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Medo, Perda e Culpa
Só temos medo de duas coisas: da dor
e da morte.
Ou poderíamos dizer que só da dor,
pois o medo da morte é um caso particular do medo da dor.
Porque um tipo particularmente importante de dor é a dor
da perda. E perda é a sensação associada ao
"fim do prazo" de qualquer coisa. Inclusive de nós
mesmos.
A sensação associada à vivência
de uma expectativa negativa é chamada medo. A principal função
do medo é fazer com que o organismo, por antecipação
subjetiva, evite situações objetivas de dor. Mas quando
esta antecipação se opera, experimentam-se as sensações
subjetivas negativas associadas ao evento que se deseja evitar.
Isto é, cada vez que sentimos medo, visualizamos em nossa
mente a circunstância que tememos. E isto já causa
dor, dor psicológica, por certo, mas por vezes, tão
ou mais intensa do que a dor física em si.
Este sofrimento subjetivo está sempre
associado a antecipação de uma perda, que por sua
vez, pode ser objetiva ou subjetiva.
Tristeza é a vivência da perda,
é viver na ausência.
Não há nada de racional no lamento
da perda acontecida. Esta perda é irremediável. E
o que não tem remédio, remediado está.
Depressão é como chamamos a tristeza
psicológica profunda e continuada. Na depressão, nos
recusamos a vivenciar o prazer. Vivenciamos apenas a perda da oportunidade
do prazer.
A culpa é exatamente isto, o lamento de
uma oportunidade ou possibilidade perdida: a oportunidade de não
ter errado.
Se o futuro é constituído pelas
possibilidades do presente; a possibilidade atemporal, do que poderia
ter sido, é o material da culpa. Esta possibilidade não
se situa no tempo: não está no passado, porque não
foi, não está no futuro e nem no presente porque já
não pode ser.
Possibilidade impossível, a culpa é
absurda e irracional.
Podemos nos sentir tristes por uma perda objetiva.
Esta é uma reação natural e tende a ser temporária.
Logo nossa mente é tomada por novas expectativas, por vivências
prazenteiras, ganhos que substituem a perda chorada.
Decepção e alívio - a perda
do futuro. Perder uma expectativa é perder futuro. Pois o
futuro nada mais é do que a soma das nossas expectativas.
A expectativa é sempre uma experiência
subjetiva. O que nos confunde e nos leva a dar um caráter
de objetividade à expectativa é o seu grau de probabilidade.
Quando uma expectativa (ainda subjetiva) é altamente provável
dizemos, erradamente, que ela é objetiva. Mas probabilidade,
como cálculo matemático, é algo que se deriva
da experiência acumulada, mais especificamente da experimentação
repetitiva. Ou seja, esta melhor ou pior capacidade de estimar a
probabilidade do futuro é um legado do passado.
A perda de uma expectativa ocorre quando a experiência
presente não a confirma. A sensaçãoassociada
à perda de uma expectativa positiva se chama frustração
ou decepção. Esta é uma experiência subjetiva
negativa. Por outro lado, quando a experiência não
confirma uma expectativa negativa, há uma sensação
positiva que se chama alívio. Mas esta perda também
pode se operar de uma forma totalmente subjetiva, sem qualquer base
na experiência, quando uma expectativa é deixada de
lado. Este descarte pode ocorrer subconscientemente por simples
esquecimento ou intencional e racionalmente, por cálculo
deliberado. O esquecimento ocorre porque a vivência da expectativa
é deslocada por outras sensações. Já
o processo racional não provoca o esquecimento propriamente
dito e geralmente obedece a uma estimativa subjetiva de probabilidades
segundo uma cadeia de causa e efeito. A pessoa não esquece
a expectativa positiva, mas descarta-a como improvável. E
isto se transforma em uma expectativa negativa a respeito do mundo
ou de si mesmo.
Quando a experiência objetiva frustra uma
expectativa, pode-se:
1) Descartar a expectativa;
2) Distorcer a percepção da experiência, para
conformá-la à expectativa;
3) Manter a expectativa e agregar a experiência.
Um tipo particular de loucura é a distorção
da percepção da experiência objetiva para aproximá-la
da expectativa anterior.
(fonte: PowerSelf
- www.powerself.com.br)
Que Deus abençoe a todos!!!
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