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Explicação/Compreensão
A
filosofia pré-socrática |
| A Sofística |
Com os sofistas as filosofia volta-se para o estudo do homem considerado já não como simples ser de natureza, mas como ser social e como indivíduo estando assim lançados os alicerces de uma educação sistemática dos jovens. Abandona-se, assim, a direcção cosmológica entrando num período que podemos designar de antropológico. O antropocentrismo é, deste modo, uma das principais características da sofística.A reflexão da sofística assenta na defesa de um relativismo tanto gnoseológico como ético. Constatando, em virtude das suas viagens, que as leis variam, bem como os usos e costumes de povo para povo, os sofistas defendem uma perspectiva relativista. Para isto em muito contribuiu também a constatação da multiplicidade de respostas dadas pelos filósofos pré-socráticos.Os sofistas concluem pela impossibilidade de um conhecimento universalmente válido, pois se a propósito de um mesmo assunto surgem tantas e variadas respostas e todo o conhecimento assenta na sensação, ( para eles não há outro conhecimento para além daquele que adquirimos pelos sentidos e a sensação é subjectiva...) então não pode haver ciência porque esta, como dirá Aristótoteles, é sempre do universal. Assim sendo, todo o conhecimento é sensação e variando esta de sujeito para sujeito, o conhecimento é relativo à forma como, num dado momento, aparece ao indivíduo uma dada realidade.A crítica que fizeram à religião tradicional conduziu, por seu turno, a um agnosticismo.Protágoras dizia que a propósito dos deuses não podemos saber se eles existem ou não, pois muitas coisas nos impedem de o saber: por um lado as características do próprio assunto que é, por demais obscuro; por outro, a curta duração da vida humana.Tudo isto tem como resultado o abalar do valor religioso da lei pois afirmam que a lei é convencional e que todos os códigos e leis morais são feitos pelos homens. É fomentado um espírito de individualismo competitivo que acaba por desembocar num certo amoralismo- não há valores nem princípios absolutos.
A célebre afirmação de
Protágoras
" O Homem é a medida de todas as coisas, das que existem
enquanto
existem e das que não são, enquanto não existem"
significa
a própria afirmação do primado das
convenções
humanas sobre qualquer outra forma de conhecimento absoluto. Os
sofistas
transformam os antigos valores aristocráticos baseados na
areté
(virtude que se adquire no nascimento, isto é, tratava-se de uma
virtude ligada à ascendência), defendendo que não
se
nasce virtuoso; a virtude é algo que se adquire, se conquista
pela
educação e pela participação na vida
política.
Com os sofistas, o filósofo começa a ser o Homem
político,
o Homem da cidade que reflecte livremente sobre todos os actos do
quotidiano.
A sabedoria deixa de ser o privilégio de alguns para passar a
estar
ao alcance de todos. |
| A
construção configuradora da experiência |
O saber baseado na experiência é comum ao homem e ao animal só que, enquanto o animal se fica pelo seu instinto, o homem eleva-se à arte do raciocínio,istoé, ele écapaz de submeter o que lhe é dado na experiência a sucessivas elaborações dando origem a diversas e diferentes formas de experiência.Aexperiência é, de facto, o ponto de partida,mas a concepção humana do real não é o resultado imediato da experiência em bruto. A percepção da realidade,bem como o senso comum, implica uma estruturação. Na realidade,o homem experiencia e compreendeo que lhe acontece e o que o rodeia, interpretando tudo o que lhe vem do exterior.
No senso comum os conteúdos e as generalizações resultam de uma acumulaçãode experiências.A experiência sensorial que temos do mundo exterior(cores,aromas,sons, etc.) bem como a experiência vivencial de diversas situações(medo,angústia,fúria, etc.) são igualmente submetidas a uma síntese integradora.
Na nossa vida organizamos o nosso saber e as nossas experiências utilizando a razão, a imaginação ea afectividade. Numas organizações predominam os factores afectivos,emotivos e imaginários - a arte-, por exemplo- e noutras a razão- a ciência,por exemplo.
A Arte é uma configuração da experiência e um modo muito especial de acesso ao real. É algo de aberto no qual o ser humano se revela e manifesta e, enquanto arte, tudo o que "escapa" ao discurso racional. A Arte dá forma à experiência e essa configuração é feita pelo artista e depende da maneira como ele está implicado na situação. Para além de configurar a experiência,a arte também é transfiguradora na medida em que transforma a realidade de tal modo que a autêntica obra de arte é aquela que ultrapassa o real e se afasta da realidade tal qual ela é. A Ciência não é um mero registo de factos nem o cientista se limita a organizá-los de uma forma linear e neutral. ACiência organiza os factos procurando estabelecer relações. Na realidade,tanto a arte como a ciência são recriações da natureza e não meras cópias.O acto criador não termina com o seu autor; o acto criador e o seu resultado,podem ser sempre recriados por cada um.
Baseado em Rumos da Filosofia de A. Reis e M. Pissarra.
| A
Filosofia:o que é? |
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A filosofia é um assunto que não pertence apenas ao professor dela. Por muito raro que pareça, provavelmente, não há nenhum homem que não filosofe.0u,pelo menos, todo o homem tem momentos na sua vida em que se converte em filósofo.( ... )Tarde ou cedo, todos se metem em 'farinha' filosófica. Realmente, não digo que com isso se faça um eminente serviço à humanidade. Os livros dos leigos filosofantes-fisicos, poetas ou políticos, - são normalmente maus e frequentemente só contêm uma filosofia ingenuamente infantil e geralmente falsa. Mas isto é aqui acessório.0 importante é que todos filosofamos e, ao que parece ,não temos outro remédio senão filosofar. Daí, para
todos ,a importância
da questão:'0 que é propriamente a filosofia?
'Lastimosamente, esta é uma das
questões filosóficas mais difíceis. Poucas
palavras conheço que tenham tantos
significados como a palavra 'filosofia'. Algumas semanas atrás
assisti, em
França, a um colóquio de pensadores europeus e americanos
de primeira fila.
Todos falavam de filosofia e por filosofia entendiam coisas
absolutamente
distintas. Examinemos alguns desses significados e tentemos logo
encontrar um
caminho para a inteligência nesse formigueiro de opiniões
e definições.
Há
primeiramente uma opinião segundo o qual
a filosofia seria um conceito colectivo para tudo aquilo que não
pode ainda ser
tratado cientificaniente. Tal é por exemplo a opinião de
Bertrand Russel e de
muitos filósofos positivistas. Os partidários desta
opinião chamam-nos a
atenção para o facto de, em Aristóteles, filosofia
e ciência significavam o
mesmo, e que posteriormente as ciências particulares se foram
desprendendo da
filosofia: primeiro a medicina, logo a lógica formal( ... )Por
outras palavras:
não haveria absolutamente uma filosofia, no sentido, por exemplo
,em que há uma
matemática, com objecto próprio. Tal objecto da filosofia
não existe. Assim se
designariam unicamente tentativas de resolver ou clarificar diversos
problemas
ainda imaturos. É
certamente, um, ponto de
vista interessante e os argumentos aduzidos parecem convincentes. Mas,
observando melhor, surgem dúvidas muito graves. Em primeiro
lugar, se fosse
como estes filósofos dizem, actualmente teria de haver menos
filósofos do que
há mil anos. E não é assim. Hoje não
há menos filosofia, mas muito mais do que
antes. E isto não só
no que refere ao
número dos que a cultivam- o que se
calcula actualmente em dez mil- como também à quantidade
dos problemas
tratados. Se se compara a nossa filosofia com a dos gregos, vê-se
que no século
XX depois de Cristo nos colocamos muito mais problemas do que os que os
gregos
conheceram. Em
segundo lugar, é certo que
no decurso do tempo se desprenderam da filosofia várias
disciplinas. Mas o
chocante é que, ao tornar-se independente uma ciência,
quase simultaneamente
surgiu uma disciplina filosófica paralela. Assim, nos
últimos anos, ao
separar-se da filosofia a lógica formal, surgiu imediatamente
uma filosofia da
lógica, muito difundida e calorosamente discutida. (...)Os
factos demonstram
que a filosofia, longe de morrer em virtude do desenvolvimento das
ciências, se
enriquece ainda mais. E
finalmente, uma pergunta
maliciosa aos que afirmam que não há filosofia: 'em nome
de que disciplina ou
ciência assenta essa afirmação? 'Já
Aristóteles argumentava aos negadores da
filosofia: ou há que filosofar ou não há que
filosofar. Se não há que
filosofar, será em nome da filosofia. Logo, se não que
filosofar, há que
filosofar. E o mesmo se pode argumentar hoje. Nada há de
tão divertido como o
espectáculo dos supostos inimigos da filosofia aduzindo grandes
argumentos
filosóficos para demonstrar que não existe a filosofia.
Dificilmente, pois,
pode dar-se razão à primeira opinião. A filosofia
tem de ser algo distinto de
um recipiente geral de problemas imaturos.(...) A segunda opinião afirma, pelo
contrário ,que a filosofia não desaparecerá nunca
ainda que dela se desprendam
todas as ciências possíveis, pois a filosofia, segundo
esta opinião, não é
ciência. O seu objecto -diz-se - é o suprarracional, o
incompreensível, o que
se encontra acima da razão ou, pelo menos, nas fronteiras dela.
Tem, pois,
muito pouco em comum com a razão ou com a ciência. O seu
domínio está situado
fora do racional. Segundo tal, filosofar não significa
investigar com a razão,
mas de outro modo, mais ou menos irracionalmente .Está aí
uma opinião muito
difundida hoje no continente europeu e que
está
representada, entre outros, pelos chamados filósofos
existencialistas. Um
representante extremo desta direcção é certamente
o professor Jean Wahl, o principal
filósofo de Paris, para quem no fundo não há
distinção entre filosofia e
poesia. Mas também o conhecido filósofo existencialista
Karl Jaspers está neste
aspecto perto de já de Jean Wahl.(...) Também
esta opinião és uma tese
filosófica respeitável. A verdade é que em seu
favor podem aduzir-se diferentes
argumentos. Em primeiro lugar, que nas questões limite -e tais
são geralmente
questões filosóficas o homem há de servir-se de
todas as suas forças, portanto,
do sentimento, da vontade, da fantasia como faz o poeta. Em segundo
lugar, que
os dados fundamentais da filosofia não são
acessíveis à razão. Há que tratar,
portanto, de compreendê-los por outros meios. Em terceiro lugar,
que tudo o que
toca à razão pertence já a uma ou outra
ciência. Não fica ,pois, para a
filosofia reais do que este pensar poético na fronteira ou mais
além da
fronteira da razão.(...) Contra
esta
opinião se defendem numerosos pensadores, entre outros os que
são fiéis a
Ludwig Wittgenstein: 'sobre o que não se pode falar há
que calar-se'. Por falar
entende aqui Wiittgenstein o falar racional, quer
dizer, o pensamento. Se algo não pode compreender-se com os
meios normais do
conhecimento humano, quer dizer, pela razão, dizem estes
impugnadores da
filosofia poética, não pode compreender-se pura e
simplesmente. O homem não tem
mais que dois meios ou métodos possíveis de conhecer as
coisas: vendo
directamente de alguma modo, pelos sentidos ou pela inteligência,
o objecto e
deduzindo-o. Ora bem, em ambos os casos se realiza uma
função cognoscitiva e,
essencialmente, um acto de razão.(...) Se
observamos a história da
filosofia( ... )constatamos que o filósofo sempre tratou de
esclarecer a
realidade. Ora bem, esclarecer, clarificar, iluminar a realidade
não significa
outra coisa que interpretar racionalmente o objecto dado.(...) ...O
filósofo é um
homem que pensa racionalmente e tenta levar claridade- quer dizer,
ordem e por
fim razão - ao mundo e à vida. Historicamente, é
dizer( ... )que a filosofia
foi sempre uma actividade racional e científica, uma doutrina ou
teoria, não
urna poesia. De vez em quando os fi1ósofos tinham também
dotes poéticos. Assim
um Platão ou um Santo Agostinho. (... )Na sua essência,
como acabamos de dizer,
a filosofia foi sempre uma teoria ,uma consciência. Mas
se isto é assim,
novamente surge a pergunta: 'uma ciência de quê? 'O mundo
corpóreo é estudado
pela física, o da vida, pela biologia, o da consciência
pela psicologia, a
sociedade pela sociologia. O que fica para a filosofia como
ciência? Qual é o
seu terreno próprio? A esta pergunta respondem várias
escolas com respostas
muito variadas.(...) Cada uma delas tem,
os seus
argumentos e é defendida de maneira quase convincente. Cada
defensor destas
opiniões diz na cara dos outros partidários de outras
opiniões que não são, de
forma alguma, filósofos.(...) Parece, pois, que a filosofia não pode ser identificada com as ciências particulares nem limitada a um só terreno. É, em certo sentido, uma ciência universal.0 seu domínio não se limita, como o das outras ciências, a um terreno estritamente limitado. Mas, se isso é assim, ode acontecer e, de facto acontece, que a filosofia trate dos mesmos objectos de que se ocupam as outras ciências. Em que se distingue então a filosofia relativamente a uma ou outra ciência? Distingue-se -responderemos- tanto pelo seu métoodo como pelo seu ponto de vista. Pelo seu método, porque ao filósofo não é vedado nenhum dos métodos de conhecer. Assim, não está obrigado como o físico, a reduzi-lo aos fenómenos observados de forma sensível. Quer dizer ,o filósofo não tem de limitar-se ao método empírico. Pode também valer-se da intuição do dado e de outras coisas.
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| Facto
bruto e facto científico |
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