Numa situação aparentemente intransponível, basta bloquear o diferencial central para transmitir diretamente ao eixo dianteiro e traseiro todo o torque produzido pelo pequeno motor 1.600 e 76 cv de potência, sem reparti-lo entre esses eixos para compensar a diferença de raio entre eles nas curvas. Se ainda assim, um verdadeiro atoleiro parar o Niva, resta o recurso do guincho elétrico frontal. Basta prender o cabo numa árvore, por exemplo, para que o guincho se encarregue de puxar o jipinho soviético.
O público brasileiro, na época de seu lançamento, confundiu o Niva com o Samara -- o carro de luxo da Lada na época -- porque o interior do veículo não é exatamente o mais usual em jipes da década de 90. Por dentro, o Niva é realmente um automével -- mas com várias deficiências. As portas, o sistema de ventilação interna, os comandos elétricos e até as pequenas alavancas sob o volante lembram o antigo Fiat 147. Coincidência? Nem tanto. Afinal, a Fiat foi a responsável pela implantação da fábrica da Lada na União Soviética no final dos anos 50. E, de quebra, aproveitou para vender o projeto do Fiat 124, que foi vendido no Brasil com o nome Laika.
Aí está o mal do Niva. Sua parte carro decepciona -- e certamente causa algumas dores de cabeça aos seus proprietários com intenção de rodar na cidade.

A fragilidade dos trilhos que seguram os bancos é preocupante: mesmo fixos, em sua posição normal, os bancos mexem para a frente e para trás. Pior: os próprios trilhos se encarregam de sujar a calça das pessoas altas que usam o banco muito para trás. As teclas de comando dos elementos elétricos ficam folgadas em seus alojamentos e, portanto, balançando o tempo todo. O "apóia-pé" -- uma ótima idéia para viageus longas -- perde sua eficiência devido ao frágil material de plástico com o qual foi produzido. Mas o ponto mais negativo talvez seja o volante de direção. Enorme, fino e escorregadio, ele apresenta um mau design e nem de longe permite as ousadas manobras mostradas na propaganda do Niva na televisão da época. Tanto que o carro daquelas filmagens usava um volante esportivo opcional. Esse desleixo empobrece o Niva mesmo analizado como jipe.
Com um volante esportivo, um terreno difícil e nenhuma necessidade de desenvolver potência, o Niva é gostoso de dirigir, pois o motorista fica numa posição alta e com ótima visibilidade. Mas é preciso desconfiar das imagens refletidas nos espelhos retrovisores externos. Como são convexos para aumentar o campo de visão, mostram o veículo que vem ultrapassando mais longe do que está na realidade. Isso é perigoso. Quanto à localização da chave de ingnição (à esquerda do volante) e do acionamento de outros instrumentos do painel, o hábito se encarregará de diminuir o desconforto para quem está acostumado com os carros nacionais.
O niva tem boa estabilidade, apesar de seu alto centro de gravidade. Os 21 segundos gastos na aceleração de 0 a 100 Km/h são exagerados para um automóvel, mas não para um jipe. Se todas essas informações ainda não convenceram o eventual proprietário de que o Niva foi feito para andar na terra e não no asfalto, existe uma maneira simples de melhorar seu desempenho.
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