Amor Virtual
Yoko Hiyama
 

Anexo - Sentimentos Expostos.

É irritante.

É como se ela fosse uma adolescente. Incapaz de controlar os seus próprios sentimentos o mínimo possível.

De repente, o resto do mundo perdeu parte de sua cor pra ela. As coisas que a interessavam, que a fascinavam, não parecem mais tão atraentes assim. Na verdade, nada parece importar.

Nada, exceto uma única coisa.

Estar, de alguma forma, perto dele.

É esse o motivo das dezenas de programas que são abertos e fechados sem o mínimo motivo, é esse o motivo da doentia forma com que ela puxa os e-mails a cada instante. Mesmo sabendo que não há nenhum e-mail.

Um motivo tolo que justifica essa sensação de estar completamente doente de amor.

Doente de amor?

Mas qual é o sentido disso?

Ela sempre se considerou uma pessoa muito racional, muito ponderada. Uma pessoa que sabe reconhecer e distinguir minimamente o patético do digno de consideração. Ela sempre soube que o amor é uma palavra muito séria, que não é uma brincadeira de criança. Ela sempre soube que é uma palavra que deve ser poupada. Que se deve pensar muito bem antes de falar sobre amor.

Pensar, ora... que bela piada....

Não é engraçado que justamente ela tenha perdido a faculdade de pensar?

Por que se não fosse dessa forma, como seria possível que seu coração achasse tão certo um amor incerto? Por que, se não fosse dessa forma, como justamente ela, que a anos tinha perdido o dom de escrever com o coração, pode estar escrevendo algo tão meloso a ponto de não ter sentido?

Chega a ser irritante. E se alguém contasse a ela essa mesma história, quem sabe o que não diria a essa pessoa, do alto da sua presunção, dessa prepotência irritante e medíocre? Com certeza ela diria: Você é doido! Não sabe o que diz? Como pode estar apaixonado por alguém que nem mesmo conhece? Como pode pensar numa pessoa que nunca encontrou o tempo todo? Como pode sentir tão dolorosamente a falta de um alguém que jamais esteve realmente ao seu lado?

Mas é exatamente nessa hora que o coração lhe grita: Mas é o que você está sentindo! Não importa o quão improvável e fantástica que a idéia possa parecer. É isso que você está sentindo!!

É... por essa ela não esperava. Apesar de agradecer aos céus por estar sentindo isso. Apesar de se sentir feliz com o seu próprio sentimento mesmo que este lhe pareça tão fora de qualquer propósito, tão distante de qualquer coisa que já tenha pensado pra si mesma.

Ela nem sequer pode respirar. São tantos pensamentos ansiosos que a perseguem o dia inteiro! São tantos sonhos e pesadelos que ela imagina para o futuro! É tudo tão terrivelmente confuso! E ela não gosta de coisas confusas. Gosta de coisas corretas, gosta das coisas em seus devidos lugares. Mas isso é tudo que ela não tem. Ela só tem a insegurança. O medo real de que não haja futuro nenhum a assombra.

Na verdade, tudo que não seja estar próxima a ele a desagrada, a entristece. E as saudades... as saudades a enfraquecem. Tiram sua vontade de fazer qualquer outra coisa a não ser esperar pelos momentos em que pode se encontrar com ele.

E a pior parte é que se ela pudesse simplesmente não viver durante o tempo em que não estivesse próxima (mas sempre distante, é bom salientar) a esse amor descarado, não tenham dúvida nenhuma que assim seria.

Doente de amor, é verdade. Que outra coisa explicaria o vazio no peito que ela sente quando está diante daquele computador velho esperando por ele? E que mais poderia explicar a alegria de ler um novo email dele que chega ou a tristeza de ver que não chega nada?

Mas não se preocupem... tudo o que ela está sentindo agora vai passar! Vai passar assim que ele estiver com ela. (mesmo que longe) - e ela vai deixar de pensar em tantas coisas e ela nem mais vai ter vontade de escrever .... e nem mesmo essa história terá um final.

Doente de amor... e não há cura. Ela já se entregou de corpo e alma.



Capítulo 3
Amor Virtual
 
 
 
 
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