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O direito e vida do homem em sociedade

 

Gadafy de Matos Zeidam [Formado em Engenharia Mecânica, é Fiscal de Contribuições Previdenciárias, e aluno de Direito e de Filosofia da UFPI] (Enviar e-mail)

 

É necessário ao ser humano viver em sociedade. Aqui não se discorrerá se este modo de viver, ou melhor, de conviver, é um processo natural, artificial ou mesmo se tem fundamento teológico: “Javé Deus disse: 'Não é bom que o homem esteja sozinho. Vou fazer para ele uma auxiliar que lhe seja semelhante'.” (in Gênesis)
Também é característica do ser humano a liberdade; para Sartre, a liberdade é a própria essência do homem: “Todos nascemos condenados a ser livres.” (in O Ser e o Nada)

Conciliar, então, a vida em sociedade e a liberdade do homem é a grande tarefa de qualquer grupo social para a sua sobrevivência enquanto grupo, entendendo-se por grupo desde o conjunto de pessoas que compõe uma família até o conjunto maior que compõe a humanidade.

E como limitar o crescimento de nossos “círculos pessoais de egoísmo” (expressão de Pietro Ubaldi), de modo que seja possível ao homem a convivência com seu semelhante? Como fazer a conformação de nossos direitos pela aceitação dos direitos de nosso semelhante?

Vários são os meios de controle social, destacando-se as normas de trato social, as morais, as religiosas e as jurídicas, espécies de um gênero normativo que se convencionou chamar Ética. Tais normas apresentam um crescente do poder cogente, e deste poder coercitivo resulta a conformação da liberdade do homem, condição necessária à vida social, conforme se destacou.

Indiscutivelmente que as normas jurídicas contribuem para a vida em sociedade, são elas que carregam a coerção legal, constituída através de força estatal, mas aceitar o Direito como solução final aos problemas sociais é comparar o homem a um burro encangalhado, que só segue para frente por medo de receber um açoite.

O Direito é, sim, instrumento eficaz e imprescindível de controle social e de controle do próprio poder de coerção do Estado, mas a viabilidade da vida em socidade e o seu aperfeiçoamento carecem antes de uma formação educacional integral e solidária e não das atuais formações individual-competitivas, uma educação que seja capaz de semear no ser humano uma nova razão, razão que repudie a naturalidade dos vinte e cinco milhões de miseráveis com renda de 1 real ao dia no país das desigualdades chamado Brasil, razão que leve os homens a procurar soluções para uma melhor distribuição de renda, razão que faça o homem a razão do Direito, e não o Direito a razão do homem.

 
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Última atualização: 14/09/03.

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