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Greve na UFPI: e a direção do DCE?

 

Magno Vila Castro Junior [Estudante de Ciências Sociais -UFPI e Militante do Movimento Ruptura Socialista] [Contato: br.groups.yahoo.com/group/mrspiaui] (Enviar e-mail)

 

                                                                       

                                                                                              Não vou ficar parado, não vou passar batido, se

                                                                                                                nada faz sentido, há muito o que fazer”

                                                                                                                (Engenheiros do Hawaii)

 

A greve de docentes e técnico-administrativos da Universidade Federal do Piauí, iniciada em 08 de julho, demonstrou diferentemente do que se esperava um governo Lula que promove o continuísmo da política neoliberal de seus antecessores, ao passo que sataniza o funcionalismo público como responsável pelo "eterno" rombo das finanças do Estado. Diante de tal fato recente penso ser necessário refletirmos o papel de uma entidade estudantil como o DCE e avaliar a postura de sua direção denominada "todo o poder aos estudantes" (?).

Em uma conjuntura de um governo de frente popular como o de Lula urge as diversas categorias possuírem direções que construam conjuntamente consigo processos reivindicatórios, que não somente mantenham, mas ampliem direitos históricos. Faltou à direção do DCE vontade política e compromisso de convocar uma Assembléia Estudantil para explicar à comunidade discente os motivos da greve, inclusive a urgência de iniciá-la naquele momento, o porque da necessidade de posicionar-se contra a PEC 40/03, em que a Reforma da Previdência nos atingiria, somar força com a ADUFPI e SINTUFPI e assim elaborar uma pauta específica de reivindicações.

Percebemos que a direção do DCE não demonstra disposição para o debate político amplo sobre os "bons propósitos que o movimento estudantil deve seguir". Entretanto, "fazendo a política dos iluminados, que concebem ações dentro de quatro paredes, que muitas das vezes é estranha e contrária aos interesses e ideário estudantis", limitou-se a somente prestar uma declaração ambígua de apoio à greve. Assim como a direção majoritária da UNE, sob uma orientação em nível nacional, a direção do DCE retirou-se do Comando Local de Greve (CLG), apesar de nada contribuir - um boicote a greve. O que se constatou foi o oportunismo em aparecer diante das câmeras e em fotos nas atividades promovidas pelo CLG. Atualmente, a direção do DCE, isolada, encampa uma campanha para "vereador ver".

A direção do DCE tem se omitido ao debate no campo das idéias e negligenciado as instâncias deliberativas do Movimento Estudantil. Após a greve na UFPI, pensa-se que o maior prejuízo para a comunidade discente seria a perda de aulas. Entretanto, pensamos no prejuízo político de uma entidade que se afastou da base e das lutas do cotidiano, assim como tantas outras que capitularam ao governo. Para resgatar o papel do DCE como entidade estudantil autônoma e de luta é fundamental romper com sua burocratização e seu isolacionismo dentro do movimento e do próprio campus. Se a greve contra a Reforma da Previdência, as reivindicações estudantis e a união histórica entre docentes, discentes e técnico-administrativos não faz nenhum sentido para a atual direção é urgente construirmos uma nova alternativa para o Movimento Estudantil na UFPI.

 
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Última atualização: 14/09/03.

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