa originária, ainda que remota. Em entrevista concedida ao jorna-lista Roberto DÁvila, e exibida pela TV Cultura em 12 de setembro de 1999, o Presidente da República tentava explicar as turbulências pelas quais o seu governo tem passado recentemente e que trouxeram consigo uma drástica queda de po-pularidade. Um dos motivos seria o fato de que, no início de seu primeiro mandato, as taxas de desemprego eram consideradas "normais", ao passo que, nos últimos tempos, o País tem se deparado com taxas cada vez mais alarmantes, que obviamente não agradam a ninguém. Por isso tamanha insatisfação popular, demonstrada pela voz rouca dos sem-rumo nas ruas, e por pesquisas recentes que apontam rejeição recorde de 65% em relação ao governo. Talvez por não acreditar em karma, ou qualquer outra relação de causa e conseqüência, o Sr. Fernando Henrique Cardoso não percebeu que desemprego não cai do céu ou é expelido da boca de um vulcão. Desemprego não é, enfim, uma ocorrência natural, como chuvas ou terremotos; tem suas causas evidentes, no caso brasileiro, na irresponsável política econômica de câmbio sobrevalorizado e de taxas de juros altíssimas, que atraiu a banca internacional mas arrasou a produção nacional. Se hoje o Governo Federal enfrenta tamanha rejeição não é por acaso do destino cruel, que colocou em seu caminho a pedra do desemprego; é porque manteve com teimosia cega e estúpida uma política econômica fadada à tragédia. Se o Dalai-Lama fosse analista político no Brasil diria que o Presidente da República e seu governo acumularam um karma durante sua primeira existência no poder, que agora se manifesta impiedoso, nesta segunda e inferior forma de existência governamental. |