| O | T | R | A | B | A | L | H | O |
O trabalho � o que nos diferencia dos animais. Ao modificar a natureza, o homem se tornou humano. Primeiro foram as ferramentas simples que permitiram ao homem ca�ar, plantar e defender-se num ambiente in�spito. Depois vieram as constru��es, as artes, os esportes, a ci�ncia.
Sem d�vida, o homem evoluiu atrav�s do trabalho. Conseguiu impor-se � natureza, ampliou sua expectativa de vida e adquiriu conhecimento sobre si e sobre o mundo que o cerca. Mas, ser� o trabalho igual para todos?
As pir�mides, por exemplo, s�o uma fant�stica obra de engenharia que deve ter levado seus autores � imensa satisfa��o por terem realizado o m�ximo que suas aptid�es eram capazes. E os trabalhadores que carregaram as pedras e as colocaram de acordo com o plano original? Ser� que tamb�m se sentiam satisfeitos por terem constru�do as pir�mides?
Na hist�ria da humanidade, enquanto uns poucos conseguem realizar sua atividade de acordo com seus talentos, a maioria s� amarga sofrimento com o trabalho. Estes n�o se realizam como seres humanos e, sob muitos aspectos, mais se parecem com animais: vivem para a subsist�ncia e a procria��o.
Mas, e o que dizer de certos tipos de trabalho que, aparentemente, exigem racioc�nio, criatividade e conhecimento? Um publicit�rio, por exemplo, realmente utiliza "instrumentos" humanos para exercer sua atividade. N�o tem, por�m, controle sobre o objeto de seu trabalho, ou seja, mesmo que n�o goste do produto que est� promovendo, � obrigado a faz�-lo por obedi�ncia a um contrato. O mesmo poderia ser dito de outras atividades, como vendas por exemplo, em que o indiv�duo utiliza seu talento para fazer com que as pessoas comprem seu produto, quer goste dele ou n�o. Ou o oper�rio, que cria produtos mas n�o sabe o que ser� feito deles. A balconista que sorri o tempo todo para a consumidora por simples obriga��o. Todos eles, na verdade, n�o t�m liberdade de a��o. S�o obrigados a sorrir, a agradar, a dizer o que n�o pensam. Sofrem press�es dos chefes e superiores para atender aos interesses da empresa. Seu comportamento est� atrelado a um c�digo de conduta que eles s�o obrigados a seguir para atingir um fim pr� determinado, como uma venda ou uma presta��o de servi�o. O trabalho na nossa sociedade n�o � um meio de realiza��o, mas, simplesmente, uma forma de ganhar dinheiro para sobreviver, com mais ou menos conforto, dependendo do tipo de atividade que o indiv�duo exerce.
Um fato que chama a aten��o � que a ind�stria do lazer � a que mais cresce no mundo. A necessidade de lazer � diretamente proporcional � falta de realiza��o no trabalho. Quanto mais o trabalho for desinteressante, alienado ou simples, mais o indiv�duo ter� a necessidade de lazer. � como se o homem tivesse que descarregar a energia criativa que possui e n�o pudesse fazer atrav�s do trabalho. Assim, as atividades de lazer funcionam como uma v�lvula de escape para toda essa energia represada.
As formigas t�m uma organiza��o interessante. Embora estejam divididas em castas, como rainha, soldados e oper�rias, n�o h� discrimina��o quanto ao tipo de atividade que exercem. Todas s�o consideradas essenciais para a sobreviv�ncia da col�nia. Parece que elas entendem que n�o importa o trabalho que cada uma faz, todas s�o importantes para a coletividade.
Bem diferente � a nossa sociedade. Enquanto uns mal ganham para sobreviver, outros nem sabem o que fazer com tanto dinheiro. Se voc� for professor, soldado, oper�rio ou comerci�rio, dificilmente poder� ter uma vida digna com os seus ganhos. Por�m, se voc� for m�dico, engenheiro, advogado ou executivo de uma empresa, poder� dedicar-se ao seu crescimento pessoal porque sua sobreviv�ncia estar� garantida.
O que faz com que um empres�rio possa ganhar mil vezes o que ganha um oper�rio? Por qu� aquele que planta o alimento morre de fome, enquanto o fazendeiro, propriet�rio da terra, pode ter os luxos que quiser? A resposta, meu amigo, est� no sistema em que nossa sociedade est� organizada.
A sociedade capitalista est� basicamente dividida entre aqueles que s�o os donos dos meios de produ��o (as f�bricas, m�quinas e a terra) e aqueles que, para produzir, s� possuem sua for�a de trabalho. Os capitalistas (donos dos meios de produ��o) determinam o que e como v�o ser produzidos os bens que ser�o vendidos no mercado. J� aqueles que s� t�m a for�a de trabalho v�o participar desse processo como assalariados, seja diretamente nas f�bricas e planta��es ou, ent�o, no com�rcio ou em presta��o de servi�os.
O problema maior de nossa sociedade � justamente o fato de existirem donos dos meios de produ��o. Todo o resto � derivado desse princ�pio. As leis que nos governam e as id�ias que circulam entre n�s tamb�m dependem desse fato (v.socialismo). Coisas que, aparentemente, n�o t�m rela��o entre si tamb�m est�o circunscritas � esse contexto. Por exemplo: qual a rela��o entre Educa��o e Capitalismo?
A educa��o vai ser melhor ou pior, dependendo das necessidades que os capitalistas tiverem. Se as m�quinas tornam-se mais sofisticadas ou se o gerenciamento da atividade produtiva � mais complexa, ent�o os empres�rios v�o precisar de m�o-de-obra mais qualificada, com melhor n�vel de instru��o. O interessante � que n�o s� o oper�rio precisa ter uma forma��o melhor mas, tamb�m, o pr�prio consumidor que vai comprar os bens. Produtos como aparelhos eletr�nicos, computadores, etc. exigem um n�vel de racioc�nio ou de instru��o mais elevados para serem operados. Da�, os empres�rios passam a exigir do governo maiores investimentos em educa��o. N�o por interesse no crescimento dos indiv�duos, mas, sim, por necessidade deles mesmos.
As atividades mais requisitadas por esse sistema, s�o as que acabam pagando melhor aos seus profissionais. Isso, por�m, n�o � garantido para sempre. H� 20 anos atr�s, por exemplo, ser engenheiro era praticamente uma garantia de bons ganhos. Hoje, a maioria � assalariada em empresas e o seu padr�o de vida baixou consideravelmente. O mesmo aconteceu com m�dicos, publicit�rios, administradores de empresa e outros. O fato de que o trabalho depende do mercado significa que sempre haver� oscila��es. Isso acaba jogando uns contra os outros. As pessoas se digladiam (v.comportamento) para conseguir um trabalho melhor. Primeiro competem para aprender as melhores profiss�es e, quando s�o vencedoras, passam a competir entre si pelo mercado de trabalho.
A conclus�o, portanto, � que se os meios de produ��o n�o tivessem donos individuais mas pertencessem a toda a sociedade, o trabalho teria um car�ter diferente e toda essa hist�ria seria contada de outra forma. O pre�o do trabalho seria justo para todos, n�o haveria desemprego (v.socialismo) e viver�amos em uma sociedade em que, a exemplo das formigas, a coopera��o, e n�o a competi��o, � que levaria a sociedade adiante.