Mara Marlene sabia o motivo pelo qual Simon, do American Idol era tão exigente e dificilmente gostava dos candidatos que se apresentavam no programa. Eles não tinham classe, não tinham talento, eram uns bocós. Não Mara Marlene. Ela sim era uma cantora ainda não descoberta. Um verdadeiro sucesso ainda latente, uma diva não reconhecida. Mas isso estava prestes a mudar.
Como não poderia mostrar seus dotes vocalísticos no programa estadounidense, teria que se contentar com a versão brasileira, conhecida como Ídolos, que há muito se preparava para visitar Goiânia, capital de Goiás. Seria uma chance de finalmente revelar ao Brasil todo o seu brilho musical, todo a potência de seu gogó de ouro.
Em um pequeno hotel em Gentil Meirelles, Mara Marlene escolhia o modelito que usaria para sua apresentação frente aos jurados.Não havia nem completado 24 horas que deixara Rondonópolis, sua cidade natal do Estado de Mato Grosso para mostrar sua personalidade marcante em terras goianenses. Ao abrir sua mala, retirou sua calça de couro vermelha, seu top preto e justo com pregas douradas e seus sapatos plataforma também vermelhos. Sabia que ficava um arraso com esse conjunto, e ao colocar cada peça cuidadosamente esticada em cima da pequena cama de solteiro, pensava em qual música escolheria para fazer o teste de sua vida.
Pensando bem, para que se preocupar com qual música daria uma canja para os ouvintes brasileiros? Qualquer melodia saindo de suas cordas vocais serviria para afirmar sua glória perante ao país. Até “Atirei o Pau No Gato”interpretado por Mara Marlene daria arrepios na pele de quem a ouvisse. Então, despreocupada com qual música cantaria, já despida entra no pequeno box do banheiro e abre a torneira do chuveiro potente. Aquele era o momento em que Mara Marlene entrava num transe tão profundo que comoveria quem quer que a espiasse pela fechadura da porta. Uma vez no banheiro de seu apartamento, já chegou a chorar com sua própria atuação em “Bem que se quis” de Marisa Monte. Então, lembrando de como seus vizinhos adoravam ouví-la, e a essa música em especial, solta a primeira frase da maneira mais doce e provocante que sua garganta poderia lhe obedecer: “Beeem que se quiiiissss....argh!” - não! Não é possível! Estava sentindo uma pequena pontada na garganta? Não podia acreditar, mas aquela era uma dorzinha bem familiar de que estaria desenvolvendo a quinta amigdalite num período de seis meses. Mas não desta vez!
Saiu do chuveiro apressada, e ainda molhada vestiu as roupas amassadas da viagem. Como uma louca saiu do hotel e já na rua, fez sinal para um taxi que alí passava. “Para o hospital mais próximo daqui!” – ordenou ela ao taxista. Não sabia bem o que os médicos diriam sobre uma garganta que nem sinais de imflamação apresentava, mas até injeção de benzetacil estaria valendo para deter um possível impecilho à conquista de sua glória.