Capítulo
18
Natal
Já era véspera
de Natal. Muitos alunos viajaram para suas casas. Laura decidiu
ficar em Hogwarts. Adorava ficar lá! Escreveu avisando
sua decisão a seus tios.
Laura foi até a cozinha para falar
com Dobby. Pediu um favor ao elfo doméstico. Queria que
ele deixasse uma caixa na sala de Snape sem que ele percebesse.
Era um presente com um cartão. O elfo doméstico
ficou muito feliz em ser útil e, na manhã de Natal,
bem cedo, antes de Snape acordar, ele colocou a caixa na mesa
de Snape.
Snape já estava saindo de sua
sala para tomar seu café da manhã, quando algo
um pouco brilhante em sua mesa lhe chamou atenção.
Ele deu meia-volta e foi ver o que era aquela aquilo. Era uma
linda caixa prateada enrolada com uma fita verde brilhante.
"Um presente? Para mim? Estranho....faz tanto tempo que
não ganho um presente no Natal...." pensou.
Ele estava muito surpreso. Desamarrou
a fita e abriu a caixa. Dentro havia um livro de poesias. Snape
pegou o livro, abriu e leu alguns trechos. "Mas quem será
que me mandou esse presente? Como sabia que gosto de poesias?
Nunca comentei com ninguém!" pensou. Ergueu a caixa
e viu que embaixo havia um cartão. Na frente do envelope
dizia "Ao Prof. Severo Snape". Abriu o envelope, pegou
o cartão e leu o que dizia:
"Professor:
Desejo-lhe toda a felicidade do mundo neste Natal e em todos
os dias de sua vida.
Espero que o presente seja do seu agrado. A minha intuição
me disse que o senhor adora poesias!
Um grande abraço da aluna que lhe admira muito
Laura Steen"
O rosto de Snape parecia que iria pegar
fogo. Estava completamente vermelho. Leu mais uma vez o cartão
e mais alguns trechos do livro. "Como vou agradecer? Nem
falo direito com ela....desde que...." Snape tentava interromper
seus pensamentos.
Não foi tomar café. Preferiu
ficar ali lendo o livro.
No meio da manhã, saiu de sua
sala. Iria dar uma volta pelo lago e tentar colocar em ordem
seus pensamentos. Mas...no caminho encontrou Laura.
- Bom dia, senhorita.
- Bom dia, professor. Feliz Natal!
- Pode vir até minha sala um minuto?
- Ele estava sério, mas não parecia furioso.
- Sim.
Laura sentou e ficou olhando para Snape.
Ele andava de um lado a outro da sala, procurando as palavras.
- Gostaria de....lhe agradecer pelo...presente.
- As palavras saíam arrastando da boca de Snape.
- Não foi nada...só queria
lhe agradar!
- Porque? Existe algum motivo especial
para este presente?
- Sim, claro que existe. É Natal!
- Laura disse sorridente.
- Mas...
- Eu já lhe disse professor, sinto
muita admiração pelo senhor.
Snape não conseguiu olhar nos
olhos de Laura, estava completamente sem jeito.
- Eu não comprei nada...
- Professor! Eu lhe dei o presente sem
pedir nada em troca. Só gostaria de saber se o senhor
gostou.
- Sim, gostei muito....mas....como sabia
que gosto de poesias? Foi intuição mesmo, ou.....
- Foi um pouco de intuição
e...percepção.
- Percepção?!
- O senhor escreve muito e, por algum
motivo, achei que fossem poesias. E, se gosta de escrever poesias,
deve gostar de ler também!
Desta vez ela conseguiu deixar Snape
completamente sem jeito e sem palavras. Ela tinha o dom para
isso. Laura, percebendo a situação, resolveu deixá-lo
sozinho.
- Era só isso, professor? Posso
ir agora?
- Sim, era só....obrigado.
**
Snape estava sentindo algo diferente
em seu coração. Algo que há muito tempo
não sentia. Havia se esquecido de como é bom ganhar
um presente. Já era o segundo presente que Laura lhe
dava. E, ao que parecia, ela se preocupava muito com ele, com
sua felicidade. "Por quê?" - Snape se perguntava.
Cada vez mais Laura invadia a cabeça
de Snape. Às vezes lembrava dos momentos em que a teve
em seus braços, desmaiada. Podia sentir, só com
a lembrança, a maciez dos seus cabelos, o perfume....e
uma louca vontade de beijá-la invadia seus pensamentos.
Snape já não conseguia
mais controlar sua mente....Laura estava lá...o tempo
todo. Numa certa noite, acabou sonhando com ela:
"Eles estavam numa festa, dançando.
Laura usava um lindo vestido verde-esmeralda. Ele sentia o corpo
dela bem junto ao seu. O perfume lhe deixava embriagado. Colou
seu rosto no dela. Podia sentir a respiração dela
no seu pescoço...e o desejo aumentando. Parecia que não
havia mais ninguém na festa...só os dois. A música
parecia ficar cada vez mais lenta e vagarosamente suas bocas
foram se aproximando até se encontrarem e terminaram
num longo beijo. De repente a música parou e eles pararam
de se beijar e de dançar. As pessoas na festa estavam
assustadas. Um barulho....homens mascarados...varinhas em punho....Era
Lord Voldemort com seus comensais. Snape foi imobilizado e Laura
seqüestrada."
Snape acordou com um susto. Tudo parecia
tão real. Sentiu um aperto em seu peito. Era só
sonho ou alguma previsão? Snape não sabia...nunca
havia tido aquele tipo de sonho, muito menos com o Lord das
Trevas....era muito estranho.
Os dias se passaram e Snape observava
muito os passos de Laura. Discretamente, pois não queria
que ela desconfiasse. Estava preocupado com o que sonhou.
Fazia algum tempo que Lord Voldemort
não dava notícias. A marca em seu braço
estava normal, sem alteração. Isso também
era muito estranho.
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