A Esfera e o Cilindro Segundo Cavalieri
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Determinaremos usando o Principio de Cavalieri, a mesma relação que Arquimedes fez entre a esfera e o cilindro.

Na figura temos à esquerda um hemisfério de raio r e, à direita , um cilindro circular de raio r e altura r .

Deste cilindro retiraremos um cone de base igual a base superior do cilindro e cujo o vértice é o centro da base interior do cilindro. Os dois sólidos estão assestados sobre o mesmo plano.

Seccionaremos ambos os sólidos com um plano paralelo ao plano da base de ambos e a uma distância h dele. Esse plano corta o hemisfério ( figura da esquerda ) segundo um círculo, e o outro sólido segundo uma coroa circular.

1 - área da intersecção entre o plano e o hemisfério:

Sendo k o raio da circunferência formada,

=>

=>

 

2 - área da coroa circular:

=>

Temos então que as duas áreas são iguais a . Segue-se então do princípio de Cavalieri que os dois sólidos tem volumes iguais. Temos que o volume do hemisfério é,

Logo, o volume V da esfera é dado por

A admissão e o uso consistente do segundo principio de Cavalieri pode simplificar grandemente a dedução de muitas fórmulas de volumes incluídas nos tratamentos iniciais da geometria sólida. Esse procedimento foi adotado por muitos autores de textos de geometria e costuma ser defendido por razões pedagógicas. Ao deduzir a conhecida fórmula do volume do tetraedro ( ) , por exemplo, a parte desagradável consiste em provar antes que dois tetraedros de bases equivalentes e alturas relativas a essas bases iguais têm volumes iguais. A dificuldade inerente à questão manifestou-se em todas as abordagens da geometria sólida, desde os Elementos de Euclides. Com o segundo principio de Cavalieri, porém, a dificuldade simplesmente desaparece.

A nebulosa concepção de indivisível de Cavalieri, como uma espécie de parte atômica de uma figura, suscitou muita discussão e críticas sérias de alguns estudiosos do assunto, em particular do ourives e matemático suíço Paul Gudin ( 1577 - 1642 ). Cavalieri remodelou seu trabalho na expectativa vã de levantar essas objeções. O matemático francês Roberval, que manipulou com muita habilidade o método, proclamou-se seu inventor. Na verdade o método dos indivisíveis, ou outros equivalentes a ele, foram efetivamente usados por Torricelli, Fermat, Pascal, Saint-Vicent, Barrow e outros.


Jayme Alves de Oliveira Neto
 
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