Numa situação aparentemente intransponível, basta bloquear o diferencial
central para transmitir diretamente ao eixo dianteiro e traseiro todo o torque produzido pelo pequeno motor 1.600 e 76 cv de potência,
sem reparti-lo entre esses eixos para compensar a diferença de raio entre eles nas curvas. Se ainda
assim, um verdadeiro atoleiro parar o Niva, resta o recurso do guincho elétrico frontal. Basta
prender o cabo numa árvore, por exemplo, para que o guincho se encarregue de puxar o jipinho soviético.
A fragilidade dos trilhos que seguram os bancos
é preocupante: mesmo fixos, em sua posição normal, os bancos mexem para a frente e para trás.
Pior: os próprios trilhos se encarregam de sujar a calça das pessoas altas que usam o banco muito
para trás. As teclas de comando dos elementos elétricos ficam folgadas em seus alojamentos e, portanto, balançando o tempo todo.
O "apóia-pé" -- uma ótima idéia para viageus longas -- perde sua eficiência devido ao frágil material de plástico com o qual foi produzido.
Mas o ponto mais negativo talvez seja o volante de direção. Enorme, fino e escorregadio, ele apresenta
um mau design e nem de longe permite as ousadas manobras mostradas na propaganda do Niva na televisão
da época. Tanto que o carro daquelas filmagens usava um volante esportivo opcional. Esse desleixo empobrece o Niva mesmo analizado
como jipe.
Com um volante esportivo, um terreno difícil e nenhuma necessidade de desenvolver potência, o Niva
é gostoso de dirigir, pois o motorista fica numa posição alta e com ótima visibilidade. Mas é
preciso desconfiar das imagens refletidas nos espelhos retrovisores externos. Como são convexos para
aumentar o campo de visão, mostram o veículo que vem ultrapassando mais longe do que está na realidade.
Isso é perigoso. Quanto à localização da chave de ingnição (à esquerda do volante) e do acionamento
de outros instrumentos do painel, o hábito se encarregará de diminuir o desconforto para quem está acostumado
com os carros nacionais.
O niva tem boa estabilidade, apesar de seu alto centro de gravidade. Os 21 segundos gastos na aceleração de 0 a 100 Km/h
são exagerados para um automóvel, mas não para um jipe. Se todas essas informações ainda não convenceram
o eventual proprietário de que o Niva foi feito para andar na terra e não no asfalto, existe uma
maneira simples de melhorar seu desempenho.