José Ferreira Carneiro (Juca), Comendador

 

pai: Antônio Ferreira Carneiro (pai)

mãi: Josefa Pereira de Jesus (Bomjardim)

n.: Itapanhoacanga, termo da Vila do Príncipe, MG, Brasil, ±1794.

bat.: Capela de São José do Itapanhoacanga [?], termo da Vila do Príncipe, MG, Brasil, ±1794.

f.: Fazenda do Viamão, distrito de São Domingos do Rio do Peixe, município de Conceição do Mato Dentro, MG, Brasil, 23/abr/1883, com testamento.

sep.: Talvez, na mesma Fazenda do Viamão, distrito de São Domingos do Rio do Peixe, município de Conceição do Mato Dentro, MG, Brasil, 23/abr/1883 [?].

c.: Serro, MG, Brasil, ±1820.

c.c.: Joaquina Cândida da Conceição (Pereira Guedes) (n. Vila do Príncipe, MG, Brasil, ??/jul/1796 [?]; bat. Vila do Príncipe, MG, Brasil, 20/jul/1796; f. Serro, MG, Brasil, ±1834-1838), filha legítima do Quartel-Mestre José Antônio (dos Reis) Nazareth e de Anna Fortunata da Cunha Pereira Franco (Anninha Nazareth) e filha biológica de Antônio Pereira Guedes (filho) e de Anna Cândida da Conceição.

escolaridade/formação: Teria sido educado com o "trivium": "Primeiras Letras" (ou "Ler e Escrever"), "Contar" (ou "Aritmética") e "Latim".

profissão/atividades: Foi comerciante atacadista ("negociante de grosso tracto") de fazendas secas, na Vila do Príncipe, MG, Brasil, tendo aberto sua loja, no dia 16 de Junho de 1816, quando teria apenas uns 23 anos de idade! Existem registros de pagamento de impostos dessa loja, desde a abertura, em 1816, até o ano de 1833, ignorando-se por quantos anos ainda esteve aberta. Foi também negociante de fazendas secas no município de Tamanduá, MG, Brasil, cerca de 1864. Homem de grandes posses, "afazendado", teve pelo menos as seguintes propriedades rurais: 1. Engenho de Cana (fazenda), no lugar denominado Viamão (hoje, Carmésia, MG), distrito de São Domingos do Rio do Peixe (hoje, Dom Joaquim, MG), município de Conceição do Mato Dentro, MG, Brasil, com 1.400 (mil e quatrocentos) alqueires mineiros; 2. fazenda no lugar denominado Bananal, em Santo Antônio do Rio do Peixe (hoje Alvorada de Minas, MG), município do Serro, MG, Brasil, com 200 (duzentos) alqueires mineiros, cerca do ano de 1856.

serviço militar: Iniciou sua carreira militar nas tropas de Ordenanças, tendo recebido carta patente de confirmação no posto de Capitão da Companhia de Ordenanças do Distrito da Chapada, termo da Vila do Príncipe, MG, Brasil, datada do Rio de Janeiro, RJ, Brasil, em 18/ago/1817. Ingressou na Guarda Nacional, cerca do ano de 1832, com o posto de Tenente-Coronel, tendo chegado a Coronel Comandante Superior, cerca do ano de 1841. Ocupou, interinamente, o posto de Capitão-Mor, por várias vezes.

política/cargos públicos: Foi Permutador do Ouro, de 21/dez/1809 até 19/abr/1816, na Vila do Príncipe, MG, Brasil. Era um verdadeiro patriota, como o demonstra quando afirma que "o seu patriotismo pela espontanea vontade com que gratuita e generozam.e apromptou os necessarios viveres, e de mais provizoens para o Batalhão que marchou em socorro da Bahia quando passou pelo Rio do Peixe", e depois, novamente, "seu patriotismo pela espontanea generosidade com q' apromptóu gratuitam.e os necessarios, pouso, e de mais provisoens para o Batalhão que marchou em socorro da Bahia; pela subscripção para augmento da Marinha, ...". A fortuna de José Ferreira Carneiro (Juca) permitiu-lhe ser generoso com as causas públicas e, entre os seus feitos, além dos muitos já citados, como exercer de graça e doar os proventos dos cargos públicos em benefício da causa pública, equipar, abrigar e prover um Batalhão que foi mandado para socorrer a Bahia, subscrever fundos para compra de navios para formar a novel Marinha de Guerra do Brasil, ou mandar pintar o retrato do Imperador, deve-se acrescentar o socorro às finanças do novo governo, com a compra de 20 Ações de Fundos Públicos e a cessão em benefício do tesouro de 6:396$000 réis (seis contos, trezentos e noventa e seis mil réis), representados por papeis de dívidas ativas, valor avultado para essa época e que enriqueceria qualquer pessoa. Foi Vereador do Senado da Câmara da Vila do Príncipe, MG, Brasil, durante 3 anos seguidos (1823-1825) e Procurador da mesma em 1825. Em 1836 foi eleito Vereador da Câmara Municipal da Vila do Príncipe, MG, Brasil, para o exercício do quadriênio 1837-1840, cujo Termo de Juramento e Posse assinou no Livro "Termos de posse De Vereadores", no dia 07/jan/1837, juntamente com o Capitão de Milícia Simão da Cunha Pereira (da Silveira), e outros cinco (5) eleitos. Em 1837, era Presidente da Comissão do Troco do Cobre, da Vila do Príncipe, MG, Brasil. Foi Deputado à Assembléia Provincial de MG, Brasil, em duas legislaturas: 2ª (1838-1839) e 3ª (1840-41). Como Presidente da Câmara Municipal do Serro, MG, Brasil, assistiu e presidiu à instalação da Câmara Municipal de Conceição do Mato Dentro, MG, Brasil, em 11/mar/1842, assinando o Auto de Posse dos Vereadores. Foi Deputado à Câmara Geral do Império (federal) na 5ª legislatura (1843-1844).

honrarias/mercês: Em 08/jan/1822 era publicado o Decreto de Pedro I, assinado no Paço, fazendo-lhe mercê do Hábito da Ordem de Cristo, com 12$000 réis de tença efetiva. O Alvará concedendo o Hábito da Ordem de Cristo data do Rio de Janeiro, RJ, Brasil, em 09/jul/1822. Em 18/jul/1841, um Decreto dava-lhe a Comenda da Ordem de Cristo. Em 11/mar/1843 era condecorado por Decreto como Comendador da Ordem da Rosa.

religião/confrarias: Era católico apostólico romano. Foi "irmão de compromisso" da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Vila do Príncipe, MG, Brasil, na qual ingressou em 16/mar/1818, tendo sido Irmão de Mesa no exercício 1827/1828 e Provedor no exercício 1837/1838. Também era "irmão de compromisso" da Irmandade de Nossa Senhora das Mercês e São Benedito, do Serro, MG, Brasil, onde se matriculou em 01/set/1846.

escravos: Tinha uma vasta escravaria, dividida entre sua casa e sua loja, no Serro, MG, Brasil, e a grande Fazenda do Viamão. Entre os anos de 1830 e 1886, encontramos cerca de 40 nomes de escravos ou ex-escravos dele, sendo 20 em registros de nascimentos e batizados, nove (9) em registros de óbitos e um (1) em registro de casamento, esse de um liberto, no ano de 1886. No Censo do Serro, MG, de 1838, vamos encontrar em sua casa oito (8) escravos: Victorino Pardo (25), Fellipe Africano (23), José Africano (26), Leonor Africana (27), Maria Africana (30), Laureanna Africana (17), Lucinda Africana (30) e Carolina Crioula (20). No Inventário de Bens "Post-Mortem", aberto em 1884, foram relacionados 19 escravos, dos quais três (3) ficaram libertos, restando 16 escravos para os herdeiros. Deve-se dizer que, antes do término do inventário, a Lei Áurea veio libertar todos os escravos, abatendo-se seu valor, de 7:250$000 r.s, do Monte-Mor. Os escravos representaram 11% dos bens, enquanto os imóveis participaram com 82% do total do patrimônio, uma distribuição atípica, porque nesse caso os bens de raiz tinham valor muito elevado. Ainda em vida, doou escravos às suas netas Júlia Carlota da Cunha Pereira (Nhanhá) e Carlota Júlia da Cunha Pereira (Lolota), ambas filhas de sua filha Júlia Cândida Ferreira Carneiro, com a intenção de dotá-las.

diversos: Segundo a tradição oral, era amigo pessoal do Imperador D. Pedro I, do qual mandou pintar um retrato para a Câmara do Serro, MG, Brasil, hoje desaparecido. Foi nomeado pelo sogro, Antônio Pereira Guedes (filho), em testamento, como 2º testamenteiro, sendo 1º testamenteiro sua mulher. Fez dois testamentos, o primeiro dos quais no Cartório do 2° Tabelião de Notas de Conceição do Mato Dentro, MG, Brasil, em 27/jun/1865, e o segundo, em pública-forma, registrado no Livro 6, às fls. 66/68-verso, sob n° 176, no Cartório da Provedoria, Capelas e Resíduos, de Conceição do Mato Dentro, MG, Brasil, datado de Viamão, MG, em 03/nov/1871. O inventário de bens "post-mortem", iniciou-se no ano de 1883, tendo por inventariante o filho José Ferreira Carneiro Júnior, o qual também faleceu durante o processo, e terminou com a partilha datada de "Conceição, 27 de 9br.º de 1888". O Monte-Mor Bruto foi de 66:533$000 r.s, e coube a cada herdeiro filho a legítima de 4:546$309 r.s.

residência: Foi morador, inicialmente, no Arraial de Itapanhoacanga, MG, passando depois ao Arraial de Santo Antônio do Rio do Peixe, Serro, MG, Brasil. Já no ano de 1819, era proprietário do casarão colonial, casa nº 29 do Largo da Cavalhada (atual praça João Pinheiro), adquido ao Vigário Padre Francisco Rodrigues Ribeiro de Avellar, o qual a havia adquirido do Padre Doutor Nicoláu da Silva Bello ou do seu espólio, cuja renda nesse mesmo ano foi avaliada em 60$000 r.s e pagou a décima urbana de 5$400 r.s, e que hoje pertencente à Prefeitura Municipal do Serro, MG, Brasil, no qual passou a residir. Em 1821, a renda foi avaliada em 30$000 r.s e pagou a décima urbana de 2$700 r.s, mas logo, nos anos seguintes, de 1822 a 1828, a renda foi avaliada em 57$600 r.s e pagou a décima de 5$184 r.s. Nos anos de 1829 e 1830, a renda foi avaliada em 36$000 r.s e pagou a décima de 3$240 r.s. Embora desconheçamos os valores dos anos que se seguiram é de se supor que esses valores tenham se mantido ou se tornado descrescentes, pela depreciação. É bem provavel que ele tenha ocupado esse prédio como residência, em parte, a partir de 1822, mas a maior parte do edifício poderia estar alugada, porque era muito grande. No ano de 1838, quando se realizou o Censo do Serro, ele se encontrava residindo exatamente nesse mesmo local, o prédio nº 29, da Rua da Cavalhada, com 11 filhos, que certamente se encontravam órfãos de mãe, já que o nome de Joaquina Cândida da Conceição (Pereira Guedes) não foi mencionado. É provável que a filha Júlia Cândida tivesse se mudado para esse endereço depois de ficar viúva, porquanto ela se tornou herdeira dele em 1883, alienando-o para a Prefeitura por volta do ano de 1892. Cerca de 1860, ou poucos anos depois, teria passado a residir em sua Fazenda do Viamão, distrito de São Domingos do Rio do Peixe, município de Conceição do Mato Dentro, MG, Brasil.

filhos: Havidos de Joaquina Cândida da Conceição (Pereira Guedes) (11): José Ferreira Carneiro Júnior, Josefina Cândida Ferreira Carneiro, Joaquina Cândida Ferreira Carneiro, Antônio Ferreira Carneiro (sobrinho), Modesta Cândida Ferreira Carneiro, Júlia Cândida Ferreira Carneiro, Joaquim Ferreira Carneiro, Bento Ferreira Carneiro Sobrinho, Custódio Ferrreira Carneiro, Justino Ferreira Carneiro e Venâncio Ferreira Carneiro. De mãe não identificada (1): Christina Amélia Ferreira Carneiro.

 
Igreja de São José do Itapanhuacanga, MG, Brasil, atualmente em reforma, local em que provavelmente terá sido batizado José Ferreira Carneiro (Juca), cerca do ano de 1794 - Fotografo: Augusto Dutra - Arquivo: sítio "As Minas Gerais": http://www.asminasgerais.com.br/ - copyright: © 2005, Augusto Dutra - Só é permitida a reprodução com a autorização do dono da imagem.   Casa do Carneiro ou Casa dos Carneiros, no Serro, MG, Brasil, que foi propriedade de José Ferreira Carneiro (Juca), desde cerca de 1819 até seu falecimento em 1883, e hoje pertence à Prefeitura Municipal da qual é sede, à qual foi vendida por volta do ano de 1892, pela herdeira e filha Júlia Cândida Ferreira Carneiro - Fotógrafo: Edmo Luiz da Cunha Pereira, ano 2000 - Por gentileza de Edmo Luiz da Cunha Pereira - copyright: © 2000, 2005, Edmo Luiz da Cunha Pereira - Só é permitida a reprodução com a autorização do dono da imagem.
 

 

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