Não vou ficar parado, não vou
passar batido, se
nada faz sentido, há muito o que
fazer”
(Engenheiros do Hawaii)
A greve de
docentes e técnico-administrativos da Universidade Federal do Piauí,
iniciada em 08 de julho, demonstrou diferentemente do que se esperava um
governo Lula que promove o continuísmo da política neoliberal de seus
antecessores, ao passo que sataniza o funcionalismo público como responsável
pelo "eterno" rombo das finanças do Estado. Diante de tal fato recente penso
ser necessário refletirmos o papel de uma entidade estudantil como o DCE e
avaliar a postura de sua direção denominada "todo o poder aos estudantes"
(?).
Em uma conjuntura
de um governo de frente popular como o de Lula urge as diversas categorias
possuírem direções que construam conjuntamente consigo processos
reivindicatórios, que não somente mantenham, mas ampliem direitos
históricos. Faltou à direção do DCE vontade política e compromisso de
convocar uma Assembléia Estudantil para explicar à comunidade discente os
motivos da greve, inclusive a urgência de iniciá-la naquele momento, o
porque da necessidade de posicionar-se contra a PEC 40/03, em que a Reforma
da Previdência nos atingiria, somar força com a ADUFPI e SINTUFPI e assim
elaborar uma pauta específica de reivindicações.
Percebemos que a
direção do DCE não demonstra disposição para o debate político amplo sobre
os "bons propósitos que o movimento estudantil deve seguir". Entretanto,
"fazendo a política dos iluminados, que concebem ações dentro de quatro
paredes, que muitas das vezes é estranha e contrária aos interesses e
ideário estudantis", limitou-se a somente prestar uma declaração ambígua de
apoio à greve. Assim como a direção majoritária da UNE, sob uma orientação
em nível nacional, a direção do DCE retirou-se do Comando Local de Greve (CLG),
apesar de nada contribuir - um boicote a greve. O que se constatou foi o
oportunismo em aparecer diante das câmeras e em fotos nas atividades
promovidas pelo CLG. Atualmente, a direção do DCE, isolada, encampa uma
campanha para "vereador ver".
A direção do DCE
tem se omitido ao debate no campo das idéias e negligenciado as instâncias
deliberativas do Movimento Estudantil. Após a greve na UFPI, pensa-se que o
maior prejuízo para a comunidade discente seria a perda de aulas.
Entretanto, pensamos no prejuízo político de uma entidade que se afastou da
base e das lutas do cotidiano, assim como tantas outras que capitularam ao
governo. Para resgatar o papel do DCE como entidade estudantil autônoma e de
luta é fundamental romper com sua burocratização e seu isolacionismo dentro
do movimento e do próprio campus. Se a greve contra a Reforma da
Previdência, as reivindicações estudantis e a união histórica entre
docentes, discentes e técnico-administrativos não faz nenhum sentido para a
atual direção é urgente construirmos uma nova alternativa para o Movimento
Estudantil na UFPI.