| Entre os "drag�es", em cada jogo que passa, a equipa mais se parece com um daqueles sumos que dizem "agitar antes de usar" - e precisa disso a partir do banco, para, finalmente, se poder apreciar algum sumo. S� que, �s vezes, esse exerc�cio vem j� muito tarde, como aconteceu ontem. Foi uma forma��o muito sem sabor a que entrou em campo, vergada perante o melhor futebol dos aveirenses. A estrat�gia inicial de Oct�vio Machado n�o vingou. A entrada de Alenitchev conferiu maior criatividade � intermedi�ria, mas a inexist�ncia de um extremo esquerdo desequilibrava a equipa. Rubens J�nior tentava cumprir esse papel, mas, depois, n�o defendia o flanco. Conclus�o, o centro do terreno parecia uma via r�pida. N�o espantou por isso a vantagem do Beira Mar, corol�rio de um claro ascendente, conseguido essencialmente � base da maior consist�ncia, � qual aliava a falta de din�mica por parte dos "drag�es". Tudo foi diferente com as entradas de M�rio Silva e Postiga, ainda no primeiro tempo. O FC Porto partiu para cima da baliza de Nuno Santos, num sufoco que adivinhava frutos. Uma infantilidade de Alenitchev deitou, por�m, tudo a perder. A expuls�o do russo reequilibrou o encontro, que um remate fort�ssimo de Lu�s Manuel deu por terminado. Ningu�m deve perceber o que ser� necess�rio para Oct�vio entender que � no 4-3-3, esquema com tradi��es nas Antas, que a equipa melhor se entende. O t�cnico pode lamentar-se, apenas, de si pr�prio, enquanto o Beira Mar teve uma postura irrepreens�vel. BEIRA MAR - Nuno Santos (10); Jorge Neves (11), Filipe (10), Lob�o (9), Cristiano (13); Lu�s Manuel (12), Fernando Aguiar (11); Hugo (10) (53, Marcelinho-), B. Ribeiro (10) (69, Fusco-); Gamboa (11), Fary (12) (89, Dem�trios-). Golos: Cristiano (22), Lu�s Manuel (85). FC PORTO - Ovchinnikov (11); Ibarra (10) (71, Clayton-10), Ricardo Carvalho (11), Jorge Andrade (12), Rubens Junior (4) (30, M�rio Silva-12); Costinha (5) (30, H�lder Postiga-10), Paredes (12); Deco (11), Alenitchev (6); Capucho (12), Pena (10). Est�dio: M�rio Duarte (Aveiro) Espectadores: 4000 �rbitro: Lu�s Miranda (9) CA: R. J�nior (20), L. Manuel (40), Alenitchev (43, 48), B. Ribeiro (44), Filipe (68), Deco (76), F. Aguiar (81), Clayton (84) CV: Alenitchev (48) Melhor em campo: Lu�s Manuel Cora��o aveirense Beira-Mar Se ainda havia algu�m que continuasse admirado com o empate caseiro obtido frente ao Benfica, o Beira Mar provou ontem que esse resultado n�o tinha sido mera obra do acaso, mas sim fruto do grande cora��o aveirense. Muita for�a, muita garra e muito querer s�o os principais ingredientes do sucesso desta equipa, que tem no senegal�s Fary uma seta constantemente apontada para a baliza advers�ria, apesar de neste jogo n�o ter podido fazer o gosto ao p�. E embora os lances de maior perigo tenham surgido de rapidiss�mos e venenosos contra-ataques, curiosamente, o Beira-Mar alcan�ou os dois golos na sequ�ncia da marca��o de livres directos � entrada da �rea portista. Se no segundo fica a felicidade da bola bater na barreira e trair o guarda-redes, o primeiro foi soberbamente executado por Cristiano que enganou por completo Ovchinnikov. No entanto, os golos n�o nasceram do nada. Ambos s�o o resultado da forte press�o que os pupilos de Ant�nio Sousa empregaram durante toda a primeira parte e nos instantes finais da partida. Com a felicidade de jogar em superioridade num�rica desde os primeiros minutos ap�s o regresso dos balne�rios, os aveirenses ainda viram o "drag�o" acordar para o jogo, mas souberam esperar pelo momento certo para lan�ar a derradeira estocada. Faltavam quatro minutos para o fim do tempo regulamentar quando Lu�s Manuel bateu a bola e marcou o segundo golo, para g�udio do pouco p�blico que se deslocou ao Est�dio M�rio Duarte. Porto procura-se FC Porto Se os "drag�es" ainda sonhavam com um empate, aquele golo de Lu�s Manuel veio deitar por terra todas as ambi��es dos "azuis e brancos". Por�m, os portistas apenas podem queixar-se de si pr�prios, pois foi uma equipa muito aqu�m das suas potencialidades aquela que se apresentou no M�rio Duarte, sobretudo na primeira parte, onde ficou a ver o advers�rio jogar futebol. E, desta vez, nem as mudan�as operadas por Oct�vio Machado mexeram com a equipa, ao contr�rio do que j� sucedera noutras partidas. Se no regresso do intervalo os "azuis e brancos" voltaram com outra disposi��o para o jogo, depressa Alenitchev tratou de condicionar o trabalho da equipa. A perder por 1-0, e j� "amarelado", n�o se compreende o gesto irreflectido do russo. Reclamou de mais com o �rbitro na discuss�o de uma falta e, por gestos, chamou-lhe "doido". Lu�s Miranda viu e n�o lhe perdoou: segundo amarelo e consequente vermelho. E quando apenas estavam decorridos tr�s minutos da segunda parte, o FC Porto passou a jogar com 10 unidades. Em termos individuais, Paredes foi o "drag�o" de ouro, jogando e dando a bola para jogar. O problema foi que a equipa estava mais virada para o estilo brit�nico (influ�ncias escocesas?), com longos cruzamentos que em nada davam. Oct�vio Machado bem acenava que n�o com a cabe�a, mas era mesmo verdade: o FC Porto saiu de Aveiro com uma derrota que o poder� deixar mais longe dos lugares cimeiros. E a aus�ncia de Jorge Costa n�o serve de justifica��o para o resultado... BLOCO DE NOTAS DIGITAL. O Beira Mar pode, a partir de agora, contar com mais um meio de divulga��o digital. www.auri-negros.com � a morada do site ao servi�o da forma��o aveirense, um dom�nio criado e mantido pela claque do clube que lhe d� o nome, pretendendo ser um local de encontro dos adeptos. A visita recomenda-se. Al�m de interactivo, o site dos aveirenses prima pelas muitas informa��es log�sticas que a� se podem encontrar, n�o descurando as not�cias actualizadas, uma loja virtual e at� um fanzine. NO SOF�. Esperavam-se mais adeptos no Est�dio M�rio Duarte. Cerca de quatro mil, em jogo de recep��o a um grande, � manifestamente pouco p�blico, constituindo um quadro desolador. Embora o tempo at� nem fosse muito convidativo, a hora do encontro e a transmiss�o televisiva na RTP1 ter�o sido porventura os factores mais determinantes na fraca aflu�ncia de espectadores. Come�a a ser altura de se tomar uma decis�o para evitar estas situa��es. � que as horas tardias a que ultimamente se disputam os jogos apenas aconselham a ficar em casa, no conforto do sof�. Se se quer que o p�blico adira � festa � necess�rio criar condi��es para tal. O futebol n�o pode continuar rendido a certos interesses que colidem com ele pr�prio. |
| Beira Mar 2 - FC Porto 0 |
| Portistas perdem por culpa pr�pria HELDER ROBALO S�RGIO PEREIRA |
| in Di�rio de Not�cias, 30 de Setembro de 2001 |