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Harmonia Sexual
O bom relacionamento sexual na vida do casal
é de fundamental importância para a sua harmonia.
A primeira necessidade é conhecer o sentido
da vida sexual no plano de Deus. O sexo tem duas dimensões
na vida conjugal: unitiva e procriativa.
A dimensão unitiva significa que o sexo
é um meio de unidade do casal. Mais do que nunca é
no relacionamento sexual que eles se tornam ´uma só
carne´ . São Paulo lembra aos coríntios o perigo
do pecado da fornicação, exatamente porque, como diz,
´aquele que se ajunta a uma prostituta se torna um só
corpo com ela. Está escrito: Os dois serão uma
só carne ´(Gen 2,24).
O ato sexual, para o casal, é a mais intensa
manifestação do seu amor; é a celebração
do amor no nível afetivo e sensitivo. Portanto, não
pode haver sexo sem profundo amor. Ele só pode ser vivido
no casamento, porque só no casamento existe um compromisso
de vida para toda a vida, e a responsabilidade de assumir as suas
consequências, especialmente os filhos.
O que faz do sexo algo perigoso e desordenado,
é exatamente o seu uso fora de uma realidade de manifestação
de amor. Se tirarmos o amor, o sexo se transforma em mera prostituição:
sexo sem amor, sem compromisso. Aquele que usa da prostituta não
tem responsabilidade sobre ela; não importa se amanhã
ela estará doente, desempregada, passando fome, ou morrendo
de AIDS. Foi apenas um instrumento de prazer, que foi alugado por
alguns instantes. É o grande desvirtuamento de uma das realidades
mais lindas criadas por Deus.
Se ao criar todas as coisas, ´Deus viu
que tudo era bom´(Gen 1,10), também o sexo, já
que foi feito com a bela finalidade de gerar a vida e unir os esposos.
Se ele fosse sujo, em si mesmo, a criança não poderia
ser tão bela e inocente. Nossos filhos vieram ao mundo porque
tivemos relações sexuais. Deus, na Sua sabedoria,
quis assim; quis que no auge da celebração do amor
do casal, o filho fosse gerado, para que este não fosse apenas
´carne da carne dos pais´, mas ´amor do seu amor´.
A Igreja sempre viu com olhos claros esta realidade.
São Paulo, há vinte séculos já dava
orientação segura aos fiéis de Corinto, sobre
isto:
´O marido cumpra o seu dever para com a
sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para
com o marido. A mulher não pode dispor de seu corpo: ele
pertence a seu marido. E da mesma forma o marido não pode
dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa. Não
vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo, por
algum tempo, para vos aplicardes à oração;
e depois retornais um para o outro, para que não vos tente
Satanás por vossa incontinência´ (1 Cor 7, 3´5).
Com essas orientações o Apóstolo
mostra a legitimidade da vida sexual no casamento, e até
pede que os casais não se abstenham dela por muito tempo.
´Não vos recuseis um ao outro´, ele diz ; e pede
que cada um ´cumpra o seu dever´ para com o outro.
Como não ver nestas palavras do Apóstolo,
um pedido aos cônjuges, para que satisfaçam as legítimas
aspirações do outro? É claro que a luz a guiar
este relacionamento há de ser sempre o amor e nunca o egoísmo.
Haverá épocas na vida do casal, que a relação
sexual será impossível. Quando a esposa está
grávida, já próximo de dar à luz, após
o parto, quando passa por uma cirurgia, etc. Nessas ocasiões,
e em muitas outras, por bom senso, mas também por caridade
para com a esposa, o esposo há de respeitá´la.
Lembro´me de que quando a minha esposa
ficou grávida de nosso terceiro filho, logo no início
da gravidez teve uma ameaça de aborto. A primeira coisa que
o médico nos mandou foi suspender as relações
sexuais de imediato; e isto foi durante toda a gravidez. Só
por amor, e com a graça de Deus que o casal recebe pelo sacramento
do matrimônio, é possível superar isto. São
as exigências do amor.
O fato do sexo ser legítimo no casamento,
e só no casamento, não quer dizer que nele ´vale
tudo´ como se diz. Não somos animais irracionais; aliás,
nem os animais irracionais fazem estrepolias em termos de sexo.
Ao contrário, são extremamente naturais.
A moral católica se rege pela ´lei
natural´, que Deus colocou no mundo e no coração
do homem. Aquilo que não está de acordo com a natureza,
não está de acordo com a moral. Será que, por
exemplo, o sexo oral ou anal estão de acordo com a natureza?
Certamente não.
O Catecismo da Igreja nos ensina o seguinte:
´Os atos com os quais os cônjuges
se unem íntima e castamente são honestos e dignos.
Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham
e desenvolvem a mútua doação pela qual os esposos
se enriquecem com o coração alegre e agradecido´(CIC,
2362; GS, 49).
Em discurso proferido em 29/10/1951, o Papa Pio
XII disse palavras esclarecedoras sobre a vida sexual dos casais:
´O próprio Criador... estabeleceu
que nesta função (i.é, de geração)
os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo
e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada
de mal em procurar este prazer e em gozá´lo. Eles aceitam
o que o Criador lhes destinou. Contudo, os esposos devem saber manter´se
nos limites de uma moderação justa´ (CIC, 2362).
Tenho ouvido esposas que se queixam dos maridos
que as obrigam a fazer o que elas não querem e não
aceitam no ato sexual. Neste caso, será uma violência
obrigá´las a isto. Aquilo que cada um aceita, dentro
das características psicológicas de cada um, não
sendo uma violência à lei natural, pode ser vivido
com liberdade pelo casal. É legítimo que o esposo
prepare a esposa para que haja o que se chama harmonia sexual; isto
é, ambos atingirem juntos o orgasmo. O esposo deve se guiar
exatamente pela orientação da esposa, que saberá
mostrar´lhe naturalmente o que ela precisa para chegar ao
orgasmo com ele.
Não é fácil muitas vezes
o ajustamento sexual do casal; e às vezes leva´se anos
para que ele aconteça. Também aí há
de haver a paciência e a bondade de um para com o outro, para
ajudá´lo a superar as suas dificuldades. Já
acompanhei casais que levaram meses para conseguir realizar a primeira
relação sexual. As vezes, os condicionamentos do passado,
especialmente para a mulher, geram essas situações.
Aí então, mais do que nunca, é preciso fé,
paciência e oração. Mas tudo se resolve, se
houver esses ingredientes.
Em tudo o homem é diferente da mulher;
Deus nos fez assim, exatamente para que pudéssemos, ricamente,
nos complementar e enriquecer mutuamente. Também no sexo
somos diferentes. O homem é muito mais ativo. Normalmente
é ele que procura a mulher.
Alguém disse que em termos de sexo o homem
é como um fogão a gás, enquanto a mulher é
como um fogão a lenha. É fácil e rápido
acender um fogão a gás; basta ter gás e uma
centelha. Mas não é tão fácil acender
um fogão a lenha. É preciso começar pondo fogo
nos pequenos gravetos, lentamente, até que o fogo se acenda.
É assim a natureza sexual da mulher.
Ao preparar a esposa para o ato sexual, no que
se chama de prelúdio, ele deve ser mestre. Deve fazê´lo
com a mesma maestria que as nossas avós acendiam todos os
dias o fogão a lenha. Se houver pressa ou imperícia,
ou negligência, o fogo não acende. Está entendendo?
Isto tudo também é amor.
Certa vez li um livro escrito por um casal de
psicólogos americanos, que trabalhou muitos anos com terapia
conjugal, o casal Bird. Entre muitas outras coisas interessantes,
eles afirmavam que nos Estados Unidos, a maioria das mulheres não
tinha satisfação na vida sexual e, muitas vezes, iam
aos consultórios dos psiquiatras dizer que eram doentes,
etc. Na verdade, não se tratava de mulheres doentes, mas
de esposas que não chegaram ao ajustamento conjugal, porque
não tiveram certamente a cooperação adequada
dos maridos. É uma questão de educação
sexual.
Uma coisa que os homens precisam compreender
muito bem é que a mulher tem muito menos necessidade sexual
do que o homem; e, como disse João Mohana, ela oferece sexo
para receber amor, enquanto o homem oferece amor para receber sexo.
Para a mulher, o que conta é o amor; o romance, as palavras
doces... e muitas vezes os homens não entendem isto.
Para conseguir chegar ao orgasmo, a mulher precisa
ser verdadeiramente amada, respeitada, valorizada, protegida, etc,
pelo seu esposo; mais do que entregar´lhe o corpo, ela tem
que entregar´lhe o coração. O ato sexual para
ela não começa na cama, mas no café da manhã,
no beijo da despedida quando ele sai para o serviço, no telefonema
que ele deu durante o dia, naquela rosa, etc.
Há marido que ofende a esposa o dia todo,
e durante a noite quer ter uma doce relação com ela;
ora , isto é impossível. Não se esqueça
que o sexo é manifestação de amor. Como manifestar
o amor, se ele não existe? Como unir bem os corpos se os
corações não estão unidos?
Ao falar da sexualidade no casamento, o Catecismo
afirma exatamente isto:
´A sexualidade, mediante a qual o homem
e a mulher se doam um ao outro com os atos próprios e exclusivos
dos esposos, não é em absoluto algo puramente biológico,
mas diz respeito ao núcleo íntimo da pessoa humana
como tal. Ela só se realiza de maneira verdadeiramente humana
se for parte integral do amor com o qual homem e mulher se empenham
totalmente um para com o outro até a morte.´ (CIC,
2361; FC,11).
Há esposo que não se preocupa com
a satisfação da esposa no ato conjugal; e, uma vez
satisfeito, vira para o lado e dorme. Muitas vezes esta situação
vai ficando insuportável para a esposa; e esta, tantas vezes,
começa a se negar ao ato sexual. Com mil desculpas começa
a dizer ´hoje não, estou cansada, tenho dor de cabeça´,
etc. Já ouvi muitas mulheres dizerem que não suportavam
mais ´aquilo´... Quando esta situação
se agrava, para muitos maridos, surge a tentação de
procurar a satisfação fora de casa; e aí tudo
começa a se complicar.
Portanto, marido e mulher precisam se esforçar,
fazendo cada um o que é necessário para que o casal
atinja a harmonia sexual desejada e necessária. De um lado
o marido precisa se satisfazer com a própria esposa, até
mesmo para superar as tentações e seduções
do mundo. De outro lado, ele precisa ajudá´la a superar
as dificuldades apresentadas acima, afim de que a vida sexual não
se torne um tormento para ela.
Especialmente no nosso mundo de hoje, cheio de
sexo explícito a infernizar a vida dos homens, a esposa não
pode se negar ao ato sexual, sem razões. Por causa disso,
muitos maridos acabaram nos braços de outras mulheres.
Certa vez um esposo me disse que tinha perdido
a atração sexual por sua esposa, e estava angustiado.
Perguntei´lhe se sentia atração pelas outras
mulheres. A resposta foi rápida: ´ah, sim!´ Então
foi fácil dar´lhe a receita que precisava; disse´lhe:
´deixe de olhar para as outras mulheres, em quaisquer situações,
e a atração pela sua esposa voltará naturalmente´.
Também aqui, a fidelidade conjugal é garantia de felicidade
no casamento.
Se nós homens nos policiarmos, e não
nos permitirmos, de forma alguma, olhar as outras mulheres com desejos,
nem assistir filmes pornográficos, e coisas parecidas, então,
nos bastará a satisfação legítima do
ato conjugal com nossas esposas. Infelizmente muitos maridos se
permitem entrar no mundo das fantasias perigosas e proibidas, e
depois não querem mais saber das suas esposas. Onde está
o compromisso do matrimônio? Onde está o amor à
família? Onde está a maturidade? Não se esqueça
que quem brinca com fogo acaba se queimando; e que é a ocasião
que muitas vezes faz o ladrão. Sabemos que ´aquilo
que os olhos não vêem, o coração não
sente´.
´Vigiai e orai, porque o espírito
é forte, mas a carne é fraca´.
Para impedir o adultério, de fato, é
preciso impedir antes o adultério de coração.
´Todo aquele que lançar um olhar
de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em
seu coração´ (Mt 5,28).
Se os homens não cometessem esse pecado,
não perderiam a atração por suas próprias
esposas.
O Apóstolo nos lembra a seriedade do matrimônio:
´Vós todos considerai o matrimônio
com respeito, e conservai o leito conjugal imaculado, porque Deus
julgará os impuros e os adúlteros´ (Hb 13,4).
Gostaria aqui de dizer uma palavra aos jovens
que se preparam para o casamento. A Igreja, com a sua sabedoria
divina, e com sua bondade de mãe, nos ensina que o sexo só
deve ser vivido no casamento, porque somente alí ele é
verdadeiramente um instrumento do amor e da procriação,
de maneira séria e responsável.
É claro que viver isto, é para
o jovem muito difícil nos dias atuais, onde o sexo é
comercializado de inúmeras formas, e oferecido de mil maneiras
absurdas. No entanto, mais do que nunca hoje, com a força
da graça de Deus, é preciso viver a castidade e a
virgindade, pois esta será a melhor maneira de você
se preparar, como Deus quer, para o seu casamento. Este é
o grande desafio para o jovem cristão hoje. O poeta Paul
Claudel disse certa vez que: ´a juventude não foi feita
para o prazer, mas para o desafio´.
Um jovem que se preparou para o casamento, guardando
a castidade e a virgindade, preparou´se para ser fiel ao outro
no casamento. E será abençoado por Deus, porque cumpriu
a Sua santa vontade. É hoje um desafio, um santo e heróico
desafio, que Deus oferece àqueles que forem dignos do nome
de cristãos. Ainda que os amigos não entendam, ainda
que o namorado te abandone, vale a pena guardar o seu corpo, que
é templo do Espírito Santo, para viver o sexo somente
no casamento, segundo o plano de Deus. Ninguém é mais
feliz do que aquele que faz a vontade de Deus e obedece Suas Leis.
Jovem que lê estas páginas, se você
quiser construir um belo lar, então comece a construir você
em primeiro lugar. E construir´se é, antes de tudo,
dominar´se, controlar as paixões desordenadas que guerreiam
em nossos membros. Elas podem ser dominadas com o auxílio
da graça de Deus. Mais do que ninguém, o grande Agostinho
viveu isto e pôde nos ensinar que: ´o que é impossível
à natureza, é possível à graça
de Deus´.
Por isso, aproxime´se de Deus e da sua
graça. Receba regularmente os sacramentos, reze o Rosário
da Mãe da pureza, encontre´se frequentemente com Jesus
na Eucaristia, pois Ele é o Remédio e o Sustento da
nossa alma. E você vencerá. Sua família será
bela e seus filhos serão felizes ao seu lado. A luta mais
gloriosa que já travei na minha vida toda foi esta: guardar
a castidade até o casamento; não foi fácil;
foi preciso muita convicção, fé, orações,
e até lágrimas, mas tudo compensou. Colho hoje a alegria
nos filhos.
Fora do casamento o sexo só traz problemas
e misérias: doenças venéreas, abortos, crimes
sexuais, filhos abandonados, órfãos de pais vivos,
mães e pais solteiros, milhões de jovens adolescentes
grávidas e sem a mínima condição de
criarem os seus filhos...O que serão dessas crianças
mais tarde? Drogados? Assassinos? Ladrões?... Tudo pode acontecer
com uma criança que é criada sem receber a educação
dos pais.
Podemos dizer, sem medo de errar, que a miséria
de nossa sociedade tem o seu fundamento na sua miséria moral.
Porque ela abandona a lei de Deus, pagando por isso um preço
incomensurável.
Medite nessas palavras, e viva´as:
´Felizes os que temem o Senhor,
Os que andam em seus caminhos.
Poderás viver, então, do trabalho
de suas mãos,
Serás feliz e terás bem estar.
Tua mulher será em teu lar
Como uma vinha fecunda.
Teus filhos em torno à tua mesa serão
Como brotos de oliveira.
Assim será abençoado aquele
Que teme o Senhor´ (Sl 127,14).
Aqueles que cumprem a Lei de Deus, são
verdadeiramente felizes e constroem famílias fortes. Vejamos
o que Deus disse a Moisés sobre a felicidade que acompanha
os que vivem os Seus mandamentos:
´Se obedeceres fielmente à voz do
Senhor, teu Deus, praticando cuidadosamente todos os seus mandamentos
que hoje te prescrevo, o Senhor, teu Deus, elevar´te´á
acima de todas as nações da terra.
Estas são as bênçãos
que virão sobre ti, e te tocarão se obedeceres a voz
do Senhor, teu Deus. Serás bendito na cidade e bendito nos
campos. Será bendito o fruto de tuas entranhas, o fruto de
teu solo, o fruto de teu gado, as crias de tuas vacas e de tuas
ovelhas; benditas serão a tua cesta e a tua amassadeira.
Serás bendito quando entrares e bendito quando saires. O
Senhor expulsará diante de ti todos os inimigos que te atacarem...
O Senhor mandará que a benção
esteja contigo, em teus celeiros e em tuas obras, e te abençoará
na terra que há de dar o Senhor teu Deus. O Senhor te confirmará
como um povo consagrado a Ele, como te jurou, contanto que observes
suas ordens e andes pelos seus caminhos.´ (Deut. 28,1´14)
Esta é a grande felicidade que Deus promete
a todos aqueles que são fiéis aos seus ensinamentos,
guardados e ensinados pela Igreja, por mandato de Cristo.
Do livro ´ FAMÍLIA, SANTUÁRIO
DA VIDA´ ´ do Prof. Felipe Aquino
Harmonia Sexual
O bom relacionamento sexual na vida do casal
é de fundamental importância para a sua harmonia.
A primeira necessidade é conhecer o sentido
da vida sexual no plano de Deus. O sexo tem duas dimensões
na vida conjugal: unitiva e procriativa.
A dimensão unitiva significa que o sexo
é um meio de unidade do casal. Mais do que nunca é
no relacionamento sexual que eles se tornam ´uma só
carne´ . São Paulo lembra aos coríntios o perigo
do pecado da fornicação, exatamente porque, como diz,
´aquele que se ajunta a uma prostituta se torna um só
corpo com ela. Está escrito: Os dois serão uma
só carne ´(Gen 2,24).
O ato sexual, para o casal, é a mais intensa
manifestação do seu amor; é a celebração
do amor no nível afetivo e sensitivo. Portanto, não
pode haver sexo sem profundo amor. Ele só pode ser vivido
no casamento, porque só no casamento existe um compromisso
de vida para toda a vida, e a responsabilidade de assumir as suas
consequências, especialmente os filhos.
O que faz do sexo algo perigoso e desordenado,
é exatamente o seu uso fora de uma realidade de manifestação
de amor. Se tirarmos o amor, o sexo se transforma em mera prostituição:
sexo sem amor, sem compromisso. Aquele que usa da prostituta não
tem responsabilidade sobre ela; não importa se amanhã
ela estará doente, desempregada, passando fome, ou morrendo
de AIDS. Foi apenas um instrumento de prazer, que foi alugado por
alguns instantes. É o grande desvirtuamento de uma das realidades
mais lindas criadas por Deus.
Se ao criar todas as coisas, ´Deus viu
que tudo era bom´(Gen 1,10), também o sexo, já
que foi feito com a bela finalidade de gerar a vida e unir os esposos.
Se ele fosse sujo, em si mesmo, a criança não poderia
ser tão bela e inocente. Nossos filhos vieram ao mundo porque
tivemos relações sexuais. Deus, na Sua sabedoria,
quis assim; quis que no auge da celebração do amor
do casal, o filho fosse gerado, para que este não fosse apenas
´carne da carne dos pais´, mas ´amor do seu amor´.
A Igreja sempre viu com olhos claros esta realidade.
São Paulo, há vinte séculos já dava
orientação segura aos fiéis de Corinto, sobre
isto:
´O marido cumpra o seu dever para com a
sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para
com o marido. A mulher não pode dispor de seu corpo: ele
pertence a seu marido. E da mesma forma o marido não pode
dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa. Não
vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo, por
algum tempo, para vos aplicardes à oração;
e depois retornais um para o outro, para que não vos tente
Satanás por vossa incontinência´ (1 Cor 7, 3´5).
Com essas orientações o Apóstolo
mostra a legitimidade da vida sexual no casamento, e até
pede que os casais não se abstenham dela por muito tempo.
´Não vos recuseis um ao outro´, ele diz ; e pede
que cada um ´cumpra o seu dever´ para com o outro.
Como não ver nestas palavras do Apóstolo,
um pedido aos cônjuges, para que satisfaçam as legítimas
aspirações do outro? É claro que a luz a guiar
este relacionamento há de ser sempre o amor e nunca o egoísmo.
Haverá épocas na vida do casal, que a relação
sexual será impossível. Quando a esposa está
grávida, já próximo de dar à luz, após
o parto, quando passa por uma cirurgia, etc. Nessas ocasiões,
e em muitas outras, por bom senso, mas também por caridade
para com a esposa, o esposo há de respeitá´la.
Lembro´me de que quando a minha esposa
ficou grávida de nosso terceiro filho, logo no início
da gravidez teve uma ameaça de aborto. A primeira coisa que
o médico nos mandou foi suspender as relações
sexuais de imediato; e isto foi durante toda a gravidez. Só
por amor, e com a graça de Deus que o casal recebe pelo sacramento
do matrimônio, é possível superar isto. São
as exigências do amor.
O fato do sexo ser legítimo no casamento,
e só no casamento, não quer dizer que nele ´vale
tudo´ como se diz. Não somos animais irracionais; aliás,
nem os animais irracionais fazem estrepolias em termos de sexo.
Ao contrário, são extremamente naturais.
A moral católica se rege pela ´lei
natural´, que Deus colocou no mundo e no coração
do homem. Aquilo que não está de acordo com a natureza,
não está de acordo com a moral. Será que, por
exemplo, o sexo oral ou anal estão de acordo com a natureza?
Certamente não.
O Catecismo da Igreja nos ensina o seguinte:
´Os atos com os quais os cônjuges
se unem íntima e castamente são honestos e dignos.
Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham
e desenvolvem a mútua doação pela qual os esposos
se enriquecem com o coração alegre e agradecido´(CIC,
2362; GS, 49).
Em discurso proferido em 29/10/1951, o Papa Pio
XII disse palavras esclarecedoras sobre a vida sexual dos casais:
´O próprio Criador... estabeleceu
que nesta função (i.é, de geração)
os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo
e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada
de mal em procurar este prazer e em gozá´lo. Eles aceitam
o que o Criador lhes destinou. Contudo, os esposos devem saber manter´se
nos limites de uma moderação justa´ (CIC, 2362).
Tenho ouvido esposas que se queixam dos maridos
que as obrigam a fazer o que elas não querem e não
aceitam no ato sexual. Neste caso, será uma violência
obrigá´las a isto. Aquilo que cada um aceita, dentro
das características psicológicas de cada um, não
sendo uma violência à lei natural, pode ser vivido
com liberdade pelo casal. É legítimo que o esposo
prepare a esposa para que haja o que se chama harmonia sexual; isto
é, ambos atingirem juntos o orgasmo. O esposo deve se guiar
exatamente pela orientação da esposa, que saberá
mostrar´lhe naturalmente o que ela precisa para chegar ao
orgasmo com ele.
Não é fácil muitas vezes
o ajustamento sexual do casal; e às vezes leva´se anos
para que ele aconteça. Também aí há
de haver a paciência e a bondade de um para com o outro, para
ajudá´lo a superar as suas dificuldades. Já
acompanhei casais que levaram meses para conseguir realizar a primeira
relação sexual. As vezes, os condicionamentos do passado,
especialmente para a mulher, geram essas situações.
Aí então, mais do que nunca, é preciso fé,
paciência e oração. Mas tudo se resolve, se
houver esses ingredientes.
Em tudo o homem é diferente da mulher;
Deus nos fez assim, exatamente para que pudéssemos, ricamente,
nos complementar e enriquecer mutuamente. Também no sexo
somos diferentes. O homem é muito mais ativo. Normalmente
é ele que procura a mulher.
Alguém disse que em termos de sexo o homem
é como um fogão a gás, enquanto a mulher é
como um fogão a lenha. É fácil e rápido
acender um fogão a gás; basta ter gás e uma
centelha. Mas não é tão fácil acender
um fogão a lenha. É preciso começar pondo fogo
nos pequenos gravetos, lentamente, até que o fogo se acenda.
É assim a natureza sexual da mulher.
Ao preparar a esposa para o ato sexual, no que
se chama de prelúdio, ele deve ser mestre. Deve fazê´lo
com a mesma maestria que as nossas avós acendiam todos os
dias o fogão a lenha. Se houver pressa ou imperícia,
ou negligência, o fogo não acende. Está entendendo?
Isto tudo também é amor.
Certa vez li um livro escrito por um casal de
psicólogos americanos, que trabalhou muitos anos com terapia
conjugal, o casal Bird. Entre muitas outras coisas interessantes,
eles afirmavam que nos Estados Unidos, a maioria das mulheres não
tinha satisfação na vida sexual e, muitas vezes, iam
aos consultórios dos psiquiatras dizer que eram doentes,
etc. Na verdade, não se tratava de mulheres doentes, mas
de esposas que não chegaram ao ajustamento conjugal, porque
não tiveram certamente a cooperação adequada
dos maridos. É uma questão de educação
sexual.
Uma coisa que os homens precisam compreender
muito bem é que a mulher tem muito menos necessidade sexual
do que o homem; e, como disse João Mohana, ela oferece sexo
para receber amor, enquanto o homem oferece amor para receber sexo.
Para a mulher, o que conta é o amor; o romance, as palavras
doces... e muitas vezes os homens não entendem isto.
Para conseguir chegar ao orgasmo, a mulher precisa
ser verdadeiramente amada, respeitada, valorizada, protegida, etc,
pelo seu esposo; mais do que entregar´lhe o corpo, ela tem
que entregar´lhe o coração. O ato sexual para
ela não começa na cama, mas no café da manhã,
no beijo da despedida quando ele sai para o serviço, no telefonema
que ele deu durante o dia, naquela rosa, etc.
Há marido que ofende a esposa o dia todo,
e durante a noite quer ter uma doce relação com ela;
ora , isto é impossível. Não se esqueça
que o sexo é manifestação de amor. Como manifestar
o amor, se ele não existe? Como unir bem os corpos se os
corações não estão unidos?
Ao falar da sexualidade no casamento, o Catecismo
afirma exatamente isto:
´A sexualidade, mediante a qual o homem
e a mulher se doam um ao outro com os atos próprios e exclusivos
dos esposos, não é em absoluto algo puramente biológico,
mas diz respeito ao núcleo íntimo da pessoa humana
como tal. Ela só se realiza de maneira verdadeiramente humana
se for parte integral do amor com o qual homem e mulher se empenham
totalmente um para com o outro até a morte.´ (CIC,
2361; FC,11).
Há esposo que não se preocupa com
a satisfação da esposa no ato conjugal; e, uma vez
satisfeito, vira para o lado e dorme. Muitas vezes esta situação
vai ficando insuportável para a esposa; e esta, tantas vezes,
começa a se negar ao ato sexual. Com mil desculpas começa
a dizer ´hoje não, estou cansada, tenho dor de cabeça´,
etc. Já ouvi muitas mulheres dizerem que não suportavam
mais ´aquilo´... Quando esta situação
se agrava, para muitos maridos, surge a tentação de
procurar a satisfação fora de casa; e aí tudo
começa a se complicar.
Portanto, marido e mulher precisam se esforçar,
fazendo cada um o que é necessário para que o casal
atinja a harmonia sexual desejada e necessária. De um lado
o marido precisa se satisfazer com a própria esposa, até
mesmo para superar as tentações e seduções
do mundo. De outro lado, ele precisa ajudá´la a superar
as dificuldades apresentadas acima, afim de que a vida sexual não
se torne um tormento para ela.
Especialmente no nosso mundo de hoje, cheio de
sexo explícito a infernizar a vida dos homens, a esposa não
pode se negar ao ato sexual, sem razões. Por causa disso,
muitos maridos acabaram nos braços de outras mulheres.
Certa vez um esposo me disse que tinha perdido
a atração sexual por sua esposa, e estava angustiado.
Perguntei´lhe se sentia atração pelas outras
mulheres. A resposta foi rápida: ´ah, sim!´ Então
foi fácil dar´lhe a receita que precisava; disse´lhe:
´deixe de olhar para as outras mulheres, em quaisquer situações,
e a atração pela sua esposa voltará naturalmente´.
Também aqui, a fidelidade conjugal é garantia de felicidade
no casamento.
Se nós homens nos policiarmos, e não
nos permitirmos, de forma alguma, olhar as outras mulheres com desejos,
nem assistir filmes pornográficos, e coisas parecidas, então,
nos bastará a satisfação legítima do
ato conjugal com nossas esposas. Infelizmente muitos maridos se
permitem entrar no mundo das fantasias perigosas e proibidas, e
depois não querem mais saber das suas esposas. Onde está
o compromisso do matrimônio? Onde está o amor à
família? Onde está a maturidade? Não se esqueça
que quem brinca com fogo acaba se queimando; e que é a ocasião
que muitas vezes faz o ladrão. Sabemos que ´aquilo
que os olhos não vêem, o coração não
sente´.
´Vigiai e orai, porque o espírito
é forte, mas a carne é fraca´.
Para impedir o adultério, de fato, é
preciso impedir antes o adultério de coração.
´Todo aquele que lançar um olhar
de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em
seu coração´ (Mt 5,28).
Se os homens não cometessem esse pecado,
não perderiam a atração por suas próprias
esposas.
O Apóstolo nos lembra a seriedade do matrimônio:
´Vós todos considerai o matrimônio
com respeito, e conservai o leito conjugal imaculado, porque Deus
julgará os impuros e os adúlteros´ (Hb 13,4).
Gostaria aqui de dizer uma palavra aos jovens
que se preparam para o casamento. A Igreja, com a sua sabedoria
divina, e com sua bondade de mãe, nos ensina que o sexo só
deve ser vivido no casamento, porque somente alí ele é
verdadeiramente um instrumento do amor e da procriação,
de maneira séria e responsável.
É claro que viver isto, é para
o jovem muito difícil nos dias atuais, onde o sexo é
comercializado de inúmeras formas, e oferecido de mil maneiras
absurdas. No entanto, mais do que nunca hoje, com a força
da graça de Deus, é preciso viver a castidade e a
virgindade, pois esta será a melhor maneira de você
se preparar, como Deus quer, para o seu casamento. Este é
o grande desafio para o jovem cristão hoje. O poeta Paul
Claudel disse certa vez que: ´a juventude não foi feita
para o prazer, mas para o desafio´.
Um jovem que se preparou para o casamento, guardando
a castidade e a virgindade, preparou´se para ser fiel ao outro
no casamento. E será abençoado por Deus, porque cumpriu
a Sua santa vontade. É hoje um desafio, um santo e heróico
desafio, que Deus oferece àqueles que forem dignos do nome
de cristãos. Ainda que os amigos não entendam, ainda
que o namorado te abandone, vale a pena guardar o seu corpo, que
é templo do Espírito Santo, para viver o sexo somente
no casamento, segundo o plano de Deus. Ninguém é mais
feliz do que aquele que faz a vontade de Deus e obedece Suas Leis.
Jovem que lê estas páginas, se você
quiser construir um belo lar, então comece a construir você
em primeiro lugar. E construir´se é, antes de tudo,
dominar´se, controlar as paixões desordenadas que guerreiam
em nossos membros. Elas podem ser dominadas com o auxílio
da graça de Deus. Mais do que ninguém, o grande Agostinho
viveu isto e pôde nos ensinar que: ´o que é impossível
à natureza, é possível à graça
de Deus´.
Por isso, aproxime´se de Deus e da sua
graça. Receba regularmente os sacramentos, reze o Rosário
da Mãe da pureza, encontre´se frequentemente com Jesus
na Eucaristia, pois Ele é o Remédio e o Sustento da
nossa alma. E você vencerá. Sua família será
bela e seus filhos serão felizes ao seu lado. A luta mais
gloriosa que já travei na minha vida toda foi esta: guardar
a castidade até o casamento; não foi fácil;
foi preciso muita convicção, fé, orações,
e até lágrimas, mas tudo compensou. Colho hoje a alegria
nos filhos.
Fora do casamento o sexo só traz problemas
e misérias: doenças venéreas, abortos, crimes
sexuais, filhos abandonados, órfãos de pais vivos,
mães e pais solteiros, milhões de jovens adolescentes
grávidas e sem a mínima condição de
criarem os seus filhos...O que serão dessas crianças
mais tarde? Drogados? Assassinos? Ladrões?... Tudo pode acontecer
com uma criança que é criada sem receber a educação
dos pais.
Podemos dizer, sem medo de errar, que a miséria
de nossa sociedade tem o seu fundamento na sua miséria moral.
Porque ela abandona a lei de Deus, pagando por isso um preço
incomensurável.
Medite nessas palavras, e viva´as:
´Felizes os que temem o Senhor,
Os que andam em seus caminhos.
Poderás viver, então, do trabalho
de suas mãos,
Serás feliz e terás bem estar.
Tua mulher será em teu lar
Como uma vinha fecunda.
Teus filhos em torno à tua mesa serão
Como brotos de oliveira.
Assim será abençoado aquele
Que teme o Senhor´ (Sl 127,14).
Aqueles que cumprem a Lei de Deus, são
verdadeiramente felizes e constroem famílias fortes. Vejamos
o que Deus disse a Moisés sobre a felicidade que acompanha
os que vivem os Seus mandamentos:
´Se obedeceres fielmente à voz do
Senhor, teu Deus, praticando cuidadosamente todos os seus mandamentos
que hoje te prescrevo, o Senhor, teu Deus, elevar´te´á
acima de todas as nações da terra.
Estas são as bênçãos
que virão sobre ti, e te tocarão se obedeceres a voz
do Senhor, teu Deus. Serás bendito na cidade e bendito nos
campos. Será bendito o fruto de tuas entranhas, o fruto de
teu solo, o fruto de teu gado, as crias de tuas vacas e de tuas
ovelhas; benditas serão a tua cesta e a tua amassadeira.
Serás bendito quando entrares e bendito quando saires. O
Senhor expulsará diante de ti todos os inimigos que te atacarem...
O Senhor mandará que a benção
esteja contigo, em teus celeiros e em tuas obras, e te abençoará
na terra que há de dar o Senhor teu Deus. O Senhor te confirmará
como um povo consagrado a Ele, como te jurou, contanto que observes
suas ordens e andes pelos seus caminhos.´ (Deut. 28,1´14)
Esta é a grande felicidade que Deus promete
a todos aqueles que são fiéis aos seus ensinamentos,
guardados e ensinados pela Igreja, por mandato de Cristo.
Do livro "FAMÍLIA, SANTUÁRIO
DA VIDA" do Prof. Felipe Aquino
(fonte: Felipe
Aquino - www.cleofas.com.br)
Que Deus abençoe a todos!!!
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