Amor Virtual

Yoko Hiyama
 

Capítulo 5 - Um Pouco de Realidade

- Bom dia pra todos! - Júlio entrou na pequena loja de roupas onde trabalhava com o mesmo sorriso bem-humorado de todos os dias.

- Fala, Julinho! - Um rapaz moreno, meio obeso e de olhos e cabelos bem pretos foi o primeiro a cumprimentá-lo com animação. - Já tava achando que você não aparecia hoje.

- Que nada. É que eu tive alguns problemas que me atrasaram mais do que o normal.

- Nada de sério, né?

- Não, muito pelo contrário. - Julinho deu um sorriso enquanto deixava a mochila de lado - Cadê o Paulo?

- Lá dentro cuidando do estoque...

- Vou ter que ir lá falar com ele.

- Já vou avisando que hoje ele tá naqueles dias.

- É, eu sei. Tive a oportunidade de comprovar de manhã.

- O cara tá soltando fogo pelas ventas! Acho que é por causa das duas semanas sem pegar ninguém... hehehe.

- Ah, você está exagerando... - Júlio deu uma risada.

- HÉLIO! Já dobrou as camisas?! - a voz trovejante de Paulo se fez ouvir.

- Estou dobrando, estou dobrando.

- Então dobre mais rápido! Quero essas camisas dobradas em cinco minutos, você tá ouvindo? Cinco minutos!

- Você ouviu, né? - Hélio perguntou enquanto tratava de apressar o serviço.

- Pois é, por incrível que pareça, desta vez você não exagerou. - Júlio respondeu enquanto começava a ajudar o colega a dobrar.

- É a falta, meu amigo... a falta acaba com o humor do homem...

- Não precisa ser tão cruel com ele...

- Não estou sendo cruel... estou sendo realista. Olha só a pilha de camisas que eu tenho que dobrar. Aaaah... ninguém merece...

Júlio deu uma risada e os dois pararam de falar, concentrados em dobrar aquela pilha de roupa o mais rápido possível.

- Hélio! Seu tempo acabou! - Paulo sentenciou enquanto voltava pra loja principal. - Espero que tenha termina... Julinho?

- Cheguei! - ele sorriu.

- Por que você não me avisou que estava aqui?

- Porque eu tava ajudando o Hélio...

- Claro, claro...

- Ei! Não olha assim pra mim, não! Eu não pedi nada. Ele é que é uma alma caridosa - Hélio levantou as mãos - valeu, Julinho!

- Que nada, cara!

- Pronto, chefe... suas camisas estão dobradinhas.

- Estou vendo...

- Mereço os parabéns, não mereço?

- Claro que não! Que bagunça é aquela lá dentro? Qual foi a última vez que aquilo foi arrumado, você pode me dizer?

- Hum... semana passada? Ou será a retrasada? Ou então...

- Já chega! Trata de arrumar toda aquela bagunça logo de uma vez, antes que eu arranje outro empregado que saiba fazer o seu trabalho!

- Eu não disse pra você, Julinho? Vê se eu não tenho razão!

- É... pode ser. - Júlio deu uma risada.

- Do que vocês dois estão falando, posso saber?

- Claro que não. - foi Julinho quem respondeu.

- Bem, eu vou lá pra dentro. Comportem-se na minha ausência, crianças! - Hélio falou enquanto se metia pelos fundos da loja.

- Boa sorte! - Júlio respondeu, sorridente.

- Não sei aonde estou com a cabeça em manter um empregado desaforado como esse por tantos anos...

- Ah, não seja ranzinza... o Hélio não é nosso empregado. É nosso amigo.

- Viu? É isso que eu detesto em você. Essa sua despreocupação! O Hélio não é nosso amigo! Ele é o nosso empregado! E a partir do momento que ele não exerce bem o seu trabalho, quem perde dinheiro sou EU!

- Você e o dinheiro... - Júlio nem deu atenção para as reclamações de Paulo. - Pois pra mim, o Hélio é nosso amigo, sim! E ele quebrou uns galhos pra gente que nenhum empregado quebraria! E mais! Ele sabe mais da nossa vida do que nós mesmos!

- É isso que eu menos gosto nele! Desde quando isso começou a acontecer? É um absurdo! Um empregado não deveria falar as coisas que ele fala!

- Paulo... sabia que você tá virando o velho muito do resmungão?

- Sabia! E tenho orgulho disso!

Júlio balançou a cabeça, desistindo de vez.

- Sabe? Eu não entendo o motivo de você estar assim tão zangado!

- Ah, não entende?

- Não, não entendo. Você deveria é estar feliz! Afinal, é o meu primeiro encontro depois que nós nos separamos. E quer saber de uma coisa? Está dando certo! Eu estou feliz! Então, você poderia me explicar o motivo desse mau humor?

- Como quiser. Eu explico com todo o prazer. Primeiro, você mentiu pra mim.

- Menti?

- Esse cara não é nada igual a você! Muito pelo contrário! Ele não tem seu olhar, ele não tem o seu jeito... ele não tem absolutamente NADA haver com você!

- Isso não é verdade!

- É claro que é verdade! Eu te conheço muito bem! Sei exatamente como ele seria se fosse minimamente parecido com você. O que ele não é!

- Como pode ter tanta certeza? Tudo o que você fez foi... grunhir pra ele.

- Eu tenho certeza exatamente porque ele grunhiu de volta! Você nunca faria isso, entendeu? Então, de duas uma, ou você mentiu pra mim, ou ele te enrolou direitinho naquele... chat...

- Paulo, você tem que entender que não existem duas pessoas idênticas nesse mundo. Ele tem que ter alguma coisa diferente de mim, não é mesmo?

- Não foi o que você me disse quando veio correndo me contar desse garoto! - Paulo esbravejou.

- Você não quer mesmo entender, não é? É lógico que existem diferenças entre eu e ele... mas o essencial... o que é mais importante pra mim... está lá! Eu sei disso! Você não sabe como foi a minha conversa com ele naquele chat. Por isso é incapaz de entender.

Paulo segurou o amigo pelos ombros e disse:

- É você quem não entende! Esse rapaz é um erro, isso é que ele é. Confie em mim uma vez na sua vida!

- Olha, eu sei o que estou fazendo, tá? Não precisa se preocupar tanto. É sério! As coisas tão dando super bem. Eu tenho certeza de que ele está gostando de mim... e eu... eu também gosto dele! Eu preciso tentar! Você não entende?

Paulo respirou fundo, cansado. Largou os ombros do amigo, desiludido:

- Bem, faça como você quiser, ok? Só espero que você saiba mesmo o que está fazendo...

- Valeu, Paulinho! Sabia que você acabaria me entendendo! - Júlio tratou de abraça-lo, com empolgação.

- Tá, tá! Chega disso! Agora vê se vai trabalhar um pouco! Tem um monte de pastas lá no escritório esperando por você.

- Está certo, está certo. Eu tô indo. - Júlio deu uma risada e tratou de subir as escadinhas que davam para a parte de cima da loja, onde ficava uma minúscula sala que servia como escritório.

Paulo voltou ao balcão e colocou os óculos, tentando se concentrar no serviço. Mas foi interrompido pela voz zombeteira de Hélio.

- É, meu amigo... Quem não faz, toma!

- Essa piada vai sair do seu salário.

- Ah, mas valeu a pena. - ele deu uma risada.

- Volta a trabalhar... antes que eu perca de vez a pouca paciência que me resta...

- Já tô indo... já tô indo... cara mais nervosinho...

- Grrr...
 
 

****
 
 

- Bom dia, seu Marcos.

- Ah? - o médico se virou e olhou pra Guilherme como se este nem estivesse ali - bom dia...

- E a Amanda? Como ela passou a noite?

- Na mesma. Ainda em coma... pelo menos não piorou...

Gui deu uma boa olhada pro pai de sua melhor amiga. Ao contrário da véspera, quando ele parecia estar bem tranqüilo, desta vez, o abatimento tinha realmente tomado conta daquela expressão sempre séria. Era como se ele tivesse se dado conta, de repente, de que aquilo tudo não era um pesadelo e sim a pura realidade.

- E dona Othília?

- Está lá... vendo a Amanda...

- Estão deixando entrar então?

- Não. Ninguém entra. Mesmo sendo médicos, só podemos ver a nossa filha através de um vidro...

- Sim...

- Mas eu creio que logo, logo, transferem a Amanda prum quarto particular...

- Tem chances de ser hoje ainda?

- Acho que não... mas quem sabe? - o médico passou a mão pelo rosto e depois pelos cabelos - agora tudo depende dela...

- E o Maneco?

- Ele tá no colégio... tinha prova hoje...

- Ele não podia faltar?

- Ele disse que se faltasse, ficava de recuperação de novo... e se ficasse de recuperação de novo... a Amanda ia encher o saco dele... Palavras dele.

- Hum... ele ainda não está muito conformado, não é mesmo?

- A culpa é minha... até agora, eu e Othília não tivemos tempo pra conversarmos com ele a respeito... pra falar a verdade, eu e Othília jamais tivemos tempo pra nada que envolvesse os nossos filhos. E agora, estamos sendo punidos por isso.

- Não diga isso, seu Marcos.

- Ah, tudo bem. É a verdade.

- Não, seu Marcos. Não precisa se culpar desse jeito, não. Mesmo porque isso não muda nada... e nem ajuda em nada.

- Você tem toda razão. Nada do que eu diga ou faça agora mudará as coisas... eu já perdi a chance... perdi a chance de ser um bom pai pra minha filha.

- Marcos... por favor... pare de dizer isso... - foi a voz de Othília que o interrompeu naquele instante, fazendo com que aquele homem que sempre tinha sido tão sério, tão controlado, a abraçasse como se todo o mundo ao seu redor estivesse se destruindo. - Por favor, se acalme...

Mas ele não se acalmava. Na verdade, estava ficando ainda mais desesperado porque os soluços se tornavam cada vez mais altos e as lágrimas eram ainda mais copiosas.

- Othília... o que eu faço? O que eu faço se ela... se ela morrer? O que eu faço?

- Ela não vai morrer! Eu tenho certeza disso! Ela não vai morrer!

- Mas... e se ela morrer? E se ela morrer sem nunca ter ouvido da minha boca que eu a amava? O que eu faço?

- Ela não vai morrer, Marcos!

- O que eu faço? Será que se eu disser agora, ela ouve? Estudos... dizem que sim... que talvez ela ouça... mas será que vai ser a mesma coisa? - ele se soltou um pouco do abraço e olhou para a esposa nos olhos.

- Ela vai sair do coma... e então você poderá dizer a ela o que quiser! Pare de dizer besteiras, Marcos! Ela vai ficar bem... eu e você, em tantos anos de medicina...nós presenciamos muitos milagres! Por que não um com a nossa filha?

- Mas, Othília! E se não acontecer nenhum milagre?! O que eu faço? O que eu faço?!

E as lágrimas finalmente nasceram dos olhos da mãe de Amanda. Mas não puderam descer. Ela tratou de balançar a cabeça com toda a força e repetir novamente o que vinha dizendo. Que sua filha não morreria, que se fosse preciso um milagre, que ele aconteceria. E sua filha ficaria bem de novo e voltaria pra eles.

Gui apenas acompanhou aquela cena, sem conseguir se mexer do lugar onde estava. Também ele estava chorando. Mas aquelas lágrimas de agora eram diferentes das que havia chorado na véspera.

Ao ver os pais de Amanda sofrerem pela filha, tudo que Gui conseguiu sentir foi uma enorme pena. Queria que não fosse tarde demais e que eles tivessem se dado conta do quanto Amanda era especial. Do quanto ela era importante na vida deles! Seria tão bom se os pais de Amanda tivessem tido a oportunidade de consertar as coisas enquanto tiveram tempo pra isso. Seria muito bom.

Mas agora era tarde! Era muito tarde.

A mãe falava de um milagre.... mas ela dizia isso porque, ao contrário do pai, ainda não tinha acordado... ainda se recusava a crer que aquilo tudo era real... e que milagres não acontecem.

Mas era questão de tempo. Logo ela também se daria conta de que Amanda estava perdida pra sempre. E como reagiria? Será que suportaria?

Gui lamentava muito.

Mas assim era a vida... só se percebe o quanto alguém faz falta quando se perde... mas aí, não se pode mais voltar atrás. Tudo já está perdido.

Gui passou a tarde no hospital, mesmo que só pudesse vê-la rapidamente, durante alguns poucos minutos, através de um vidro. Mas ainda era outra Amanda, muito diferente daquela que ele conhecia.

A sua Amanda não era aquela ali deitada, cercada de fios.

Gui encostou a cabeça no vidro e suspirou.

- Amanda... onde você está?

****

Maneco voltou pra casa um pouco mais cedo do que o habitual. Tinha ido bem na prova, tinha certeza disso. Amanda ficaria contente quando ele contasse. Sua irmã era quem controlava suas notas e quem lhe mandava estudar o tempo todo. Era uma chata! Maneco ficava doido de raiva com ela quando vinha com aquele papo de mamãe que era insuportável! E quando realmente ficava irritado, ele saía com aquela invariável frase:

- Não vou estudar droga nenhuma! Você não é minha mãe!

Mas da última vez que disse isso...

Ela o abraçou.

Ela disse que o amava.

- Aquela idiota! - ele resmungou, chutando o portão com toda força que tinha. Nem tinha se dado conta de que já estava em frente à sua casa.

- Er... boa tarde?

Maneco olhou pra trás e viu um belo Peugeot preto estacionado na frente de casa. De dentro dele, havia um rapaz, jovem ainda, mas de aparência muito severa.

- Boa tarde. - Maneco devolveu o cumprimento, demonstrando pouca paciência, mas ao mesmo tempo impressionado com a expressão séria daquele cara. Lhe deu a sensação nítida de que estava falando com seu pai.

- Aqui é a casa da Amanda Gonçalves?

- É aqui sim. Você a conhece?

- Mais ou menos. Ela está em casa?

- Não... ela sofreu um acidente. Está internada...

- Que notícia triste... você sabe aonde ela tá internada?

- Não, não sei te dizer. Mas meus pais devem chegar daqui a algumas horas. Se for urgente, o senhor pode entrar e esperar por eles.

- Não seria um incômodo muito grande pra você?

- Incômodo nenhum. Vou abrir o portão e você estaciona aqui dentro, certo?

- Está certo. Muito obrigado.
 

****

- Boa noite...

- Ah? - Júlio se virou. Tinha acabado de sair da faculdade. Já era bem tarde.

E o que viu fez com que desse um sorriso largo. Lá estava Gui, dentro do seu carro, esperando por ele - Gui?

- Eu mesmo. Entra?

- Claro! - Julinho deu um sorriso e tratou de entrar no carro. Trocaram um leve beijo antes que Gui desse a partida e saísse da vaga com uma marcha ré muito competente.

- Você estava me esperando?

- Claro! Você acha que eu ia deixar o meu namorado voltar a essa hora pra casa? E sozinho ainda por cima?

Júlio sorriu.

- Como descobriu que era essa a minha faculdade?

- Eu passei no seu trabalho.

- O Paulo te contou isso? Não creio!

- Que nada. Pra minha enorme sorte ele tinha saído quando eu cheguei lá.

Júlio deu uma risada:

- É mesmo? Então você deu sorte mesmo. Porque ele sempre teve o mau costume de ficar trabalhando até tarde. Ele se preocupa demais com os negócios da loja...

- E você se preocupa de menos.

- É... ele reclama disso o tempo todo. Mas, sabe? Eu sinto que se eu me metesse a decidir coisas no lugar dele... eu acho que ele acabaria não se sentindo muito bem. Ele reclama mas eu sei que gosta de ser o chefão, de ser o único a decidir as coisas. Por isso, eu não me preocupo com nada. Sei que ele estará fazendo um bom trabalho. Ele pode decidir por nós dois.... mas e então? Você deve ter falado com o Hélio, não é mesmo?

- É um gordinho?

- Isso.

- Ele mesmo.

- Ah... E aí? Como foi seu dia?

- Normal. - mentiu - e o seu?

- Normal também. Só o Paulo que tava um pouco mais mal-humorado do que de costume.

- Não me surpreende. Ele parece ser do tipo que de vez em quando, em um ou dois dias no ano, até que acorda de bom humor...

- Também não é assim. Ele apenas se preocupa comigo.

- Se preocupa demais pro meu gosto.

- Nossa, Gui! É que ele é meu amigo.

- Amigo demais pro meu gosto.

Júlio olhou pro vidro bem a tempo de ver duas gotas grossas de água caindo.

- Anda fazendo um tempo meio feio, ultimamente.

- É... dizem que é uma frente fria que veio do sul.

- Quando será que vai embora?

- Acho que depois de amanhã já deve estar melhor. - Gui teve que subir o vidro porque a chuva já estava desabando com toda a sua força.

- Uma tempestade...

- Ainda bem que você mora perto... mas já pensou se eu não tivesse vindo te buscar? Ia ter que voltar pra casa nesse temporal...

- Ah, eu não me importo. Gosto de andar pela chuva...

- Eu não. Detesto chuva.

- Por que?

- Me deprime... esse tempo trás sempre as piores lembranças... Pronto, chegamos! Você que adora chuva, não deve se incomodar em ter que sair do carro pra abrir o portão...

- De jeito nenhum. - Julinho falou, dando um sorriso moleque e nem hesitou em abrir a janela e pular pra fora do carro.

Mas ao invés de ir em direção ao portão, Julinho deu a volta e abriu a outra porta do carro.

- Ei! O que você tá fazendo?

- Vem! - ele o puxou pelo braço com força.

- Não! Eu vou ficar ensopado!

- Lá em casa você toma um banho quente... comigo!

- Você tá maluco? Ai! - Gui foi arrancado do banco do carro pelo namorado - eu não...

Um beijo o calou. Um beijo lento, saboroso... temperado pelo sabor da chuva. Um beijo tão longo que quando finalmente acabou, tanto Julinho quanto Gui estavam encharcados dos pés a cabeça.

- Pronto! Agora você terá uma lembrança boa para os dias de chuva... - ele disse com um sorriso e Gui pôde jurar que os seus olhos brilharam como nunca naquele instante. Não resistiu. Precisava tanto daquilo, tanto!

Ele o abraçou muito forte... a ponto de quase sufocá-lo. Mas nem por isso Julinho reclamou de alguma coisa. Pelo contrário, deixou-se ficar em seus braços, quieto, olhos fechados... respirando devagarinho. Gui afundou os dedos naqueles cabelos molhados e depois fez com que o louro levantasse seu olhar novamente de encontro ao dele. E quando os olhos se encontraram, ele teve uma certeza. Seu coração não lhe pertencia mais.

- Como é possível... não amar você?

Júlio sorriu. Um sorriso lindo. Não havia uma pessoa mais linda do que ele no mundo inteiro.

Gui o puxou para outro beijo. Este bem diferente do primeiro. Era quente, cheio de desejo.

"Amanda..."

****

Gui acordou sentindo um peso gostoso na barriga. Quando abriu os olhos, viu Julinho vestido com o mesmo robe da véspera, sentado em cima dele, os joelhos servindo como apoio, além de aliviarem um pouco o peso.

- Bom dia, meu amor... - ele se inclinou e, sensualmente debruçado sobre seu corpo, lhe deu um doce beijo.

- Bom dia... - Gui envolveu a cintura do amante nos braços. - Lindo dia!

- Sabe de uma coisa? Nós perdemos a hora. Eu já deveria estar no trabalho...

- Bom, então teremos outra visita do nosso amigo preferido?

- Não fala assim... e claro que ele não vai vir hoje, seu bobo.

- Não me espantaria nem um pouco. Ele não me pareceu do tipo que gostar de perder o que é dele pra ninguém.

- Eu não sou dele.

- Mas ele ainda acha que é.

- Você é muito ciumento, isso sim! Não existe mais nada entre eu e o Paulo faz tempos... nós somos apenas amigos.

- Diga isso a ele... acho que ainda não sabe disso.

- Ah! Pára! - Júlio deu um tapinha amistoso na sua barriga - você também é muito implicante, tá?

- É... talvez eu também não goste da idéia de perder você... não quero terminar como ele... sendo um "grande amigo".

As mãos de Júlio repousaram sobre a barriga do amante e ele ficou sério.

- Posso te dizer uma coisa?

- Claro.

- Eu acho... que a minha amizade vale muito mais do que o meu amor.

- Por que diz isso?

- Não sei explicar. Apenas acho.

- Pois eu acho que você está enganado. Sabe por que?

- Por que?

- Porque se eu fosse seu amigo... não poderia tirar esse seu robe, que apesar de ser muito bonito. - ele desatou o nó - esconde uma beleza ainda maior... - ele puxou o tecido pra baixo, com delicadeza - se fosse seu amigo... eu não poderia deslizar a minha mão pelo seu peito... devagar... até chegar à barriga... eu não poderia brincar com esse seu umbigo lindo...

- Aii... - ele deu um suspiro de prazer.

- Só sendo seu amante.. eu posso provar dessa sua pele... - ele se sentou na cama, puxando Júlio para mais próximo de si e mordendo seu ombro com mais desejo do que delicadeza. - E posso amar você... e ver você gritar de prazer ao alcançar um orgasmo...

- Aaah... Gui...

- Eu posso esquecer de tudo... eu posso esquecer do mundo... eu posso pisar no paraíso... nem que seja por alguns segundos... mas só se você for meu amante... só se você estiver comigo... e me amar como eu te amo agora.

- Aaah...

- Você me ama?

- Aaah... Gui.... eu... eu...

- Me diz: Você me ama? Será que pode me amar... como eu te amo?

- Sim... sim...

- Então diz.

- Eu...

- Diz...

- Eu... te amo... eu te amo!

- Diz de novo!

- Ah! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Aah... Gui... aaah.... eu te amo!

- Diz mais... grita! Eu quero ouvir!

- EU TE AMO!! Aaaaaahhh!!!! EU TE AMOOOO!!!! EU TE AMOOOOOO!!!!
 
 

*****

Ele me ama! Do que mais eu preciso?! Enquanto ele me amar, serei o homem mais forte do mundo. Estou completo. Pela primeira vez não sou metade. Sou todo.

Eu quero ser dele... e quero que ele seja meu.

Pra sempre...

Pra sempre...

Continua...



Capítulo 6
Amor Virtual
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