10:31 - "horrenda  coisa  é  cair nas mãos do Deus vivo" - este cair nos dá a idéia de uma queda
desagradável. Mesmo que o pecador quisesse, não depende da sua vontade, ele não tem como impe-dir. Ficam  frente  a frente o pecador e o pecado e a iminência deste encontro é que apavora o peca-dor. É  o  que  ele  gostaria  de  evitar.
"Nas  mãos" - indicam o controle divino completo e terrível. "Deus vivo" - o  inverso  dos  outros deuses que eram adorados pelos gentios, este Deus vivo é que
retribuirá a cada um segundo seu procedimento. 
Um homem mortal por mais irado que esteja, não pode ficar vingança além da morte, mas o poder de Deus não conhece quaisquer limites”,(Calvino). "Deus vivo, Deus eterno - podemos imaginar também a duração do castigo do pecador que cair em suas mãos", (John Gill).

     10:32 - nesta  parte  da carta o autor começa a encorajar aqueles cristãos, fazendo-os lembrar do que  haviam  passado, depois  de iluminados, grandes aflições pela causa de Cristo. Tinham sofrido, inclusive, a perda de propriedade, o aprisionamento, etc., não havia mártires até aquele ponto. Então o autor nos lembra que a graça de Deus em sua vida já os havia capacidade a passar pelos sofrimen-tos.

     10:33 - os cristão  sofreram  ultrajes  públicos, aprisionamento e o confisco de bens foram algu-mas  das  formas  de  perseguição sofridas por eles. Eles foram expostos publicamente ao abuso e à aflição. O grego diz literalmente
“exibidos no teatro”. Foram exposto ao ridículo em público, passa-ram por situações que eram verdadeiramente humilhantes. A outra maneira que o autor cita era o es-pancamento  público. Isto  era o orriqueiro (comum) para os judeus - apelarem para denúncias e es-pancamentos  públicos  contra  pecadores  grosseiros, pessoas  hereges  e  rebeldes - e os romanos tinham  como normal espancar os ofensores da lei aos olhos de todos, isto era feito para que o con-denado  sofresse  não somente a dor imposta pelo espancamento, mas também passasse pela vergo-nha, pelo vexame, pela  desonra. Para os judeus que agiam desta forma aqueles cristãos eram consi-derados participantes  de  uma comédia teatral - pois quem assistia à estes “espetáculos” divertia-se, quanto maior o sofrimento imposto, maior a diversão. A fé dos cristãos era insultada, suas doutrinas taxadas  de doutrina de loucos, doutrina de demônios e eles próprios tinham sido desprezados e cha-mados de pessoas sem bom senso. Mas estes mesmos que sofriam, compartilhavam suas dificulda-des, suas tribulações, não deixavam que os outros que passavam pelas mesmas coisas ficassem sós, por isto são co-participantes, estão juntos. Destacamos  Silas, Barnabé, Paulo, Lucas que iam de lu-gar em lugar, iniciando igrejas, mas também sofrendo por esta causa. Todos foram perseguidos. Os cristãos  daquela  época  tinham  cooperação  com  eles, os defendiam, bem como a sua mensagem. Desta  forma, participavam  dos seus sofrimentos como também das vitórias, dos seus triunfos. No grego vemos que co-participantes (“koinonoi”) é igual a “sócios”, “companheiros”. Aqueles irmãos que  eram  companheiros, que  eram  sócios nas questões espirituais daqueles que foram encarcera-dos, perseguidos, espancados, o  que  certamente  foi  uma das causas de perderem suas proprieda-des, pois  foram confiscadas, mostraram a ação de Cristo em seu meio, não se desfizeram de sua fé por estes motivos - o que nos mostra uma atitude de nobreza daqueles irmãos.

     10:34 - o  versículo é bem claro - os cristãos não só se compadeceram dos que estavam nas po-sições, mas  também  aceitaram  com alegria a subtração, o espólio dos bens que possuíam, normal-mente  as  pessoas  eram  seduzidas à miséria. Espólio no grego é
"furto", "despojo". Estes miserá-veis não se importavam com tais fatos, pois atinham a  certeza  de possuir um “patrimônio superior e durável”. Era  assim  que  eles  viam  esta  situação; entendiam  que  os bens perdidos por amor à Cristo  não  tem  nenhum valor, (2 Coríntios 4:17,18): “Porque a nossa leve e momentânea tribula-ção  produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coi-sas  que  se vêem, mas, nas que não se vêem, porque as que se vêem, são temporais, e as que não se vêem  são  eternas.” A  fé, consiste em contemplarmos exatamente isto: o mundo superior e eterno, com tal intensidade devemos viver sito, ao ponto deste mundo superior nos governar em tudo o que fazemos. Pois como estudamos anteriormente o lucro da eternidade é de inestimável valor.Ninguém, nenhum opressor poderá nos tirar isto. Amém!

     10:35 - portanto, não desanime, não abandone a sua fé, não se torne um estagnado espiritual. Há uma  grande  recompensa  para  os que perseverarem até o fim. Recompensa esta que ultrapassa os limites humanos, a nossa imaginação.

      10:36 -
"...aquele, porém  que  perseverar  até  o fim, este será salvo", (Mateus 10:22). Fazer a
vontade  de  Deus  neste  caso  aqui: é  a nossa atitude de nos apegarmos especificamente a Cristo e
sermos  leais  à  Ele.
"Alcanceis  a  promessa" - isto implica na fruição da salvação, como vimos no
capítulo 8 sobre as melhores promessas, aí começa o gozo da salvação.

     10:37 - aqueles  cristãos primitivos  criam  que  Cristo  voltaria ainda em seu tempo de vida. Não imaginavam  eles que a dispensação da graça atingia os 2003 anos. O autor de hebreus encoraja-os a permanecerem  na  fé  e  serem constantes, com a vinda iminente de Cristo. Mas nós mesmos sabe-mos  que  dentro  de “pouco  tempo” isto  sucederá, fato  que nos mantém alertas, que nos mantém com  a chama da esperança bem acesa. O alívio logo virá. Como costumo dizer: “não existe mal que dure  para  sempre”. Os momentos de alegria podem ser rápidos, mas os de dor também são. Vigie-mos, pois Deus não tenciona enganar o homem, Deus sabe qual é o tempo certo, no momento exato ele vem em nosso socorro.
“Deus não o fará mais tarde do que deve fazê-lo”, (Calvino).

     10:38 - aqueles cristãos  que  confiam  verdadeiramente em Cristo, que não se desviam dele, que não  o  abandonam em conseqüência disto não desfazem a obra da graça que começou a ser realiza-da em seus espíritos, estes viverão eternamente por causa da sua fé. Se retroceder - este termo dá a entender  a  perda  da  coragem (por causa daquelas perseguições que sofriam) uma covardia moral.
    
"Nele  não  se compraz  a  milha  alma..." - isto  quer  dizer  que quem retroceder, quem negar, quem  apostatar  cairá  inevitavelmente sob desprazer e o Juízo de Deus. O “retrocesso” da alma é o contrário  de ser “ousado”, avanço na inquisição espiritual. O  ousado  avanço nos conduz até a pre-sença  de  Deus, mas  o  retrocesso conduz a alma ao Juízo. Existem homens espirituais corajosos e existem  covardes  espirituais. Esses tem destinos diversos. Escutem! “Nem toda flor na primavera
é uma fruta no outono”.

     10:39 - nós  que  entregamos  as  nossas almas aos cuidados de Cristo, somos daqueles que não
retrocedem, somos  daqueles  que  hão de permanecer firmes na proclamação da Verdade, aconteça
o  que  acontecer, se, como  vimos, tudo  o  que temos é nada perante o que está por porvir. Então: que mal nos pode fazer o diabo, ou algum emissário seu ou ainda o próprio homem? Que Deus con-tinue nos abençoando.

                                                                                              Seminarista Evaldo Moscibrovski
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