Capítulo 5 -Willian ... O valor de um garoto!
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17 de Agosto de 2007. Barra Mansa RJ, sudeste do Brasil.
13h35min PM
O lugar estava calmo, na verdade é um bairro bem calmo. Algumas pessoas
ainda se arriscavam a saírem de suas casas para fazer compras e o
necessário para se manterem como se fossem dias normais. Os dias na
verdade não estavam normais nem nos pensamentos, pois as ruas nunca
foram tão guardadas por forças do exército e da policia.
Os foras da lei até reclamavam por não poderem mais roubar.
A policia não estava acostumada a atirar em pessoas sem que elas atirassem
de volta, mas ultimamente ela estava sendo obrigada a isso, os loucos denominados “zumbis” ainda
não eram muitos, mas davam trabalho e muitas vezes levavam oficiais
para os hospitais, com mordidas e arranhões q logo infeccionavam e
causavam uma febre enorme.
Willian estava no computador que ficava na sala de sua casa, conversando
com membros de uma comunidade que ajudou a criar quando escutou um barulho
vindo do portão no quintal. Ele logo saiu da cadeira onde estava e
foi verificar pela janela. Todos esses acontecimentos o estavam deixando
tenso demais para poder pensar mais calmamente da maneira como ele pensava.
Seu cabelo era curto e com luzes, que mexiam um pouco com o vento forte que
batia do lado de fora, era magro e tinha uma altura considerável para
sua idade. Com apenas treze anos já tinha facilidade em fazer muitas
coisas, pois seu avô o ensinava sem que sua mãe soubesse. Antes
que ele pudesse fixar seus olhos no que o chamou a atenção,
seu pequeno irmão, de apenas dois anos puxou um pouco sua calça,
dando um pequeno susto em Willian o fazendo olhar rapidamente para trás
e ver seu irmão:
- Afe! – Colocando a mão na testa ele continuou tentando ser
bem calmo. – O que foi Eduardo?
- A mamãe foi pra onde? – Eduardo era bem parecido com seu irmão.
- Saiu pro mercado! Daqui a pouco ela chega. Enquanto isso, porque você não
volta a descansar um pouco mais? Fica no seu quarto e não sai de lá,
ta bom? – Willian dizia enquanto voltava a observar pela janela o que
causou o som que ouviu há minutos atrás. – Vai lá.
Willian seguiu seu irmão até o quarto e o colocou de volta
na cama. Mesmo tendo mostrado toda essa calma para Eduardo, ele sabia que
alguma coisa estava errada, e sua mãe não poderia estar demorando
tanto assim para ter andado apenas dois quarteirões. Colocando em
sua mente o fato de zumbis estarem por todas as partes, ele verificou se
seu irmão já havia dormido, então foi até o guarda-roupa
e tirou uma caixa que estava debaixo de muitos artigos pessoais. Vagarosamente
abriu a caixa e tirou um revolver bem conservado e que parecia estar em bom
estado. De baixo da arma uma carta, “Use-a somente em casos urgentes,
você é bem inteligente e saberá quando usar”:
- Sim vovô, e esse é um caso urgente. Irei usar para proteger
nossa família! – Verificando novamente se Eduardo continuava
dormindo, guardou o brilhante objeto por baixo de sua roupa, pegou o telefone
e discou alguns números... Apenas chamava. – Vamos, Dona Laura!
Atende essa droga de celular! – Rediscou o número... Mas ninguém
atendeu novamente. – Saco! Não sei pra que leva celular se não
atende! – Ele queria deixar a idéia de que sua mãe foi
pega por zumbis o mais longe possível de seus pensamentos. Mas estava
desistindo de ficar em casa esperando. Ou melhor, já havia desistido,
e pegar aquela arma foi uma prova de que ele não ficaria parado. Mas
sair e deixar seu irmão sozinho não seria a melhor escolha.
O portão da sua casa estava entreaberto. Vendo que não havia
nenhum perigo a vista, ele verificou toda a casa, fechou cuidadosamente a
porta do quarto onde está seu irmão, trancou toda a casa e
saiu pela rua vazia. O vento era forte. Os vizinhos faziam praticamente o
mesmo que ele acabou de fazer e poucos se arriscavam a sair. Com um leve
frio na barriga, olhou para os dois lados, manteve a arma guardada e andou
em passos bem rápidos na direção que se encontra o mercado
onde sua mãe havia ido há algum tempo. Havia policiais na rua
por onde passou, o que não era muito comum naquele bairro, por ser
sempre um bairro calmo e com poucos crimes. Willian tentou passar despercebido,
mas logo um dos quatro policiais que guardavam o local chamou sua atenção:
- Ei, garoto! – O policial de estatura alta e ombros largos falou em
voz alta. Willian exitou alguns segundos em se virar para o guarda, mas sabia
bem como eram os policiais de onde mora.
- Pois não?
- Por acaso você sabe o que está acontecendo por aqui? – Willian,
sem exitar dessa vez respondeu:
- Sei sim senhor. Só sai um pouco porque vou até o mercado
logo à frente procurar pela minha mãe que falou que voltaria
logo, mas até agora não voltou.
-... Quantos anos você têm? – o policial franziu o pouco
cabelo que tinha.
- Treze anos. – Ele não podia ficar perdendo tempo respondendo
perguntas inúteis como aquelas e sabia que cada segundo era precioso,
mas questionar um policial seria um erro fatal. Tentava, então, ser
rápido nas respostas. E logo o policial percebeu sua pressa.
- Tudo bem garoto. Mas não nos responsabilizamos se acontecer alguma
coisa com você! Esses loucos estão se espalhando por toda parte.
Tome cuidado. – Assim que o policial terminou de falar, um grupo de
pessoas apareceu dobrando a esquina por onde Willian iria seguir. O garoto
não havia visto, pois estava de costas, mas os militares logo se posicionaram
e Willian percebeu o susto na face deles e se virou. Quinze a dezoito no
total, rostos pálidos, não se movimentavam como pessoas normais,
ainda estavam um pouco longe para poder enxergar suas fisionomias, mas dava
para se perceber os trapos que vestiam pintados com uma tinta vermelha. – Apontar
armas, rapazes! Garoto é melhor você voltar! – Não
havia mais dúvidas. Eram os mesmos dos filmes e jogos eletrônicos,
mas o desespero e a vontade de fugir eram muito maiores. – Vai logo
Moleque! A gente não vai ficar cuidando de crianças aqui! -
Willian estava um pouco abalado com a visão, seus olhos não
piscavam e sua respiração estava rápida, mas nunca fugiu
de um desafio e seu orgulho não deixaria que fugisse dessa vez.
- Criança? – Perguntou num tom sarcástico enquanto puxava
da parte de trás de sua calça o objeto que estava com mais
receio de que os guardas vissem. Ele sabia que tinha algo maior para se preocupar
do que ficar com medo de os policiais visse sua arma e sabia que os guardas
pensavam do mesmo jeito ao perceber que o grupo havia virado a esquina e
percebido os cinco parados.
-Jorge! – O Policial que estava na frente de Willian disse, se virando
para trás.
-Certo! – Um dos policiais que estava mais atrás respondeu ao
chamado e se revelou mais à frente de todos e chamou a atenção
das pessoas que estavam vindo calmamente. - Ei vocês, se identifiquem! – Era
um policial jovem. As pessoas que estavam vindo, logo pararam, pareciam um
pouco dopadas.
- Deveríamos abrir fogo! Eles não vão escutar... Eu
acho. – Willian disse preocupado. Ele já não pensava
mais em buscar sua mãe o mais rápido possível, e sim
em como sair daquela, pois dar as costas e deixar que aqueles policiais se
virassem sozinhos não estava em seus planos, e ele queria mostrar
seu valor.
- Quem são vocês? – O jovem guarda insistiu. – Se
desobedecerem seremos obrigados a agir com força bruta ou até mesmo
abrir fogo contra vocês! – A voz alta fez com que algumas pessoas
levantassem a cabeça de um jeito assustador, o restante também
levantou a cabeça e além de não parecerem muito bem,
estavam agora encarando os policiais e Willian. A boca de uma garota de cabelos
cumpridos e bem bagunçados foi se abrindo, e um grito estranho surgiu
no ar dando a verdadeira impressão do inferno para todos eles. Todos
Sentiram um enorme frio na coluna quando viram a garota vindo correndo e
as pessoas que estavam com ela virem logo atrás depois de soltarem
aquele rugido de morte.
- Droga! – Willian deu um passo para trás, mas se segurou para
não correr. Sua mão já não respondia seus comandos
e disparou o primeiro tiro contra os loucos. O disparo rasgou o ar e acertou
a cabeça da garota que estava correndo com toda sua velocidade. A
garota foi jogada para trás com o impacto do disparo e seus companheiros
a atropelaram sem nenhum receio do tiro continuando a ir para cima dos cinco.
Os policiais não acreditaram no que viam, logo perceberam que não
iriam dar seus nomes e que queriam outra coisa.
-Abrir fogo!!! – Da viatura, dois dos policiais tiraram escopetas,
enquanto Jorge e o que parecia ser o capitão tiraram suas pistolas
e abriram fogo contra o grande grupo que atravessava a rua e vinham chegando
cada vez mais perto. Os disparos cortavam a forte brisa. Pouco a Pouco os
loucos caiam. Eram rápidos.
- Droga! Vamos morrer! – Os que conseguiam ficar de pé atravessavam
a rua em frenesi, com vontade louca de alguma coisa. Os policiais recuavam
aos poucos para trás da viatura. Willian fazia a mesma coisa. Havia
pelo menos sete ou oito ainda em pé e cercavam a viatura onde os cinco
estavam. Corpos jogados no chão cheios de perfurações
e sangue. Os ouvidos de Willian latejavam por causa do som dos disparos que
pararam por um instante. - Minha munição acabou. – Ele
disse com a respiração muito rápida, vendo a morte por
todos os lados. “São zumbis. Impossível não ser!
Meus olhos não estão mentindo.” Pensava ao ver tudo em
câmera lenta. Aqueles olhos brancos com um pouco de irritação
e pele sem vida. As criaturas apreciavam o medo em cada olhar antes de dar
o ataque final. Alguns corpos que estavam no chão pareciam estar se
mexendo e aos poucos se levantavam. Um a um... Novamente os loucos denominados
Zumbis pelo Willian soltaram um berro contagiante entre todos que os cercavam.
O grito do desespero. Lágrimas surgiam do olho do garoto. Mas algo
fez um barulho maior... Algo chamou a atenção dos Zumbis. Mesmo
parecendo q eles não tinham mais sentimentos, olhavam confusos para
todas as direções. Os cinco faziam o mesmo. Logo, três
viaturas da policia dobraram a esquina em alta velocidade de onde Willian
havia vindo e frearam rapidamente numa distância razoável entre
os zumbis que estavam encurralando os quatro policiais e Willian. Os outros
zumbis que haviam levantado começavam a correr para cima do grupo
mais próximo de vivos.
- Se protejam!!! – Uma outra voz surgiu, era a voz de outro policial
que estava preparado para atirar com sua submetralhadora já fora do
carro, outros policiais estavam juntos, eram o bastante para enfrentar os
zumbis, e suas armas faziam qualquer um correr.
- Abaixem-se!!! – Apenas deu tempo do capitão gritar para os
outros quatro abaixarem e ficarem encostados na viatura antes que riscas
dos projéteis lançados pelas armas pudessem cortar o ar e uma
salva enorme de tiros acertasse os zumbis q os cercavam. Aqueles não
se levantariam mais.
- Mirar nos alvos corredores! – Novamente o líder daquele esquadrão
expressou-se, os zumbis corriam muito para cima deles. Ultrapassavam a viatura
onde estavam abaixados Willian e os quatro policiais, estendiam seus braços
quando conseguiam chegar perto dos alvos, a voz do fim deu o sinal, acabando
com a esperança daquelas criaturas. – Disparar a vontade!!! – Os
tiros eram muito fortes e potentes, faziam zumbis voarem para trás
e a cabeça de Willian girar.
Tudo acabou... O silêncio agora fazia parte do cenário, assim
como a cortina de fumaça que saia das armas. Cheiro de pólvora
juntamente com o cheiro de sangue e carne humana. Os quatro policiais levantavam
enquanto Willian continuava abaixado com os olhos fechados e mãos
nos ouvidos. Alguns outros policiais chegavam mais perto e passavam por entre
os corpos, dando pequenas rajadas de tiros em quem continuasse se mexendo
no chão.
- Garoto? – Capitão o chamou percebendo que foi o único
a ver que estava muito assustado. – Levante-se. Está tudo bem
agora. – Aos poucos Willian foi se levantando, mas permanecia com a
arma empunhada, mesmo estando sem alguma munição.
- Capitão Roberto! – Um senhor de aparência média
e um pouco maior que o capitão dizia fazendo cumprimento de respeito. – Estava
tendo algum problema por aqui? – Um leve sorriso surgia de sua boca
de lábios secos ao mesmo tempo em que olhava mais atrás e via
Willian.
- Sargento! Nem precisava se preocupar, estava tudo sob controle, hehe! – Roberto,
o capitão de seu pequeno grupo, prosseguia com a brincadeira sarcástica. – Como
descobriu que precisava de ajuda?
- Estávamos por perto e escutamos tiros. É nosso dever vir
ajudar crianças indefesas, hehe! – Willian percebia a brincadeira
de mau gosto que o sargento havia feito.
- Vamos ver quem será a criança indefesa! – Logo apontou
sua arma para o Sargento. Os policiais que estavam com o Sargento revidaram
e levantaram suas armas contra Willian -...!
-Garoto, tudo bem! – Roberto colocava sua mão por cima da arma
de Willian, a fazendo ir se abaixando aos poucos. O sargento deu um sinal
com a mão e os policiais abaixaram as armas. – Este é Willian,
nos ajudou a nos proteger desses loucos. Mas como eram muitos, não
pudemos dar conta...
- Você sabe se têm muitos desses zumbis por ai? – o garoto
interrompeu lembrando que já havia perdido tempo demais lá e
quase morreu. – Preciso achar minha mãe que já saiu há algum
tempo e não voltou para casa. – Sargento voltou sua atenção
para o capitão o encarando disfarçadamente.
- Pra onde ela foi?
- Foi para o supermercado que tem aqui perto já faz duas horas. Ela
nem ia comprar tanta coisa assim para demorar! – Willian tinha a cabeça
um pouco quente, e com a preocupação de sua mãe, piorava
as coisas. Todos ficaram sem falar nada, Willian e o capitão não
entendiam o porquê. Mas então ele foi direto.
- Garoto, você conhece alguma dessas pessoas? – Ele abria caminho
e um asfalto feito de corpos surgia. – Alguns minutos atrás
recebemos uma chamada de emergência dizendo que esse mercado estava
sendo totalmente destruído por vândalos. Estávamos indo
investigar, e quando chegamos, vimos uma cena horrível. Deveríamos
não mais denominar essas “criaturas” de loucos e sim como
você os chamou agora pouco. Como zumbis! – Willian não
se mexeu... Nem piscou, apenas continuou olhando para o sargento. – Garoto,
sinto muito, mas quem foi para lá não deve ter sobrevivido.
Matamos praticamente todos, pois todos queriam nos atacar. Um grupo começou
a perseguir pessoas que fugiam e parece que é esse que está aqui
e que acabamos de aniquilar. – Ele então guardou sua arma. -
Esses zumbis... Quanto mais matamos, mais surgem! Eu recomendaria que você ficasse
na sua casa e esperasse lá. Ou então ficasse na casa de algum
parente. Talvez sua mãe tenha se escondido em algum lugar e esperado
a coisa ficar menos tensa. Fique tranqüilo garoto, ela vai aparecer.
Apenas volte e tranque sua casa e não deixe que ninguém perceba
que tem alguém lá. – Um corpo havia chamado a atenção
de Willian. Ele não havia percebido ele ainda, pois tinha outro corpo
de um homem faltando o nariz em cima.
- Não... – Ele passou por entre os policiais e os corpos sem
dar atenção para mais nada, apenas focalizando sua visão
para o corpo – Não pode ser...! – Era uma mulher... – Roberto
e o Sargento logo perceberam.
- Pobre garoto – Disse o Sargento abaixando a cabeça. Apesar
de ser arrogante algumas vezes e brincar com a personalidade das pessoas,
ele sabia o que era perder um ente querido. – Arriscou sua vida, mas
nada se pode fazer agora...
- NÃO!!! – Willian soltou toda sua tristeza enquanto empurrava
o corpo que havia em cima e se ajoelhava. – Porque?! Não pode
ser verdade!!! – O corpo estava com muito sangue e os olhos daquela
bela mulher estavam abertos... Porém, sem esperança... Sem
uma faísca de vida. Ele ficou por um tempo lá, mas sabia que
era tarde demais, sua mãe já não era mais sua mãe
mesmo antes de ele ter percebido ela no chão. Era só mais um
zumbi, apenas mais uma parte do que estava por vir...
...
14h40min...
O sofá consolava sua tristeza. Willian chorava pela perda. Ela sabia
que aquela era a ultima vez que veria sua mãe. Ele deveria ter insistido
mais na hora em que ela falou para ele ficar e cuidar de seu irmão
Eduardo. Ele sabia que deveria ter protegido sua mãe. Mas agora é tarde.
Não existe volta.
Seu irmão por incrível que parecesse ainda permanecia dormindo
no momento em que chegou em casa, dormindo tranquilamente e sem nenhuma preocupação.
Willian ainda tinha ele. A sua única chance de mostrar seu valor agora
era cuidando e salvando pelo menos o seu irmão. Logo, ele se sentou
na cadeira que estava na frente do computador que ainda estava ligado, apertou
uma tecla e viu por uns instantes muitas coisas escritas na comunidade onde
estava uma hora atrás. Nesse momento seu irmão apareceu:
- Willian cadê a mamãe? – Ele veio esfregando os olhos
e com a mamadeira vazia. Willian demorou um pouco para dizer, mas continuou
olhando para a tela do computador.
- Ela foi viajar, Du. Viajar pra bem longe. – Então ele voltou
sua atenção para ele, se levantou e foi até onde Eduardo
estava. – Foi para um lugar muito bonito.
- Eu quero ir pra lá também! – Eduardo cruzava os braços
e fazia birra.
- Então ta bom. – Ele sorriu por um momento – Vamos fazer
uma viagem bem longa.
- Para onde vamos? Ver a mamãe? – Os olhos do pequeno garoto
brilharam.
- Hummnn... Sim, sim. Vamos ir ver a mamãe.
- Eba!!! – Eduardo pulava de alegria. A inocência dele não
deixava que seus pequenos olhos percebessem a verdade, mas era isso que Willian
queria. Logo, alguém apareceu na sala sem que eles tivessem dado conta.
- Alguém falou em viajar aqui? – Era um garoto mais ou menos
do tamanho de Willian.
- Ítalo! – Ele se espantou com a presença de seu grande
amigo – Que bom que você está bem!
- Claro! O mesmo eu digo pra você! – Ele estava segurando um
bastão com algumas escrituras em chinês. – Quando iremos
partir? – O tom de sua voz era amistoso e trazia novamente um pequeno
brilho para os olhos de Willian.
- Iremos partir assim que arrumarmos as bagagens e um mapa hehe!
- Eba!!! Ítalo vai viajar também! Que legal!!! – Apesar
de ser apenas um jovem garoto de quatorze anos, Willian havia um pouco mais
de esperança agora que tinha seu melhor amigo nessa viagem. E ele
sabia que ele o acompanharia para onde quer que ele fosse.
Willian sabia que seu irmão seria um grande fardo para uma viagem
sem previsão de duração e de chegada, ele nem sabia
se iria chegar onde queria. Mas ele sabia de uma coisa... Ele iria fazer
de tudo para salvar Eduardo de qualquer coisa que acontecesse e fazer com
que chegassem salvos no lugar combinado com os outros membros de sua comunidade.
...
Willian – Galera, eu vou viajar até essa fábrica, por favor, espero que quando eu chegar, eu encontre vocês, pois estou confiando minha vida e a do meu irmão em vocês e nesse lugar. Deixem algum sinal de onde é para eu e o Ítalo não passar sem ver. Encontro vocês em breve... Até camaradas! 15:17 PM...