Cada autor é livre,
precisa apenas de imaginação.
Cinema é imaginar,
cinema é êxtase,
é guerra, é aventura.
Cinema Novo não existe,
existe o novo e
o novo é eterno.
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Glauber Rocha |
O NOSSO PRÓXIMO FILME
Na poesia, assim como nos curtas,
tudo nasce a partir de uma idéia.
E tudo está aqui diante de nós,
pronto para ser transformado, modelado, narrado.
Uma alfinetada, uma provocação, uma reação.
Depois a luz e a viagem criativa.
Se cinema é romance, curta é poesia.
Muitos já disseram isto.
Certamente a poesia está muito mais
próxima das pessoas do que o romance.
Então, o curta também.
Sobretudo pela sua atual possibilidade de ser produzido
com pouquíssimos recursos.
Sentimo-nos portanto também à vontade
para pedir aos nossos amigos,
leitores desta página,
de enviar-nos as suas poesias, idéias,
ou minúsculos fragmentos de idéias.
Tendo por tema o lema da Jornada:
Por um mundo mais humano
Pensamentos relâmpagos para serem, quem sabe,
transformados em imagens, poesia, curta, cinema.
Se chegarem em número suficiente,
os publicaremos e poderemos também
utilizá-los de alguma maneira,
para construir um ou vários curtas coletivos
para serem apresentados na próxima edição da Jornada.
Resumindo, uma espécie de oficina de idéias,
para a produção de um curta.
Autores: os amigos da Jornada.
Se a coisa não funcionasse,
pelo menos serviria para sentir que
há tanta gente que quer um mundo melhor.
E temos certeza que são muitos entre os nossos leitores;
na maioria produtores culturais.
Mas não é tanto a eles que nos dirigimos
quanto ao leitor casual,
que nunca pensou em fazer um curta,
ou se já pensou, achou impossível.
É possível.
Aliás, é essencial para sanar a distância
sempre mais profunda entre cinema, TV e sociedade.
A idéia que nos seduz
é aproximar à produção de vídeo as pessoas comuns.
Inverter o processo que criou milhões de espectadores
e uma restrita casta de autores e técnicos:
pequenos deuses da grande mídia.
Queremos transformar nossos leitores em autores.
E que cada um sinta a necessidade de participar ativamente.
Em tudo. Sempre.
Finalmente, também, autor de um mundo melhor.
Quem sabe, o nosso próximo filme. Axé.
Stéfano Barbi-Cinti
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