Capítulo
17
A Reação
de Snape
Laura, para não deixar
Snape curioso, não falou nada com Dumbledore logo que
chegaram em Hogwarts. Mandou uma coruja ao diretor dizendo que
tinha algo importante para lhe falar.
Na segunda-feira, Dumbledore pediu que
Laura fosse até sua sala após o horário
de aulas para ver do que se tratava.
- Sente-se senhorita. Aceita chá
e biscoitos?
- Obrigada.
- Como foi o passeio no sábado?
- Foi ótimo, mas....aconteceu
algo que eu não previa. - falou seriamente. - O Prof.
Snape não lhe disse o que viu?
- Não. Logo que chegou, foi direto
para a masmorra ler os livros. Só tem aparecido na hora
das aulas.
- Então vou lhe contar. A livraria
onde compramos estava com uma promoção. Estavam
passando os dois primeiros filmes do "Harry Potter".
O senhor já sabe a respeito?
- Sim, Severo me contou que foram feitos
filmes correspondendo aos livros.
- Nós assistimos lá na
loja o primeiro filme na parte da manhã. A tarde iria
passar o segundo, mas eu inventei uma desculpa para não
assistir. Achei que ele já tinha ficado bem nervoso ao
saber algumas coisas que viu no filme. Nesse primeiro não
teve nada de tão grave, mas no segundo ele, com certeza,
iria querer o pescoço de Hermione.
- Hermione Granger? Porque?
- No primeiro filme ele viu que ela pôs
fogo na sua capa, pois achava que ele estava azarando a vassoura
de Harry, lembra?
- Sim, _ Dumbledore dá uma risadinha
- me lembro muito bem. Severo ficou uma fera!
- Isso não é nada perto
do que ele vai descobrir ao ler o segundo livro. Ganhei um pouco
de tempo em não deixá-lo assistir ao filme.
- O que ele descobre no segundo livro?
- Descobre que Hermione rouba um ingrediente
de seu estoque para fazer a poção polissuco.
- Sim...sim.... Ele nunca teve provas
de ter sido mesmo a Srta. Granger.
- Pois agora terá....e temo por
ela. Ele vai querer o pescoço dela!
- Vou conversar com ele, pode ficar tranqüila...
- Mas, Diretor.... ainda tem algo pior,
muito pior que ele vai descobrir....pior que tudo isso junto.
- O que é?
- Ao ler o quinto livro, ele descobrirá
que a autora mencionou a cena em que Potter mexe na penseira
dele. Todos os trouxas, que são leitores destes livros,
sabem qual é uma das piores lembranças da vida
do Prof. Snape....Me dá calafrios só de pensar
em como vai ser a reação dele.
- Terei mesmo uma longa conversa com
Severo. Obrigada por tudo, senhorita.
Na terça-feira, Dumbledore vai
até a masmorra para conversar com Snape:
- Olá Severo! Como está
indo a leitura? Está se divertindo?
- Sente-se Alvo. - falou secamente -
Estou cada vez mais apavorado com esses livros. Já estou
no final do terceiro livro. É inacreditável!
- Tem algo que gostaria de me contar
sobre esses livros?
- Estão sendo muito úteis.
Estou descobrindo muitas coisas interessantes.
- Por exemplo?
- Você sabia que a Srta. Granger
roubou um ingrediente da minha sala para fazer uma poção
polissuco?
Dumbledore tentou disfarçar que não sabia de nada.
- Mas....você não vai fazer
nada a respeito, não é Severo?
- Quer que eu fique quieto? Essa menina
merecia ser expulsa de Hogwarts!!! As detenções
que estou pensando em aplicar, não são nada, comparado
ao que ela fez...isso só nos primeiros anos de Hogwarts,
imagino quando terminar de ler os livros....
- E imagino que você vai dizer
como descobriu tudo isso para ela, não? - Dumbledore
disse sarcasticamente.
- Isso é um problema meu, não
acha Alvo?
- Não, não acho. Isso não
só é um problema da Escola, como do mundo bruxo
também. Sabe que não pode mencionar nada sobre
esses livros. É melhor fingir que não sabe de
nada.
- Impossível. - Snape já
estava rosnando.
- Impossível ou não, é
assim que vai ter que ser, Severo. E....desconfio que você
vai descobrir muito mais coisas nesses livros. Peço que,
antes de fazer qualquer coisa, fale comigo. Tem que agir com
muita cautela, Severo.
- Como quiser, Alvo. - Snape sentiu vontade
de sair batendo a porta, mas se lembrou que estava na sua sala.
Dumbledore sentiu o olhar enfurecido de Severo, conhecia-o muito
bem. Levantou-se e saiu para deixar Snape se acalmar sozinho.
Não iria adiantar falar mais nada com ele agora.
**
Passaram alguns dias. Snape finalmente
terminou de ler o quinto livro. Estava visivelmente irritado,
mal-humorado, cruel e, se pudesse, distribuiria maldições
por toda a escola, tal era a raiva que estava sentido.
Era muita humilhação para ele suportar. Todos
os leitores trouxas daqueles livros sabiam o que havia na sua
penseira. E, talvez, alguns alunos sangue-ruins também....Era
muito difícil suportar tudo.
E Laura....ele acreditava que, provavelmente,
ela se controlava ao máximo para não ficar dando
gargalhadas na sua frente. Ela sabia de tudo e ele se sentia
cada vez mais humilhado, diminuído e sua raiva aumentando.
Foi, como havia combinado, falar com
o Diretor. Entrou rapidamente na sala de Dumbledore, fazendo
com que sua capa voasse.
- Alvo, precisamos conversar. É
urgente!
- Vejo, pela sua expressão, que
está acontecendo algo grave.
- Muito grave! Aquela trouxa maluca e
idiota vasculhou toda a minha vida mesmo. Não tinha mais
nada o que fazer então resolveu bisbilhotar a minha vida!!!
Ela precisa de uma correção urgente! Se eu ainda
estivesse ao lado do Lord das Trevas, entregaria essa trouxa
idiota para ele se divertir.
- Calma, Severo. Explique-se melhor.
- Dumbledore já imaginava qual era o porque de tamanha
raiva e ódio que Snape estava sentindo.
- Essa trouxa ousou mencionar no quinto
livro algo que diz respeito a minha vida íntima. Quem
autorizou? Que direito ela tem de me expor dessa maneira ao
mundo trouxa? E os sangue-ruins que estudam aqui, devem rir
da minha cara o tempo todo.....
- Seja mais claro, Severo. Ainda não
estou entendendo muito bem.
- Leia você mesmo. Já que
o mundo inteiro sabe, e você iria ler o livro de qualquer
jeito....não faz diferença... - Snape alcançou
o quinto livro, enrolado num pano preto, para Dumbledore. Estava
marcado na página onde contava o trecho que o deixou
furioso.
Dumbledore leu atentamente, respirou
fundo e tentou acalmar Snape.
- Severo...não leve tudo a sério.
Os trouxas acham que você não existe, é
só um personagem.
- Eu não sou um "personagem",
Alvo!
- Eu sei, Severo, mas...você sabe,
não podemos fazer nada a respeito.
- Você não imagina como
estou me sentindo. Tendo que olhar para aqueles alunos e....Srta.
Steen....Ela sabe, tenho certeza. Ela leu os livros! Que humilhação!
E porque ela nunca me disse nada?
- E o que você gostaria que ela
dissesse? Vejo que ela lhe respeita mesmo, Severo. É
muito discreta.
- Se eu pudesse, não daria mais
aulas para ela...nem para Potter...nem para nenhum sangue-ruim!
- Beba esse chá, Severo. Você
ficará mais calmo.
Snape estava muito mais amargo e irritado
do que de costume. Ele se esforçava, mas era difícil
evitar tirar pontos da Grifinória, colocar Potter e Granger
em detenção. Humilhava-os o quanto podia. Todos
os alunos tremiam dos pés a cabeça cada vez que
tinham aula de Poções.
Laura simplesmente não existia
mais para Snape. Ele a ignorava o mais que podia. Ela levantava
o braço nas aulas para tirar alguma dúvida e ele
fingia que não via. Não importava se errasse ou
acertasse a poção, Snape fingia que não
havia nenhuma Laura em sua sala. Snape sentia por ela uma mistura
de vergonha e ódio. Mas, não podia negar para
si mesmo que, ainda assim, com tudo que ficou sabendo, sentia
uma forte atração pela aluna. Por mais que quisesse
vê-la o mais longe possível, o desejo de tê-la
perto de seu corpo era muito forte, a cada dia mais forte.
Era também muito difícil
para Laura suportar ser ignorada por Snape. Ela o amava, e o
queria cada vez mais perto...e ele estava se distanciando muito...e
ela sabia qual o motivo. Resolveu colocar um "ponto final"
nesse assunto. Após a aula de segunda-feira, esperou
que todos os outros alunos saíssem da sala. Ficou ali
sentada, olhando para Snape.
Ele estava de cabeça baixa, escrevendo.
Snape, que tem uma ótima percepção, sente-se
observado e levanta os olhos....vê Laura ainda sentada
na sala.
- A aula já terminou, senhorita.
- disse sem olhar diretamente para Laura.
- Eu sei, mas temos que conversar....-
Laura tentou falar, mas Snape a interrompeu.
- Não há nada a ser dito,
senhorita. Queira, por favor, me deixar a sós. Tenho
muito trabalho a fazer - Snape bufava.
- O assunto é importante e eu
não saio daqui até que o senhor ouça tudo
o que tenho a dizer. Laura se levantou e cruzou os braços.
Snape parou o que estava fazendo, revirou
os olhos, cruzou os braços e falou:
- Pois bem, mas seja breve. Eu não
tenho tempo para bobagens.
- Eu sei exatamente porque o senhor está
assim comigo ...e com os outros alunos.
- É mesmo? - falou totalmente
irônico.
- Na verdade eu já previa essa
sua reação quando lesse o quinto livro. Suspeitei
também que sentiria um ódio mortal por mim....
- Vejo que está ficando esperta,
senhorita. - disse sarcasticamente.
- Sem ironias, professor. Esse é
um assunto sério. - Laura olhou no fundo dos olhos de
Snape.. - Vou direto ao ponto. Quero que saiba que lhe respeito
e lhe admiro muito, professor. Não ri nenhuma vez daquela
situação que li no livro. O senhor pode não
acreditar, mas é verdade. Entendo que não é
nem um pouco agradável descobrir que mais da metade do
mundo sabe daquilo que lhe aconteceu, mas o senhor não
foi o único. Todos passamos por problemas e desentendimentos
na escola. Tanto trouxas como bruxos.
- Não me diga! - rosnou emburrado.
- Eu estudei numa escola trouxa antes
de vir para cá. Tinha problemas muito parecidos com os
que o senhor teve. Eu era a feia da escola, a chata, não
tinha amigos, era humilhada. Sempre fui muito inteligente e
esperta, e meus colegas não gostavam disso. Os professores
gostavam de mim, pois eu só tirava boas notas e tinha
um comportamento exemplar. Mas...o que eu queria era ter amigos,
namorados, uma turma...qualquer coisa!!!
- Se esta é a maneira que encontrou
de contornar a situação, desista!
- Não costumo comentar isso com
ninguém. É um assunto íntimo....e difícil
de falar....também é muito difícil de lembrar!
Vou lhe contar só para o senhor se dar conta que não
é o único a passar por isso.
Snape endireitou a cara mal-humorada
e começou a dar mais atenção ao que Laura
estava contando.
- Num determinado ano, eu ganhei uma
bola de aniversário. Era uma bola de vôlei, uma
espécie de jogo de trouxas, muito praticado nas escolas.
Resolvi levar para a escola e mais uma vez tentar me enturmar
com minhas colegas. Mas...também desta vez não
fui feliz. Um aluno mais velho roubou a minha bola e, junto
com outros garotos, começaram a chutar a bola de um lado
a outro da escola....até que ela estourou. Eu não
podia fazer nada. Era hora do recreio, os professores estavam
tomando seu café. E, também eu era muito pequena,
não tinha como enfrentá-los.....E....diferente
do senhor, nunca tive ninguém na escola para me apoiar
ou me defender. Voltei aquela tarde para casa sem o meu presente.
Snape estava quieto, só escutando
a história de Laura.
- Eu sempre fui humilhada, desde os meus
primeiros dias de escola. Era inteligente, filha de professora...nenhum
de meus colegas gostava de mim. Nunca namorei ninguém
enquanto estudava...me sentia muito só.
Snape continuava calado...e Laura continuou:
- Espero que o senhor pense bem em tudo
que eu lhe disse. Pare de se fazer de vítima! Seja superior!
- Se virou e caminhou em direção a porta. - Era
isso o que tinha a dizer. Agora não lhe incomodo mais.
Boa noite. - E saiu sem olhar para o rosto de Snape.
Snape chegou a se levantar e pensou em
dizer algo, mas ela já havia saído. De qualquer
forma, não tinha a mínima idéia do que
dizer.... Ficou "mergulhado" nos seus pensamentos,
refletindo cada palavra que Laura disse. Não tinha coragem
de procurá-la para conversar. Ainda não sabia
o que dizer.
Se esforçava em cada aula para
agir normalmente com ela, mas era difícil. Sentia como
se ela soubesse de toda sua vida....
Durante as aulas dos alunos do sétimo
ano, Snape conseguiu controlar seus impulsos de tirar pontos
sem motivos da Grifinória. Fazia muita força para
equilibrar sua raiva. Às vezes, ficava imaginando que
alguns de seus alunos mestiços tivessem lido o livro
e se divertido muito com suas histórias. Nessas horas,
ele não se controlava e castigava muito esses alunos,
colocando-os em detenções e humilhando-os.
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