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última actualização: 01 Dezembro 2000
Astroquímica | Próximo | por Marta Veríssimo e Jorge Almeida
INTRODUÇÃO À ASTROQUÍMICA
A astroquímica é uma ciência que se baseia no estudo da química no espaço, mais especificamente no estudo das interacções químicas entre os gases e as poeiras dispersas entre as estrelas. Durante muitos anos, a composição interestelar era desconhecida. A astronomia óptica apenas revelava a presença de estrelas, galáxias e nebulosas. Com o aparecimento da radioastronomia nas décadas de 50 e 60, onde anteriormente reinava a escuridão foram então detectadas inconcebíveis quantidades de gás. A astroquímica tem aqui o seu "Big Bang".
A história de moléculas no espaço está intimamente ligada ao início do Universo. Inicialmente, apenas existia hidrogénio e hélio no Universo. Através de reacções de fusão termonucleares, quando a fusão do hidrogénio em hélio termina, com a libertação de energia (a diferença na massa é convertida em energia), passa-se para a fusão do hélio num elemento mais pesado, e assim sucessivamente. Os elementos mais pesados, tais como o carbono, nitrogénio, fósforo, oxigénio e enxofre, foram sendo gerados nos ciclos repetitivos de formação e morte de estrelas. Este processo, que se repetiria por milhões e milhões de anos fornecia a cada ciclo novos elementos para o Universo. As reacções nucleares no interior das estrelas é que produziram todos os elementos que ocorrem naturalmente na Terra! Daí que podemos afirmar que somos feitos da matéria das estrelas! Só após várias gerações de estrelas é que haveriam condições para a formação dos planetas, e com o evoluir da química do carbono, a esperança na vida. A evolução molecular no espaço envolve algumas reacções químicas, cada uma tendendo para moléculas mais complexas que as anteriores. Forjados nos centros das estrelas, estes compostos regressam ao meio interestelar durante a morte das estrelas, e elementos tais como o carbono (C), oxigénio (O), hidrogénio (H) e nitrogénio (N) combinam-se para formar cianeto de hidrogénio (HCN), água (H2O) e amoníaco (NH3). Estas três moléculas podem, por sua vez, combinarem-se para dar origem a aminoácidos simples, os principais blocos de construção da vida. Actualmente quase que é necessário um livro de química orgânica junto ao telescópio à medida que se explora o universo. Os elementos e compostos da vida parecem estar presentes em todo o lado. Os cientistas continuam a sua expansão na procura de moléculas mais complexas, que possam conter a chave do início da vida no nosso planeta.
O filósofo Auguste
Comte, em 1835, fazendo referência ao Sol, aos planetas e às estrelas
afirmou "nós compreendemos a possibilidade de determinar a forma, a
distância, o tamanho e o movimento mas, por nenhum meio, seremos capazes
de estudar a sua composição química". Contudo um longo caminho já
foi percorrido, e hoje em dia sabe-se que se pode analisar a composição
química das estrelas e planetas, através do estudo das suas cores. As
cores de todos os objectos têm a mesma origem: provêm dos átomos e moléculas
que foram excitados para estados mais elevados de energia. As cores
emitidas por um átomo dependem da sua estrutura atómica, daí que
estudando a cor emitida pelo átomo, poderemos determinar a sua estrutura
interna. Em espectroscopia atómica
a origem das linhas dos espectro, é devido à emissão ou absorção de
um fotão quando a energia de um átomo varia devido a uma transição
electrónica. Em espectroscopia molecular a origem das linhas dos
espectros é explicada pela variação da energia da molécula através de
uma transição electrónica ou devido a mudanças no estado rotacional e
vibracional. A frequência exacta destas linhas pode ser ajustada a
modelos quânticos de modo a determinar a estrutura da molécula e
predizer as frequências e intensidades de outras linhas. Analisando as
linhas espectrais, podemos saber a densidade, a temperatura, a velocidade
relativa e os movimentos internos da fonte emissora. Seguindo a ordem crescente de frequências temos as ondas de rádio (comprimento de onda elevado), seguidas das microondas, infravermelhos, luz visível, ultravioleta, raios X e raios gama (os mais energéticos, de frequência elevada e comprimento de onda pequeno).
Espectro electromagnético Ondas rádio (desde alguns Hz até 109Hz) As primeiras observações
dos espectros de hidrogénio na banda dos 21cm, detectados por telescópios
centimétricos, revelaram uma impressionável abundância deste elemento
entre as estrelas. Estas ondas dão-nos grande informação acerca do
comportamento da combinação de átomos, ou seja, das moléculas,
fornecendo-nos um mapa da galáxia em relação às nuvens moleculares,
que estão associadas à formação de estrelas.
A região do espectro
designada por infravermelhos permite-nos o estudo do Universo através da
sua energia térmica. Muitos objectos no Universo, mesmo aqueles que
tenham temperaturas muito baixas, irradiam na região dos infravermelhos,
sendo esta uma radiação que permite a detecção de regiões que estão
escondidas dos telescópios ópticos devido a grandes concentrações de gás
e pó. Isto significa que nós podemos estudar objectos escondidos e
observar no infravermelho, o que não podemos ver em luz visível, como o
centro da nossa galáxia e regiões de formação de estrelas.
Foi nesta região que a astronomia deu os primeiros passos, ou não fosse ela a única visível para os nossos olhos. As grandes quantidades de poeira que existem entre nós e o núcleo da galáxia atenuam o brilho das estrelas e nos impedem de ver o centro da galáxia na faixa do visível. Apenas uma centésima de milésima parte da radiação visível emitida pelo centro da galáxia chega até à Terra. Para detectar toda a radiação visível possível, grandes telescópios são colocados no espaço, na tentativa de ver mais além. É o caso do famoso Hubble Space Telescope que proporcionou imagens fabulosas de objectos astronómicos dificilmente captadas pelos telescópios da Terra. Este telescópio espacial também está equipado para fazer a detecção de radiações de outras regiões do espectro electromagnético. O substituto do Hubble, o New Generation Space Telescope, com lançamento previsto para 2009, será capaz de detectar astros com magnitudes até 33 e visualizar as primeiras galáxias que apareceram no Universo.
O Orbiting and Retrievable Far Extreme Ultraviolet Spectrometer, é um telescópio para investigações espectroscópicas de fontes cósmicas na banda dos ultravioleta. Os dados obtidos por este telescópio estão disponíveis on-line. Para pesquisar na região
dos ultravioletas, o UltraViolet Spectrograph Telescope
for Astronomical Research tem estado a ser desenvolvido pela
National Aeronautics Space
Administration juntamente com a Agentia
Spaziale Italiana.
Durante a missão para a qual está planeado, a IEH-1,
o UVSTAR irá fazer observações astronómicas mas principalmente
investigar o plasma de Io, que se revela um laboratório natural para a
investigação da física dos plasmas.
Raios Gama (5x1019 Hz
até aproximadamente 1022 Hz) Os raios gama são muito intensos, e os mais energéticos (104 eV até 1019 eV) no plano galáctico, sendo produzidos pela colisão dos raios cósmicos com o gás interestelar. O Whipple Observatory, tem-se dedicado à detecção de raios gama de elevada energia, tendo previsto um novo projecto para a construção de um telescópio de nova geração, que possa vir proporcionar maiores sensibilidades na detecção deste tipo de raios.
Bibliografia consultada: Atkins, P. W. and Jones, L. 1999. "Chemistry - Molecules, matter and and charge". 4st edition. W. H. Freeman. Atkins, P. W. 1994. "Physical chemistry". 5th edition. Oxford University Press.
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Página actualizada em 2000, 01 de Dezembro
Jorge Alexandre Mota de Almeida - [email protected]José Augusto da Luz Matos - [email protected] |
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