ESTUDO DE HEBREUS 10
   10:1-18 - Nesta  porção  do  presente  capítulo o autor demonstra o fracasso do antigo pacto e a perfeição do novo pacto. O  capítulo 10:1-18 é  a confirmação dos argumentos do autor no capítulo 8. O autor  de Hebreus termina seu argumento formal reafirmando sua convicção que a oferta única e  eficaz  de Cristo pôs fim às ofertas vazias e repetitivas de animais, pois aquela oferta única obteve o alvo do novo pacto, o perdão dos pecados.
     Ao  invés  do  ministério diário dos sacerdotes, o serviço de Cristo foi aperfeiçoado com o único sacrifício, pois  Ele, Cristo, está  assentado à destra de Deus como REI SACERDOTE, até que seus inimigos lhe sejam subjugados. Desta forma foi inaugurado o nosso pacto (Hebreus 8:8- 12) através do qual  a  lei  foi  escrita  em  nossos  corações, para que possamos nos aproximar com toda a fé e amor  do  Santo  dos Santos: esperando a recompensa quando da vinda de Cristo. No trecho de He-breus 10:19-31 podemos  concluir  que  se trata de uma palavra de coragem, um encorajamento aos cristãos.

     Vejamos:
     10:19 -
"tendo pois irmãos" - o  autor  de  Hebreus  reitera  o  apelo, renova  o apelo aos irmãos para  que  estes  tenham plena confiança e ousadia quando se aproximam de Deus. Vale lembrar que
esta  confiança  não  é por qualquer mérito nosso, mas uma obra perfeita do nosso Rei Sacerdote, o qual
“sabe compadecer-se das nossa fraquezas”, (4:15).

     10:20 -
“pelo véu, isto é , pela sua carne”. Numa  surpreendente  figura  de linguagem, o  autor identifica  o  véu  do  templo com o corpo de Jesus. No mesmo sentido em que o véu do templo foi rasgado  a  fim de dar entrada no Santo dos Santos (6:19; Mateus 27:51), assim também o corpo de Cristo  foi  rasgado  para  que  o seu sangue pudesse ser derramado a fim de abrir o caminho para o santuário celestial, (V. 9). O paralelo é apenas figurativo e não deve ser forçado.

     10:21 - notemos que em Hebreus o
“acesso” à Deus é equivalente  à “filiação”. Então  Cristo é o  Grande  Sumo  Sacerdote sobre a Casa de Deus. Vejamos em Hebreus 3:6 - Cristo é chamado de casa “a qual casa somos nós”. Cristo é, podemos dizer, nosso “irmão mais velho”, se Pai é o nosso Pai e nós somos um (Hebreus 2:11). Na filiação  é que recebemos acesso à Deus, é como filhos que nos  aproximamos do Pai celestial. A casa de Deus cresce através da inclusão e integração contínua de  pessoas como “pedras vivas” (1 Pedro 2:5). A casa também é um templo, porque Deus mesmo vive neste edifício feito de pessoas.

     10:22 -
"tendo o coração purificado... e lavado  o  corpo..." Como  sabemos, o  antigo  sistema
de  sacrifícios levítico não tinha como fazer nada em favor da natureza moral, isto é, da consciência
dos judeus cristãos, como  vemos  em  Hebreus 9:9. Mas o nosso relacionamento com Cristo é per-feitamente  eficaz  para promover esta limpeza moral. Quando o nosso relacionamento é genuíno ele purifica-nos a alma, não temos “peso” na consciência, aí é so paz reinando. Mas uma vez é indiscu-tível a superioridade do sacrifício vicário de Cristo em nosso favor.
    
"...e lavado o corpo..." - Para o Sumo Sacerdote entrar no Santo dos Santos, como vimos, isto
ocorria  uma vez por ano somente, e era necessário que ele tomasse um banho que fosse totalmente
imerso; este era  o  preparo  para adentrar ao Santo dos Santos, era o símbolo da purificação moral, da purificação da alma, de todos os seus vícios, excessos e pecados. Isto era no Velho Testamento,
na época dos sacrifícios, holocaustos, etc. Hoje, nos salva, com plena convicção do perdão dos pe-cados, e  em  perfeita harmonia de relacionamento com Cristo, também podemos entrar na presença de  Deus como Sacerdotes. Notemos que o autor diz
“lavado o corpo com água pura”, esta “lava-gem  do corpo”, esta  limpeza é realizada pela operação do Espírito Santo em nós, pois ele é o Espí-rito “Santo” e  a  quem influência se torna “Santo” - “o corpo lavado com água pura” é a operação santificadora do Espírito Santo quando ocorre o novo nascimento.

     10:23 -
"Guardemos firmes" - o  termo  grego  é “Kaecho”, que  quer dizer “manter, reter fiel-mente, conservar as próprias possessões”.
    
“Confissão de esperança” - os leitores originais desta epístola tinham feito sua “confissão de es-perança”, tanto  em  suas  palavras como em sua vida diária, perante um mundo hostil, que escarne-ce  do  Salvador, do  Cristo “crucificado”. Essa  oposição, essa  hostilidade  vinha tanto dos pagões como  dos  elementos  judeus  da  sociedade, segundo  fica muito bem demonstrado pela história da Igreja, no livro de Atos. E alguns crentes eram tentados, sob a perseguição ou pela oposição geral, a abandonarem  sua  fé  distintiva, retornando  aos  seus  antigos  caminhos tanto no aspecto religioso como em sua conduta diária.  É contra este perigo, de se voltar a?s obras mortas que o autor adverte os  cristãos  daquela  época  e, porque não dizer dos dias de hoje. “Quem fez a promessa é fiel” - 1 Coríntios 1:9 - 10:13; 1 Tessalonicenses 5:24; 2 Tessalonicenses 3:3. Amém.

     10:24 - muito  claro  o versículo, nos conclamando a estarmos nos encorajando uns  aos outros, nos  ajudando  mutuamente. Devemos  dar  atenção ao bem-estar dos nossos irmãos, para que num andar  com o Espírito Santo, sejamos mais rapidamente transformados segundo a imagem de Cristo que é o alvo da nossa existência. Este versículo nos ensina que nossas relações como irmãos devem transcorrer  de  tal  forma  que  não sirvam de provação, mas sim de estímulo, de encorajamento às boas obras, à prática de obras vivas. Um  autor  de  quem  sou  amigo  comenta:
“De  fato  as boas obras, corretamente entendidas são apenas um sinônimo da graça, pois as verdadeiras obras espiri-tuais são  aquelas feitas em, e através do Espírito e certamente isso é uma expressão da graça divi-na. Notemos  por  igual  modo que a própria salvação deve envolver essas formas de obras”, (Efé-sios 2:12). As  obras  dentro  do  Novo  Testamento  são apenas uma outra maneira de falar sobre a possessão  e  expressão do tudo do Espírito, (Efésios 2:8-10). Quando o autor fala para nos estimu-larmos  ao  amor, ele  nos  leva a lembrar-mos de João 3:16. Deus ... e o filho amou o mundo de tal maneira  que deu sua própria vida tendo como nosso bem espiritual. Com esta atitude, temos exem-plo perfeito de amor. O nosso viver deve sofrer transformações, não somente com relação ao peca-do, mas  em  todo  o nosso viver e isto inclui também o amor. Podemos sim ter o mesmo amor que Cristo  tem  pela  humanidade, podemos  amar  com  a mesma intensidade que Cristo amou e ama o homem.
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