Capítulo 3

Chegou dia 14 de outubro. A Sharon já tinha falado com a menina de Buenos Aires. Claro que não contou a verdade. Para a menina e para a mãe dela, as nossas mães tinham deixado. Era melhor elas não saberem a verdade mesmo. Senão falariam onde a gente estava e seria aquela merda. No dia 14 também compramos a passagem do ônibus. Sairíamos às dez da manhã do dia seguinte. Estávamos com muito medo do que viria pela frente... Afinal, era uma coisa completamente nova pra gente, e ainda iríamos escondido... Loucura. E estávamos com muito peso na consciência (eu pelo menos, quando voltei, me confessei na igreja umas três vezes, só com o mesmo pecado. O padre até achava graça, e dizia que eu já estava absolvida.).

Estávamos mentindo muito feio para os nossos pais. Eles nunca mais confiariam na gente, e com razão. Estavamos com muito, muito muito peso... Imagina a pior coisa que você fez na vida... E o peso na consciência que você ficou. Imaginou ? Pois é, pra gente foi o dobro.

E fora aquele frio contínuo na barriga. A única pessoa que sabia que eu ia era a Talita, da minha classe. E ela prometeu ficar com o bico calado. Resolvi contar pra ela, porque vai que acontece alguma coisa...

Não consegui dormir de noite. Até chorei. Sentiria saudade dos meus pais, do meu namorado, dos meus amigos, do meu cachorro... Até bateu uma vontade de não fazer mais nada, de deixar tudo pra trás. Menti pros meus pais dizendo que eu ia com a Lella, com a Bina e com a Sharon pro Ibirapuera andar de bike. Saí de casa chorando muito, pois não tinha falado pro Edson pra onde eu ia. Ele ia ficar muito preocupado. E se a gente voltasse e ele não quisesse mais ficar comigo ? E os meus pais ? A preocupação que eles iam sentir. Eu ia magoar muita gente que eu amava, de uma vez só... Bosta de vida, viu. Porque o Hanson não podia vir pro Brasil?

A gente ia sair da rodoviária do Tietê. Combinamos de nos encontrar lá. Fui o caminho inteiro chorando muito, de soluçar, sabe ? Um monte de gente no metrô perguntava se eu estava bem, se precisava de alguma coisa. Mas eu disse que tava chorando porque meu cachorro tinha morrido... Ai, tadinho do Billy (meu cão).

Eu tinha deixado uma carta explicando tudo para minha família. Estava dentro de uma panela que minha mãe usava sempre pra fazer almoço. E domingo ela sempre fazia o almoço mais tarde, então, quando ela lesse, já seria muito tarde pra tomar alguma decisão. Combinamos que as quatro deixariam as cartas (lógico que todas nós escrevemos) em lugares estranhos, que nossos pais só veriam quando estivéssemos a caminho. A Lella deixou no box do banheiro, a Sharon dentro do armário da cozinha da casa da vó dela e a Bina dentro da geladeira.

Enfim, nos encontramos na catraca da estação Tietê do metrô. Quando eu cheguei a Bina já tava lá. Como de costume, a Lella e a Sharon se atrasaram. Chegaram juntas, pois tinham se encontrado no metrô. Eram já nove e meia, e estávamos atrasadas. Descemos e subimos aquela rodoviária até achar a ‘dita da plataforma de embarque. Entramos no ônibus... Ai! Que peso, que tristeza, que medo, que monte de coisa tudo misturada. Nos sentamos nas poltronas. Tínhamos pego as últimas, bem do fundão mesmo. Sentamos em pares. Eu e a Bina do lado esquerdo e a Sharon e a Lella do direito. Durante a viagem não falamos muito. Palavras não iam fazer sentido num momento daqueles. Estava um dia sem sol, nublado, mas mesmo assim estava meio quente. O motor ligou. Olhei no relógio: dez e cinco. Fechei os olhos e apertei a mão da Bina. Ela fez o mesmo. Começei a chorar de medo, afinal, era uma coisa arrisacada. A Bina me abraçou. A Lella e a Sharon se levantaram e nos abraçamos, chorando. Os passageiros do ônibus inteiro estavam olhando meio confuso.>

O ônibus se mexeu e partimos. Estávamos na estrada havia tempo, e já tinhamos feito algumas paradas, afinal, era uma loooonga viagem.Olhei pra Lella e pra Sharon. A Sharon estava escutando disk-man com os olhos fechados e a Lella estava lendo, muito sonolenta. Vez ou outra os olhos dela fechavam, mas ela os abria assustada e continuava sua leitura. Fechei os olhos e procurei dormir. Tive um sonho... Nós estávamos num lugar grande, e cheio de gente. De repente as luzes se apagam. E só uma luz se acende. Quando eu olho está em cima de um palco Zac, Taylor e Ike, que começam a cantar "A song to sing". Acordei assustada. Meus olhos cheios de lágrimas. Olho pras minhas amigas e elas estava dormindo. Onde será que estávamos ? Ví uma placa no canto da estrada "Bievenidos a Rosario".

Lynne > "Rosario ? Que é isso ? Paraná ?" - pensei ainda com sono. Só depois que me liguei que na placa estava escrito "bievenidos". Fiquei agitada. E não existia nenhuma cidade brasileira chamada Rosario.

Lynne > "Putz... Já estamos na Argentina." - olhei pela janela. Estava uma solzinho de fim de tarde. Devia estar anoitecendo. Olhei no relógio: seis da tarde. Meus pais já deviam estar em desespero. Mas o que eu ia fazer?

Lynne > "Preciso arrumar o meu relógio com o fuso daqui..."- sussurei pra mim mesma. Fechei os olhos de novo e adormeci mais uma vez.

Acordei aliás, fui acordada. Abri os olhos bem devagar e ví um rosto conhecido.

Bina > "Chegamos..."

Lynne > "Hmm?"

Bina > "Chegamos, vamos descer."- eu não me lembro que fiz depois... Acho que chacoalhei a Sharon e a Lella para elas acordarem e descemos do ônibus pra pegarmos nossa malinha. Só quando estava fora do ônibus, lembrei do que estava acontecendo. E pelo visto, nem a Sharon e nem a Lella lembravam de tudo.

Sharon > "Meu... Onde a gente tá ?"

Lella > "Bolívia, né ?"

Lynne > "Argentina, filha..."

Lella > "Ah, é mesmo..."

Sharon > "Nossa, nossa, nossa, nossa !!!!!"

Bina > "Que foi ?"

Sharon > "Posso jurar por tudo que tinha sonhado..."

Lella > "Hehe..."

Bina > "A gente vai pra casa da menina como ? De ônibus, a pé, de táxi ?"

Sharon > "Tá louca ? Ela vem buscar a gente aqui..."

Lella > " ‘Cê sabe como a minina é ?"

Sharon > "Tipoooo.... não, mas ela disse que ia estar com uma camiseta do Hanson."

Lynne > "Alí, ó ?"

Tinha encostada numa grade uma menina com os cadelos ondulados e castanhos, com uma camiseta do Hanson sorrindo e acenando. Deveria ser ela. Acenamos de volta. Descobrimos que a menina se chamava Rosa. Pegamos as nossas malas e saímos da área de desembarque, indo ao encontro de Rosa.

Rosa > "Bievenidas !!!!"- disse sorrindo, muito simpática. Retribuímos o sorriso.

Sharon > "Você fala português, né ?"

Rosa > "Muy poquito."- na hora lembramos daquela entrevista que o Hanson deu no Gugu, que o Ike disse isso.

Lynne > "Que horas são aqui ?"

Não lembro o que ela respondeu. Só sei que já estava de noite. Entramos no carro. A mãe dela parecia muito simpática também. Se chamava Joana, acho.

Rosa > "Vocês querem ligar pra casa ?"

Lella > "Hehe, depois a gente liga."

Entramos no carro e seguimos para a casa de Rosa. Ela vivia só com a mãe e o irmão dela.

Buenos Aires não parecia muito diferente de São Paulo. Na verdade era até que bem igual, sabe ? O que mudava um pouco era os tipos de pessoas, o modo de vestir, o estilo... Essas coisas. E a arquitetura... mas bem pouco. Era quase igual a São Paulo. Estava um pouco friozinho. Colocamos nossos casacos. Fomos andando pela cidade atentas a tudo. Agora aquela tristeza toda havia se tornado excitação pura. Gente, como estávamos empolgadas ! A Lella não parava de falar, a Bina de rir e eu e a Sharon de falar merda. A Rosa e a mãe dela se divertiam muito.

Rosa > "Então garotas..."- eu não vou colocar tudo que a menina fala em espanhol, claro - "... vocês estão muito cansadas ?"

Lella > "Não... A gente dormiu a viagem inteira. Sabe como é, né ? A viagem mó comprida, sem nada pra fazer, e eu tava lendo ainda... Meu, nossa, tá obvio que eu ia dormir... E além do mais, eu sabia que não ia conseguir dormir aqui. Tipo que eu sei que eu ia ficar acordada seguindo o Hanson por aí. Eu já te contei de quando eles foram para o Brasil... Nossa, a gente nem pregou os olhos..."

Sharon > "Pô Ariella, meu... Para." - disse rindo. A Lella riu com uma cara de "que foi ?". Era normal. Ai ! Ainda bem que aquele remorço todo tinha sumido.

Lynne > "Porque ?"

Rosa > "A gente vai pro aeroporto mais tarde esperar eles chegarem."

Bina > "Que horas eles chegam ?"

Rosa > "Não tenho certeza, mas eu acho que umas oito da manhã. Da outra vez que els vieram pra cá eu fui pro aeroporto tarde e não consegui vê-los lá. Por isso quero ir cedinho dessa vez."

Sharon > "Eu acho que ia ser melhor a gente ir pro hotel ao invés de ir pro aeroporto."

Lella > "Verdade... A outra vez que eles vieram a gente não conseguiu vê-los no aeroporto. Ficamos lá desde às onze da noite até meio dia e quinze do dia seguinte e Hanson que é bom nada... Agora quem ficou no hotel não... Consegui vê-los, abraçar, beijar, pegar autógrafos... Ai, que raiva que isso me dá !!! E olha que..."

Bina > "Lella, menos querida."

Lella riu. Ela estava muito alegre cara, meio boba.

Rosa > "Vocês acham melhor ir pro hotel ? Então vamos... Realmente vocês tem razão. Vai ser aquele tumulto no aeroporto que nem foi da última vez."

Sharon > "Não... Tipo que se você achar melhor ir pro aeroporto tudo bem. A gente tá aqui de bicuda, tipo que você quem sabe, pra gente tanto faz."

Lynne > "Mesmo porque a gente não conhece aqui direito e não sabe como são as coisas por aqui."

Rosa > "Hmmmm... Eu também não sei. Vamos tentar primeiro o aeroporto, daí dependendo do movimento lá a gente vai pra porta do hotel."

Bina > "Você sabe onde é ?"

Rosa > "Ahan. Me irmão pode levar a gente."

Lynne > "Irmão ?"

Rosa > "É. O Miguel é super gente boa. Ele vai concordar na boa em levar a gente."

Bina > "Quantos anos que ele tem ?"

Rosa > "22."

Chegamos até a casa da Rosa. Era um bairro de classe média alta. A casa dela era bonita: Um sobrado azul. E a gente ama azul. E o irmão dela super gente boa. E até que era bonitinho.... Tomamos um banho e simulamos uma ligação para casa. Nos arrumamos. A Joana, mãe da Rosa disse que era pra gente se agasalhar bem porque a noite lá era muito fria. A gente não tinha levado um monte de casacos. A gente quase não tinha levado roupa direito. Tanto eu como as minhas ‘migas tínhamos apenas duas blusas cada, e a mãe da Rosa disse que era pouco. Então pegamos umas roupas emprestadas. Enquanto nos arrumávamos a gente foi conversando com Miguel e descobrimos que o pai deles era general e havia morrido em batalha num conflito na Bolívia (a gente ficou muito chocada) e que tanto ele quanto Rosa eram americanos naturalizados argentinos. Quando a Sharon descobriu isso ela quase morreu. Ela ama americanos e começou a fazer mil e uma pergutas para o coitado do Miguel: se ele não tinha se arrependido de se naturalizar argentino, como era ser americano, porque ele não morava no EUA e coisas do tipo. Agora, quando a Sharon passou mais mal foi quando ela perguntou pro Miguel se ele gostava de ser americano e ele respondeu: "Normal. Mas prefiro ser argentino." Nossa. Acho que ela não xingou ele alto pra não ficar chato. Ela daria a vida pra morrer e nascer nos EUA de novo e quem tinha nascido gostava de ser latino.

Bom, lá estávamos prontas e a caminho do aeroporto.O Miguel levou a gente. E não estava tão cheio, então resolvemos ficar por lá mesmo. Andamos por todo o aeroporto para descobrir todas as possíveis outras saídas que o Hanson utilizaria além daquela que havia sido passada para as fãs. Se no Brasil eles tinham usado outra saída pra fugir das fãs, eles podiam muito bem fazer isso de novo. Bom, eu podia contar tudo que a gente ficou fazendo lá no aeroporto até a hora do vôo do Hanson chegar, mas você provavelmente não quer saber e quer chegar nos finalmentes logo, acertei ? Tá bom... Mas eu só vou comentar antes de ir para o que interessa que nossos pais lá no Brasil já tinham chamado polícia, bombeiro, marinha, aeronáutica, Interpool, CIA, FBI e tudo que é instituição. Mas como moramos num continente não tão desenvolvido e um pouco atrasado em relação a tudo, a polícia brasileira só podia nos procurar com até 24 horas de desaparecimento e precisariam de uma autorização especial para entrar na Argentina para nos procurar. E a autorização para esse caso demorava uns dois dias para sair. Graças a esse sub-desenvolvimento que tudo deu certo.

Bom, enfim. Seis da manhã já estávamos de volta na frente do portão de desembarque. O vôo deles havia chego às 7:45. E eles estavam demorando para sair, como no Brasil. Começamos a ficar bem bravas porque não estávamos a fim de ter que passar por toda a merda de novo, como haviamos passado aqui. Tomamos a decisão de sair correndo para o embraque, porque o Hanson havia saído por lá aqui no Brasil. Foi o que fizemos. E a Rosa tinha ficado lá no desembarque mesmo, como alguém normal.

A gente chegou lá suando frio e cheias de esperanças de encontrá-los. E agora você deve estar pensando: "Com certeza elas conseguiram vê-los e pegaram autógrafos, deram beijos e cada Hanson se apaixonou por uma delas. Eles a convidaram para sair, ficaram, se amaram, eles foram para a Austrália e elas foram junto, vivendo felizes para sempre..." né ? Não, não, não e não. Quem me dera ter sido tão fácil desse jeito. A gente tava lá no portão de embarque sentadas no chão crentes que a visão perfeita em segundos surgiria diante de nossos olhos. Mas passaram minutos e nada, nada e nada. De repente a gente escutou uns gritos. Eles ficaram mais altos. E não paravam de aumentar. Nos olhamos e não pensamos três vezes: saímos correndo de volta para o portão de desembarque, de onde a gente nunca devia ter saído. Mas era meio longe de onde a gente tava, e tivemos alguns probleminhas para chegar lá. Além de ser longe, não sabíamos onde estávamos direito. No meio do caminho a gente encontrou um funcionário do aeroporto e fizemos o coitado ir correndo com a gente até lá.

Lella > "Cadê eles ? Cadê eles ? Cadê eles ?" - gritou a Lella logo que chegamos perto da muvuca de meninas. Muitas se abraçavam e choravam. Estava uma confusão enorme.

Lynne > "ROSAAAAAAAAAAAAA !!!!!!!!!!!!!!!!"

Sharon > "Ai merda de vida... Porra, que que tá acontecendo ?"

Rosa > "AQUIIIIIIIII !!!!!!!!!!" - gritou ela de outro canto. Fomos correndo até ela.

Bina > "Que que tá acontecendo ?"

Rosa > "Vocês não viram ?"

Sharon > "Nããão..." - disse preocupada.

Rosa > "Como não ? Onde vocês tavam ?"

Lynne > "No portão de embarque..."

Rosa > "Porque ?"

Bina > "Porque a gente acha que o Hanson vai descer por lá, como eles fizeram no Brasil."

Rosa > "Achavam, né ?"

Lella > "Como assim ?"

Rosa > " Eles passaram por aqui não fazem nem dez segundos. Eu achei que vocês estavam por aqui. Meu... Não creio."

Lynne > "QUE ???? EU NÃO CREIO !!!!!"- gritei brava.

Lella > "Não brinca assim Rosa. Por favor, fala que é brincadeira."

Rosa > "Não é não, ó..."- e nos estendeu o encarte do This Time Around assinado pelo Tay.

Lynne > "Puta que o pariu !!!! A gente é muito cretina !!!!"

Lella > "Eu sabia que a gente não devia ter saído daqui. Eu sabia que a gente devia ter saído daquele portão antes. A gente nunca no mundo devia ter saído daqui !!! Que bosta !!!! Porque a gente saiu daqui ? Porque ?" - disse entre as lágrimas

Sharon > "Porra, porra, porra, vida mú !!!! A gente não existe !!! Não cara !!!! É o fato da gente ser brasileira ! País de merda !!! Ai como eu odeio o Brasil !!! Como eu odeio o mundo !!!" - disse chorando de raiva.

Bina > "Porra mano, viu, meu, que saco... Eu perdi uma semana inteira de aula pra vir aqui ! Caralho viu meu !!! Filhos da pu** !!!! Porra !!!!"- disse chorando muito. Eu também estava chorando demais, mas me limitei a palavrões e fiquei só falando "não acredito, não acredito" e "bosta".

A coitada da Rosa não sabia o que fazer. Também... Nem eu saberia. Você com visitas de outro país na sua casa pra ver o Hanson, e você leva elas pro aeroporto somente para vê-los, e elas não vêem e começam a chorar que nem loucas. Nossa, horrível !

Rosa > "Bom... Tipo... É... Meninas... A gente pode ir pro hotel... É..."- dizia meio sem saber o que dizer... Hmmm... dizia sem saber o que dizer, isso ficou estranho, mas foi assim. Eu também não saberia o que fazer numa situação dessas. Ela conversou com a gente e aos poucos fomos parando de chorar.

Rosa > "Olha gente, eu ligo correndo pro Miguel e a gente vai pro hotel, tá ?"

Sharon > "Pra que ? Chegando lá eles já vão ter entrado."

Rosa > "Bom, não custa tentar."

Lella > "Tá... Mas vamos de táxi porque até seu irmão chegar vai demorar muito e eu reparei que tem um monte de táxi lá fora e a gente pega um táxi e divide porque aí sai mais barato e a gente pode chegar lá antes deles se tudo der certo e..."

Lynne > "Chega Lella..."

Lella > "Hehe."

Rosa > "Tá, vamô lá então... Vocês tem money aí ?"

Um sim geral. Saímos correndo e entramos no primeiro táxi e nos dirigimos ao hotel...

Hmm... Eu não lembro mais o nome, mas era um hotel muito bonito. E quase não tinha fã na porta. Pra falar a verdade não tinha ninguém na porta. Wohooooo. O hotel vazio cara ! Yes !!! Não precisaríamos dividir a atenção deles com ninguém. Ah, que beleza sentir o gosto da vitória. A gente sentou no chão e esperou.

Lynne > "Nossa, cara... Será que nenhuma fã pensou nisso antes aqui ?"

Sharon > "Pelo visto... não."

Lella > "É uma esperteza assim... gigante !"

Bina > "Vai dar errado, povo. Isso aqui tá muito vazio ! Tem alguma coisa errada por aqui !"- Ai ! mais uma vez a Bina e seu pessimismo irritantemente irritante (eitcha ! bunita essa hein ?)

Sharon > "Se liga Bina, pára de falar isso. Nossa, que raiva meu !"

Lella > "Pára um pouco vai !?"

Bina > "Mas tá muit..."

Lynne > "E daí ? Vai ver que o pessoal esperto daqui não tinha pensado nisso ainda, vai saber ?"

Ufa... Nem preciso falar o quão nos sentíamos aliviadas de estar ali e ter a certeza de ver o Hanson. Pro hotel estar vazio daquele jeito eles nem deviam ter chego ainda. Nos sentamos e começamos a conversar sobre o que faríamos quando eles aparecessem. O que falaríamos, como agiríamos... Conversamos tanto que nem vimos o tempo passar.

Rosa > "Que horas são ?"

Sharon > "Ai cocô !!!!"

Lynne > "Que foi ?"

Sharon > "Faz quase duas horas que a gente tá aqui !!!!"- disse olhando no relógio.

Lella > "Mas e eles ? Será que não vieram pro hotel ainda ? Que será que aconteceu ?"

Bina > "Será que o carro quebrou no meio do caminho ou eles ficaram presos no trânsito ?"

Lynne > "É mais fácil deduzir que o hotel não é esse."

Rosa > "Calma aê que eu vou lá perguntar." - disse se levantando e indo falar com um porteiro que estava por ali. E eu fui junto.

Rosa > "Com licença, você poderia no informar a que horas o Hanson vai chegar ?"

Porteiro > "Hanson ? Qué isso ?"

Rosa > "Uma banda aí..."

Porteiro > "Hanson é ? Calma que eu vou lá dentro ver." - o porteiro entrou. Eu olhei pra Rosa sorrindo. Provavelmente seria coisa boa. Mas, às vezes a vida engana (no nosso caso, a maioria delas).

Porteiro > "Há ! Há ! Há !"

Lynne > "Qual é a graça ?"

Portiro > "Ai meninas ! Vocês erraram o hotel. Esse hotel que o Ranço (foi assim que ele pronunciou) ficou é na rua aqui debaixo. Putz..."

Lynne > "Ai Senhor ! Sabia !"

Rosa > "Ah, tá, valeu então." - voltamos pra perto de Lella, Sharon e Bina. Me lembro do rosto delas como se fosse ontem. Aquela cara de esperança. E eu odeio dar notícias ruins pra pessoas esperançosas.

Lynne > "Bom, gente, sinto informar mas o hotel não é esse... Vai, fala a verdade...temos uma sorte do cão, né ?" - dissse irônica.

Lella, Sharon e Bina se olharam desanimadas. Nem xigaram nem nada, afinal, tudo virar merda pra gente já estava se tornando comum. Resolvemos ir pra frente do hotel de verdade. E o mais irritante de tudo foi aquele poretiro mongol que ficou rindo, de gargalhar mesmo, da nosa desgraça. Puta, que raiva ! Porteiro infeliz ! Deve estar rindo até agora. Tomara que ele caia e quebre a perna... Humpf !!!

Agora sim... Hotel cheio de gente na porta gritando... Nos sentimos mais aliviadas. Haviam dito pra gente que eles tinham entrado com a van e tinham ido direto pro estacionamento sem parar para cumprimentar. Bom, de qualquer jeito fazer aquele esforço seria em vão.

Sharon > "Tipo que... Rosa, ‘cê conseguiu ingresso pro show ?"

Rosa > "Não gente, desculpa..."- ela tinha combinado de comprar ingressos pra gente - "não consegui nem pra mim..."

Bina > "Eles vão em algum programa de TV ?"

Rosa > "Vão, mas eu não consegui lugar em nenhum..."

Pronto !!! Agora nosso sonho tinha caído de vez... Incrível como tudo tava dando tão errado pra gente, credo ! Por um momento pensamos em voltar pra casa e esquecer tudo, aliás, não só por um momento, mas o tempo todo depois que descobrimos que não conseguiríamos vê-los em lugar nenhum.

Bina > "Na boa... Vamô voltar pra casa, vai ? Tô com saudade de todo mundo. E ficar aqui não vai adiantar nada mesmo..."

Sharon > " Verdade... nada a ver a gente ficar aqui..."

Lynne > "Ah gente, vejam pelo lado bom da coisa: Conhecemos um país novo, viajamos sozinhas"- continuei em tom mais baixo - " e escondidas..."

Sharon > "Vamos chegar em casa e vamos ser mortas e degoladas pelos nossos pais...

Bina > "Essa é a melhor parte !"

Rosa > " ‘Magina gente, fica aí... vai que a sorte muda..."

Lella > "É mesmo ! Como vocês desistem rápido de tudo, que coisa. Eu não vou voltar... A gente teve mó trabalho planejando isso tudo e agora vocês querem desistir, assim, de repente ? Não mesmo. Eu fico aqui, nem que seja sozinha... Meu, vamo gente, ânimo, vamo ficá até sábado, não custa nada. A gente já tá aqui mesmo. Que custa ficar só mais um pouco ? E também...."- e ela começou uma história enorme para nos convencer a ficar. Mas nem eu, nem a Bina e nem a Sharon estávamos muito a fim e nem o Papa tiraria a idéia de ir embora da nossa cabeça. Ligamos para o irmão da Rosa e voltamos pra casa dela. Eu, a Bina e a Sharon tínhamos resolvido voltar mesmo, e já estávamos arrumando nossas tralhas. Tinhamos ligado pra rodoviária e sairia um ônibus de lá naquele mesmo dia. E a gente ia pegar esse aí e voltar de vez.

Capítulo 4 Índice 1
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