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Planeta passa a conhecer o genial "O Deconhecido" Desde Cidadão Kane um filme não era tão falado
Em meio ao deserto de criatividade e a inundação de dilemas adolescentes e tramas de crimes com desfecho absolutamente previsível, um filme feito por estudantes de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina explora um tema, digamos, inusitado: tendinite. Plácido Hugo´s: O Deconhecido (Brasil, 1999 - 7,5 min) vai contra todas as correntes do cinema brasileiro e mundial e não perdoa ninguém para contar uma história simples, sem intelectualismos ou afetações. A trama se desenrola num passado recente onde o jovem místico Rhycardo Dida (Gabriel Rocha) tenta conquistar sua amada Ametista (Andréia Passos) que, obviamente, não lhe dá a mínima bola. Ele, um iniciado nos segredos da magia negra, faz então uma troca com o demônio Ohnirgam: para ter a garota, deve abrir mão de suas práticas onanistas. Do contrário, as dores em seus pulsos provocadas por uma tendinite maligna serão insuportáveis. Dida tem que lutar contra seus desejos secretos para aproveitar o prazer que um pacto com o demônio proporciona. E Ametista, mesmo contra todos os avisos e advertências das amigas, subitamente cai de amores pelo místico. A paz do casal não dura muito e, antes que o sol se ponha e a quarta lua de Júpiter entre em conjunção com Vênus, Rhycardo terá que acertar as contas com as forças do "deconhecido". Façanha de Guiness - Filmado com atores iniciantes e praticamente sem roteiro, o filme tinha tudo para ser um fracasso. O diretor Eduardo Kormives contou apenas com um argumento imaginado por oito pessoas, quando estas já estavam há horas bebendo em um bar, e ia definindo as tomadas em conjunto com o elenco. Sem falar no orçamento praticamente inexistente. Numa façanha digna do Guiness Book, a única coisa comprada durante as filmagens foi um pacote de bolachas "Trakinas" - essencial para o desfecho da história - por R$ 0,90. Apesar das dificuldades de produção, o filme arrebatou três dos seis prêmios no festival de vídeos "É tudo Mentira", o maior prêmio de que se tem notícia no cinema catarinense. Numa noite de festa no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis, o júri consagrou O Deconhecido com os prêmios de originalidade e melhor ator para Fabrício Rodrigues, em interpretação magistral do demônio Ohnirgam. Além dos prêmios dos especialistas, O Deconhecido foi o escolhido pela audiência, numa disputa com outras 11 produções milionárias que chegaram a usar carros e promover festas dionisíacas para atrair o voto dos espectadores. Não há como negar, porém, as diversas limitações técnicas encontradas no resultado final. Para ouvidos menos treinados, os diálogos dificilmente são compreendidos e a câmara e as imagens tremidas são constantes. Mas como no Dogma 95, movimento dinamarquês com o qual a estética de O Deconhecido está sendo comparada pela crítica, essas aparentes dificuldades se revertem num trunfo contra a mesmice do cinema comercial de hoje. A única concessão será quanto a legendagem de alguns trechos essenciais para a compreensão da história; mesmo assim, segundo o diretor Kormives, "no mais legítimo portunhol de Canasvieiras". * Repórter do Pomerode Zeitung, especial para a Agência C,H,MC. |
Assista o trailer e o filme: "Plácido Hugo's: O Deconhecido" |