O v. 10 nos fala de duas tristezas: uma segundo Deus e outra segundo o mundo.

    
Tristeza,  segundo Deus: é em conformidade com a própria vontade de Deus; esta tristeza é obra sua, é fruto de sua atuação em nossas vidas. Por que esta tristeza? Para efetuar em nós os seus  propósitos. Esta  tristeza é muito profunda e produz no regenerado o arrependimento, isto ocorre  pela  Graça  de Deus e pela atuação do Espírito Santo. Através desta tristeza operada no indivíduo, ele será agraciado com a salvação. O arrependimento genuíno, verdadeiro pode levar uma pessoa a entender que foi eleita antes da fundação do mundo. Eleita para que? Para receber a Justiça de Deus.

     
Tristeza, segundo o mundo: produz morte. Aqui lembramos a tristeza que Caim experimen-tou, Esaú, Judas Escariotes. Este  tipo  de  tristeza, destes exemplos, é uma tristeza inútil e des-trutiva, só pode levar a pessoa para a morte espiritual.
     Russel  Norman  Champlin  comenta:
“Esta  tristeza fala daquilo que os homens incrédulos
sentem  em  face  do fracasso, do desastre, da tragédia, mas não em face do pecado, ainda que até  mesmo  isto  pode estar envolvido em certos casos destes”.
A morte que esse versículo nos fala é muito mais que a morte física, esta morte é um contraste, é o inverso da salvação.
     V. 11: a  tristeza  correta, aquela  segundo  Deus, produziu  nos irmãos de Corinto sinais de arrependimento autêntico.

   
Defesa: no grego  apologia - os crentes  de  Corinto  estavam ansiosos para deixar claro que
eram  inocentes, num  caso  em  que foram envolvidos. O caso precisamente não se sabe, mas pode  ter sido o caso do homem que cometera incesto registrado em 1 Coríntio 5 - o fato é que os  crentes  de  Corinto  expressaram  sua  defesa, provando  que  não  estavam  envolvidos no acontecido. Alguns realmente eram inocentes, outros arrependeram-se.

    
Indignação: foi  o  que alguns experimentaram por terem se deixado levar pelos ensinos dos
falsos  mestres. Este  desviar  dos  caminhos retos os impediu em seu progresso na vida cristã. Eles ficaram indignados com a desonra que haviam atraído para a Igreja de Corinto.

   
Temor: aqueles  irmãos  temiam  a  disciplina  que Paulo lhe iria impor, bem como temiam a
Deus. Eles  tinham profundo respeito ante a Majestade de Deus, diante do seu poder de julgar e
recompensar. Champlin  diz que:
“Este temor marcou o começo da sabedoria daqueles irmãos;
a  palavra nos diz: feliz o homem constante no temor de Deus. Que benção. Mas a parte b diz:
mas o que endurece o coração cairá o mal.”


   
Saudades: queriam ver o apóstolo e agradá-lo, queriam a sua aprovação para seus atos.

    
Zelo: este zelo é no mesmo sentido do v. 7; aqueles irmãos mostravam que também se opu-nham  àqueles  que  atacaram  injustamente o apóstolo e sua intenção era punir estes ofensores, mostrando o seu zelo e o seu cuidado com o apóstolo.

    
Vindita: quer  dizer  vingança, punição. Os  crentes  de Corinto infligiram, aplicaram castigo
aos  ofensores  de Paulo, pois também os haviam feito desviar do caminho. Um certo estudioso coloca assim o resultado segundo Deus: Defesa e Indignação: relacionam-se à desonra, à injúria em  que  caíra  a  comunidade local.  Temor e Saudade: relacionam-se à vontade intensa dos ir-mãos reverem o apóstolo. Zelo e Vindita: são sentimentos contra o ofensor.

     V. 13: quando nós nos sentimos confortados por Deus devemos saber que este conforto é a aplicação da graça de Deus em nossa vida. 2 Coríntios 1:3,4 nos confirma isto:
“Bendito seja o Deus  e  Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação. É  Ele  que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiveram em  qualquer angústia, coma consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus”. A  solução  para as crises, para os problemas em dúvida produz alegria. Neste caso de crise en-tre os crentes de Corinto e Paulo, ela havia sido resolvida, a comunhão entre eles fora restaura-da. Com  isto o apóstolo Paulo estava muito alegre (nos alegramos muito mais com a alegria de Tito). Paulo compartilhava  da  alegria de Tito, pois ele tinha obtido êxito na melhora do relacio-namento  dos irmãos de Corinto. Mesmo com toda esta alegria, Paulo conhecia bem aqueles ir-mãos, sabia  dos seus defeitos e qualidades, mas Paulo confiava na operação contínua do Espí-rito  Santo  em  suas vidas. Paulo os repreendera severamente anteriormente, mas nunca se es-quecera  do  grande valor que eles tinham diante de Deus e do próprio Paulo. Havia naquela co-munidade pessoas realmente comprometidas com a Palavra da Verdade, com o Reino de Deus.

     Devemos  notar  que a palavra
“todos” no v. 14, as palavras “todos vós” no v. 15, nos dão entendimento  que  a  missão  de  Tito  realmente  fora coroada de sucesso e que os crentes de Corinto  reagiram  de  forma favorável, aceitaram as orientações passadas por Paulo através de Tito. Com  isto a autoridade apostólica de Paulo fora agora restaurada. A pesquisa nos mostrou que  a  atuação  de Tito entre os coríntios foi tão acertada que até mesmo alguns dos principais dos opositores do Apóstolo também foram ganhos, conforme nós confirmamos nos vs. 5 até o 11 do capítulo 2.

     Neste capítulo 7, o Apóstolo Paulo expressa o sentimento de alegria por pelo menos 5 vezes
nos  vs. 4,7,9,13,16. Esta alegria tem uma razão: o fato de ter contemplado um ministério bem-sucedido, o  ministério  de Tito, porque os crentes eram transformados conforme a imagem de Cristo, pois  aprendiam a obediência ensinada pelo Espírito Santo de Deus. Muitas coisas pode-mos dar  alegria, uma  boa pescaria, uma boa venda de ovos de codorna, muitas linhas telefôni-cas para  se instalar, boas notas nas provas da escola e muitas outras coisas nos dão este senti-mento de  alegria. Mas a pergunta é esta: Sentimos alegria porque outras pessoas estão andando em Cristo? Como  regenerados, isto é, inclusos na morte, sepultamento e ressurreição de Cristo vivemos agora a sua própria natureza santa, não deveríamos ter uma satisfação maior que esta? Enfim a lição que aprendemos neste capítulo é que devemos ser obedientes à Palavra de Cristo, com isto  geramos, ou damos bom testemunho para aqueles que nos conhecem, mais ainda por parte  de  Cristo  e  de seus ministros, que abraçaram a missão de nos ensinar a sua Palavra, vi-sando  o  nosso benefício espiritual. Assim perguntamos: Existe algo mais satisfatório no minis-trar a mensagem da Cruz, que uma ovelha obediente ?

                                                                                        Seminarista Evaldo Moscibrovski
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