| Entrevista com Jo�o Loureiro - Presidente do Boavista Futebol Clube HELDER ROBALO O povo costuma dizer que "filho de peixe sabe nadar" e Jo�o Loureiro n�o o fez por menos. Depois do trabalho efectuado durante longos anos pelo pai Valentim, surge agora o sucesso do filho, que projectou os "axadrezados" para a ribalta do futebol. Para o jovem presidente, uma das chaves do sucesso tem sido o facto de n�o deixar que os outros mandem na sua pr�pria casa. A conquista do campeonato nacional demarcou-o do seu pai? O Boavista tem vindo em crescimento constante quase desde 1969, quando subiu � I Liga e quando o meu pai entrou nesta casa. Eu apenas continuei aquilo que j� vinha de tr�s. Posso ter tido o m�rito de n�o parar com o crescimento, mas n�o haja d�vida de que a din�mica j� vinha de tr�s. O segredo do Boavista vem ent�o do trabalho do seu pai? Vem muito desse trabalho, mas tamb�m do trabalho de todas as pessoas que aqui est�o agora. Esta � uma casa onde as pessoas est�o habituadas a trabalhar. E uma das pessoas mais importantes neste trabalho tem sido o Jaime. O t�cnico � ent�o o grande trunfo do sucesso do Boavista? � um dos grandes trunfos, n�o o �nico porque h� os jogadores tamb�m. Mas � uma pessoa fundamental no sucesso que temos tido. Reconhe�o-o com felicidade, porque � um grande profissional que est� ao servi�o da SAD e porque tenho uma amizade muito profunda com ele. � gratificante para mim ver o Jaime ser hoje reconhecido por todos como grande treinador que �. Jaime Pacheco criticou os jogadores por, �s vezes, pensarem mais na Liga dos Campe�es. Conta com o seu total apoio? Eu falo-lhe em termos gen�ricos e o senhor tira as conclus�es que quiser. N�o h� nenhuma cr�tica que o Jaime fa�a em p�blico que n�o seja falada comigo primeiro. Ele, como gestor do grupo, depois l� saber� a melhor forma de fazer ver os seus pontos de vista. Mas n�o h� nada que aconte�a aqui que n�o seja falado entre n�s. Eu pr�prio exprimi internamente algumas coisas que ele disse publicamente. Mas, na mesma altura, ele disse tamb�m que confiava integralmente na capacidade de todos os jogadores. No ano passado falou-se no interesse do Real Sociedad em Jaime Pacheco. Come�a a ser dif�cil mant�-lo no Boavista? Ele tem esta �poca de contrato e mais uma, que coincide praticamente com o final do meu mandato. Costumo-lhe dizer que o futuro a Deus pertence, mas estou convencido de que o Jaime vai ser nosso treinador at� ao final do meu mandato. Mas tem havido clubes interessados em contrat�-lo? Isso � bom sinal. � sinal que quem aqui trabalha se valoriza. Agora, tamb�m costumo dizer ao Jaime que ele um dia vai sair daqui, � normal. N�s come�amos juntos um trabalho interessante, temos apontado para um objectivo comum, e d�-me um grande descanso porque sei que tenho uma pessoa muito competente a gerir o plantel. Como � poss�vel conciliar o sucesso desportivo com a melhoria das infra-estruturas? emos trabalhado muito. Fiz�mos a SAD e tiv�mos a felicidade de conquistar, logo no primeiro ano de exerc�cio, o t�tulo de campe�o. Temos de estar orgulhosos, mas n�o nos podemos acomodar. H� alturas em que � importante impulsionar e essa � a minha tarefa enquanto presidente. Com tanto trabalho, at� onde pode chegar o Boavista? Uma meta importante, em termos desportivos, porque seria in�dito na nossa hist�ria, era qualificarmo-nos para a segunda fase da Liga dos Campe�es. �, de todos os objectivos por que estamos a lutar, o �nico que nunca n�o alcan�amos. Em termos patrimoniais, a nossa meta � acabar o Est�dio do Bessa e o novo pavilh�o polidesportivo. N�o podemos parar, mas n�o podemos crescer desmesuradamente. O Boavista tem visitado alguns est�dios para retirar ideias. Quando este projecto come�ou a ser feito foram visitados est�dios europeus onde havia maior avan�o em termos funcionais e tecnol�gicos. Da� retiramos algumas ideias que agora tentamos p�r em pr�tica. � natural que tenhamos ido beber algumas ideias a outros lados. Agora, tentamos � depois dar um cariz pr�prio. Apesar de tudo, queixou-se de que a Comunica��o Social n�o lhe d� o devido destaque. Quando o afirmei, fi-lo enquanto presidente do Boavista, que deu provas que pode ser um bom exemplo para a sociedade portuguesa. Nem sempre alguma Comunica��o Social nos tem dado o destaque que eu acho que merec�amos. Muitas vezes, sentimos que estamos a lutar contra muitas coisas ao mesmo tempo. Acha ent�o que h� uma campanha anti-Boavista? N�o digo isto como se houvesse uma campanha organizada, claro que n�o h�. Mas, enquanto presidente, tenho de alertar para algumas situa��es, no sentido de serem corrigidas. Continua a n�o se subjugar? Isso j� vem de h� uns anos largos atr�s. N�s come�amos a trilhar um caminho independente h� muito tempo, mas isto n�o quer dizer que n�o respeitemos os maiores. Agora isso n�o lhes d� o direito de entrar na nossa pr�pria casa e tentar mandar dentro dela. Temos gerido a nossa vida de acordo com as nossas op��es, nunca de acordo com ordens ditadas por terceiros. Esses terceiros s�o os "grandes" do futebol? N�o quero dizer que seja de forma directa, nem que seja feita no sentido de menorizar os outros clubes. Agora os outros t�m o dever de criar a sua pr�pria identidade. N�o foi com estrat�gias belicistas que o Boavista conseguiu os seus objectivos. N�s criamos a nossa pr�pria identidade e acho que ela est� mais em sintonia com o s�culo que estamos a iniciar do que porventura a de outras institui��es. "Havia quem falasse pelos outros" O que � que sucedeu com o G-18 para perder tanta for�a? Em todas as reuni�es que participamos tentamos ser construtivos. Deslig�mo-nos quando come�aram a falar em nome de todos sem consultar os demais e quando verifiquei que foram os principais impulsionadores do movimento os primeiros a cair na pra�a p�blica com pol�micas desnecess�rias. Por isso, enquanto o G-18 for entendido como uma utiliza��o de terceiros para estrat�gias pr�prias, n�o participamos. Dias da Cunha disse que a Assembleia da Liga da semana passada "estava comprada". Essa � uma express�o que eu acho muito infeliz, � mais uma forma de mostrar desrespeito pelos mais pequenos. H� quem pense em respeitar os pequenos apenas quando lhe d� jeito e quando as coisas n�o correm de fei��o explodem desta maneira. O que � que se passou nessa famosa Assembleia Geral? A proposta de aumento das quotas que apareceu a vota��o foi uma proposta da Direc��o da Liga e n�o do presidente ou da Comiss�o Executiva. Dir-se-�: se os grandes ali estivessem representados poderiam ter expressado diferentes ideias. S� que foram eles que se auto-exclu�ram da Direc��o da Liga. Mesmo assim, a proposta n�o era fechada. O �nico "grande" que aderiu ao debate da proposta foi o Benfica, que disse concordar com os princ�pios, mas achava os valores exagerados. Porqu� esse aumento? Quando se alterou o regulamento de arbitragem, alertou-se para um poss�vel aumento das despesas com os �rbitros, que se verificou. Mas os seus impulsionadores disseram que era o pre�o a pagar por uma arbitragem melhor. N�o se compreende que n�o estejam de acordo com o pagamento. Existe mesmo uma aproxima��o entre Boavista e Benfica? Tem havido coincid�ncia de posi��es, � um facto. Penso que � porque o Benfica tem tido uma postura mais coerente e uma lideran�a no futebol mais efectiva. |
| A Cara da Not�cia Jo�o Loureiro - 37 anos Nasceu no Bonfim, Porto, no dia 9 de Outubro de 1963. O actual presidente das "panteras" j� foi vocalista de um grupo musical na d�cada de 80 e at� j� pensou em mudar-se para a pol�tica. Quando, h� cinco anos atr�s, assumiu a chefia, a tarefa que se lhe apresentou n�o se aparentava muito f�cil: depois de v�rios anos de crescimento, cabia a Jo�o Loureiro a miss�o de suceder ao pai Valentim e continuar o engrandecimento dos "axadrezados", no sentido da afirma��o do clube no panorama nacional e europeu. Por�m, n�o se atemorizou e o resultado est� � vista. Um ano ap�s a constitui��o da Sociedade An�nima Desportiva, o Boavista alcan�ou o primeiro t�tulo de campe�o nacional e prepara-se para poder carimbar o passaporte para a segunda fase da Liga dos Campe�es. Se o primeiro feito foi hist�rico, o segundo n�o o ser� menos ainda. Contando com "muitos bra�os direitos na gest�o do clube", como afirma, o sucesso das "panteras" � o fruto de uma gest�o rigorosa, cimentada em alicerces s�lidos e sem entrar em "aventuras" incertas. Sobre si pr�prio, afirma ser a mesma pessoa em termos privados e p�blicos. "Sou parecido com aquilo que costuma ser o meu comportamento, com o que as pessoas possam apreender daquilo que s�o as minhas atitudes". |
| In Di�rio de Not�cias, 28 de Outubro de 2001 |