Elza sabia que era tudo uma conspiração. Não do governo, que tentava esconder os fatos. Isso todo mundo já sabia e nem poderia ser chamado de conspiração. A verdadeira conspiração era do Universo.
Mas ninguém se preocupava. Ela passava pela rua e via executivos apressados, mães e seus carrinhos de bebê, casais de namorados, todos vivendo suas vidas como se não houvesse nada maior. Como se a Confederação Intergalática não existisse.
Só que ela existia sim, e a Terra era o único planeta com vida que não participava. O porquê ela não sabia. Mas procurava saber desesperadamente. Como ufóloga competentíssima que era, ela tinha em seu poder muitas evidências que até o momento não pareciam se encaixar.
Foi então que seu telefone tocou, em sua confortável casa no Alto Leblon. Um dos seus melhores informantes comunicou que coisas estranhas estavam acontecendo na BR 153, nas proximidades de Cariri do Tocantins. Sem perder tempo, subiu em sua Land Rover muito bem equipada - já tinha no banco de trás sua mala sempre pronta - e partiu. Dirigiu até perto de Itumbiara, quando resolveu parar para dormir um pouco. Escolheu um canto deserto e escuro da estrada, virou seu carro e foi mato adentro. Antes de se deitar ela sempre fazia sua inspeção noturna. Telescópio montado e binóculo na mão, vasculhava o céu por horas. E esses locais ermos quase sempre rendiam.
Não precisou ficar muito tempo para acontecer alguma coisa. Uma luz roxa, vermelha e verde em forma de triângulo passou por cima de sua cabeça muito rapidamente. Mais do que depressa, desarmou seu equipamento e voltou para dentro do carro.
Obviamente, a luz era muito mais rápida do que ela, mas essas perseguições eram sua especialidade. Tinha uma noção de espaço muito boa e sabia se orientar melhor do que ninguém. Foi assim que dirigiu mais algumas horas a toda velocidade e foi parar em um hospital de Goiânia.