Capitulo 6 - The Dead Walk
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18 de Agosto de 2007. Santana - Centro - SP, sudeste do Brasil.
14h25min PM
Cidade grande... Incontável número de pessoas andando pelas
ruas todos os dias indo trabalhar, passear, procurar emprego... Ir ver o
namorado...
Todos esses casos de ataques canibais não pareciam afetar a rotina
dos Paulistanos que seguiam seus destinos tranquilamente, sem temer que a
próxima vítima poderia ser qualquer um ali presente. Muitos
se preveniam colocando mascaras para evitar qualquer contagio de alguma doença.
Era o caso de Andressa, uma linda mulher de dezoito anos, cabelos ruivos
e lisos, corpo atlético e muito atraente, muitos dos homens que passavam
por perto assobiavam ou tentavam tocar nela, mas ela é do tipo durona,
fez muitas artes marciais durante toda sua vida e tem uma personalidade muito
forte. Mesmo sabendo de todos esses acontecimentos, ela insiste em ver seu
namorado, que por certa ironia do destino, mora longe. E lá está ela
esperando o metrô por cerca de trinta e cinco minutos, o lugar está apertado.
Como sempre quando ela sai de sua casa, sua mãe fala para ela tomar
muito cuidado e voltar logo. “Pode ficar tranqüila, mãe.
Até mais!” Ela responde com entusiasmo.
O metrô chega... Centenas de pessoas empurrando umas as outras para
ter um espaço dentro de algum vagão. Andressa consegue entrar,
mas não sabe se vai conseguir sair com a quantidade de pessoas lá dentro.
Depois que esses casos começaram a aparecer, a vida de todas as pessoas
se tornou um inferno para quem necessita de transportes públicos.
Ela apenas esperava em pé, até chegar na estação
desejada e poder esperar mais uma hora pelo trem.
Mauá – SP - 15h40min...
O nervosismo tomava conta de Lennon. Já era para Andressa ter chegado
há muito tempo nessa estação. E ficar lá parado
dando sopa, ele sabia que poderia ser a próxima vítima de qualquer
ataque. “Tenho que avisar minha mãe que ainda estou esperando
ela chegar! Ela é outra que deve estar se roendo toda por eu ainda
não ter chegado em casa.” Desde às 13 hrs, só passaram
na estação cinco trens que iam para Luz e quatro que voltavam
para a estação Rio Grande da Serra... Cinco, agora que estava
vindo um:
- Ela tem que estar nesse! Droga... Eu deveria ter insistido mais para ela
ter ficado na sua casa! Sair está muito perigoso. Onde eu estava com
a cabeça quando deixei ela vir... Saco! – Lennon já começava
a não conseguir mais controlar sua calma e nervosismo e logo o pior
vinha até sua cabeça. – Pelo amor de Deus, aparece Andressa!
Aparece nesse trem, por favor! – O trem estava parando. Ele ficava
atento, com o olhar variando para todos os vagões que sua visão
podia enxergar. Aos poucos as portas iam se abrindo e algumas pessoas iam
saindo rapidamente. Em um vagão, lá no fundo, as pessoas saiam
desesperadas e gritando, umas cinco pessoas saiam rapidamente desse vagão – Que
droga pode ser agora? – Lennon então subiu um pouco a passarela
ao seu lado para ver o que estava se passando lá dentro e viu Andressa
abaixada em um banco, tentando se esconder de alguma coisa... Ou de alguém. – Droga! – Outra
pessoa pôde ser vista um pouco mais à frente de Andressa procurando
por alguma coisa virando a cabeça rapidamente. Era um deles! Lennon
não exitou em pular a catraca e correr até lá, sem lembrar
que estava de mãos vazias, ou sem se preocupar. Logo, as portas começaram
a se fechar, mas Lennon colocou a mão na porta fazendo ela se abrir
novamente, porém, o zumbi olhou com aquele rosto assustado e sem vida
para ele e soltou um choro estranho antes de pular para cima do garoto.
- Lennon!!! – Andressa foi mais rápida, pois ao perceber o Lennon
já havia corrido de seus aposentos e acertado um tremendo soco no
rosto daquela criatura. Mas aquilo só fez o homem de aparência
velha ir alguns passos para trás, mas foi o tempo suficiente para
os dois saírem do trem e correrem para fora da estação
o mais rápido possível. Os guardas daquele local haviam atravessado
a estação e foram verificar o que estava acontecendo. – Tem
zumbi aí dentro!!! Não vão! – Andressa gritava
para os guardas temendo o que poderia acontecer com eles. Mas já era
tarde e os guardas estavam frente a frente com o zumbi q saíra do
vagão. O trem começou a partir.
- Você ai, parado ou vamos ter que partir para a agressão física! – Um
dos guardas falava com voz ameaçadora e se preparando com seu cassetete.
O segundo guarda fazia o mesmo. O único problema era que o Zumbi parecia
não dar atenção e seguia cada vez mais rápido
para cima dos dois.
- Porcaria! – Exclamava o segundo guarda olhando vez para o zumbi,
vez para o seu parceiro para ver a reação que deveria tomar.
- Mata ele! – Lennon tentava ir ajudar os guardas, mas Andressa o segurava
fazendo-os seguir para o mais longe possível de lá. Ouviram-se
apenas gritos de desespero, e vinham dos guardas e de algumas pessoas que
olhavam o que acontecia. Os dois não ficaram para ver o que iria acontecer.
Andressa não deixou. – Eu preciso ajudar eles!!! Me solta!!!
- Você não pode fazer nada! Já é tarde demais
para fazer alguma coisa!!! Vamos embora daqui o mais rápido possível!
- Preciso avisar aos meus pais para ficarem em casa e não saírem
por nada! – Eles já atravessavam a passarela e saiam da estação.
- A gente precisa avisar o pessoal da academia! Eu não vou deixar
que aconteça nada com eles!!! – Andressa reclamava.
- Ok! Mas precisamos de algum lugar seguro para todo mundo! – Naquele
instante, ouviu-se buzinas e derrapes. Eles estavam numa avenida e o movimento
era grande. Um carro virou bruscamente e bateu num poste mais à frente.
Lennon e Andressa observavam parados e com os olhares fixados, sem piscar.
Alguns outros carros que estavam atrás tiveram que frear rapidamente
também. Uns bateram nos outros, mas nada tão grave que nem
o primeiro carro. Pessoas saiam de seus carros para verificar o estrago,
outras que passavam olhavam de longe. Os dois não conseguiam se mexer.
- Meu Deus do c... – A porta do carro que estava batido no poste se
abriu rapidamente e caiu no chão com o impacto que fez. Todos olhavam
atentamente, pois a batida foi desastrosa e não havia chances de quem
estava lá dentro sobreviver.
- Olha! Está saindo alguém de lá! – Alguém,
num ato de espanto disse em voz alta. – Logo, Uma mulher saia do carro.
Cabelo bagunçado, roupa avermelhada, não dava para enxergar
seu rosto. Gotas de alguma substancia vermelha caia de seu rosto e da manga
de sua camisa social.
- Ela está bem?
- Misericórdia! – Pessoas sussurravam e algumas iam chegando
perto, quando se deu para perceber os dentes rangendo e um som escroto saindo
de suas cordas vocais.
- Saiam daqui! É um zumbi! Não estão vendo!? – Lennon
observando a cena não pode agüentar e gritou. Mas já era
tarde demais para a pobre senhora que chegava perto para verificar se a mulher
estava bem. Em poucos segundos, quem não estava bem era a senhora
que teve metade do pescoço arrancado com uma mordida certeira.
- Vamos embora, Lennon! – Andressa se remoia por dentro, querendo apenas
estar em algum lugar seguro. Toda aquela bagunça fez com que os carros
que chegassem formassem um grande congestionamento. Pessoas reclamavam, outras
saiam de seus carros para ver qual o motivo de toda aquela bagunça à frente.
- Pra que lado?! – Minha casa fica pra cá e a academia fica
pra esse! – O impulso do medo os levava para o lado que ia para a academia,
o outro lado estava ocorrendo muita bagunça e pessoas corriam pra
todos os lados por causa do zumbi que ali se encontrava.
- Vamos ficar longe daqui ai você liga pra sua mãe!
- Ta certo!
Os dois corriam o máximo possível pela avenida. O caminho era
muito longo até o destino que queriam chegar. Uma moto ou um carro
seria de bom proveito, pena que nenhum deles sabia dirigir... Nenhum deles
tinha uma moto ou um carro. Isso não fazia diferença agora,
pois se eles quisessem carro ou motos eram coisas que não faltava
naquela avenida. Muitos dos proprietários deixavam seus aposentos
para verificar a bagunça.
Enquanto isso...
Foz do Iguaçu – PR – Sul do Brasil. 16h00min
A coisa não aparentava estar tão feia na cidade onde André morava.
Não quanto São Paulo. Mas hora ou outra se escutava tiros vindo
dos policiais que estavam fazendo rondas o tempo todo, outras vezes, até mesmo
de pessoas comuns, que começaram a esquecer que o governo havia feito
uma lei de desarmamento, e se preocupavam muito mais com a segurança.
O sol estava escondido atrás de algumas nuvens, e não era tão
forte já aquela hora da tarde. André atravessava a cidade com
um gol vermelho. “Ainda bem que o Roberto resolveu me ajudar e por
algum milagre me emprestou o carro dele! Eu não iria andar tudo isso
e nem ia ficar gastando dinheiro com passagens de ônibus!”. André pensava
enquanto dirigia já chegando onde desejava chegar. Tinha saído
da parte urbana da cidade fazia uns quinze minutos e subia uma colina. A
poucos quilômetros dali, ficava a fronteira com o Paraguai, mas ele
não precisava se preocupar com isso, já estava chegando onde
queria:
- Ali está! – No topo daquela colina surgia uma construção.
Imponente e muito bem estruturada, com muros altos e resistentes, portões
de aço e elevadiços. Talvez tenha uns três ou quatro
andares. Era enorme. Parecia ser destino, André sabia que aquela fábrica
era o lugar ideal para ficar e se tudo desse certo... – Só espero
que ninguém tenha tomado posse. Um lugar desses, abandonado ainda! É uma
mina de ouro, principalmente agora.
No portão principal, havia em letras grandes e bem desenhadas o nome “Serralheria Árvore
Feliz”. André nunca teve curiosidade em saber o que essa fábrica
produzia, agora sabia - humn... Um nome bem irônico... – Ele
apreciava o local enquanto ia parando o carro em frente ao portão
principal. O local estava em completa solidão, digno de filmes de
suspense e terror. Não tinha nada nem ninguém que indicasse
que era proibida a entrada de estranhos, o que ele achou estranho, pois ninguém
havia tomado posse do lugar ainda e tudo parecia em bom estado, a não
ser talvez a ausência de energia elétrica. Não. Ele não
podia pensar nem ter qualquer tipo de pensamento sem antes entrar lá e
ver com os próprios olhos se não havia nada errado com o lugar
e permanecer parado olhando aquela fábrica enorme não parecia
ser a melhor opção. Mas agora ele não permanecia parado
apenas olhando a fábrica, André pensava em como entrar lá sem
precisar usar nenhuma de suas “belezinhas” e acabar por destruir
o local, e foi ai que lembrou de algumas coisas que deixara no banco de trás
e no meio dessas coisas estavam equipamentos pontudos, finos, grandes, eram
de ferro. Então André pegou todos esses equipamentos e foi
até o portão principal onde tinha uma enorme fechadura que
prendia uma corrente maior ainda que transpassava o portão em mais
ou menos duas ou três voltas, cada volta em uma direção
diferente. O objeto escolhido foi o maior que tinha em suas mãos.
André então largou os outros e começou a tentar abrir
aquela fechadura com o objeto, assim como os espiões fazem nos filmes
e jogos, e isso exigia muita paciência.
Interior de São Paulo – SP - 16h50min PM
Yekaterina havia percebido o tópico apenas hoje, pois não
teve tempo de entrar na internet depois do que aconteceu com ela na noite
do dia anterior e naquele mesmo tópico aproveitou para escrever os
acontecimentos. Sua família estava em luto, talvez assim como centenas
de outras famílias e não existia muita conversa, apenas o essencial.
Porém seu tio percebeu que Yekaterina estava muito quieta para o jeito
dela, e branca:
- Sinto muito pelo que aconteceu com Lirian.
-... – Yekaterina continuava olhando para o computador sem mudar sua
expressão e nem dar atenção ao seu tio.
- As ruas estão perigosas ultimamente e acho melhor você não
sair hoje até tudo ficar bem. – Ele não sabia que ela
já sabia de tudo isso e o que aconteceu com ela depois de ela se despedir
dele, por isso falava sem perceber que estava sendo um pequeno incomodo para
Yekaterina no momento. – Aqueles loucos parecem estar se espalhando
por toda parte! Você acha que são mesmo z...
- Zumbis. – Ela terminou interrompendo seu tio que no mesmo instante
parece ter sido abatido por um raio. – Ontem eu fui atacada por uma
dessas coisas, mas está tudo bem comigo, sem nenhum arranhão
nem mordida. – Ela continuava sem mudar o tom de voz nem sua expressão,
mostrando severa calma com tudo que estava acontecendo.
- Mas... Mas, tem certeza disso!? – A voz de Sulivan aumentou drasticamente
e ele então voltou a falar baixo para não chamar a atenção
de ninguém. – Quero dizer... São realmente zumbis essas
pessoas que estão atacando as outras e estão por toda a parte
no centro? Temos que fazer alguma coisa urgentemente antes que isso fique
pior por aqui!
- Já estou fazendo alguma coisa! – Sulivan voltou sua atenção
para o computador e viu que ela estava conversando com algum pessoal da comunidade
que ela havia entrado faz um tempo, mas que ele não gostava muito.
- Como você é idiota! – reclamou seu tio. – Você acha
que esses bandos de crianças vão sair de onde estão
para salvar a gente? Eles não podem salvar nem a si mesmos!
- Mas eles acreditavam nisso e sabiam que provavelmente isso aconteceria
cedo ou tarde bem antes de todo mundo aqui! E você que não acreditava!
Eles estavam e estão certos não é verdade? Me deixe
em paz ta bom? Eu acredito nesse pessoal e sei que eles virão ajudar
assim que conseguirem se unir!
-...
A voz de seu tio calou por um tempo e pôde-se ouvir os ruídos
dos afazeres domésticos na cozinha e nos outros cômodos. Sulivan
a observou por algum instante e saiu do quarto de Yekaterina parecendo tenso
demais para falar alguma coisa.
Confiar a vida de sua família e a sua própria à pessoas
na qual ela nunca viu na vida e só conhece pela internet... Logicamente
ela não esperaria por eles de braços cruzados e agiria de alguma
forma para se proteger e prevenir sua família contra esse vírus
e aos zumbis. Ter treinado boxe parece que não iria adiantar muito
e andar para todos os lados com seu skate era prioridade já que ele
salvou sua vida uma vez, poderia então muito bem salvar de novo:
- Eu não posso esconder para ninguém que estamos lhe dando
contra zumbis. – Ela sussurrava cabisbaixa enquanto refletia sobre
o futuro de todos. – Eu não sei como ninguém se deu conta
de que estamos correndo um perigo muito grande e que eles são zumbis.
Talvez ninguém nunca assistiu a filmes de terror com mortos vivos
ou... – A sua voz não saiu por um tempo, mas logo continuou – eles
não queiram acreditar... – Ao terminar a frase balançou
a cabeça lamentando a morte de sua prima e o desaparecimento de seu
primo.
Gritos de repente puderam ser escutados. Pessoas corriam desesperadas de
alguma coisa. Yekaterina, no puro reflexo levantou a cabeça e saiu
de seu quarto, e ao sair para o quintal de sua casa seu tio estava vindo
correndo:
- Eles estão aqui!- choramingava enquanto passava por ela e entrava
na casa falando alto para todos fecharem as portas e janelas. – Vamos
rápido!
-Yekaterina entre! – Uma voz feminina saia de dentro da casa. Mas ela
estava surda. Continuava a caminhar até o portão de sua casa
sem parecer perceber as ordens dadas e logo parou em frente ao portão
meio enferrujado e esverdeado e observou a cena sem piscar nem mexer nenhum
músculo.
As pessoas corriam desesperadas, tropeçando na própria velocidade,
algumas caiam. Muitos gritos. Um som do inferno pode ser ouvido mais ao fundo
e chegando cada vez mais perto, passando por entre as ruas e vindo ao encontro
daquelas pessoas que corriam à frente. Ela só podia ver o que
passava pelo portão. Foi então que uma palavra chamou a atenção
de Yekaterina:
- Zumbi!!!- Alguém disse no meio de toda correria e bagunça e
quando ela escutou isso, um ser sem o braço direito de camisa rasgada,
olhos nublados, cabelos bagunçados e muito sangue surgiu na sua frente
e começou a bater e balançar o portão com muita força.
Logo ela se assustou e deu um passo para trás, porém, alguém
a agarrou por trás e um barulho maior ainda surgiu ao seu lado. O zumbi
caiu para trás com um buraco na cabeça e Yekaterina olhou para
trás, era Sulivan carregando-a para dentro de casa.
- Entra logo! Ficar aqui só vai chamar a atenção deles
e ai estaremos ferrados de verdade! – Yekaterina não dizia nada,
apenas se deixava ser carregada para dentro de sua casa. Os zumbis começavam
a surgir e atravessavam a rua da casa dela rapidamente querendo apenas as pessoas
que estavam correndo desesperadas nas ruas.
Eles entraram na casa rapidamente e Sulivan não perdeu tempo ao trancar
a porta.
Barra Mansa – Rio de Janeiro – RJ – 17h20min
- Então? Qual será o plano? – Dizia Ítalo em
frente à mesa da cozinha em pé.
- Vejamos... Seguiremos por aqui – Willian traçava linhas num
mapa do Estado de onde mora com um lápis – deve ser muito perigo
atravessar essa parte de São Paulo para chegar mais rápido
no Paraná.
- Mas pelo que parece, será uma viagem e tanto! – Ítalo
resmungava ao ver onde ficava Foz do Iguaçu. – A cidade pra
onde estamos indo fica na divisa com a Argentina e o Paraguai! Fica no finalzinho
do Paraná. Sem um carro ou algum meio de transporte vai ser muito
difícil chegar lá! – Willian apenas observava o mapa
parecendo que estava pensando em algum plano para que chegassem mais rápido
ao lugar marcado por Dead. Depois do incidente de ontem, Willian viu que
o Dead havia colocado um link no tópico com uma foto tirada por satélite
de uma fábrica. Era aquele o lugar e também marcou onde seria
a fábrica para ninguém se perder procurando por ela. Mas ele
viu que seria quase impossível dois adolescentes e uma criança
de quatro ou cinco anos atravessar dois estados sozinhos e sem meio de transporte – Temos
que pensar em alguma coisa antes de sair assim do nada, né?
- Não temos muito tempo! Vamos pegar o essencial para viagens longas
e não se preocupe com transportes, aposto que terão carros
por todas as partes.
- Mas você sabe dirigir? – Ítalo sabia que isso poderia
acabar com as esperanças, mas tinha que perguntar. Mas logo recebeu
uma resposta inesperada.
- É claro que sei! Você não sabia? – Willian deixou
escapar uma exclamação bem grande como se fosse ridículo
seu maior amigo não saber disso. – Não se preocupe que
com isso eu me viro, e se conseguirmos um carro com bastante gasolina é só seguirmos
por essas BR’s - Auto Estradas brasileiras– que não teremos
muitos problemas!
- Será que não? – retrucava seu amigo com receio de que
desse alguma coisa errada.
-...! – De repente Willian mudou de assunto para acabar não
perdendo as esperanças de conseguir chegar naquela fábrica
são e salvo junto com os dois. – Ítalo?
-...? – Sua atenção se voltou para Willian. – Diga?
- é... – Seria uma pergunta arriscada... uma pergunta que ele
sabia que já deveria ter feito antes, mas não sabia ao certo
o que se passava. – Você vai deixar sua família aqui e
viajar... Comigo?
- Bem... Acho que estamos em situações iguais parceiro. – Dizia
cabisbaixo com um pequeno sorriso no rosto. Um sorriso falso.
-... Desculpe Ítalo... Não deveria ter feito essa pergunta. – Ele
não sabia se continuava em frente à mesa ou saia de lá com
um grande sentimento de culpa por fazer seu grande amigo lembrar que sua
família morrera toda há um dia e meio atrás, antes do
incidente com o Willian, que por sua vez não sabia de nada do que
havia acontecido com os pais dele.
- Não esquenta cara! Você está passando pela mesma situação.
Agora eu não tenho nada a perder, por isso estou indo com você,
pois quem seria louco de atravessar dois estados grandes como esses com tudo
isso acontecendo? Hehe. Pelo contrário, você deve proteger seu
irmão, você ainda o tem, e vou fazer de tudo para ajudar meu
melhor amigo! – Depois disso um silêncio agonizante tomou conta
da atmosfera da casa por alguns minutos. Os dois não saiam do lugar,
apenas ficava cada um com a cabeça baixa, como se refletissem sobre
tudo.
- Vamos chegar naquela fábrica! Vamos nos juntar com o pessoal todo
e formar essa resistência contra esses zumbis miseráveis! Eu
vou vingar minha mãe e todos que morreram para eles! – De repente
o silêncio foi quebrado por Willian que pegou os mapas e guardou numa
mochila que havia numa cadeira ao seu lado direito. – Mostrarei meu
valor para todos!
- Vamos nos esforçar para isso! Também vingarei a minha família
desses zumbis e tentarei reconstruir minha vida!
-Promessa? – Willian estendia o braço e dava a mão como
um cumprimento. Ítalo observou a ação e com a maior
determinação que alguém pode ter fez o mesmo gesto e
os dois balançaram as mãos como que tivessem acabado de fazer
um acordo importante.
-... Promessa!
Depois que os dois acabaram de fazer essa promessa, Eduardo apareceu com
o rosto um pouco inchado, pois acabava de acordar, e estava com uma mamadeira
na mão:
- Willian, quero leite.
- Vou fazer pra você... E depois que você tomar, é pra
você já se arrumar que vamos sair.
- Vamos visitar a mamãe já? – Seu entusiasmo aumentou
ao saber que iriam começar a viagem para reencontrar sua mãe.
-...
- Vamos Edu. Vou preparar o leite para você – Ítalo interrompeu
chamando Eduardo para irem para a cozinha prepararem as coisas.
Depois que os dois foram para a cozinha, Willian permaneceu no mesmo lugar...
Algo brilhante escorregava suavemente em seu rosto... E caia no chão...:
- Eu prometo... – Dizia com o rosto em lágrimas e num tom baixo.
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