90 ANOS DA COLÔNIA CONSTANÇA - IV
Neste nosso quarto artigo comemorativo do 90º aniversário da Colônia, vamos concluir a análise do primeiro RELATÓRIO DA DIRETORIA DA AGRICULTURA, TERRAS E COLONIZAÇÃO - 1909, assinado a 20 de março de 1910 por Guilherme Prates, mestre de cultura encarregado dos serviços da colônia.
Pretendemos com isto, apresentar o panorama inicial do local que veio a se constituir no novo lar dos nossos queridos imigrantes, que tanto trabalharam pelo desenvolvimento de nossa cidade.
Damos destaque às palavras do administrador no início de seu relatório: "Está esta colonia sendo fundada no municipio de Leopoldina, no districto da sede, distando da mais proxima estação da estrada de ferro "Leopoldina Railway" cerca de 9 kiloms., distancia que varia para 10, 5 e 4 kil., conforme o ponto de partida."
Muitas vezes encontramos dados divergentes entre as fontes consultadas. Um deles refere-se ao tamanho de cada lote. Segundo o primeiro relatório, "a colonia se acha dividida em 60 lotes de cerca de 5 alqueires ou 25 hectares cada um. 1.317.500 metros quadrados em matto, foram deixados para logradouro publico."
Conforme dissemos em artigo anterior, a população do núcleo era, em dezembro de 1909, constituída de 56 indivíduos, sendo 38 alemães, 7 austríacos, 3 portugueses e 8 brasileiros. Quanto à idade, 35 eram maiores de 12 anos. Dentre os colonos, 40 sabiam ler e escrever e apenas 16 não eram alfabetizados. Provavelmente as crianças menores de 12 anos, que não teriam idade escolar. Quanto à religião, 45 deles eram protestantes e os outros 11 declararam-se católicos. Considerando os agregados, muitas vezes citados no relatório, o administrador informou que a colônia contava com 65 agricultores.
Do parágrafo acima muitas ilações poderiam ser feitas. Uma delas sobre a religião dos colonos. Protestantes em sua maioria, não contavam com um pastor que lhes ministrasse o serviço religioso. Este fato, aliado ao que se lerá a seguir, poderá ter sido decisivo para a decisão de abandono das terras que se verificou com alguns deles. Em outras regiões do Brasil a implantação de colônias levou em conta a religião dos imigrantes. Mas a Colônia Constança era relativamente pequena e aqui não houve este cuidado.
Um outro aspecto que pode ter influenciado a saída de alguns, foi mencionado pelo administrador, sem contudo observar as conseqüências de tal situação. Dizia ele que os colonos eram assíduos, demonstravam aptidão e boa vontade, mas "devido ao clima desta zona, auxiliado pelas fortes soalheiras, os colonos allemães executam esses trabalhos muito lentamente, não correspondendo o esforço physico ao beneficio alcançado".
Necessário esclarecer que o primeiro diretor foi o Sr. Fernando Sellani, familiar de Santo Sellani, que ocuparia o lote 60 a partir de 11.06.1910. Lembramos ainda, conforme artigo anterior, que o estado adquiriu, do mesmo Sr. Fernando Sellani, a fazenda Palmeiras no ano de 1911 Ainda segundo o relatório, para construir as casas da Colônia o diretor usou o modelo (planta) da Colônia Vargem Grande.
Todas as despesas realizadas pelo estado, na preparação dos lotes, eram agregadas ao valor das terras a serem vendidas. Em dezembro de 1909, por exemplo, foi necessária a limpeza nas culturas de cinco lotes que ainda estavam desocupados. O valor gasto, de 459$325, foi devidamente discriminado para ser adicionado ao preço daqueles lotes.
Mencionamos acima a existência de apenas 16 analfabetos. Não se pode afirmar que todos fossem menores de 12 anos. Mas a observação do administrador mostra que o Estado não estava muito preocupado com isto. "Ainda não foi installada a escola da colonia, não tendo eu recebido, até esta data, ordem alguma relativamente a construcção do predio onde deva funccionar este estabelecimento, nem ao local preferido."
Há que se mencionar ainda as dificuldades de relacionamento com o proprietário da fazenda "Messias". Envolvida quase completamente pelos terrenos da colônia, tal fazenda seria a localização ideal de uma nova estrada ligando a Fazenda Boa Sorte e a Fazenda Constança, diminuindo em 4 km a distância percorrida pela ligação então existente. Mas o proprietário negou-se a vender o trecho a preços razoáveis.
Já dissemos algumas vezes que gostaríamos de homenagear quantos trabalharam e construíram a nossa "Constança". Sendo assim, não podemos esquecer do Sr. Pedro Castello Branco, que de 10 de junho a meados de novembro de 1909 assumiu o posto de "auxiliar de medição e divisão dos lotes".
Um outro nome a ser lembrado é o do Sr. Theophilo Reiff, admitido no dia 01.07.1909 como encarregado do preparo de 6 lotes na parte da colônia denominada "Onça" e familiar de Francisco Antonio Reiff, que se instalou na colônia a 15.07.1910.
Homenagem se deve também aos administradores Sr. Climério Duarte Godinho, que foi admitido no mesmo julho de 1909 como auxiliar do administrador Sr. Guilherme Prates; ao Sr. Fernando Sellani, que foi dispensado em outubro do mesmo ano; ao Dr. Félix Schmidt, que administrou a colônia de maio a julho de 1911 e ao Sr. João Ventura Gonçalves Neto.
OS ADMINISTRADORES
Dois nomes são sempre lembrados quando falamos dos Administradores da Colônia Constança. São eles Climério Duarte Godinho e João Ventura Gonçalves Neto, que tiveram suas famílias ligadas por casamento entre descendentes e residiram por longo tempo entre os imigrantes.
João Ventura Gonçalves Neto, além de auxiliar do administrador da colônia foi também juiz de paz em Leopoldina. Era filho de Pedro Gonçalves Neto e Maximiana Ferreira de Almeida, seus avós paternos foram João Gonçalves Neto e Mariana Flauzina de Almeida, filha do lendário Manoel Antônio de Almeida. Sua avó materna, Messias Esméria de Almeida, era irmã de sua avó paterna. Por parte de seu avô materno, João Rodrigues Ferreira Brito, também descendia dos primeiros povoadores de Leopoldina. Na sua ascendência, no século dezessete, chegaremos a João de Almeida, natural da Freguesia do Espírito Santo, Óbidos, Lisboa, Portugal e a Francisco de Oliveira Braga, outro desbravador português. João Ventura foi casado a primeira vez com Elisa Martins, filha de João Rodrigues Martins e Teresa Vargas, também da família de povoadores de Leopoldina, já que seu pai era bisneto do mesmo Manoel Antônio de Almeida.
De seu casamento com Elisa, João Ventura teve os filhos: João Gonçalves Neto, casado com Climene Soares Godinho, filha do Sr. Climério; Sebastião Gonçalves Neto; Erotides Gonçalves Neto; Irênio Gonçalves Neto, casado com Cirene Almeida; Olinto Gonçalves Neto, casado com Mariana Rodrigues de Oliveira; Pedro Gonçalves Neto, casado com Ingrácia Barros; José Gonçalves Neto (Dudu), casado com Olizia Gomes; Ottilia Martins Neto, casada com Paulo Dittz de Almeida, filho de Carlos de Almeida e Guilhermina Dietz.
Viúvo, João Ventura casou-se com Alcina Moraes com quem teve os filhos: Mário Moraes Neto, casado com Maria Tavares Machado, filha de Severino José Machado e Afrânia Dittz Tavares, portanto neta de Guilhermina Dietz; e, Edgard Moraes Neto, casado com Nilza Barros.
Mas o administrador mais lembrado, talvez porque tenha sido o que maior tempo residiu entre os colonos é o Sr. Climério.
Filho de Francisco Bittencourt Godinho e Francisca Carolina Duarte, o Sr. Climério era neto paterno de Antônio Bittencourt de Castro e de Florisminda Coutinho. Por sua mãe descendia de Francisco de Paula Duarte e Carlota. Sabe-se que possuía pelo menos um casal de irmãos. Um que radicou-se no Espírito Santo e uma irmã, citada como Carlotinha, que residiu em Manhuaçu.
Já em 1899, o Sr. Climério residia em Abaíba, antiga Santa Isabel, com sua primeira esposa, Emília Soares, filha de Agostinho Soares e Generoza Dias. Em Abaíba nasceram seus primeiros filhos: Climene Soares Godinho, nascida a 23.08.1900, casada, como dissemos, com João Gonçalves Neto; Francisco de Paula Godinho, de 1902, que foi casado, em primeiras núpcias com Lourdes e em segunda com Maria Isabel; Ruth Soares Godinho; Maria de Lourdes Soares Godinho, casada com Sebastião Rodrigues de Oliveira, filho de Antônio Augusto Rodrigues e Maria Antônia Oliveira; Joel Soares Godinho, casado com Nair Neto, filha de Manoel Custódio Ferreira Neto e Virginia Vargas Neto, portanto também descendente dos povoadores de Leopoldina; Maria da Conceição Soares Godinho, nascida a 25.12.1912; e, José Soares Godinho, nascido a 08.10.1915, casado com Doralice.
Viúvo, no dia 29.02.1916 o Sr. Climério casou-se então com a sua cunhada, Maria Soares, com quem teve os filhos: Climário Soares Godinho, em 09.05.1917, casado com Irene; Mário Soares Godinho, nascido a 18.12.1918, casado com Helena Rodrigues de Almeida, neta de Carlos (Carrito) de Almeida; Clóvis Soares Godinho, em 1922, casado com Celina; e Nair Soares Godinho, nascida a 10.11.1923 e falecida em 1999, casada com Jacy Ribeiro.
José Luiz Machado Rodrigues
nilza cantoni