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IPANEMA - A ESTÓRIA


Houve um tempo em que Ipanema era um bairro sossegado, em que se podia ir correndo da casa para a Lagoa, sem ouvir barulho de tráfego.

Onde se podia andar ouvindo o canto dos pardais, que se abrigavam nos muitos oitis das ruas.
As águas da lagoa Rodrigo de Freitas eram azuis e limpas, o mar entrava e saía livremente pelo canal do Jardim de Alá, trazendo tainhas, robalos e outros peixes. Ipanema era um lugar em que as pessoas se reuniam na rua, cada rua tinha a sua turma. Naquela época havia muitos poetas e costumava-se conversar sobre poesia, era legal, era assunto. Não é atoa que a fama do poeta Vinícius surgiu ligada à Ipanema..

Em Ipanema, o sol, o céu e o mar estavam sempre presentes.O clima gostoso, o cheiro de maresia e a brisa constante, que vinha da praia e passeava pelos quintais das casas - e como haviam casas- e as vegetação que fazia parte dos quintais e das ruas, tornavam o clima ameno.

A praia sempre foi o ponto de refrencia e as pessoas fizeram dela a tradição, pois as pessoas iam à praia sempre que podiam - e claro naqueles tempos calmos, dava tempo para ir várias vezes à praias, cedinho para assistir ao arrastão e ver os pescadores tirando devagar a rede d´agua, cheia de peixes prateados, e ainda ir assistir ao por do sol, lindo, se refletindo no mar, ou ir até o canal do Jardim de Alá ver mais pescadores.

A praça Nossa Senhora da Paz era ponto de encontro, e as ruas Joana Angélica e Montenegro (hoje Vinicius de Moraes) eram a convergência dos artistas, poetas, e intelectuais, que se reuniam nos principais bares, como o Veloso (hoje Garota de Ipanema) e o Zepelin, onde se sentavam muitas vezes em grandes barris e era servido o chopp por muito amáveis e amigáveis garçons.. Esse quarteirão era um ponto importante de encontro, pincipalmente na praia.

A praia, cheia de árvores, com sua areia limpa e fina, com as plantas rasteiras, e a brisa que nos levava a olhar fundo o mar e ver ao longe as ilhas cagarras. Naquela época não havia surfistas no Arpoador, nem a favela, só se via o morro dos dois Irmãos e a pedra da Gávea, de onde não saiam as asas delta.

Hoje Ipanema ainda carrega essas memorias em muitos habitantes do lugar e, mesmo os mais novos que não tem memoria, reverencia essas lembranças, e sabem com elas são preciosas para manter a caracteristica básica de Ipanema, a sua alegria, a emoção de viver aqui e sentir ainda a brisa que vem do mar, misturada com sorrisos, músicas, e o tilintar das tulipas do chopp(com ou sem colarinho!)..

Tom Jobim, o grande compositor e maestro, era um dos ilustres frequentadores do Bar Veloso (hoje Garota de Ipanema), na Rua Montenegro, hoje Vinicius de Morais.

Tom orquestrava os garçons, clientes e amigos, fazendo arranjos de música e dando "vozes", para fazer um grande vocal.

No começo, quem chegasse tarde, não encontrava mais cadeiras e se sentava mesmo era em um dos barris.

Até o garçom Arlindo era convidado a participar do vocal.Depois de algumas rodadas de chopp, todo mundo cantava.

Tom tinha a musica no sangue,e,além de ser belo exteriormente, era uma pessoa linda por dentro, um poeta, e um imenso coração.

Às vezes se faziam reuniões, e Silvinha Teles, Baden Powell (o grande violonista!!), Candinho e muitos outros compositores, jornalistas e boêmios de Ipanema iam pelo prazer de estar juntos e cantar, contar piadas e conversar "fiado".

Era um privilégio participar daquelas reuniões, que por vezes se estendiam até a Tijuca, na casa do advogado Aloísio, onde posteriormente, Nara, Chico e Caetano passaram a frequentar..

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