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"QUANTO A MINHA
MEDIUNIDADE, CHEGUEI A UM ESTADO DE CERTEZA TAL, QUE
SE EU DISSER QUE ESSES LIVROS PERTENCEM À MIM EU
ESTAREI COMETENDO UMA FRAUDE, PELA QUAL EU VOU
RESPONDER DE MANEIRA MUITO GRAVE DEPOIS DA PARTIDA
DESTE MUNDO."
Chico Xavier
(PINGA-FOGO, Edicel)
"Francisco
Cândido Xavier, ou Chico Xavier, é o médium mais
conhecido da atualidade, no Brasil e no exterior, e
com maior tempo de atividade mediúnica: 72 anos.
Nascido na cidade de Pedro Leopoldo, Minas Gerais, em
02 de Abril de 1910, iniciou-se no Espiritismo ao 17
anos.
Auxiliado pelo irmão José Cândido Xavier, fundou o
Centro Espírita Luiz Gonzaga, em maio de 1927. Em 8
de julho do mesmo ano, psicografou pela primeira vez,
recebendo uma mensagem de 17 páginas, de um
Espírito Amigo, e que versava sobre Deveres
Espíritas.
Mas José Xavier adoeceu, vindo a falecer em seguida,
e o médium, sempre assediado por multidões
súplices e sofredoras e rodeado de amigos e
admiradores, chegou a trabalhar sozinho, por muito
tempo, entre perseguições e preconceitos, por
absoluta falta de companheiros.
No final de 1931, conheceu Emmanuel, seu luminoso
guia, e a partir daí iniciou-se o que se pode chamar
de "sublime ponte" entre o Céu e a Terra.
Sob a sua orientação espiritual, Chico Xavier
psicografou milhares de páginas de instrução,
educação e consolo, ditadas por inúmeros
Espíritos, e compiladas em quatrocentos e dois
livros, sendo que o último, chamado "Degraus da
Vida" (Cornélio Pires, Editora CEU), foi
publicado em 1996.
Muitos deles foram traduzidos para outras línguas,
quais o inglês, o espanhol e o esperanto.
A renda da venda dos livros, uma admirável fortuna,
foi, desde o início, totalmente doada em favor de
hospitais, asilos, orfanatos e outras Instituições
Beneficentes, vivendo Chico Xavier de seu parco
salário de humilde funcionário público.
A máxima de Jesus: "Daí de graça o que de
graça recebestes" foi o lema deste formidável
trabalhador cristão, no trato com o dinheiro havido
de sua mediunidade abençoada.
Mesmo doente e em idade avançada, compareceu, sempre
que possível, aos sábados à noite, no Grupo
Espírita da Prece, para receber as centenas de
pessoas que se comprimiam no local, ansiosas por uma
palavra de carinho, que ele tinha sempre para todos,
e por seu gesto de amor, uma característica
especial: o beijo terno nas mãos que o procuravam...
Chico Xavier residiu por muitos anos em Uberaba,
Minas Gerais, Brasil, desencarnando com a idade de 92
anos.
(Biografia exclusiva do Site Espírita André Luiz)
Mais
informações sobre Chico Xavier, sua vida, sua
mediunidade e livros publicados:
Federação Espírita
Brasileira
Grupo Espírita Emmanuel
C. E. Nosso Lar - Casas André
Luiz
UMA NOITE COM CHICO XAVIER
"É noite de sábado de
um novembro quente, ano de 1998. Estamos em
Uberaba, uma amiga e eu. Agradavelmente envolvidas
pela expectativa de rever o Chico, nos dirigimos até
o Grupo Espírita da Prece.
Uma saudade imensa do querido médium levou-nos até
ele, saudade esta reavivada ultimamente pelos
inúmeros comentários na mídia espírita acerca da
possibilidade de ser ele a reencarnação de Allan
Kardec.
Mas lá chegando, penso que o Brasil inteiro sentiu a
mesma saudade.
São 18:30 horas quando adentramos o Centro. Portões
abertos, vemos que muita gente já se comprime lá
dentro. Junto à entrada do salão, cuja porta ainda
se encontra fechada, dezenas de pessoas sentadas no
chão, em fila, formam uma alegre serpente humana.
Outras, menos ansiosas, compram camisetas com
estampas do Chico, escolhem livros e comem e bebem na
pequena lanchonete, posicionada à direita de quem
entra (a coxinha é deliciosamente apimentada!). Ou
simplesmente passeiam distraídas pelo pequeno
jardim, aguardando o início dos trabalhos e
suscitando cômico desespero num jovem trabalhador da
Casa, encarregado, obviamente, de tomar conta do
gramado.
- Tudo bem com o senhor, seu doutor? - diz ele,
sorridente, ao visitante descuidado, sibilando em
seguida: - E a grama, aí embaixo, está macia?
- Opa! Desculpe...
E lá vai o jovenzinho em sua faina ingrata de
arredar de cima da "sua grama" as centenas
de pessoas que se acotovelam, sem conforto algum, por
todos os lugares, à espera do Chico.
E afinal, o Chico, vem ou não vem? Será que
abraçaremos o querido médium ou, frustradas,
retornaremos à Curitiba de mãos abanando?
"Parece que está muito doente, acho que não
vem, não."
"Ouvi dizer que ele vem."
"O Chico tem vindo todos os sábados, mas parece
que não passou bem a semana..."
Os comentários se sucedem e a expectativa cresce com
a freqüência. Ônibus lotados despejam infinidades
de rostos junto à entrada e o calor começa a
incomodar. Moscas voejam à vontade sobre nossas
cabeças, enquanto procuramos não perder nosso lugar
na fila.
Por volta das 20 horas, ouvem-se palmas, gritos e uma
onda de alegria varre a multidão: o Chico chegou. O
velho e alquebrado médium, reunindo forças sabe
Deus de onde, comparece da forma como o faz, há
setenta anos: sorrindo e acenando para o povo, que
lhe vem ao encontro. Criança feliz, parece agradecer
ao Senhor a dádiva de estar ali, oportunizando uma
nova lição para todos.
E o povo, quase em lágrimas, dando graças e orando,
aguarda o instante de entrar e assentar-se.
Há gente demais, todavia. E poucos conseguem
ingressar no acanhado salão. Enquanto é efetuada a
leitura do Evangelho (A necessidade da Caridade
segundo São Paulo, Cap. XV, item 6), para poucos
"privilegiados", lá fora, onde também
estamos, a revolta começa a tomar corpo entre os
excluídos, e a ânsia de entrar descamba para um
empurra-empurra perigoso, envolvendo cidadãos
aparentemente acima de qualquer grosseria.
A prece e o pranto alegre de há pouco diluem-se
rapidamente por entre as brumas amargas da
decepção. Sei o que sentem meus companheiros
eventuais: já passei por isso igualmente.
A propaganda maciça em torno do fenômeno Chico
Xavier e seus espantosos feitos mediúnicos, por
décadas inteiras, criou no imaginário popular uma
expectativa errônea acerca do trabalho do médium e
de suas possibilidades reais de atendimento popular.
Para a maioria esmagadora dos crentes que vai a
Uberaba, pela primeira vez, é ponto pacífico que
Chico acolherá a todos de braços abertos e lhes
ouvirá as dores e os problemas, pacientemente, um a
um, para resolvê-los, afinal, através de curas,
psicografias e revelações, da forma grandiloqüente
e romântica como é mostrada num grande número de
livros e publicações que lhe contam os casos e as
histórias.
Como aceitar agora que estão "do lado de
fora"? Ou pior: "que estão fora" do
róseo mundo encantado dos milagres espirituais
instantâneos?
Conseqüentemente, quando Chico Xavier começa a
psicografar, mais aquele povo, que o aplaudiu pouco
antes, se irrita e força passagem. Num minguado
pedaço de chão coberto (5 x 8 mts, mais ou menos)
cerca de uma centena de pessoas procura
desesperadamente passar à frente umas da outras,
usando de empurrões e cotoveladas. A histeria
cresce, obrigando a Casa a suspender os trabalhos.
Ouvem-se gritos e risadas, enquanto o objetivo da
turba é invadir o salão a qualquer preço.
Pergunto à algumas daquelas pessoas por que estão
agindo dessa forma, nos empurrando, passando a força
à nossa frente, nos ferindo, inclusive, e todas elas
respondem, convictas: "Precisamos ver o
Chico!"
Hoje, a Galiléia fica em Uberaba.
Alguns abandonam o lugar, e também nós nos
decidimos prudentemente por uma retirada
estratégica. Melhor beber um refrigerante e aguardar
a oportunidade de abraçar o Chico, começando
novamente pelo começo, ou seja: no final da fila.
Mas lá na frente, onde estávamos, a situação fica
insustentável. Temendo seu agravamento, um
trabalhador da Casa toma do microfone e chama o povo
aos brios, recordando-lhes o lugar onde se encontram.
Se não ficarem quietos, diz, Chico Xavier irá
embora. Chico Xavier irá embora, repete, se
continuarem insistindo em entrar a força. Depois do
silêncio estabelecido, pergunta sucintamente:
- O que vocês vieram buscar aqui? Hein? O que vocês
vieram buscar aqui?
A turba se recompõe, aparentemente envergonhada,
entre pigarros e risadinhas. Mais alguns minutos, e
recomeça a psicografia. Finda a tarefa, encerra-se a
reunião com uma prece, efetuando-se a seguir a
leitura das mensagens grafadas.
Emmanuel comparece através de uma médium da mesa,
doando-nos bela mensagem sobre a Caridade.
Seu traço inconfundível, na construção das
palavras, surge encantador e objetivo nos conceitos
emitidos, mas a expectativa real gira em torno do
Chico.
O aluno superou o mestre? Não. Emmanuel não é
menos Emmanuel através de outro médium; apenas,
aparentemente, a idolatria não o reconhece distante
da mediunidade do Chico.
O microfone então é passado para ele e, lá fora, o
silêncio é quase palpável. De quem será a
mensagem psicografada? Qual o seu conteúdo? Para
"quem" é dirigida?
E Chico Xavier começa:
"Evangelização.
"Quando o Senhor já estava na cruz, entre os
dois companheiros, vendo seu amado povo de Israel,
com alguns soldados romanos, em perturbação, sem
rumo e sem paz, a gritar: "Crucifica!",
ei-lo que exclama: "Perdoa-lhes, meu Pai, porque
não sabem o que fazem..."
Chico lê com enorme dificuldade, fazendo longas
pausas, e quase não conseguimos entendê-lo..
"... no século 20, somos induzidos a pensar em
muitos autores da crucificação, que já passaram
pela reencarnação 20, 22, às vezes 30 vezes e que
continuam, como tantos outros entes humanos da época
do sacrifício do Senhor, mostrando para nós que o
perdão dos Céus foi concedido sob condições e
dividido em estâncias no tempo; obrigando-nos a
meditar no aproveitamento dos dias e das horas,
compreendendo a necessidade de
Evangelização..."
Estranhamente, o tema não prende a atenção do povo
por muito tempo. Evangelização? Ora, isso é
atividade para os Centros Espíritas, nas manhãs de
domingo, coisa para crianças e jovens... Logo,
conversas despontam em voz alta, desinteressadas da
leitura, e uma sinfonia de tosses impede a
compreensão de grande parte da mensagem.
Mas, bravamente, Chico continua:
"... necessidade do estudo do Testamento Antigo
e dos Evangelhos, para nosso benefício... Do exame e
da tradução das letras sagradas, com as
explicações dos Profetas e dos Apóstolos, de modo
que nos edifiquemos nas Leis Divinas...
"... Todas as famílias devem consagrar
determinado dia da semana para exercitar e
compreender o Evangelho, no proveito integral. É
impieroso refletir no perdão do Senhor dentro das
possibilidades da existência terrestre...
"Rogamos à todos desta reunião o serviço da
Evangelização, abrangendo não só as crianças e
os jovens, mas todos os adultos e inclusive os
doentes nos hospitais.
"Somente assim poderemos construir pedaço a
pedaço a paz e o amor ao semelhante; a verdade e o
bem, o perdão e a luz, para entalharmos em nossas
vidas o bendito reino de Jesus.
Bezerra de Menezes."
Evangelizar é preciso... Idolatrar não é preciso.
Recebíamos naquele momento a lição que o plano
espiritual ministrava, não somente às nós, que
visitávamos Chico Xavier naquela noite, mas à toda
classe espírita brasileira, dividida, ultimamente,
entre a idolatria e a discussão estéril.
Início da madrugada, pudemos nos aproximar,
finalmente, para o encontro esperado. Chegando minha
vez, a recepcionista alerta, friamente, que não devo
conversar com o Chico: "Apenas cumprimente e
saia", diz ela, meio ríspida. Um pouco
decepcionada, e sem saber o que fazer, seguro em
silêncio a mão que ele me estende, sem acreditar no
que ouço, então:
- Que bom que você está aqui, minha amiguinha! Sua
presença é sempre motivo de muita alegria para
nós, seja bem-vinda! - diz Chico, carinhoso,
desobedecendo por mim as ordens da recepcionista e
fazendo rir os demais integrantes da mesa.
O velho e bom Chico é e será sempre o dono da
situação.
De volta à Curitiba, a longa viagem de ônibus
proporciona bons momentos de reflexão, e, recordando
o material, contra e a favor, surgido na imprensa
espírita, ultimamente, acerca da malfadada hipótese
de ser Chico a reencarnação de Kardec, descubro-lhe
a analogia perfeita com a multidão que acorreu ao
Grupo Espírita da Prece, neste dia 07 de novembro de
1998, ora para aplaudir o Chico, ora para
maldizê-lo.
Senão vejamos: para adorá-lo, alguns não hesitaram
em colocar sua segurança e a segurança geral em
risco; para muitos escarnecê-lo, bastou a insensatez
dos primeiros.
Dizer-se categoricamente que Chico Xavier é a
reencarnação de Allan Kardec é tão maldoso e
improcedente quanto formular frases como: "Chico
não pode ser Kardec, porque Kardec não aceitava
tudo o que os Espíritos diziam".
Nada de bom produzem a idolatria ou o chiste.
O passado espiritual de Chico, bem como seu futuro,
pertencem à ele, somente.
Respeitemos seu presente, através de tal certeza.
Mas, indiferente ao que dizem ou deixam de dizer, a
seu respeito, Chico Xavier continua comparecendo ao
"seu" Centro, psicografando verdades que
ainda precisamos ouvir e beijando a mão de amigos e
de agressores, com o mesmo amor.
Fiel à Jesus e à sua tarefa, jamais o vimos em
repentes de vaidade, dizendo-se reencarnação dessa
ou daquela personagem.
Mas o que vamos enxergando mesmo, dentro dos
círculos espíritas do país, não é tão somente
uma tentativa de santificação do médium Chico
Xavier, sob a forma de ingênua idolatria, mas sim,
lamentavelmente, uma bem urdida trama para
desmoralizá-lo, e à Doutrina, mais uma vez..." (Lori Marli dos
Santos)
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