| Alta tens�o Apesar de n�o ser uma doen�a, estudos comprovam que o estresse est� ligado � maioria dos problemas de sa�de. Isso porque, ao se tornar cr�nico, afeta o sistema imunol�gico. Num est�gio avan�ado, � respons�vel por falhas de mem�ria, queda de cabelo, cisto no ov�rio, ins�nia, depress�o, c�ncer e uma s�rie de outros dist�rbios. Mas o estresse n�o � de todo ruim, j� que representa uma rea��o fisiol�gica fundamental para garantir nosso equil�brio e nossa sobreviv�ncia. Essa rea��o pode ser causada por fatores externos - acontecimentos do dia-a-dia ou o relacionamento com as pessoas - e internos - pensamentos, cren�as e sentimentos. "Qualquer situa��o que desperte uma emo��o intensa, boa ou m�, e que exija mudan�a funciona como um agente estressor", explica a psic�loga Marilda Lipp, do Centro Psicol�gico de Controle do Stress, em Campinas. Um estudo americano mediu o efeito de alguns acontecimentos na vida das pessoas e concluiu, por exemplo, que casar � mais estressante do que ter algu�m doente na fam�lia ou perder um amigo. Uma rea��o natural O corpo n�o distingue o estressor positivo tirar f�rias ou ganhar na loteria do negativo divorciar-se ou ser assaltado. E inicialmente responde a ambos da mesma maneira: assim que ele � detectado pelo hipot�lamo, o centro nervoso cerebral, uma ordem � disparada para as supra-renais, gl�ndulas que ficam apoiadas sobre os rins. Elas come�am a secretar adrenalina, o que representa o primeiro est�gio do estresse, conhecido como alerta e que n�o � em si prejudicial � sa�de. Em quest�o de segundos a adrenalina promove uma s�rie de altera��es fisiol�gicas: "O racioc�nio fica mais r�pido, os batimentos card�acos e a press�o arterial aumentam para mandar mais oxig�nio aos m�sculos e as pupilas se dilatam a fim de melhorar a vis�o", explica o m�dico Ant�nio Eg�dio Nardi, do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Essa rea��o acontece quando, por exemplo, o farol fecha e algu�m se aproxima do seu carro. O objetivo � deixar o corpo pronto para enfrentar o estressor ou fugir dele. O problema � a repeti��o Sem perceber, voc� entra a todo momento na fase de alerta e sai dela naturalmente. O corpo est� preparado para lidar com esses picos de adrenalina, desde que n�o sejam freq�entes. A hist�ria fica complicada quando esse mecanismo � ativado o tempo todo. Cada vez que isso acontece, os efeitos duram cerca de 30 minutos. "Por deixar o indiv�duo no m�ximo de seu vigor f�sico e mental, a presen�a constante da adrenalina no sangue representa um desgaste org�nico muito grande", esclarece Marilda Lipp, do Centro Psicol�gico de Controle do Stress, em Campinas. Se essa quadro se tornar frequente, a pessoa entra na segunda fase do estresse � chamada resist�ncia. As supra-renais diminuem a produ��o de adrenalina e aumentam a libera��o de cortic�ides. Em pouca quantidade, eles at� fazem bem, porque deixam voc� esperta, mas, em excesso, prejudicam o racioc�nio e o sistema imunol�gico. Tanto que sintomas comuns de cortic�ides demais em circula��o s�o falhas de mem�ria e infec��es repetidas (como uma gripe atr�s da outra). O cansa�o matinal e a apatia, causada pela queda na produ��o de adrenalina, tamb�m s�o sinais que merecem aten��o. "Se voc� procurar um especialista quando estiver nesse est�gio do estresse, vai reverter o quadro sem grandes preju�zos para a sa�de", avisa Marilda Lipp, Quanto mais adiantado o processo, mais complica��es aparecem: tens�o muscular exagerada, bruxismo (h�bito de ranger os dentes � noite), retra��o da gengiva, altera��es no fluxo menstrual e pequenos problemas de pele, que voltam depois de tratados. "Estudos comprovam que a maior parte dos habitantes de centros urbanos vive na fase de resist�ncia", alerta o psiconeuroimunologista Esdras Vasconcellos, do Instituto Paulista de Stress. Se nada for feito para deter o processo, atinge-se a exaust�o, o quadro mais prejudicial � sa�de, fase em que ocorre um desgaste excessivo das supra-renais. O envelhecimento precoce � uma das conseq��ncias disso. Outros efeitos s�rios s�o: press�o alta, queda de cabelo (�s vezes com perda total dos fios), depress�o, diminui��o da auto-estima, epis�dios repetidos de herpes, cisto no ov�rio, miomas uterinos, �lcera, gastrite e problemas card�acos, entre outros. Algumas pesquisas relacionam o estresse at� mesmo com o c�ncer, n�o como causa direta, mas como fator detonador em quem tem predisposi��o para desenvolver a doen�a. "O estresse est� na origem de praticamente todas as doen�as, exceto daquelas provocadas por algum tipo de altera��o gen�tica", afirma Esdras Vasconcellos. |