O Niva é um caso típico de carro que se parece com aquela pessoa feia por fora e bonita por dentro. Para amá-lo ou odiá-lo, depende de como ele é encarado. Se for olhado como um automóvel, mostra-se limitado. Mas, se for visto como um jipe, os méritos são muitos. O correto, portanto, é analisar este robusto carrinho fabricado pelos soviéticos da Lada como um veículo do tipo fora-de-estrada. E, nesse caso, as vantagens começam no preço -- bastante inferior aos seus possíveis concorrentes no mercado.
O Niva é, antes de tudo, um carro cheio de contrastes. Nele convivem requintes tecnológicos não disponíveis nos veículos brasileiros fora-de-estrada de sua época com soluções técnicas absolutamente rudimentares. Por exemplo: um moderno e eficiente sistema de tração integral e seu diferencial central com bloqueio divide o espaço no mesmo carro com um modesto mecanismo de acionamento da luz indicadora do afogador puxado.
A grande vantagem do Niva em termos de robustez mecânica é que ele foi fabricado para enfrentar os caminhos mais difíceis da União Soviética, com seu inverno que costuma derrotar exércitos napoleônicos. Por isso, o Kit original de ferramentas que o acompanha é capaz de causar inveja a muitos mecânicos brasileiros, pois tem até bomba manual para pneus furados. Trata-se, portanto, de um carro que dificilmente se rende aos obstáculos dos maus caminhos. Qualquer que seja a situação nas estradas de terra, o Niva deixa a impressão de que nada é capaz de detê-lo.
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