Que utilidade teria para nós um carro russo ultrapassado, feito com base num Fiat dos anos 60? Algumas. Primeiro porque é um carro com quatro portas e espaço suficiente.
Foi muito usado, na década de 90, como taxi -- embora seja o mais barato e menos atraente dos russos que por aqui aportaram -- foi descoberto nas grandes cidades brasileiras.
Mesmo não gozando do incentivo fiscal concedido à compra de táxis (só válido para carros nacionais), o Laika atraiu muitos taxistas por ser o carro de quatro portas mais barato no mercado e ter a fama de robustez que cerca os rudes modelos russos.
É econômico, resistente e confortável. Fora a curiosidade que os carros despertam.
Como modelo, ele realmente resistiu aos tempos. A aparência semanteve igual à do Fiat 124, lançado em 1966 -- carro que o governo soviético escolheu para fazer na época, quando contratou a Fiat para montar uma indústria automobilística moderna.

Os italianos reforçaram muito o carro, para adaptá-los às duras condições das estradas soviéticas e à exigência russa de que durasse bastante. Assim surgiu o 2105 (designação conservada na traseira do Laika), que na URSS leva a marca de Jiguli (Lada é para o resto do mundo). Lançado em 1974, ele recebeu sucessivamente motores 1.2, 1.3 e 1.5. Mais recente é a versão 1.6.
Se não esbanja potência (tem 72 cv), ao menos seu bom torque permite um dirigir sempre suave e com respostas rápidas -- lembrando o antigo motor CHT da Ford, pelo alto torque em baixa rotação. Some-se a isso o fácil engate das cinco marchas e o Laika se revela um "patinho feio" bom de dirigir.
Também é estável, o eixo traseiro rígido tem um bom comportamento.
Continuação
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