continua��o de "O homem-grande. . ."
     Estupendo conversador, senhor de um sentido de humor muito especial, fez quest�o de nos mostrar pessoalmente a sua grande planta��o de caj�, explicando-nos que a mesma se encontrava um pouco abandonada, e a precisar de  uma boa limpeza. Tal estado de coisas devia-se ao facto de os seus dois filhos mais velhos terem decidido abandonar a  vida da aldeia, partindo para a capital, com a ilus�o de uma vida mais f�cil, tendo um deles j� tido problemas com as autorida-des policiais.
      Contou-nos, de uma forma sentida, v�rias perip�cias do tempo da guerra pela independ�ncia, quando ele era  o  ho-mem de confian�a do capit�o da Companhia que guardava a ponte, e de como os outros  oficiais  subalternos  discorda-vam do comandante, dizendo que o Abdu era um infiltrado do PAIGC.
      Mostrou-nos os recibos simples, de papel amarelecido pelo tempo, que o capit�o lhe passava para justificar a  entre-ga de determinadas quantias, destinadas � compra de v�veres fora do aquartelamento, nomeadamente cabritos e vacas, quando as tropas portuguesas j� experimentavam grandes dificuldades para se movimentarem no terreno.
      Tudo isto era exemplificado com a exibi��o de velhas e desbotadas fotografias, recortes de jornais  e  correspond�n-cia pessoal. Naquelas fotos, guardava Abdu o melhor das recorda��es da sua longa rela��o com os portugueses, fazen-do-me sentir que eu era o primeiro a visitar e a pernoitar na sua tabanca, em quase vinte anos. Tive ent�o a certeza  de sentimentos que sempre levei dentro de mim: independentemente da cor da pele, das convic��es religiosas, das op��es pol�ticas, da idade, do sexo, da cultura ou do estatuto social ou profissional de qualquer um de n�s, os homens  de  boa-vontade s�o e ser�o sempre irm�os.
Bem-haja, Abdu Fati, o Homem-Grande da tabanca do Saltinho, na margem direita do Rio Corubal, na Guin�-Bissau.
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